O cheiro de tinta fresca e cimento seco do apartamento 802 parecia ter grudado no fundo da minha garganta.
O silêncio que se instalou depois que a parede do corredor engoliu aquele homem de volta era absoluto. Denso. Quase palpável.
Minha mente, treinada por cinco anos de faculdade para encontrar furos lógicos em contratos de trezentas páginas, estava girando em falso. Uma engrenagem escorregando no óleo.
Eu continuava ajoelhada no chão de taco coberto por lona plástica. A câmera pendurada no meu pescoço balançava levemente, acompanhando o ritmo da minha respiração curta e desesperada. Meus olhos piscavam rápido por trás das lentes dos óculos.
Projeção holográfica.
Tinha que ser, alguma coisa do tipo, existia alguma explicação.
Um truque de luz. Espionagem era uma tecnologia que eu não conhecia. Um delírio psicótico compartilhado por intoxicação por solvente de tinta. Qualquer coisa.
Qualquer coisa. Qualquer coisa que coubesse na porra de um laudo médico ou policial.
Beatriz foi a primeira a se mover. O farfalhar do tecido do seu blazer impecável quebrou o feitiço. Ela não estava pálida. Não estava ofegante. Seu semblante continuava o mesmo de quem acabara de ler um contrato de prestação de serviços e achara as cláusulas apenas razoáveis.
— Peguem suas coisas — ela disse, a voz aveludada flutuando na escuridão do apartamento vazio. — A umidade aqui dentro está péssima para os meus sapatos.
Olhei para ela. Depois olhei para Veltri.
Ele estava paralisado com as mãos apoiadas nos joelhos, respirando o ar empoeirado, encarando o reboco encardido do hall. O choque nele era diferente do meu. Eu tentava racionalizar; ele parecia ofendido pela quebra da realidade.
Veltri me ajudou a levantar, puxando-me pelo cotovelo. Eu não disse nada. Apenas segurei o braço dele com uma força que provavelmente cortou sua circulação. Ele não reclamou, senti que ele tremia, mesmo que levemente. Nunca pensei em vê-lo dessa forma.
Saímos do apartamento em silêncio.
Beatriz trancou a porta com a chave do apartamento como se estivesse fechando a sala de arquivos do escritório. Veltri parou ao lado da parede do apartamento 804. Ele passou a mão. Fria. Sólida. Áspera. Tijolo, massa, tinta. Ele deu um soco leve com os nós dos dedos. O som surdo de concreto denso ecoou pelo hall. Ele parecia indignado, frustrado. Eu queria muito dirigir a palavra, tentar dizer que tinha uma explicação, mas minha voz simplesmente não saía.
Caminhamos até o elevador. O bipe metálico do botão pareceu estourar meus tímpanos, era irritante e repetitivo, mesmo tendo sido apenas um único bipe.
Quando as portas se abriram e nós três entramos na cabine de metal escovado, iluminada por uma lâmpada fluorescente branca que piscava sutilmente, a sensação de claustrofobia bateu forte.
— O que foi aquilo? — minha voz saiu fina, rouca. Abracei a minha bolsa contra o peito como um escudo. No fundo, sentia que não queria ouvir o que Beatriz iria me dizer.
Beatriz olhou para os números digitais descendo no painel do elevador.
8... 7... 6...
— O que parecia ser, Sara. Alguém que não precisa usar as portas.
O tom dela foi brando. Tão isento de gravidade, tão tranquilo, que vi Veltri piscar algumas vezes, como se estivesse tentando processar se ela estava tirando sarro da nossa cara ou apenas alheia ao absurdo.
— Não precisa usar as portas. Certo. — Veltri soltou uma risada seca, jogando a cabeça para trás contra o espelho do elevador. — Alguém que não precisa usar as portas. Que camufla na tinta igual um camaleão, Beatriz? Que atravessa alvenaria maciça?
— Basicamente. — Ela ajeitou a gola da blusa. — Na realidade não. Camaleões não se camuflam, isso é um mito popular.
