1 CAPITULO DO 1 VOLUME:A INTRIGA as paredes de mármore do Palácio do Império Perandoria Numër 60 reluziam sob a luz morna da tarde. O lugar exalava opulência, mas dentro dos aposentos reais, o clima era de puro marasmo.
Deitada confortavelmente em seu luxuoso sofá de veludo, a Princesa Kompleks esticava os dedos delicados para pegar mais uma uva de uma bandeja de prata sobre a mesa. Ela era a própria definição de elegância imperial: cabelos rosa longos que cascateavam como seda pelos ombros, íris amarelas brilhantes que pareciam duas joias polidas e uma túnica branca impecável que reforçava sua aura divina. No pescoço, ela exibia cinco colares de pedras preciosas que reluziam em uma sequência perfeitamente simétrica: a primeira azul, a segunda roxa, a terceira amarela, a quarta vermelha e a quinta verde. Para qualquer súdito, Kompleks era a imagem viva da calmaria — uma jovem extremamente gente boa, doce, com um sorriso acolhedor sempre pronto para confortar quem quer que fosse.
“Poxa, tá demorando demais…”, pensou Kompleks, mastigando a uva devagar enquanto olhava para os afrescos do teto com um biquinho de tédio. “O pessoal do conselho jurou de pé junto que ia trazer o meu novo guarda hoje. Será que o cara se perdeu no jardim? Aquele labirinto de cercas-vivas é meio complicadinho mesmo.”
Como se o universo estivesse esperando ela terminar o raciocínio, três batidas ritmadas e sem nenhuma pressa ecoaram na grande porta de madeira maciça.
— Quem é que bate à porta do meu descanso? — perguntou Kompleks, ajeitando a túnica com sua habitual leveza e mudando a postura para parecer um pouco mais imponente, mas sem perder a doçura.
Do outro lado, uma voz respondeu. Mas para a surpresa da princesa, não era a voz de um soldado sisudo, daqueles frios, calculistas e analíticos que pareciam robôs de armadura que abundavam na corte. Era a voz de alguém genuinamente simpático, descontraído e com uma energia de quem acabou de acordar de um cochilo gostoso:
— Opa! Olá! Sou eu mesma, a sua nova sombra! Quer dizer, o seu novo guarda!
Kompleks deu uma risadinha leve, gostando imediatamente da vibe sem protocolo do sujeito.
— Ah, que ótimo! Pode entrar, então! A casa é sua — bom, tecnicamente é minha, mas você entendeu!
A porta se abriu com um ranger suave e o novo protetor do palácio deu um passo à frente, revelando seu visual. Ele tinha 1,60m de altura, cabelos brancos-rosados curtos e desfiados, e íris vermelhas bem vivas. Vestia uma roupa preta justa sob um casaco marrom bastante estiloso, que parecia confortável para o combate. O detalhe mais bizarro e comicamente desconfortável era que ele andava sempre segurando a sua espada com uma das mãos, mantendo a bainha firme junto ao corpo pelo simples fato de que sua roupa não tinha nenhum cinto, suporte ou gancho adequado para guardá-la.
— Rapaz, você é bastante bem-vindo ao meu palácio! — disse Kompleks, abrindo os braços e exibindo aquele sorriso radiante de quem acolhe um hóspede querido. — Que bom que chegou, já estava quase conversando com as uvas.
O jovem deu um aceno amigável com a cabeça, esticou o braço livre para coçar a nuca e sorriu de volta, transbordando carisma.
— Muito obrigado pela recepção calorosa, Alteza! — O sorriso dele continuou idêntico, mas as palavras seguintes vieram com uma naturalidade tão chocante que parecia que ele estava comentando sobre o clima: — Então você deve ser a famosa princesa que me mandaram proteger, né? Deixa eu só alinhar as expectativas: meu trabalho aqui é ser seu guarda pessoal... e também seu carrasco, caso a sua imagem política não esteja boa e o conselho decida que você virou um estorvo. Coisa leve, sabe como é? Contrato padrão.
Kompleks nem piscou. Suas íris amarelas continuaram brilhando com a mesma doçura de antes, aceitando a ameaça de morte com a maior leveza do mundo.
