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Predador
Já faziam horas que todos haviam entrado na nave, o tempo passou, mas uma pessoa específica se mantinha a única acordada, Stile estava com alguns pedaços de papéis, fazendo anotações de forma quase incessante, coisas como “Qual a ligação?” ou “O que é o tique-taque?” estavam espalhadas diversas vezes pela folha, além de rabiscos e linhas de conexão quase ilegíveis, mas que de alguma forma ele entendia.
- Eu preciso pensar melhor, deve ter alguma ligação, quem é ele?
Stile fraqueja, colocando a mão na cabeça, era uma dor que agora nunca parava, parecia mais recorrente e pior que antes, ele disse que estaria na sua cabeça, e talvez isso fosse verdade completamente, o tique-taque de um relógio parecia ressoar sem parar no fundo da mente de Stile, mesmo que o próprio não aceitasse isso.
- Podemos ligar ele com a Melancolia, talvez a Culpa, parece um poder forte... Mas, ele é humano, como que isso entra na equação? Ele parece saber mais de mim do que eu mesmo sei, ele talvez tenha entrado em minha mente e lido as memórias, isso é poder que exista?
Ele espalha os papéis com certa raiva, jogando a cabeça contra a parede, mas tenso ainda, sem conseguir relaxar ou descansar – Talvez essa noite, ou dia, seja um dos piores de Stile desde sua luta contra o Carniceiro.
- Eu preciso achar um jeito de combater, de conectar tudo isso, mas como?.. E por que eu, entre todos, por que eu?
Ele joga sua cabeça para baixo, apoiando os cotovelos nos joelhos enquanto encara o chão, extremamente focado em achar a resposta de algo, mas na verdade era meio óbvio.
- É claro, eu sou o com a mente mais quebrada, deve ser fácil de acessar.. Sou um inútil mesmo.
Ele fraqueja novamente, era uma dor que não parava incessante, ele havia tentado dormir mas o mesmo sequer conseguiu, era quase como uma tortura, e ele sabia que era direcionada diretamente para o próprio. Stile não tinha certeza se era algo específico para ele, ou se teria sido somente coincidência a escolha, mas com o que o homem havia falado, parecia ser algo direto, ou seja, alguém quer torturar ele.
- Mas que merda, parece que nada dá certo, tava tudo melhorando mas tem que acontecer algo assim, é impressionante a má-sorte!
Ele dá um soco na mesa, quase sem força, ele não tinha força pra isso, não tinha foco pra sequer sentir raiva com essa dor constante, queria acreditar que se acostumaria, mas por outro lado tinha certeza que se tivesse tanta vilania essa vilão, ele faria questão de nunca deixar ele descansar, de uma forma ou de outra.
- Eu preciso dar um jeito de pelo menos aliviar isso ou entender melhor, talvez se eu conseguir conversar com algum dos assassinos.. Ele poderia me confirmar se pelo menos ele é um assassino também.
Stile continua escrevendo, se debruçando sobre a mesa de hora em hora, seus olhos se fechavam com certo sono mas o mesmo não conseguia descansar, aquele tique-taque nunca parava, agora como uma maldição que não passaria.
-
Em outro lugar da nave, um som de pingos ressoava no quarto escuro, algo caindo no chão de pouco a pouco, formando uma grande poça, que inundava lentamente o chão – Dela, um braço sai, diretamente do líquido de forma totalmente fantasiosa, era um braço de pele humana, um homem branco com a cor vívida, era perceptível pelos braços com músculos e veias que saltavam como se estivessem se forçando, mas em suas mãos e até seus cotovelos, sangue podia ser visto, já seco como se ele sequer tivesse tentado lavar. Ele agarra o chão, se puxando para cima, e logo revelando o resto da roupa, uma camisa branca simples com as mangas puxadas para cima, um colete branco de alfaiataria e uma gravata vermelha que se destacava.
- Coelhinha, coelhinha.. Dormindo bem não é?
Enquanto se puxa para cima, o ser mostra parte de seus rosto, espiando o quarto inteiramente com um cuidado quase assustador, e logo se puxa totalmente para cima, saindo da poça de sangue. Seu rosto estava coberto por sangue seco, ele se assemelhava a um lobo ou cachorro negro de pelagem totalmente escura, com partes em cinza abaixo do queixo, perto dos olhos e dentro de suas orelhas, pintadas casualmente com um vermelho de sangue seco também, no canto de sua boca um sorriso malicioso era puxado, mostrando suas pequenas presas, seus olhos eram pintados de um vermelho vibrante que quase iluminava no escuro, seu focinho também era vermelho, assemelhando a uma rena. Suas calças eram simples, também de alfaiataria, claramente em totalidade era um traje social de épocas passadas na terá, talvez alguns poucos séculos atrás isso seria uma moda realmente – De suas costas, saem quatro grandes tentáculos negros que se comportavam quase como um líquido ou uma gosma, não se mantendo em uma forma certa e se modelando constantemente para se manter do mesmo jeito.