— Beatriz, isso não é... leva isso a sério, tu não pode estar falando sério. — Eu tentei intervir, minha voz tremendo um pouco. — A matéria não faz isso. Aquele cara fundiu o corpo com um notebook de metal, eu vi, o Veltri viu, tu viu também, né? O que a gente acabou de ver ali... tem que ter tido algum vazamento de gás naquele andar, alguma coisa na tinta...
Beatriz suspirou, mas não com raiva. Foi um suspiro leve, paciente. Como uma professora sênior corrigindo estagiários que citaram algo errado em um processo.
— Não seja teimosa, Sara. Vocês sabem muito bem que não havia gás nenhum. O seu cliente é dono de um prédio onde um semideus resolveu tirar vantagem. É só isso. O caso agora faz sentido, valeu a pena ter vindo.
O elevador passou pelo quarto andar. O barulho das engrenagens parecia uma britadeira na minha cabeça. Veltri seguia quieto, serrando o punho com força.
— Um o quê? — Eu perguntei, quase inaudível.
— Um semideus? — Veltri repetiu, franzindo a testa. Ele soltou uma gargalhada incrédula, esfregando o rosto. — Um semideus. Ah, pronto. Perfeito. A gente tá lidando com Zeus e sei lá, a porra de Thor roubando caixa de sapato e relógio velho no centro de São Paulo. Era só o que me faltava, caralho.
— Você pode usar a nomenclatura que quiser. Além disso, Zeus nem Thor são semideuses. — Beatriz manteve os olhos no painel. Cada frase dela parecia deixar Veltri ainda mais indignado. — A questão é que ele tem uma natureza dupla. É assim que eles operam. Por isso o Dr. WW mandou esse inquérito para o nosso setor. O setor de Sucessões, Trusts e Patrimônios Especiais. A ênfase, naturalmente, está nos "Especiais".
— Beatriz, para. Pelo amor de Deus, para. — Veltri começou a gesticular, o espaço do elevador de repente parecia minúsculo. A irritação dele estava mascarando o pânico. — A gente acabou de passar por uma situação de extremo estresse. A gente presenciou sabe-se lá que golpe tecnológico ou ilusão de ótica bizarra... e você tá falando de mitologia no elevador. Eu sou advogado. Eu não tenho tempo pra essas brincadeiras, fala sério comigo, tô começando a me irritar com isso.
— Não é brincadeira, Veltri. É a realidade do seu trabalho a partir de agora.
— Não! Não é! — Ele cortou, ríspido, mas sem gritar. Ele estava tentando se convencer tanto quanto a ela. — A realidade do meu trabalho é o Código de Processo Penal, é o prazo da contestação de 15 dias, é a conta bancária do Marcos que vai ser bloqueada amanhã se a gente não fizer nada! Essa sua teoria não vai pra petição. Eu não vou chegar pro juiz e falar: "Excelência, arquive o caso, meu cliente foi roubado pelo Aquiles!"
Eu engoli em seco, olhando de Veltri para Beatriz. O meu choque estava se transformando numa espécie de negação. Eu precisava do chão. Precisava encontrar alguma lógica.
— Beatriz... — Eu tentei, gaguejando levemente. — Nós vimos uma anomalia, tudo bem. Um material furtivo, uma tecnologia que a gente não compreendia ainda. A gente tava no escuro. A gente só precisava de peritos.
— A perícia não vai achar nada, Sara. O concreto deve ser só concreto quando ele não está lá.
O elevador chegou ao térreo com um solavanco suave. As portas se abriram para o saguão deserto. O porteiro noturno dormia na guarita, a cabeça tombada no rádio de pilha.
Saímos a passos largos para a rua. O vento da madrugada no centro velho cortou meu rosto. O cheiro de poluição, lixo úmido e asfalto frio era normal. Era palpável. Eu respirei fundo, puxando a normalidade para os pulmões.
