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Mentes Cheias Demais
- Ah! E tinha mais uma coisa que eu queria falar.. O que era?
Reni diz, enquanto enche um copo de água em um bebedouro próximo, confiante até demais para estar usando tecnologia alienígena.
- Ah sim, lembrei! É que assim, meio que, a gente tem um problema.
- Que tipo de problema?
Dash se adianta, cruzando as pernas longas uma por cima da outra, e alisando seu cabelo com demora deliberada, ela parecia feliz e satisfeita, algo que não se via todo o dia, e ainda por cima, estava sem capacete.
- É que, algum de vocês viram o Mark nos últimos dias?
- Acho que.. Tem que perguntar para o Stile, eu tava em um estado não tão bom né? Mas pelo menos hoje não vi.
- É verdade, onde tá o alienígena estranho? O Bane disse que deveria estar na biblioteca.
Veronika também entra na conversa, ela estava abraçando seu cajado enquanto repousava relaxada na cadeira.
Reni toma um gole da água, parecendo relaxada e nem um pouco preocupada independente da notícia.
- Então.. Ele não tá na biblioteca não, ele tá em outro planeta.
- Como assim?
- O que??
As duas ficam surpresas, se debruçando curiosas e até um pouco assustadas com o que quer que tenha acontecido.
- Acontece que, eu tenho os dados fornecidos pela associação, então sei muito bem onde cada um de vocês está a todo o momento, talvez seja meio estranho, mas não é culpa minha!
Ela começa a andar de um lado para o outro enquanto explica, degustando a água mais do que o necessário, parecendo pensar e lembrar de tudo o que queria contar enquanto bebia.
- Enfim, de qualquer forma, a localização do Mark dá diretamente no planeta de Nevaice, praticamente lado contrário de onde deveríamos ir.
- Tá, e por que o burrinho estaria lá? Você tem como saber o motivo de algum jeito?
- O motivo eu nem sei, ele saiu daqui e em poucos minutos já estava lá, parecia com pressa, talvez foi dar um passeio intergaláctico ou algo assim. Pessoalmente, eu faria o mesmo se tivesse o poder que ele tem.
- Mas você é outra questão Reni, a gente tá falando do alienígena estranho! Ele é tão travado que não faria nada sem receber uma ordem primeiro, as vezes até me questiono se ele tem vontade própria.
- Aí você já tá esculachando ele né miga?
- Pra falar a verdade acho que foi pouco.
As três começam a rir, o clima não era nem um pouco sério embora o que estavam lidando talvez fosse, o desaparecimento de um herói era definitivamente algo a se observar melhor.
- Tá, enfim, acho que assim que todo mundo se recuperar, a gente precisava achar uma forma de ir para Nevaice falar com ele.
Dash dá a ideia, se levantando como se já estivesse preparada para ir, sendo que provavelmente no estado que todos estavam, não sairiam daquele lugar tão cedo.
- Podem deixar comigo! Eu posso ir ajeitando a rota de navegação na nave, e já vou dar uma pesquisada sobre o planeta!
- Boa Reni, vamos deixar essa parte contigo então, e de resto a gente tenta apressar aqui o que der.
- Vamos deixar o Bane descansar bastante Dash, se não ele vai estar esgotado assim que chegar no próximo combate!
- Pode ficar tranquila, ele é forte e se recupera rápido, a gente deixa ele descansar aqui uns dois dias, e depois leva ele pra nave e ele descansa lá.. Quanto tempo de viagem você acha que leva Reni? Uma estimativa.
- Eu diria queee... Um dia e meio, talvez dois no máximo, a nossa nave tá bem mais rápida agora então fica um pouco mais difícil estimar, talvez eu tenha errado totalmente!
- Dois dias tá ótimo, ele descansa aqui, e ainda um pouco mais lá, acho que isso já tá ótimo pra ele, e se não estiver, a gente se vira um pouco, somos quatro ainda né?
- Três.. O alienígena não tá aqui.
- Três ainda é mais que um!
Dash sorri para o nada como se estivesse extremamente confiante, e talvez ela estivesse mesmo, um grande talento dela era sempre analisar o lado bom das coisas quando podia.
Veronika dá uma risadinha baixa, se levantando da cadeira e começando a caminhar em direção ao corredor.
