Capítulo 8 — Pecado Capital
Os seis agentes corriam em direção à base quando uma explosão surgiu atrás deles.
BOOM!
A onda de choque atravessou a floresta, arrancando árvores do chão e espalhando terra e destroços por todos os lados.
Os seis pararam.
No meio da fumaça, uma figura surgiu voando.
Era um homem alto, de pele pálida, cabelos longos e dourados e olhos verdes como esmeraldas. Seu corpo mantinha proporções humanas, mas grandes asas negras, marcadas por tons avermelhados, se estendiam de suas costas.
Ele pairou sobre a floresta e observou o grupo.
Então levantou uma das mãos.
Uma esfera de energia se formou diante dela.
— Cuidado!
KRAKOOM!
A explosão abriu uma enorme cratera no solo.
A força do impacto separou os seis agentes. Jiā se segurou em uma árvore para não ser arremessada, enquanto Klaus foi amparado pela própria sombra, que se ergueu sob seus pés.
Paulo olhou para a criatura.
— Dependendo do que ele é, vai ser um problema enorme.
Klaus observou o homem no céu.
— É um Mítico.
Ele olhou para a cratera recém-formada.
— E, pelo poder que acabou de demonstrar, provavelmente está em um nível alto.
Kimiko encarou a criatura.
— Ele acabou de fazer outra demonstração de poder. Não duvido nada que a próxima seja na gente.
Jairo ajustou a posição da máscara.
— Então sugiro que a gente descubra rapidamente o que ele quer.
O homem abriu um sorriso.
— Finalmente alguém quer saber.
Ele desceu alguns metros, mantendo-se no ar.
— Meu nome é Orgulho. Faço parte dos Pecados Capitais.
Klaus estreitou os olhos.
— Então é você.
Orgulho inclinou a cabeça.
— Imagino que já tenham ouvido falar de mim.
Klaus respondeu:
— Não diretamente. Mas sabemos que a UMD sofreu algumas perdas recentemente.
Orgulho perdeu o sorriso.
— Perdas.
Ele abriu as asas.
— Vocês chamam assim?
Klaus segurou os próprios cutelos.
— Então veio buscar o que roubaram.
— Exatamente.
Jiā olhou para Kimiko.
— Você consegue voar?
— Não.
— Nem com transformação parcial?
Kimiko balançou a cabeça.
— Aves não são minha especialidade.
Jiā suspirou.
— Então vai ter que ser na base da brutalidade mesmo.
Paulo estendeu a mão.
A escuridão aos seus pés começou a se espalhar pelo chão, como uma poça negra que crescia sozinha.
Um pequeno objeto surgiu no centro dela.
Paulo puxou a mão.
Uma bolsa de sangue foi lançada para o alto.
Jiā a agarrou.
Ela abriu a bolsa e deixou o sangue escapar.
O líquido se espalhou pelo ar.
Então começou a se transformar.
Centenas de pequenas lâminas assumiram a forma de flechas.
— Agora!
As flechas dispararam.
Jairo, William, Paulo, Klaus e Kimiko atacaram ao mesmo tempo.
TCHAK! TCHAK! TCHAK!
Orgulho desviou das primeiras rajadas.
As flechas passaram ao lado de seu corpo e se cravaram nas árvores.
Ele desapareceu da posição em que estava.
No instante seguinte, já estava diante de Jiā.
Ela arregalou os olhos.
Antes que pudesse reagir, a escuridão de Paulo se abriu.
O corpo de Orgulho foi puxado para dentro dela.
No mesmo instante, outro portal surgiu ao lado de Klaus.
Orgulho saiu por ele.
Klaus já estava esperando.
O cutelo desceu.
CLANG!
A lâmina atingiu a cabeça de Orgulho.
Por um instante, Klaus acreditou ter acertado.
Então percebeu que escamas haviam surgido sobre a pele do homem.
— Ele é um dragão.
Orgulho virou o rosto lentamente.
— Demorou para perceber.
Ele golpeou Klaus.
A sombra de Klaus se levantou e recebeu o impacto em seu lugar.
No mesmo instante, ela se enrolou ao redor do corpo de Orgulho, prendendo seus braços e pernas.
— Kimiko!
— Já vi!
Kimiko avançou.
As garras cresceram em suas mãos.
Ela atacou.
CLANG! CLANG! CLANG!
As garras bateram contra as escamas.