— Ah, sim! É exatamente isso, o memorando que recebi dizia algo parecido. Mas me conta, estou curiosa... quem é você? Qual o seu nome?
— Eu sou o Kush jam unë — respondeu ele, ajeitando o casaco marrom e trocando a espada de mão com total informalidade. — Pode me chamar só de Kush se achar que o nome completo gasta muita saliva.
— Pois bem, Kush... já que nenhuma daquelas reuniões chatas da corte me chamou para nada agora, o que você acha de a gente bater um papinho para quebrar o gelo e nos conhecermos melhor? — sugeriu Kompleks, batendo de leve no espaço vazio do sofá.
— Olha, eu acho uma excelente ideia! — aceitou Kush, relaxando os ombros. — Sou super a favor de bater papo em horário de serviço, desde que ninguém apareça para me dar bronca.
— Perfeito! Eu começo, porque sou a dona do quarto — disse Kompleks, animada como se estivesse jogando um jogo de tabuleiro. — De onde você veio, Kush? Qual a sua história?
— Bom, eu vim de uma vila bem humilde e afastada daqui — explicou Kush, encostando-se casualmente em uma coluna de mármore enquanto segurava sua arma. — Cresci e fui criado lá no interior, treinando desde guri a arte do assassinato de aluguel. Coisa de família, sabe? Então, se serve de consolo para a sua segurança, pode-se dizer que eu já tenho bastante experiência prática com armas, venenos e decapitações. Sou bem qualificado.
— Entendi perfeitamente! Que currículo interessante — respondeu a princesa, assimilando o fato de que seu guarda era um ex-assassino com a mesma tranquilidade de quem ouve sobre um curso de culinária. — Agora é a sua vez de jogar. Pode perguntar algo para mim!
Kush piscou as íris vermelhas, encarando a princesa por alguns segundos. Ele franziu o cenho, achando aquela regra de convivência um pouco engessada.
— Com licença, princesa... mas posso te fazer uma pergunta fora do roteiro? É natural entre as princesas que os papos sejam divididos assim? Tipo... de forma tão rígida? Uma vez de quem pergunta, depois a vez de quem responde, e aí vai revezando o turno?
Kompleks deu uma risadinha terapêutica, achando a dúvida dele a coisa mais fofa do mundo.
— Mas claro que sim, Kush! É que como as princesas ocupam o cargo mais alto na hierarquia imperial, nós temos muitas obrigações e não gostamos de perder tempo com conversas longas, confusas e sem rumo. Por isso, nós deixamos o diálogo dividido por vez. Funciona exatamente como em um jogo: você pergunta, eu respondo, deixo você falar, você responde e a gente repete. É super organizado e economiza neurônios!
Kush continuou com o mesmo sorrisinho simpático no rosto, mas por dentro sua mente estava gritando: “Rapaz... essa mulher é completamente maluca. Ela não tem a menor ideia de como funciona uma conversa comum entre seres humanos normais na face da Terra. Onde já se viu dialogar por turnos? Que doideira.”
Antes que Kush pudesse sugerir que eles quebrassem as regras do "tabuleiro" e conversassem como pessoas normais, três batidas secas e pesadas interromperam o ambiente. Uma voz feminina, firme e madura ecoou do outro lado da porta:
— Princesa Kompleks? Preciso falar com a senhora imediatamente. É urgente.
Kompleks soltou um muxoxo discreto, mas sua expressão voltou instantaneamente a ser a da governante perfeita.
— Já vou! — respondeu ela em alto e bom som. Depois, virou-se para o garoto de cabelos brancos-rosados: — Foi muito bom bater esse primeiro round de papo com você, Kush. Gostei de jogar contigo.
A princesa se levantou do sofá com uma elegância invejável, ajeitou os cinco colares no pescoço e fez um gesto gracioso com a mão.
— Siga-me, vamos ver o que a corte quer agora.
— É pra já, patroa — disse Kush, desencostando-se da coluna e seguindo os passos dela, com a mão esquerda colada na bainha da espada para a arma não sair batendo nas suas pernas.