- Enfim amigas, eu vou ir lá com o Bane tá bem? Qualquer coisa me chamem!
Ela dá as costas, e logo depois Reni também começa a tomar rumo para fora do hospital, jogando o copo que tinha no lixo mais próximo e quase esbarrando em um alienígena.
- É, eu vou indo também, tenho que planejar o trajeto e dar uma pesquisada! Inclusive Dash, se você conseguir, pode pegar alguns livros sobre os planetas na biblioteca pra mim? Eu queria ver alguns.
- Faço sim, fica tranquila, só vou dar uma descansada e daí a gente já começa a apressar as coisas.
- Tá bom amiga! Tchau!
- Tchau Reni!
A garota sai do local saltitando, antes de se perder no meio de uma multidão de alienígenas, Dash logo também dá as costas, indo para o corredor do hospital e caminhando vagarosamente para o seu próprio quarto, ela ainda mantinha o capacete embaixo do braço, embora estivesse bem quebrado – Ela chega no pequeno cômodo ao qual tinha sido internada por bastante tempo, embora os aparelhos ainda estivessem lá, ela não precisava mais de qualquer um, logo ao entrar ela fecha a porta e se senta na maca, deixando o capacete na sua frente.
- Hoje foi um dia bem agitado né?
Ela olha para o próprio reflexo no capacete entre os cacos quebrados, e diferente de dias atrás, não é como se ele quisesse responder agora, mas a mesma continua.
- Depois daquilo tudo a gente se tornou quase invencível não é? Acho que eles não esperavam que a gente ficasse bem tão rápido.
Ela ri sozinha, e se ajeita com as pernas cruzadas como se estivesse conversando com uma amiga íntima, com um grande sorriso no rosto.
- Mas é bem cansativo pra falar a verdade, eu sinto que tô perdendo o fôlego só por me manter de pé..
O sorriso falha, e seu olhar cai para a fronha que compunha a maca, observando as dobras que ela faziam enquanto sua mente começava a viajar para longe.
- Meu rosto deveria estar tão horrível, mas eu continuo linda, isso é bom não é?
Ela dá um sorriso meio forçado, tremendo estranhamente enquanto começa a segurar a fronha com certa força.
- O Joe gostaria de me ver linda assim, e não é como se eu não gostasse, muito pelo contrário! Eu sou linda e mesmo tendo o rosto praticamente amassado, continuo com a pele mais lisa do mundo e os olhos azuis cristalinos perfeitos.
- E eu? Não tô mais tão linda como tava, tô toda em pedaços!
O capacete finalmente responde, seu reflexo embora quebrado em vários pedaços parecia indignado com a falta de consideração por si.
- Ah, você eu conserto, não fica preocupada! O meu rosto e você são duas coisas diferentes!
- Você diz isso mas não mostra um pingo de preocupação né? Sinto que você me perdeu de uma hora para outra, desde quando você usa os poderes sem mim como fez hoje?
- Acho que ouvir as palavras da tartaruga me fizeram ter aquele desbloqueio mental sabe? É um negócio diferente, tipo ir em um retiro espiritual daqueles bem caros com encontro guiado e tals.. Isso te muda, como aquilo me mudou também.
- Lindy, ele literalmente te humilhou por usar um uniforme, desde quando isso é bom?
- Então! Mas isso que é o importante sabe? Eu meio que entendi que não dá de ser duas coisas diferentes.
- Não vem com essa de novo, você sabe o por que decidiu nos dividir, você não quer sofrer tudo aquilo novamente.
Os olhos de Lindsay ficam quase nublos, como se de um segundo para o outro a garota tivesse lembrado de algo, algo que a deixava extremamente assustada, talvez traumatizada.
- V-você tá certa.. Lindsay e Dash são diferentes, não tem nada disso de juntar, eu tô sendo burra, desculpa.
- Não fica pensando demais isso, pede pra alguém me consertar, a Veronika consegue não?
- É.. Sim, eu acho que ela consegue, enfim, eu vou consertar o uniforme e tudo até amanhã, te prometo.
- Muito bem, acho que é bom evitar pensar em coisas assim, a tartaruga não sabe do que fala.
