Na quarta-feira, Rafael marcou uma reunião com uma advogada empresarial e um contador.
Não chegou com a intenção de abrir uma gestora completa em uma semana. Queria compreender a estrutura mais adequada para investir o próprio capital e organizar seus projetos futuros.
A reunião durou quase duas horas.
Discutiram estrutura societária, contabilidade, tributação, separação patrimonial e as diferenças entre investir recursos próprios e prestar serviços profissionais de gestão de recursos de terceiros.
Rafael fez perguntas específicas, anotou os pontos que exigiam análise adicional e pediu uma estimativa dos custos recorrentes.
A advogada ficou impressionada com a preparação.
— Você já tem um plano bastante desenvolvido.
— Tenho uma ideia clara do que quero construir. Ainda preciso escolher a melhor estrutura para executá-la.
— Essa é a atitude correta. Não vale a pena montar uma estrutura complexa antes de saber exatamente quais atividades ela exercerá.
Rafael concordou.
Queria crescer rapidamente, mas não confundia velocidade com desorganização.
Ao final da reunião, combinaram que os profissionais preparariam uma proposta formal de estruturação.
Quando saiu do escritório, Rafael recebeu uma mensagem de André.
Você vai comemorar o primeiro milhão?
Rafael respondeu:
Ainda não.
André mandou um emoji de espanto.
Como assim? Você passou meses falando disso.
Rafael sorriu antes de digitar:
Porque agora quero chegar ao próximo.
Guardou o telefone.
Seu patrimônio pessoal ultrapassara R$ 1 milhão, mas a empresa ainda não existia. O passo seguinte seria transformar seu plano em uma estrutura real.
Naquela tarde, Rafael voltou a acompanhar o mercado.
O poder continuava funcionando.
Ele observou uma notícia que seria divulgada nas próximas horas, analisou os efeitos prováveis e identificou uma oportunidade compatível com seu plano de risco.
Executou a operação.
Ao final do dia, o resultado líquido acrescentou R$ 9.760 ao patrimônio.
Rafael atualizou a planilha.
Patrimônio: R$ 1.015.940.
Não precisava gastar o dinheiro para sentir que havia conquistado algo.
A cada operação bem-sucedida, aumentava sua capacidade de financiar os próprios projetos.
E a cada decisão empresarial, aproximava-se de uma posição em que não precisaria depender de um empregador para decidir como utilizar seu tempo.
Naquela noite, abriu um documento e escreveu a primeira frase do plano estratégico da Monteiro Capital:
O objetivo da empresa é alocar capital de maneira disciplinada, aproveitar oportunidades identificadas por análise rigorosa e construir patrimônio de longo prazo.
Leu a frase duas vezes.
Era suficientemente profissional para orientar a empresa sem revelar nada sobre o verdadeiro diferencial que ele possuía.
Salvou o documento.
O projeto estava começando a ganhar forma.
E Rafael ainda tinha vinte e quatro horas de futuro para explorar a cada novo dia.