Ao abrirem a porta, deram de cara com a dona da voz. Era a Punonjës. Ela tinha exatamente 1,60m de altura, os cabelos rosas amarrados de forma impecável e íris verdes profundas que pareciam ler a alma de qualquer um. Vestia um casaco branco de corte militar e sua postura exalava uma maturidade absurda. Punonjës se mostrava alguém extremamente calma, educada e madura, o tipo de pessoa que não gritaria nem se o palácio estivesse pegando fogo.
— Punonjës, minha querida! — exclamou Kompleks, inclinando a cabeça com um sorriso dócil. — Por que você me chamou com tanta pressa? Aconteceu alguma coisa com o banquete?
Punonjës olhou para a esquerda, depois para a direita, certificando-se de que nenhum servo fofoqueiro estava por perto. Então, sem mudar uma única oitava no seu tom de voz maduro e sereno, soltou a bomba:
— É porque, por algum motivo que ainda estamos tentando rastrear nos bastidores, estão planejando matar a senhora hoje, princesa.
Kompleks piscou suas íris amarelas, a expressão de calmaria intocada, mas uma leve ironia pintou o canto dos seus lábios.
— Ora, mas que falta de educação... Por que fariam isso logo comigo? Eu sou um amor de pessoa.
— Minha suspeita inicial — continuou Punonjës, ajustando as mangas do casaco branco — é que seja alguém de dentro da nossa própria ala. Alguma mente articulada que está influenciando negativamente as mulheres locais e os guardas contra a senhora, minando sua autoridade.
A mente de Kompleks trabalhou em alta velocidade. A doçura continuava estampada em seu rosto, mas a lógica fria de uma sobrevivente do Império Perandoria falou mais alto. Ela se inclinou na direção de Punonjës e sugeriu com uma calma assustadora:
— Entendi perfeitamente a gravidade. Então acho que devemos fazer o seguinte: um interrogatório geral e obrigatório. Quem for considerada suspeita e não demonstrar ser 100% leal a mim... bem, deverá ser morta e eliminada ali mesmo, na hora. O que acha?
Kush, que assistia a tudo logo atrás da princesa, deu um sorriso largo de canto de boca. “Olha só para isso...”, pensou ele, achando a dinâmica maravilhosa. “A princesinha que parece um anjo acabou de sugerir uma execução em massa com a maior cara de santa do mundo. Essa história está ficando divertida.”
Punonjës, no entanto, nem piscou diante da sugestão drástica. Apenas balançou a cabeça negativamente com uma paciência de professora.
— Isso não é uma boa ideia, Vossa Alteza. Iniciar uma caça às bruxas e um derramamento de sangue desse tamanho só iria espalhar o terror e a desconfiança entre as mulheres locais e a criadagem do palácio. O povo acharia que a senhora é uma tirana paranoica. Seria um desastre absoluto para a sua imagem política.
Kush olhou de relance para o pescoço da princesa, mudando discretamente a pegada na sua espada. Ele lembrou a si mesmo do seu contrato: se a imagem política dela fosse para o ralo por causa de um massacre desnecessário, o trabalho dele como carrasco teria que começar ali mesmo, naquele corredor.
Kompleks, percebendo a sutil mudança de clima e o peso das palavras da conselheira, recalculou a rota com um sorriso diplomático:
— Ah, você tem toda razão, Punonjës! Que cabeça a minha. O terror desnecessário estraga o visual do palácio. Então faremos um interrogatório apenas com as leais, para garantir o nosso círculo interno. Punonjës, chame todas as mulheres que você tem certeza absoluta que ainda são leais a mim e mande-as irem direto para a minha sala de estar agora.
— Entendido, Vossa Alteza. Vou reunir do comitê de lealdade agora mesmo — respondeu Punonjës com uma reverência impecável e educada, antes de dar meia-volta e sair andando a passos firmes e silenciosos pelo corredor de mármore.
Kompleks observou a silhueta de sua conselheira desaparecer na dobra do corredor. Por um breve segundo, os olhos amarelos da princesa perderam o brilho ingênuo. Seus dedos tocaram inconscientemente na primeira pedra azul do seu colar, e um pensamento tenso e afiado cruzou a sua mente:
“Eu não posso morrer. Definitivamente não agora. Eu ralei demais para chegar até aqui e tenho coisas grandes demais para realizar neste império antes que qualquer assassino de meia-tigela tente me parar.”
