Após o reencontro com Grinddar voltamos ao nosso objetivo principal, mas não está fácil. Sempre que descansávamos meus sonhos se tornavam pesadelos, todas as dores e mortes de minhas amigas faziam-me perder o sono; Elizabeth e Fantástica não conversavam desde que saímos de Lorhel, Elizabeth continua sendo ela mesmo, e fantástica aproxima mais de mim e da Éva, não tendo mais aquele amor pela cavaleira; Yan... complicado, ninguém quer chegar perto dela, é compreensível, mas ela meio que tenta puxar conversa só que nem olhamos para a cara dela.
–Elizabeth Vounyr– estas exausta, podemos parar e—
–Liria– não, não quero e não posso... não agora que finalmente posso ser útil.
Desde que ganhei adaga por Grinddar, Elizabeth tem me treinado regularmente. Estou ficando mais resistente e ágil, a adaga tem propriedades de magia de gelo e estou aprendendo a usar graças a ela. Mesmo cansada pela falta de sono, não posso me dar ao luxo de ser sempre a protegida.
–Liria– vamos, posso fazer isso o dia todo...
–Elizabeth Vounyr– admirável. Vou conceder isso, apenas não exagere, Liria.
eu podia ver a fantástica nos observando que descansava perto da barraca.
–Éva– essa bolsa infinita da Liria é uma dadiva. Não conseguiríamos tão longe sem ele.
Ela se aproxima oferecendo uma jarra de água.
–Você tem estado de vigia, mas não sei se é da Liria ou da Elizabeth.
–Fantástica– a cavaleira sabe se virar. Liria passou por muita coisa para nós salvar, então vou fazer o mesmo.
–Éva– sei que dói o término de vocês, mas acredito que vão se reconciliar.
–Fantástica– há há. por favor Éva, não sou idiota. Todas nós sabíamos que fui impulsivo e este dia chegaria. Esta dor de perder alguém que amamos já estou acostumada.
–Éva– Fantástica...
Não estava mais conseguindo mover direito, Elizabeth me carrega até minha cama. Eva verifica-me.
–Você vai ficar bem, mas precisa descansar. Sei que está com dificuldade, mas precisa dormir.
–Liria– vou tentar...
Viro-me para parede apenas os passos delas saindo da cabana. Os pesadelos tomam conta da minha cabeça, meu corpo encolhido, minha mão arranhando a prótese e a roupa enxarcada pelo suor.
“tudo bem, mamãe está aqui”
Essa voz tão familiar, a silhueta de uma mulher de cabelo verde em um vestido branco se aproximava que mudava para um ruivo loiro em manto azul, estava sendo abraça pelas costas e uma respiração quente em meus cabelos.
–Fantástica– está tudo bem, mamãe vai te proteger. Queimarei todos os monstros que lhe assombram. Descanse, minha pequena.
Eu me viro devagar e abraço com toda força e afundo meu rosto contra seu peito podendo ouvir seu coração. Finalmente conseguindo conforto e descansar depois tanto tempo; ainda é estranho o rumo que tomou, mas não importa mais desde que eu esteja ao seu lado. Achei que era uma brincadeira dela, mas querer chamar de “mãe” ... não vou ser contra. Obrigada, mamãe.
Todas estamos em volta da fogueira comendo a centopeia-gigante-de-penas, é a coisa mais nojenta que comi e ainda dificulta com as penas pequenas, mas não posso reclamar muito na situação que estamos.
–Fantástica– a primeira coisa que vou fazer quando voltarmos, é comer comida de verdade.
–Éva– penso o mesmo. Não vejo a hora de voltar a comer costeleta de porco com bastante gordura.
–Elizabeth Vounyr– sério? Uma médica comendo algo prejudicial a saúde? Espera mais de sua pessoa há há.
–Éva– nesta situação não me importo, só quero ficar de barriga cheia de coisa boa mesmo que isso me mate.
É tão bom ouvir a risadas delas, fico tão grata que ainda temos alguma conexão, exceto pela Yan que não está presente, ela está comendo dentro da cabana.
–Fantástica– e você minha filha, qual vai ser sua primeira refeição?
–liria– eu... eu não sei. Nunca tive tempo para comer algo diferente.
–Elizabeth Vounyr– bem, eu pretendo fazer um grande banquete. Vocês todas estão convidadas em meu nome.
–liria– sério? Não seriamos um incomodo?