- É.. Sim, sim..
Lindsay finalmente vira o capacete para o outro lado, evitando olhar diretamente no visor dele, ela se senta na maca, mas de uma forma desconfortável, segurando a fronha com mais força ainda como se estivesse se agarrando a algo específico, enquanto seu olhar focava na parede e a garota começava a respirar mais rápido, mas com poucos minutos, começa a se acalmar novamente.
- N-não pensa.. Se acalma..
-
- Se a gente for colocar no papel os nossos quatro inimigos até agora, podemos contar e esperar que os quatro são do grupo de assassinos do Arqueólogo, isso nos dá quase metade do caminho andado.
Stile andava de um lado para o outro do quarto pensando consigo mesmo, o silêncio o ajudava a pensar melhor.
- Mas temos que ter em vista que a garota não foi morta, ela somente sumiu, então muito provavelmente ainda temos sete oponentes vivos, e o próprio Arqueólogo.
Ele se joga na maca do quarto, com os dedos cruzados e movendo de forma ansiosa.
- Chegou a um ponto onde eles tão começando a nos superar em poder de fogo e força bruta, com o poder daquela garota de destruir qualquer estrutura e mexer com coisas vivas, chega a ser um poder mais destrutivo se bem usado, ainda bem que era uma criança, se não fosse eu muito provavelmente estaria morto.
- E pensando no Bane.. Ele não tá tão machucado, mas nunca vi ele ter tanta dificuldade a ponto de perder um combate.
Ele serra os dentes, rangendo eles de um lado para o outro, algo parecia incomodar ele profundamente, mas logo o mesmo respira e tenta se acalmar.
- Eu vou morrer se entrar em mais um combate sozinho, acho que talvez seja o que ele disse..
Stile olha dentro de seu uniforme, e aproveita para recarregar a arma do último combate, suas munições acabam logo depois disso, embora ainda tivesse até que relativamente bastante para o fuzil.
- Depois preciso passar na nave e pegar mais..
Ele se levanta e começa a andar em direção a porta, mas assim que toca na maçaneta – Um baque forte em sua cabeça, fazendo com que o próprio cambaleie e sente na cama novamente, fechando os olhos e colocando as mãos no rosto, ele quase arranha a própria pele com as unhas, era uma dor excruciante, como se sua cabeça estivesse prestes a explodir.
- Caralho! N-não, tinha parado de acontecer..
De forma desengonçada ele procura os remédios no próprio uniforme, logo achando e abrindo, pegando duas pílulas sem sequer olhar e engolindo por puro desespero.
- Vai melhorar, vai melhorar..
Ele tenta abrir os olhos, esperando pelo melhor enquanto milagrosamente a dor em sua cabeça começa a diminuir, mas no fundo, no fundo de sua mente ele escuta, como um pêndulo que batia de um lado para o outro de seu crânio, aquele maldito tique-taque de um relógio – Instintivamente ele abre os olhos, agora com uma vontade renovada, a ponto de parar de ligar para a dor, Stile observa todos os cantos do quarto com certo medo.
- A-aonde você tá? Aonde você tá porra?
Ele trava novamente, quase caindo de joelhos no chão, coloca as mãos no rosto, mas logo se levanta, se apoiando na maçaneta da porta e abrindo ela, dando de cara com o corredor, mas logo ao abrir, algo parece errado, muito errado – Tudo estava vazio, o fluxo de médicos e pacientes de antes não parecia existir novamente, Stile sente um frio na espinha, se reencostando na parede e pegando sua pistola no coldre, suas mãos tremiam de nervosismo enquanto ele dava passos medidos pelo local.
- O que tá acontecendo?.. C-cadê todo mundo?
Seus passos ecoavam, de uma forma que não parecia real, ele abre uma porta de um quarto qualquer, sem ninguém, abre mais uma, e outra, e mais outra, mas ninguém estava em lugar nenhum, até que ao olhar pela janela, ele percebe – Era noite, mas agora, parecia uma noite estranha, não haviam prédios na rua ou aquela iluminação normal da cidade, nem a lua ou estrelas estavam no céu, era como um grande véu preto cobrindo todos os arredores do hospital, o coração de Stile palpita, quase a ponto de sair pela boca, ele começa a suar e tremer mais ainda, era medo, incerteza, e tudo junto da pior forma que ele poderia sentir.