Ao lado dela, Kush jam unë apenas observava as reações de sua nova patroa, sabendo que sua vida de guarda-costas em Perandoria Numër 60 seria algo novo Após a kompleks e kush entrarem dentro do pânico e a kompleks ss sentar no sofá e o kush fica ao lado dela esperando a atmosfera dentro dos aposentos reais do Palácio do Império Perandoria Numër 60 comeceu a ficar uma delícia para quem gostava de fofoca e uma desgraça para quem tinha ansiedade.
A Princesa Kompleks estava completamente jogada em seu sofá de veludo, com as pernas para o alto e uma expressão de quem não tinha um boleto para pagar na vida. Ela pegou uma uva verde bem gorda da bandeja de prata na mesa, jogou para o alto e tentou pegar com a boca. Errou. A uva bateu no seu queixo e rolou pelo chão.
— Droga... Quase — resmungou Kompleks, sem perder a doçura na voz. Ela ajeitou os cinco colares coloridos no pescoço — o azul, o roxo, o amarelo, o vermelho e o verde — e olhou para o lado.
Lá estava o Kush jam unë. O garoto de 1,60m de altura, cabelos brancos-rosados curtos e íris vermelhas estava encostado na parede, usando seu casaco marrom estiloso. Ele estava com uma cara de tédio terrível, segurando a bainha da sua espada com as duas mãos na altura da barriga, parecendo alguém segurando um guarda-chuva molhado no ônibus.
— Cara... na boa, Vossa Alteza — Kush quebrou o silêncio, com um tom de voz super descontraído e gente boa. — Esse seu palácio é lindo, mas vocês não podiam ter me dado uma farda com um cinto decente? Ficar segurando essa espada o dia inteiro porque não tenho onde pendurar tá acabando com os meus braços. Daqui a pouco vou ter que cobrar taxa extra por esforço repetitivo.
Kompleks deu uma risadinha leve e dócil, limpando os dedos de uva na túnica branca.
— Ah, Kush, não reclama! Pensa pelo lado positivo: se alguém invadir o quarto, você já está com a mão na massa. É pura eficiência imperial!
Antes que Kush pudesse retrucar que a eficiência imperial estava dando cãibra nele, três batidas bem educadas soaram na grande porta de madeira. Kompleks imediatamente mudou de postura. Sentou-se ereta, cruzou as pernas com elegância e assumiu aquela aura de princesa perfeita, doce e gentil que o povo amava.
— É uma das mulheres que a Punonjës mandou vir para o interrogatório? — perguntou Kompleks, com a voz mansa de um anjo.
— Sim, Vossa Alteza. Sou eu — respondeu uma voz suave do outro lado.
— Ah, que maravilha! Pode entrar, então! A porta está aberta! — exclamou a princesa, abrindo um sorriso radiante.
A porta se abriu devagar e a Princeshë e vogël entrou. Ela tinha 1,60m de altura, usava um vestido marrom impecável e tinha íris verdes que transmitiam bastante respeito. O cabelo dela chamava atenção: os cabelos marrons eram longos, mas ela usava uma trança puxada para trás que servia como uma presilha, prendendo apenas a parte do meio do cabelo, enquanto o restante dos fios caía livremente pelas costas.
A recém-chegada fez uma reverência tão perfeita que quase encostou o nariz no chão. Kompleks, querendo começar logo o seu "jogo", tomou a iniciativa:
— Princeshë, seja muito bem-vinda! Fico feliz que tenha vindo tão rápido. Diga-me, você tem alguma ideia do porquê foi chamada aqui nos meus aposentos particulares?
A Princeshë e vogël levantou a cabeça, ajeitando a trança-presilha com os dedos, e respondeu com seriedade:
— Sim, princesa Kompleks. Eu presumo que seja por conta daquela terrível e covarde tentativa de assassinato contra a senhora que aconteceu mais cedo. O palácio está um caos, todas as servas estão apavoradas.
— Exatamente! Você acertou em cheio — Kompleks deu um tapinha animado no próprio joelho. — Muito bem, isso encerra o meu primeiro turno. Agora é a sua vez de falar. O tabuleiro é seu, Princeshë. Pode fazer a sua jogada.