–Elizabeth Vounyr– incomodo? Liria, não somos mais estranhas em lugar cabuloso, além disso, seria um benefício por “resgatarem” uma ex-nobre.
não somos mais estranhos... olhando bem, uma maga médica, uma maga arrogante, uma mineradora criança e uma cavaleira nobre é engraçado pensar que se tornariam amigas, mas a vida é cheia de surpresas estranhas. E como sempre momentos assim duram pouco, um odor forte tomou conta junto com um rugido que vinha de umas entradas. Elizabeth rapidamente saca sua espada, Éva e Fantástica ficam na minha frente com suas magias rápidas e Yan sai ficando ao lado da Elizabeth. Uma criatura grande, pele cinza e muito magra revela-se sobre as sombras, o que mais chama atenção é seu grande crânio que lembra de um alce.
–Fantástica– é um wendigo? Esperava algo mais desafiador. Eu mesma—
–Liria– deixa ele comigo.
Todas me olham surpresa, a fantástica mais assustada.
–eu preciso testar minhas habilidades. Então por favor, não interfiram.
Saco minha adaga e vou em direção ao wendigo. Minhas tremiam conforme aproximava, mas se até mesmo grande cavaleira tem medo e enfrenta o que vem, então posso fazer o mesmo.
–Fantástica– espera!
Ela ia correr até mim, mas Elizabeth a impede.
–Elizabeth Vounyr– entendo sua preocupação, entretanto ela precisa disso. Enfrentar o inimigo real é único jeito de saber seu progresso.
–Fantástica– droga...
–Elizabeth Vounyr– obviamente se as coisas piorarem, vamos intervir.
Ok... vamos começar. O monstro rugi tão alto que minhas pernas, não posso fugir... não mais. Com a magia da adaga crio uma densa nuvem de gelo e dou volta ficando seu ponto cego, mas seu olfato devia ser tão aguçado que tenta me capturar, consigo esquivar e usar minha próxima magia uma chuva de lâmina gelo, todos o atingem superficialmente.
–Yan-sanheng– ela está usando muita magia. Se continuar ela vai que usar a própria mana e não vai aguentar muito tempo.
–Elizabeth Vounyr– Liria...
Ele não está avançando, só a espera de uma oportunidade. Faço novamente uma nuvem d gelo menor e mais fria assim dificultando seus sentidos. Parece ter funcionado, e consigo cortar seu tendão, ou era que pensava, sua carne é muito dura que impediu o corte; e por minha distração ele se aproveitou e fincou seus dentes em meu ombro, o som de meus músculos sendo mastigados era agoniante, meus gritos de dor eram altos que minha garganta doía, ele me levanta e começa a balançar sua cabeça como fosse arrancar um pedaço de mim.
–Elizabeth, Éva e Fantástica– LIRIAA!!
Consigo fincar adaga em um dos seus olhos, mas ele me solta para longe com força. Alguém consegue me pegar no ar a pessoa que eu menos esperava, a Yan.
–Yan-sanheng– tenho que admitir, você é forte. Vai conseguir.
Foi uma surpresa ouvir isso dela, mas não valiam nada. Isso me lembrou do início, de como salvei a Elizabeth e fui salva por Éva; parece que está se repetindo.
–Éva– não se mova!
–fantástica– eu sabia que é uma péssima ideia! Eu vou terminar com isso.
–Liria– não!
–Fantástica– sim! Está perigoso demais.
–Liria– não... eu preciso continuar.
–Fantástica– para que?! Para se provar que é forte agora porque ganhou uma arma?
–Liria– porque não quero ser mais um fardo!
Todas ficam em silencio.
–todas aqui me protegem enquanto eu assisto, sinto culpa em não poder ajudar em nada, sou sempre que precisa de viga vinte e quatro horas. Eu preciso fazer isso, não é sempre que vou poder contar com vocês.
Eva cura meus ferimentos e vou caminhando de volta ao monstro.
–Fantástica– filha...
–Elizabeth Vounyr– eu sei, mas precisa confiar mais nela.
–Fantástica– ...
Minha adaga está com brilho mais fraco pelo gasto de magia, mas isso não vai me impedir. A criatura está muito irritada, ela corre até mim e desfere um golpe que quebra o chão, esquivo uso minha prótese para usar o lança chamas para queimar seu braço, ele sente dor, mas rapidamente o fogo se apaga; com a distração começo a subir pelas suas costas e ele tenta me pegar, sem sucesso se joga de costa para me esmagar, usando minha magia e da adaga para criar congelar o chão para prendê-lo. Sem se mover, alcanço seu rosto e estoco no mesmo e usando o ultimo resquício de mana, crio vários espinhos de gelo por dentro. A língua dele salta para fora e seu outro olho se revira.
–Liria– con-consegui...
Fantástica consegue me pegar.
–Fantástica– parabéns, você conseguiu minha filha.
–Liria– obrigada, mãe.