Ele olha para os lados do quarto, observando algo que chama atenção mas o próprio ignora, um cajado chamativo e bonito, mas visível no escuro por seu grande cristal brilhante. Em passos sorrateiros ele se aproxima da cama ao canto do quarto, mesmo no escuro, uma garota era visível, seus cabelos castanhos escuros caiam bagunçados por todo o travesseiro, enquanto seu rosto mostrava a garota indefesa dormindo de olhos fechados sem sequer imaginar qualquer perigo que pudesse observar ela durante a noite, ela não poderia pensar, seu corpo coberto por esse tecido fino que fazia seu pijama, isso se mostrava tão tentador enquanto ele observava ela pelas horas que tinham se passado – Seu peito subia e descia com as respirações leves que ela fazia durante o sono, de forma tentadora sua camiseta estava a poucos centímetros acima da barriga, totalmente desajeitada com aquele pijama amassado, mas que realçava ainda mais a beleza dela.
- Coelinha linda.. Continua à dormir..
Ele aproxima seu focinho do rosto de Veronika, sua respiração já pesada caia sobre a bochecha dela, ele abre um sorriso nojento, em poucos pingos sua saliva escorria pela boca, descendo e caindo na bochecha de Veronika que nem percebe o líquido, ele levanta a mão, passando devagar pelos braços dela, descendo para o short de pijama rosa que ela usava, passando com gentileza pelas pernas lisas dela, com um cuidado, um foco, quase doentio, ele queria continuar, queria ver ela dormir por mais tempo, observar o controle que tinha sobre esse corpo que sequer sabia o que poderia acontecer agora, era atrativo até demais para ele – ser passa a mão no rosto da garota, limpando a própria saliva, mas espalhando mais, mesmo que não seja o intuito, ele passa os dedos pelos lábios dela, sentindo maciez deles por alguns segundos, ele respirava pesado como se sentisse satisfação com essa atitude, ele não piscava seus olhos vermelhos, um foco extremo que nem alguém que gostaria dessa atividade teria, talvez somente alguém que ama de forma inexplicável poderia demonstrar tanto amor em fazer isso.
Veronika solta um som, um barulho de quem teria se incomodado durante o sono, ele tira as mãos da garota, observando enquanto ela se vira na cama, um sorriso de ponta a ponta em seu rosto, quando ela para, ele retoma as atividades, mas ao chegar perto para tocar nela novamente, ele para, suas mãos tremem querendo por isso, pedindo por isso. Ou talvez pedindo por mais do que somente isso, era inútil ter um toque na perna da garota, sua beleza durante o sono era demais pra desperdiçar desse jeito, será que a garota ainda era virgem? Quantos já teria feito sexo com? Como tinham sido essas experiências? Será que era uma flor que já havia desabrochado totalmente, ou mais excitante! Ela talvez sequer tivesse tido essa experiência ainda – Seu corpo inteiro treme de felicidade pensando nos inúmeros cenários que poderia acometer naquele momento, sua respiração pesa mais, ele quer fazer, na verdade, não quer, ele precisa fazer isso mais que tudo agora, independente de como, era uma oportunidade única para aquele momento, ele devia somente matar ela, mas seria tão sem graça desperdiçar tudo isso desse jeito inútil.
- Minha coelha querida.. Deixe-me desaflorar seu corpo como se me fosse pertencente, demonstrarei meu amor de forma que nunca esqueceria mesmo após sua morte.
Ele com leveza sobrenatural sobe em cima da cama devagar enquanto ainda observava Veronika, sua saliva não parava de escorrer, como um cachorro ou um animal selvagem que acabou de encontrar um pedaço de comida jogado no meio do mato, estava prestes a amar aquela garota como nunca havia amado qualquer uma das outras que já tinha utilizado, mais do que qualquer outra, essa seria especial, seria melhor, ele faria melhor – Essa era uma mentira que contava pra si toda vez, todas seriam melhores, mesmo com atos tão sujos, era deplorável, mas o desejo em seu corpo sequer o dava motivo pra ver a régua moral de suas ações, independente do que acontecesse, o que importa é o agora.
Seus tentáculos quatro tentáculos se estendem até os membros da garota, evitando tocar por alguns segundos enquanto ele ainda admirava aquela cena à qual sabe que se orgulharia pelo resto da própria vida, uma de suas mãos se aproxima do short da garota enquanto a outra já estava preparada para cobrir a boca dela, mão cujo tinha marcas de cicatrizes, mas não cicatrizes normais, dentes, mordidas, diversas delas reflexo de suas experiências doentias de antes, mas que o próprio já tinha maestria em fazer – E como dito, ele faz. Seus quatro tentáculos se prendem pressionando os membros da garota contra a cama, que imediatamente levanta estralando os olhos e vendo o olhar doentio da figura na sua frente, somente para ser empurrada com força deliberada contra a cama pela mão do lobo que pressiona contra a sua boca, ela tenta gritar, mas somente barulhos abafados saem, e logo ela também tenta se mover, mas estava presa pela armadilha natural que aquele ser era.
- Não precisa gritar coelhinha, fique quieta, depois que isso tudo passar, você vai para o céu.