- É.. S-será que é um assassino? O relógio, é um assassino?
Ele volta a andar pelo hospital, descendo alguns andares até a entrada do hospital com cautela, muito cuidado a cada porta que abria, sempre mantendo sua pistola na frente e observando tudo com foco.
- Mas isso tá desde antes de estarmos sequer perto daqui, não faz sentido.. E por que os remédios não fazem efeito? Isso não era por falta deles? O que tá acontecendo?
Ele se mantém segurando a maçaneta antes de abrir a última porta da escadaria que daria direto no corredor principal para a entrada, sua mão suava e tremia, e o tique-taque persistia, agora não mais em sua mente, mas presente no mesmo espaço que ele como se o seguisse, ou estivesse em algum lugar, nem Stile sabia diferenciar.
- Eu preciso ter cuidado, se for um assassino, é mais um de ataque individual, talvez o poder dele seja uma dimensão de bolso ou algo assim, preciso achar uma forma de sair.
Ele respira fundo, tentando focar novamente de forma completa, pegando o máximo de coragem que tinha, Stile abre a porta e encara um grande corredor que dava para a recepção, mas tinha uma silhueta no meio desse corredor – Uma silhueta humanoide, do tamanho de Stile, ele estava coberto por um grande sobretudo marrom sujo com capuz, algumas cordas ou cintos de couro estavam pendurados sobre toda a roupa, desgastados ou propriamente destruídos, desfeitos como se tivessem sido desmantelados com o tempo, o próprio não mostrava o rosto, estava escuro demais para ver por baixo do capuz, mas do capuz saia uma corrente, que se conectava a um pequeno relógio de bolso que ele segurava, sua mão parecia suja, decrépita e quase desmanchada, como um morto vivo ou um esqueleto por si próprio, ele reconhece, finalmente consegue compreender a mesma silhueta que o havia estressado no quarto com aquela mulher, a silhueta que estava parada no canto enquanto Stile a matava, era esse homem.
- É você? Você denovo?
Stile não se aproxima, ele mantém uma distância segura segurando a pistola diretamente na direção do homem, e por um segundo, ele sente uma familiaridade estranha com aquela silhueta, mas que logo afasta dos seus pensamentos balançando a cabeça.
- V-você é o homem do tique-taque então? É quem tá me dando essa dor de cabeça desgraçada, você é um deles?
Ele começa a levantar a voz, cada vez mais indignado enquanto ecoava pelo corredor do hospital, o único barulho que podia ser escutado era de algo pingando no chão saindo do capuz do homem.
- Stile, te incomoda o tique-taque infinito que ecoa dentro de sua mente?
Ele finalmente fala, uma voz baixa mas que mesmo assim Stile parecia escutar perfeitamente, e só com a voz, Stile conseguia sentir a desesperança, a destruição, a tristeza daquele ser que conversava com ele, enquanto o próprio ainda escutava o tique-taque a cada virada do ponteiro daquele relógio.
- O-o que? Eu não tô aqui pra falar disso, me responde, o que você quer? E cadê todo mundo? O que você fez porra?
- De pouco a pouco os ponteiros das horas, minutos e segundos se alinham, como planetas no sistema solar, embora a chance seja maior.
Sistema solar? Stile pensa, como aquele homem sabe?.. Na verdade era uma pergunta burra, talvez ele tenha pesquisado, todos os alienígenas dali sabiam coisas sobre os humanos que não deveriam normalmente, eram mais inteligentes do que era de se pensar – Mas algo continua coçando dentro da cabeça de Stile, como uma dúvida.
- Do que você tá falando?.. Me responde algo direito porra! S-se não eu vou atirar!
Stile dá alguns passos para frente, mirando a arma diretamente nele, era impossível errar, a silhueta sequer parecia ter velocidade ou um corpo para conseguir desviar de um tiro, ainda mais um de Stile que era difícil de errar, pelo menos quando ele estava perfeitamente bem.
- Stile, você é um garoto bem obstinado, mas acho que as vezes erra em suas ações.. Embora eu goste de seus erros.