–Elizabeth Vounyr– estou orgulhosa, todo este esforço é mérito seu.
–Éva– parabéns, vai menos desgastante tanto para mim e você.
Yan não diz nada, apenas um aceno de aprovação. Ainda tenho que muita a melhorar, mas fico tão feliz que elas podem confiar mais em mim.
–estranho– essa garota é muito corajosa para sua idade.
–Fantástica– concordo. Espera ai?!
Todas assuem posição de ataque pelo homem que apareceu do nada.
–Elizabeth Vounyr– identifique-se.
–estranho– calma, não sou uma ameaça. Não é verdade, Éva?
–fantástica– conhece ele?
–Éva– sim., ele é... um conhecido meu.
–estranho– sério? É assim que vai me apresentar? Você não mudou nada. Podem me chamar de Max.
–Elizabeth Vounyr– então, Max, teria algum conflito com ela?
–Max– como?
Eva nos explica que eles tiveram muitas aventuras antes, o que ajudou diminuir a preocupação.
–Elizabeth Vounyr– perdão, não tivemos problemas antes com um estranho.
–Fantástica– principalmente conhecidos da assassina.
Yan abaixou a cabeça e ficou em silencio.
–Max– é compreensível, sou apenas um estranho que apareceu aqui.
–Éva– espera, por que está aqui? Não é sua cara um lugar como esse.
–Max– quem dera. eu recebi uma missão da própria rainha pelo sumiço da Elizabeth em 8 meses e... brotei aqui.
A informação do tempo que estamos aqui.
–Elizabeth Vounyr– 8 meses... você tem certeza?
–Max– eu não minto, senhorita Vounyr.
Ela está com as mãos tremendo, minha mãe tenta se aproximar, mas acaba desistindo e então seguro a mão para tentar acalmá-la. Ela acaricia minha cabeça e dá um leve sorriso.
–Elizabeth Vounyr– senhor Max, poderia contar-me como está meu lar?
–Max– claro que posso, mas você não vai gostar...
Voltamos a nosso acampamento, Max conta que lá fora está quase uma zona guerra, alguns magos usando seu poder para autoritarismo e magos sendo mortos pela população.
–Max– a rainha tem usado bastante métodos agressivos o que tem piorado muito. E não ajuda muito que sua prima é a favor da “supremacia maga”.
–Elizabeth Vounyr– minha prima é complicada. Droga... eu preciso voltar logo e fazer alguma coisa.
–Yan-sanheng– posso saber como cheguei aqui tão rápido?
–Max– como dito antes, está descendo quando uma espécie de luz roxa apareceu e... aqui estou.
–Fantástica– luz roxa... a mesma que nos trouxe aqui, que separou eu e a Elizabeth e...
–Liria– que trouxe Lorhel para cá.
–Yan-sanheng– estou começando achar que isso não é obra da dungeon, mas sim algum mago que está querendo nos afastar.
–Éva– faz sentindo, conhecendo nossa relevância e poder. Mas por quê?
–Max– não querendo acusar ninguém, mas acredito ser obra da rainha ou da Evangeline.
Esse nome... mesmo que escutei no passo de Lorhel.
–Liria– Elizabeth, Evangeline seria sua irmã?
–Elizabeth Vounyr– é minha prima.
–Liria– prima... e por acaso ela já visitou Lorhel?
–Elizabeth Vounyr– bem, considerando que foi um grande reino que desapareceu centenas ou milhares de anos, é impossível. Por que esta dúvida?
Conto o momento que Evangeline visou o grande reino.
–Fantástica– unificação dos reinos? Ela tem culhão mesmo.
–Elizabeth Vounyr– tem certeza? Que não seria outro indivíduo?
–Liria– ela se apresentou como Vounyr, além de que vocês são muito parecidas.
–fantástica– muito mistério com poucas respostas. Vai ser uma confusão quando voltarmos.
Elizabeth se levantou e ficou atras da fogueira tendo atenção de todos.
–Elizabeth Vounyr– hum... sei que não posso pedir muita coisa agora e não quero sejam obrigadas, porém não vou conseguir sair deste lugar sozinha e provavelmente resolver no reino. Eu preciso do apoio de vocês, por favor, me emprestem a força de vocês.
Mesmo sendo uma nobre importante, ela age com uma pessoa normal. Ela é uma pessoa incrível.
–Éva– bom, ajudando você me ajuda também. Não pense que esqueci da nossa promessa.
–Liria– eu me tornei por sua causa, você sempre me ajudou, e é agora da minha de ajudá-la.
–fantástica– se minha filha vai estar disposta, então também estou. E com esbelto poder sairemos fácil.