Nenhuma conseguiu atravessá-las.
Kimiko mudou o alvo.
Não precisava atravessar as escamas.
Só precisava de uma brecha.
Um corte.
Qualquer um.
O veneno faria o resto.
Orgulho percebeu a intenção.
Bateu as asas.
WHOOOOSH!
Uma rajada de vento atingiu Kimiko e a afastou.
Antes que pudesse recuperar o equilíbrio, a cauda de Orgulho veio em sua direção como um chicote.
WHAM!
Kimiko foi arremessada.
Klaus apertou os dentes.
A sombra ao redor de Orgulho se fechou ainda mais.
Os músculos de seus braços tremeram.
— Fique parado!
Orgulho forçou os braços.
As sombras começaram a se romper.
CRACK!
Klaus aumentou a pressão.
— Não...
Orgulho rugiu.
As sombras se partiram.
CRACK!
Klaus foi obrigado a recuar.
Paulo abriu dois portais.
— Entrem!
Kimiko e Klaus atravessaram.
Surgiram alguns metros atrás.
William retirou um pequeno frasco.
— Vamos descobrir se você respira tão bem quanto luta.
Ele lançou o frasco.
O vidro atingiu o chão próximo de Orgulho e se partiu.
Orgulho respirou.
Seu rosto mudou imediatamente.
— Isso queima!
Jairo observou.
— Excelente.
William olhou para ele.
— Não comemore ainda.
Orgulho começou a tossir.
Seus olhos lacrimejaram e sua respiração ficou irregular.
Mesmo assim, continuou voando.
William observou atentamente.
— Não vai derrubá-lo. Só vai irritar os olhos e as vias respiratórias o suficiente para prejudicar a precisão dele.
Orgulho tentou avançar novamente.
Jairo apontou a arma.
— Agora.
William olhou para ele.
— Não vai durar muito.
Jairo respondeu:
— Então vamos fugir daqui.
Orgulho abriu um sorriso.
— Corram...
As asas bateram novamente.
— Eu gosto quando fazem isso.
Os seis começaram a correr.
Paulo olhou para Klaus.
— Eu consigo levar vocês até a base, mas não consigo fazer um salto longo sem saber exatamente onde estamos. Eu não tenho o mapa dessa região.
Klaus assentiu.
— Então só podemos fazer saltos curtos.
— Exatamente.
Paulo olhou para a floresta.
— Se eu tentar um salto grande sem saber onde vamos sair, posso colocar a gente dentro de uma árvore.
Klaus respondeu imediatamente:
— Então não arrisque.
Paulo assentiu.
Ele abriu um portal.
Os seis atravessaram.
Apareceram alguns metros adiante.
Paulo abriu outro.
Mais alguns metros.
O processo se repetiu.
Até que Jairo olhou para trás.
A fumaça começava a desaparecer.
Orgulho estava vindo.
— Continuem correndo.
Kimiko acelerou.
— Ele está nos alcançando.
Klaus olhou para trás.
Orgulho voava tranquilamente.
Não parecia estar com pressa.
— Ele não está nem tentando nos matar.
Jiā respondeu:
— Eu sei.
Kimiko franziu a testa.
— E isso é bom?
Jiā balançou a cabeça.
— Não.
Ela olhou para Orgulho.
— Ele não vai nos matar sem ter os documentos e os reféns de volta. E ele não sabe onde encontrá-los.
Klaus entendeu.
— Então está nos mantendo vivos por enquanto.
— Exatamente.
Klaus olhou para frente.
— Igor e Renan já deveriam ter aparecido.
Ninguém respondeu.
— Se isso continuar, todos nós vamos morrer aqui.
Ele olhou para Paulo.
— Vá até a base.
Paulo virou o rosto.
— O quê?
— Faça o mapeamento da região. Depois volte para nos buscar.
Paulo hesitou.
— E vocês?
Klaus olhou para Orgulho.
— Nós seguramos ele.
Paulo cerrou os dentes.
Então correu.
Orgulho acompanhou seu movimento.
Seu olhar mudou.
— Um deles está indo embora.
Ele disparou.
Paulo ouviu o vento atrás de si.
Virou o rosto.
Tarde demais.
Orgulho apareceu ao seu lado.
WHAM!
O golpe atingiu Paulo.
Seu corpo girou no ar.
Antes que pudesse recuperar o equilíbrio, Orgulho agarrou seu braço.