Beatriz parou na calçada e acenou para um táxi que vinha rastejando pela avenida vazia.
— Eu já tive essa mesma conversa com outras pessoas. É sempre a mesma resistência, podem perguntar para o Kessler, no caso dele foi até pior. — Ela se virou para nós, abotoando o casaco, o tom ainda neutro. — Vocês estão frustrados porque o mundo ficou muito maior do que a faculdade ensinou. Mas se o WW colocou vocês dois naquele setor, é porque ele sabe, ele deve ver potencial em vocês, façam valer.
— Sabe o quê? — Veltri cruzou os braços, tremendo pelo vento e pela teimosia.
Beatriz olhou para Veltri. Depois olhou para mim.
— Que pessoas comuns não aguentam o nosso setor. Se vocês estão lá, se vocês conseguem enxergar o que enxergaram lá em cima sem o cérebro fritar, é porque vocês também são.
A rua pareceu girar.
— Eu também sou o quê? Um semideus? — Veltri riu de novo, uma risada nervosa, cansada. — Beatriz, na boa. Vai dormir. Pega o seu táxi e vai embora antes que eu ache que você tá tendo um AVC, ou que eu e tu somos insanos, gritando numa ruela sobre SEMIDEUSES.
Beatriz não se ofendeu. Abriu a porta do carro e olhou para trás uma última vez.
— Vocês sabem o que viram. Vocês sentem isso a vida inteira. Uma hora vão entender e aceitar. Durmam um pouco. Amanhã a gente lida com a burocracia.
Ela entrou. O táxi acelerou, desaparecendo na neblina baixa, deixando Veltri e eu sozinhos na calçada.
Ficamos ali por uns bons minutos, estáticos. A cidade dormia pesadamente ao nosso redor.
Eu estava exausta. Confusa. A minha supervisora sênior não apenas validou uma infração ética (a nossa invasão), como falou que éramos parte de um conto de fadas perturbado. Eu não sentia raiva dela. Eu só achava que ela não estava nos ajudando quando mais precisávamos.
Veltri se afastou da rua, encostando a cabeça em um poste da calçada enquanto o apertava com força. Descontando sua raiva, ele começou a chutar o poste, enquanto emitia grunhidos. Eu tentei gritar para ele se acalmar, mas não conseguia agir. Uma mistura de medo e ansiedade me impedia de agir. De repente:
— A gente precisa beber. — Veltri quebrou o silêncio. A irritação dele estava baixando, dando lugar a uma urgência absurda de enfiar qualquer coisa que amortecesse o cérebro pra dentro do corpo.
— São três e meia da manhã, Veltri. Eu quero ir pra casa, eu preciso dormir.
— Você não vai conseguir dormir, Sara. E se for pra casa agora, vai ficar olhando pras paredes e ficar a madrugada toda pensando nessa porra. Vem. Deve ter algum bar aberto em algum lugar dessa cidade maligna.
Eu não discuti. No fundo, tinha pavor de ficar sozinha com os meus próprios pensamentos, e pelo menos Veltri conseguia me divertir, e ao menos me distrair do que eu acabara de presenciar.
Caminhamos em silêncio. O barulho dos nossos passos no concreto da calçada era a única coisa que nos mantinha conectados ao mundo real. Eu dobrei mentalmente a cena do homem na parede e soquei numa gaveta trancada na parte de trás da minha cabeça.
Não fazia ideia de como lidar com isso no caso. Teoricamente, o caso já estava ganho, ainda assim, ele continuaria roubando. Nada fazia sentido, eu só queria beber e parar de pensar, para sempre se possível.
Chegamos a um bar de esquina. Um clássico "copo sujo" paulistano que cheirava a fritura antiga e desinfetante de pinho. As luzes fluorescentes brancas estavam falhando num canto. A TV do bar passava um clássico programa de mesa redonda de algum jogo que tinha tido hoje. Não entendia nada de qualquer esporte, mas lembrava do Veltri reclamando do time dele.