–Max– sei que sou um estranho no ninho, mas quero sair tanto quanto vocês. Conta comigo.
Yan foi a única que não se levantou e falou. Elizabeth foi até ela e estendeu a mão, ela fica confusa, ainda sim pega a mão e se levanta sem as duas dizerem nada.
–fantástica– você tem sorte de ela ter compaixão.
–Max– só por curiosidade, tirando a Éva, ninguém daqui me conhece?
Todas se olham uma para outra.
–Elizabeth Vounyr– perdão, éramos para conhecer?
–Max– ...nossa, uma grande jornada que salvou o mundo e sou praticamente um NPC...
–fantástica– NPC? Você é muito estranho, ainda mais essas suas varinhas de cristal.
–Max– ai! Eles foram muito caro para fazer ta! Não sao “varinhas”, são armas poderosas de cristais mágicos forjados com aço-cobre para suportar todo disparo de magia.
–fantástica– ...vamos partir.
–Max– eu não gosto de você.
–fantástica– não é a primeira que escuto isso.
Parecem dois irmãos brigando que é muito engraçado, mas o olhando bem parece que já ouvi falar dele
.
A nossa subida constou menos pausas, Elizabeth está determinada para salvar seu lar, mas nossas energias estão quase no limite.
–Liria– precisamos descansar Elizabeth, sei que está com pressa, mas...
–Elizabeth Vounyr– tem razão, peso mil desculpas por exagerar.
–fantástica– amem! Posso recarregar minhas energias. E você seu inútil! Você não tem ajudado com os monstros!
–Max– ué? Não era você que falou “eu sou a magnifica maga nível SSS, não preciso da força de um homem para ajudar”. Que discurso feminista.
–fantástica– não ouse usar minhas palavras contra mim! E o que caralhos é feminista?!
Tentando ignorar os irmãos, estava começando a tirar as coisas da minha bolsa, mas Yan está fazendo uma varredura até nos chamar.
–Yan-sanheng– pessoal! Vocês precisam vir agora!
Caminhamos até ela, e uma tinha um caminho que no final tinha uma grande luz de sol.
–Elizabeth Vounyr– é a saída...
–Éva– mas aqui? Não faz sentindo.
–fantástica– considerando que essa dungeon é “supostamente” viva, não me surpreenderia se tiver outra saída.
Era inacreditável a possibilidade, porém, obviamente, não seria fácil. No caminho tinha dois monumentos com uma estatua gigante que saiu de seu altar trocando seu corpo de pedra para obsidiana.
–outro golem transmorfo. Isso não me traz boas lembranças... não é mesmo assassina?
Yan nem olha para ela, mas não de irritação e sim algo que parece culpa.
–Max– bem, já que poderosa maga e as outras estão cansadas, deixa que o cavaleiro resolva.
Ele fica a média distância do golem sando suas “varinhas”. O golem lamça um raio de fogo nele, sua capa amarela fica totalmente negro com uma aura pesada que ele se cobre, o fogo é simplesmente consumido. Após isso, metade seu rosto e sua varinha também ficam do mesmo jeito, uma projetil é disparada contra o peito do golem que facilmente o atravessa destruindo seu núcleo o matando como fosse nada. Todas nós ficamos de boca aberta.
–Max– mamão com açúcar.
–fantástica– isso foi...
–Yan-sanheng– magia negativa...
–Liria– eu sabia que conhecia! Você é o herói invocado!
–Max– ahhh! Finalmente alguém me reconheceu! Prazer, me chamo Maximiliano de oliveira, o herói que derrotou o rei demônio, ao seu dispor.

–Éva– parece que encontrou um oponente de exibição, maga.
Sem mais ameaças, Elizabeth disparou na frente. Todos nos a seguimos e quanto mais nos aproximávamos, mais ficava quente. Finalmente vamos sair deste lugar... ou era que pensávamos. Nossa vista saiu de rochas e um lugar escuro para um vazio deserto sem nada.
–fantástica– imaginei... bom, é melhor volta— mas que diabos!
Nossa saída tinha simplesmente sumido, assim como aconteceu em Lorhel.
–Maximiliano– estava fácil demais para ser verdade.
–Éva– sei que termos a esperança, mas precisamos sair daqui o mais rápido.
–Fantástica– e ir para onde?! Que lugar podemos encontrar no meio do deserto!
–Maximiliano– não sei, mas vai ser melhor do que ficar com esses bichos.
Sem percebemos, monstros se aproximavam e circulavam entre nós criando uma nuvem de areia.
–fantástica– não quem, mas juro que quando descobre quem nos trouxe aqui eu vou te matar e te transformá-lo um dos meus pets!