CRACK!
O braço foi arrancado.
Paulo caiu no chão.
Por alguns segundos, não sentiu dor.
Só calor.
E vazio.
Ele olhou para o próprio corpo.
Depois para o braço separado alguns metros adiante.
Seus olhos se arregalaram.
A dor chegou.
— AAAAAAAH!
Orgulho pousou diante dele.
— Você não entende.
Paulo tentou se afastar.
— Eu não preciso matar vocês.
Orgulho caminhou lentamente ao redor dele.
— Só preciso lembrar que vocês são pequenos.
Paulo segurou o ferimento e começou a correr.
Orgulho o acompanhou pelo ar.
Como um predador observando uma presa.
Então uma corrente negra surgiu do chão.
CLANG!
A sombra de Klaus se enrolou em Orgulho.
Klaus puxou a corrente.
— Por que não vem brincar com os adultos?
Orgulho foi arrastado para o chão.
CRASH!
Jairo aproveitou a abertura.
Ele lançou o gás.
Orgulho virou o rosto.
A nuvem atingiu seu rosto.
Por um instante, tudo ficou encoberto.
Então uma rajada explodiu dentro da fumaça.
WHAM!
Jairo foi lançado para trás.
Ele caiu, rolou pelo chão e ficou imóvel por alguns segundos.
Depois levantou a cabeça.
— Estou vivo.
Respirou fundo.
— Isso é o suficiente por enquanto.
Orgulho saiu da fumaça.
— Seis contra um?
Ele abriu as asas.
— Finalmente começou a ficar divertido.
Em outra região da floresta
A quilômetros dali, outros dois agentes enfrentavam o próprio inferno.
Igor desviou de um golpe.
A criatura passou por ele e destruiu uma árvore.
Era humanoide, mas seu corpo estava parcialmente transformado.
A pele era azulada, coberta por escamas.
Os olhos eram estreitos e sua mandíbula havia se alongado.
Apesar das alterações, ainda mantinha proporções humanas.
Renan apareceu ao lado de Igor.
— Esse cara deve ser Rank 5?
Igor observou a criatura.
— Não. No máximo, Rank 3. Mas a habilidade dele é bem chata de lidar.
A criatura avançou novamente.
Renan desviou.
— E os outros?
Igor ouviu os impactos distantes.
Explosões ecoavam pela floresta.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos.
— Pelo barulho...
Outro estrondo.
— No mínimo um Rank 5.
Renan olhou para ele.
— Mas você não sabe o que eles estão enfrentando.
— Se fosse algo inferior, eles seis já teriam dado conta.
Renan olhou para a criatura.
— Você sabe o que isso é?
Igor balançou a cabeça.
— Nem sei o que isso é.
A criatura avançou.
Igor estendeu a mão.
O corpo do monstro parou no ar.
A telecinese o segurou por alguns segundos.
O braço de Igor começou a tremer.
A criatura forçou o movimento.
Igor apertou os dentes.
— Vai...
O corpo da criatura avançou alguns centímetros.
Igor perdeu o controle.
Ela caiu no chão.
Renan olhou para Igor.
— Você quer que eu vá atrás deles.
Igor não respondeu imediatamente.
— Quero.
Renan olhou para a criatura.
Depois para Igor.
— Nós dois já estamos tendo dificuldades contra uma única criatura.
— Eu sei.
— Então por que—
Igor o interrompeu.
— Porque eles precisam de você.
Renan ficou em silêncio.
Igor voltou os olhos para ele.
— Eles precisam de um Médico.
Renan respirou fundo.
— E você?
Igor deu um pequeno sorriso.
— Eu consigo segurar esse.
A criatura voltou a se levantar.
Igor a encarou.
— Se aquilo que você está sentindo for realmente um Rank 5, talvez eu precise usar meu Território.
Renan ficou sério.
— Você sabe que não deve fazer isso sem necessidade.
Igor soltou uma risada curta.
— Eu sei.
Ele olhou para a criatura.
— Mas faz tempo que não brinco com um otário.
Igor voltou o olhar para Renan.
— Agora vá socorrer os demais. Cansei de enrolar contra esse aqui.
Renan sorriu de leve.
— Você é um péssimo comandante.
— E você ainda trabalha para mim.
Renan começou a correr.
— Infelizmente.
Igor voltou sua atenção para a criatura.
O sorriso desapareceu.
— Agora somos só nós dois.