Kush, que estava assistindo a tudo da parede, cobriu a boca com a mão livre para não dar uma gargalhada. Ele olhou para o teto, pensando: “Meu Deus do céu, ela realmente trata uma investigação de assassinato como se fosse um jogo de cartas por turnos. Essa mulher é biruta.”
A Princeshë e vogël, já conhecendo as esquisitices de diálogo da patroa, nem estranhou. Ela olhou bem nos olhos amarelos de Kompleks e fez a sua pergunta:
— O que exatamente a senhora quer saber de mim, princesa? A senhora sabe muito bem que sou totalmente leal e contaria qualquer coisa que sei para proteger a sua vida. Pode me perguntar o que quiser.
— Ah, eu sei disso, você é um amor! — Kompleks sorriu, assumindo o seu turno novamente. — Bom, o que eu realmente quero saber de você é: quem foi a mente brilhante que deu as ordens para aquelas mulheres tentarem me matar? Quem está por trás disso?
A Princeshë e vogël franziu o cenho, cruzando os braços sobre o vestido marrom. Ela olhou de relance para o Kush, depois voltou a focar na princesa, abaixando o tom de voz para dar um clima de fofoca secreta:
— Olha... eu não sei o nome da pessoa exata que assinou a ordem. Mas, se me permite uma dedução lógica, eu acho que foram as mulheres da vice-princesa, a Lule në shi. Aquelas cobras devem ter convencido as suas próprias funcionárias a armarem essa emboscada. Eu digo isso porque, ontem no final da tarde, eu estava caminhando perto do jardim das roseiras e vi claramente duas servas da Lule conversando de cochicho com algumas das suas mulheres da limpeza. Elas pareciam estar tramando algo muito pesado.
Kompleks ouviu tudo balançando a cabeça, absorvendo a informação. Ela olhou para a jovem de marrom e disse:
— Entendido. Uma pista excelente. Bom, é o seu turno de novo, Princeshë.
A Princeshë e vogël deu um suspiro de alívio e fez a pergunta que queria:
— Se a senhora já conseguiu a informação que precisava... eu já posso me retirar para os meus aposentos?
— Mas claro que pode! Muito obrigada pela ajuda, você foi maravilhosa — Kompleks acenou, jogando um beijo no ar de forma super gentil.
A Princeshë e vogël fez mais uma reverência formal, deu meia-volta e saiu da sala, fechando a porta com um estalo suave.
No segundo em que a porta se trancou, a expressão de Kompleks mudou completamente. A doçura sumiu e ela fechou a cara, batendo a mão no sofá.
— Viu só, Kush?! Tá mais do que claro agora! Aquela cascavel da Lule në shi é a nossa principal suspeita. Eu sabia que aquela cara de santa dela escondia alguma coisa!
Kush deu um passo à frente, desencostando-se da parede. Seus olhos vermelhos brilharam com uma animação perigosa, e ele deu um sorriso largo, mostrando que o fato de ter sido criado em uma vila de assassinos de aluguel não era brincadeira. Ele deu um tapinha na espada que segurava.
— Pô, patroa, o cenário tá lindo! O que a gente tá esperando? Devo apostar em matar? Se você me der o sinal verde agora, eu vou até a ala da Lule, passo o cerol nela e nas servas dela, e resolvo esse problema antes que elas tentem colocar veneno na sua próxima bandeja de uvas. Juro que faço parecer um acidente doméstico bobo. E aí, bora?
Kompleks arregalou os olhos amarelos e jogou as mãos para o alto, quase tendo um treco no sofá.
— Não!! Ficou maluco, Kush?! Que mania de querer resolver tudo na facada! Não se deve apostar tão alto assim logo de cara. A Lule é apenas uma suspeita por enquanto, não temos nenhuma prova de papel passado. Além disso, matar uma vice-princesa do nada mancharia um pouco a minha imagem política com o conselho do Império. E você sabe muito bem o que acontece se a minha imagem ficar ruim...