Sentamos numa mesa de plástico no fundo. Veltri pediu duas doses de cachaça e duas cervejas para o garçom, que não fez contato visual. Eu nem parei pra pensar que isso era demais, levando em conta o horário.
Quando as bebidas chegaram, peguei a minha de cachaça e virei de uma vez, sentindo o líquido queimar até o estômago. Veltri arregalou os olhos. Eu nunca bebia destilado, muito menos de madrugada.
— Vai com calma. A gente tem que trabalhar amanhã — ele disse, puxando a cerveja.
Pousei o copinho de vidro na mesa úmida. Ficamos um bom tempo sem dizer uma palavra. A TV continuava falando de um jogo do Paulistão, o resultado parecia irritar ainda mais Veltri. Percebi que devia o mais rápido possível trocar de assunto.
— Ela pegou pesado, sabia? — Eu murmurei, traçando a borda do copo com o indicador.
— Quem? A Beatriz? — Veltri franziu a testa.
— Não com a história de semideus. Com a frase final. "Vocês sentem isso a vida inteira". — Parei o dedo. Meus olhos estavam distantes. — Ela sabia muito bem onde estava apertando, só não sei como ela sabia, isso tá me incomodando muito.
Senti Veltri enrijecer na cadeira. Nós quase nunca falávamos sobre isso abertamente. Era uma regra velada nossa.
— Ela não sabe de nada, Sara. Foi um comentário genérico e maluco, ela deve ser louca, maluca, por isso tá presa ensinando novatos em um setor qualquer, mesmo tendo uns 20 anos de firma.
— Faz sentido. Não precisa saber muito, não é? — Dei um sorriso amargo, erguendo os olhos pra ele. O álcool começava a soltar as minhas travas. — Nós dois sabemos que não encaixamos. Desde sempre. Com todo respeito, mas eu pareço mais seu pai e sua mãe que você. Adoção é natural, mas você sabe como as pessoas olham. Como a sua mãe olha pra você às vezes, isso que ela disse me afetou um pouco.
— Sara, isso não tem nada a ver… Por que tá falando disso agora? Tá dando pilha para a Beatriz — ele tentou interromper. Ele já tinha dito várias vezes que odiava a sensação de ser um corpo estranho na própria casa. Além disso, odiava esse assunto.
— E eu? — Continuei, a voz um pouco mais alta. Mesmo sabendo o desconforto dessa conversa, não conseguia tirar minha mente desse caminho. — Se sabe a situação dos meus pais, né, as brigas, o processo. Essa merda tá voltando pra me assombrar.
Apoiei os braços na mesa, me encolhendo um pouco.
— A Beatriz percebe isso. Ela percebe que a gente tem essas... fraturas. E tenta usar isso pra vender a ideia de que a gente não pertence a esse mundo normal, pra explicar o que a gente viu lá no prédio. Mas eu tenho uma certidão de nascimento. Eu tenho pais. Nós somos advogados tributaristas. É só isso. Não sei por que ela tá fazendo isso com a gente.
Veltri suspirou pesado, ignorando a poça de cerveja que molhara a manga do paletó dele. Ele me olhou com uma serenidade rara.
— Você tem razão. Você é Sara. Eu sou Veltri. Nós somos advogados. É isso que a gente é, e é isso que a gente faz. A Beatriz viajou legal. — Ele apontou o copo pra mim. — A gente só tem uma coisa na nossa frente agora: um caso. Um inquérito policial e uma ação cível. Ponto final.
Eu balancei a cabeça devagar. Fiquei feliz de estarmos na mesma página.
— Mas... e o cara? O cara na parede? Veltri, como a gente explica aquilo pro delegado? E o civil? Mesmo que a gente ganhe o processo ele vai continuar roubando…
— A gente não explica. — A voz dele soou confiante, rápida. O cérebro dele voltava a funcionar nos moldes do Direito, criando caixas, classificando o caos. — A gente não fala de um homem mágico na parede. A gente foca no caso. Se a gente joga no processo que o prédio tem uma falha estrutural, a gente força a culpa num terceiro. Fecha o certo pro meliante, sabe como é.