Stile quase baixa a arma ao ouvir isso, se sentindo mais amedrontado ainda, o homem fala como se soubesse de algo, como se entendesse Stile mais que si próprio, era visível em sua voz, no jeito, na entonação, em tudo, era assustador.
- O-oque você tá falando? O que isso quer dizer?
Dois passos para trás, com medo, tremendo, mas ao piscar, Stile percebe que o homem não está mais lá, acendendo um sinal de alerta gigantesco, ele vira de um lado para o outro, com a pistola quase caindo da própria mão, mas, um toque – Uma mão gosmenta, estranha, um toque que parecia passar pelo uniforme grosso que ele usava, e Stile para, ele queria correr, queria virar para trás e atirar mas não conseguia.
- Não se assuste.. Minha presença ameaçadora não passa de algo diretamente aqui..
Ele toca na cabeça de Stile, como se apontasse diretamente para o cérebro do homem, uma mensagem que ele conseguia entender muito bem logo direto – A silhueta finalmente se afasta, dando passos que quase não haviam peso, voltando a frente de Stile.
- Estamos em um espaço falso, isso tudo, não existe.
- U-uma dimensão de bolso?
- Eu não consideraria assim, mas interprete como quiser.
Stile finalmente consegue se mover, se afastando um pouco até encostar as costas na porta que dava para a escadaria atrás dele.
- E q-quem é você? Qual seu nome, e o que você quer comigo?
- Tantas perguntas em pouco tempo, aprenda a ser um pouco mais devagar com isso Stile..
- Para de ficar enrolando, e responde!
Mesmo com medo, a demora para o homem dizer cada palavra, e não responder qualquer pergunta o irritava profundamente.
- Eu diria que você é alguém interessante, ver seus objetivos, suas vontade, a sua vida inteira me traz um entretenimento ao qual não via faz tempo, seu afastamento de pessoas queridas, seu foco e persistência fora do normal, mas a sua insegurança que mora lá no fundo do seu peito.. O fato de você só querer ser útil, isso me deixa sinceramente comovido..
- Como você diz isso sem sequer me conhecer?
- Não diga coisas que não sabe com toda a certeza Stile, você sabe que bem lá no fundo, você sente que me conhece, não é?
Era verdade, a familiaridade que Stile sentia o assustava, mas ele sabia, sabia que tinha algo de errado, mas não entendia o porquê ou de onde isso vinha – A silhueta se aproximava mais, ainda sem revelar o próprio rosto.
- Então quem você é?
- Não importa quem eu sou, a única coisa que importa, é que quero que você saiba da minha existência, a aflição que sentirá, a pressão na própria mente por saber disso tudo, ela me fascina mais do que já está fazendo.
Stile arregala os próprios olhos, um desentendimento genuíno, no fim ele entendia a proposta sádica da silhueta, mas a sua própria mente não queria realmente falar que compreende isso de verdade, era assustador, sofrer mais do que já havia sofrido – Ele finalmente toca o peito de Stile, que encarava a escuridão do capuz, ele não entendia se não conseguia compreender o rosto da pessoa, ou se ele não tinha um rosto. Ou talvez, se ele só não queria entender mesmo.
- Mas, além de tudo posso te dar uma colher de chá, entenda que, nada além de um poço sem esperança espera você até o fim dessa jornada, então aproveite o último momento de sorrisos com os Heróis Mundiais, por que todos entrarão em uma montanha-russa de desgraça constante em pouco tempo.
- O que?.. Como assim?
Stile continua olhando para o homem, mas quando pisca, o último tique-taque soa, e Stile se vê sentado novamente na maca da mesma sala a qual havia saído há minutos atrás, ele se vê tremendo, e sente, algo errado, um desfoque, um problema em si próprio ao qual não conseguia nomear agora, mas sabia que estava lá, sabia que ele estava lá – Mas Stile não reage, ele olha para a porta, e continua encarando, enquanto sua mente continuava nubla, como uma grande nuvem de fumaça a qual não o deixava pensar ou compreender a situação de forma lógica, mas ele queria compreender o que tinha acontecido? O que o homem tinha falado? Talvez fosse melhor não, ou talvez fosse melhor se preparar.. É difícil decidir, é difícil dizer, e mais difícil ainda lidar com isso.