— É, eu sei — Kush deu de ombros, soltando uma risadinha super leve e simpática, como se estivesse falando sobre o resultado de um jogo de futebol. — Pelo nosso contrato, se você virar um estorvo político, eu sou obrigado a cortar a sua cabeça e entregar de bandeja para o Imperador. Mas ó, entre você e eu, se você me deixar matar os seus inimigos primeiro, sua imagem continua limpa e eu trabalho menos! É um ganha-ganha.
— Você é um horror, Kush — Kompleks bufou, embora estivesse achando graça do jeito debochado do guarda.
Antes que a conversa continuasse, a porta da sala quase veio abaixo com três batidas violentas e apressadas. Nem deu tempo de a princesa respirar para perguntar quem era; a maçaneta girou com força e a Punonjës entrou no quarto quase correndo.
A mulher de 1,60m de altura, cabelos rosas amarrados e casaco branco de estilo maduro estava respirando um pouco mais rápido que o normal. Suas íris verdes estavam arregaladas, mas ela se esforçava ao máximo para manter aquela sua postura calma, educada e madura que controlava o palácio.
— Pode entrar... — Kompleks começou a dizer, olhando para ela de boca aberta.
— Princesa Kompleks, perdoe a minha total invasão e falta de modos — interrompeu Punonjës, ajeitando o casaco branco com as mãos trêmulas, mas falando com uma voz firme e madura. — Mas eu precisava vir aqui e relatar isso imediatamente... A vice-princesa Lule në shi acabou de morrer.
Kompleks deu um pulo do sofá, ficando de pé num salto só. Seus cinco colares balançaram fazendo barulho.
— Como é que é?! A Lule morreu? Como assim, Punonjës?! A gente estava literalmente falando mal dela agora mesmo!
— Foi uma fatalidade grotesca nos aposentos dela — explicou Punonjës, engolindo em seco para manter a compostura. — Segundo as testemunhas da ala dela, um rato... um rato cinzento de esgoto que continha um veneno raríssimo e extremamente letal nas presas a mordeu no tornozelo. Ela entrou em convulsão e faleceu em questão de três minutos. Os médicos reais não tiveram tempo nem de abrir a maleta de antídotos.
Kush jam unë soltou um assobio bem alto pelos dentes, balançando a cabeça de um lado para o outro.
— Caramba... Alguém mandou um "Rato Assassino" para cima dela? Que nível de criatividade, achei chique.
Kompleks andou de um lado para o outro no tapete, os dedos tocando tensos na pedra roxa do seu colar. A mente dela estava fervendo.
— Não, Kush, você não entendeu a gravidade — disse Kompleks, com a voz séria. — Isso significa que agora nós temos mais uma suspeita... ou melhor, um traidor oculto gigante entre nós. Alguém traiu a Lule! Quem quer que tenha armado o plano original contra mim, usou as mulheres da Lule como peões e, logo em seguida, silenciou a própria vice-princesa para garantir que ela não abrisse a boca e confessasse quem era o verdadeiro mandante!
Punonjës deu um passo à frente, assumindo o papel de conselheira madura para conter a crise política:
— A análise da senhora é perfeita, Vossa Alteza. O problema é que, politicamente falando, os bastidores da corte vão virar um inferno se a cadeira de vice-princesa ficar vazia por mais de uma hora. O conselho do Império vai achar que a senhora perdeu o controle das suas mulheres e que a Perandoria Numër 60 virou terra de ninguém. A senhora vai escolher uma nova vice-princesa para ocupar o cargo imediatamente?
Kompleks parou de andar. Ela respirou fundo, fechou os olhos por três segundos e, quando os abriu, suas íris amarelas brilhavam com uma determinação fria, embora o sorriso gentil estivesse de volta no rosto. Ela olhou para a porta, lembrando da jovem que acabou de sair dali.
— Sim, eu vou escolher. E vai ser agora — determinou a princesa Kompleks. — Punonjës, vá atrás da Princeshë e vogël imediatamente. Diga para ela parar tudo o que está fazendo, fazer as malas correndo e se mudar para os aposentos de luxo da ala principal. Avise a todos que, a partir deste exato minuto, ela é a nossa nova vice-princesa!
Punonjës olhou para a princesa com respeito, admirando a velocidade com que ela tomou a decisão política certa para salvar a própria pele.
FIM DO 1 CAPITULO DO 1 VOLUME