Eu pisquei. A menção de uma estratégia legal fez meus ombros caírem um pouco. Era uma boia salva-vidas.
— Se a gente peticionar amanhã cedo… — comecei a raciocinar em voz alta, a lógica processual empurrando o pânico para longe. — Se a gente alegar formalmente que o oitavo andar tem uma falha de alvenaria. Um vão oculto. A gente joga a suspeita pra um invasor físico misterioso.
— Exato! — Veltri sorriu, empolgado, a adrenalina substituindo o medo, junto da provável alta quantidade de álcool no sangue. — A gente quebra a exclusividade de acesso ao prédio. Se existe outra forma de entrar, acaba a lógica de que o Marcos necessariamente é o responsável. Perfeito pro delegado.
Minha mente acelerou. Fazia muito sentido. Era brilhante na sua simplicidade.
— E tem mais — disse, debruçando-me sobre a mesa, os olhos brilhando de confiança. — Se a gente joga no processo civil que existe essa falha, o juiz vai ser forçado a mandar investigar. Ele vai nomear peritos de engenharia. Vão quebrar reboco, botar fiscal lá dentro.
— Perfeito! E sabe o que acontece se tiver meia dúzia de peritos com marreta batendo naquele andar por três meses? — Veltri completou, batendo na mesa.
— O ladrão não volta! — Eu concluí, quase rindo de alívio. — Ele não vai conseguir operar com o andar cheio de gente. A gente joga o peso do sistema judiciário contra ele. A gente cerca o cara usando a burocracia!
Nós nos olhamos. A confiança que emanava de nós era absoluta. Estávamos tão aliviados por termos encontrado uma solução lógica, uma manobra jurídica que não envolvia deuses gregos, finalmente alguma lógica, algo que fazia sentido, sem essa loucura. Apenas JURISDIÇÃO. Meu grande amor.
Veltri claramente parecia mais alterado, seu rosto estava rosado, não encostara, mas se fizesse provavelmente estaria bem quente. Ele continuou:
— Agora que isso tá resolvido podemos descansar, amanhã a gente organiza, a Tati pode ajudar, quem sabe o Kessler dá uma mão. Vai ser meio abrupto mas o Marcos vai entender. Mesmo que a gente não possa explicar pra ele o que realmente aconteceu.
Não podia explicar para ele… Por algum motivo essa frase me deixava muito angustiada. Basicamente invadimos o prédio para uma investigação própria e ilegal, estávamos basicamente mentindo para nosso cliente, e íamos mudar basicamente a direção de todo o caso. Mesmo fazendo sentido, algo me incomodava, não parecia “Justiça”. Ainda assim, a animação do Veltri me absorvia. Acho que o ideal era seguir ele nessa, ele sabia o que estava fazendo…
Decidi focar em rir, e não esquecer essa culpa, pelo menos por hoje.
— Ha, o Kessler, a Beatriz disse que teve essa conversa com ele… Ele é “Semideus” também, hein? Acha que ele é filho de quem, hein? Pela carinha dele tem cara de algo sei lá… Não conhece muitos deuses esnobes e Nerds — Nesse momento minha voz já estava zanzando por conta do álcool, falava com risadas no meio das minhas frases.
— Ha... ha, o Kessler? Nossa, nem ideia, não sei nada de mitologia… Existe algum deus alien?
— Alien?
— Pensa, Sara, “Marciano”. Não acredito que tive que explicar essa.
Passamos a próxima hora rindo e teorizando sobre a origem divina de nossos colegas. Pelo menos isso conseguia me manter sã.
Apenas esqueça. Não pense no que você viu. Aquilo tinha alguma explicação, nosso caso era a explicação. Vai dar tudo certo.
A ignorância nunca pareceu tão reconfortante.