Embora ele dite em sussurros tentando ser sérios, um sorriso aparece em seu rosto, abrindo sua boca e mostrando seus dentes caninos afiados, uma visão horrível para a garota, a qual já começava a demonstrar lágrimas mornas se criando no canto de seus olhos, aquilo era divino, ótimo, perfeito cena que ele amava ver – Ele coloca a mão contra o short de Veronika, segurando a barra com gentileza contrastante as suas ações, amando puxar lentamente enquanto via a garota tentando se debater em vão, ela chorava, ela tentava espernear, mas nada acontecia, ele tinha o controle total daquela situação e nada mudaria ela, nada nesse mundo, ele se debruça sobre o corpo da garota antes de terminar de revelar a parte íntima da garota, dando um último vislumbre de sua voz sussurrada diretamente no ouvido dela enquanto as lágrimas mornas roçavam o seu pelo.
- Você não precisa ter medo, coelhinha, está em boas mãos. Quando eu terminar por aqui, farei questão te dar uma morte lenta, vou arrancar membro por membro com os meus tentáculos, e morder seu corpo de pouco a pouco, comendo seus braços, suas pernas, seus seios, até por último, destruir seu coração. E eu vou adorar cada segundo.. Por que você não amaria isso também garota?
Ele volta com a postura normal, mas antes que alcance o short da garota novamente..
Uma batida forte em sua cabeça o joga para o lado, fazendo com que o mesmo solte o rosto da garota e o corpo imediatamente, o cajado de Veronika havia batido contra sua cabeça com força, e jogado o animal para o lado na cama – Ele olha para o lado, da mão da garota ela havia feito uma pequena fita com seu poder, puxando o cajado com maestria e jogando contra ele, era esperta, mas ele gostava disso.
- BANE! SOCORRO! PORFAVOR!!
Veronika grita à plenos pulmões pelo homem, um dos gritos mais altos que já deu em toda a sua vida, talvez o mais alto realmente, antes de pular da cama, tentando sair correndo, mas logo o lobo se joga em cima da garota, jogando ela de cara no chão da nave, e sorrindo novamente, cada vez um sorriso mais maníaco e satisfeito conseguia aparecer no rosto daquela coisa.
- Não coelhinha, o nosso jogo ainda não acabou.
Ele segura o ombro dela, e como um espinho, sangue sai da mão dele, passando pela carne de Veronika e lançando ela para o outro lado do quarto, contra a parede, Veronika fica sentada ainda chorando, claramente abalada mas ainda tentando lidar com a situação – Até que a porta é estourada com um barulho estrondoso, e logo o lobo é agarrado pela cabeça antes de sequer olhar para quem havia entrado no quarto, Bane segura o crânio daquela coisa com raiva, tirando ele do quarto e jogando no corredor, ele pisa na cabeça da coisa e pressiona.
- O QUE VOCÊ FEZ COM ELA SEU MERDA?
Bane puxa uma espada rapidamente de sua luva, pronto para cortar a cabeça do lobo, mas assim que ataca é segurado pelos quatro tentáculos que seguram a pressão do ataque de forma impressionante, antes que o cachorro propriamente passe a mão na cabeça, observando um pouco do sangue que havia saído do golpe com um sorriso no rosto, rapidamente o sangue que estava escorrendo se solidifica, se transformando em um facão que ele utiliza para fincar na perna de Bane, que dá um passo para trás na hora, enquanto ele puxa o facão novamente e se afasta, levantando do chão.
- O salvador da coelhinha, quem você é urso? Cortando uma brincadeira tão cedo assim, que estraga prazeres você é, mas não te julgarei, toda flor já tem uma abelha que a poliniza.
- Abelha que poliniza, que caralho cê tá falando?
Bane sem pensar duas vezes pega a espada e parte para cima, lutando contra o lobo que defendia os ataques com certa maestria, utilizando pequenas brechas para dar golpes certeiros na musculatura de Bane que parecia resistir bem aos cortes – Os dois logo se afastam, agora estando no meio da sala de estar da nave, longe de Veronika ou dos quartos, Bane olha para aquele lobo com asco, um nojo claro em seu rosto e uma raiva internalizada que parecia querer sair a qualquer momento.
Dash aparece correndo atrás de Bane, ela olha para ele e para o lobo, mas antes que ela falasse Bane já fala por ela.
- Fica com a Veronika, ajuda ela e protege, eu cuido dessa porra aqui.
- T-tá bom! Mas vê se me chama qualquer coisa tá?
- Não vai precisar, eu vou matar ele.
Bane se prepara novamente, indo com tudo para cima do lobo que continua defendendo e o atacando, era quase a mesma situação de Confiança, exceto que o inimigo tinha velocidade o bastante para atacar momentos específicos onde Bane não conseguia se defender, e Bane não conseguia atacar diretamente o lobo por conta dos tentáculos.
- Urso? Talvez você seja uma pantera, vejo isso em você..
- Você é um dos dez assassinos não é?
- Perspicaz, mas acredito que já é óbvio, sou um lobo sem nome, o representante do desejo.
- Desejo.. É claro que um merdinha que nem você faria essas merdas contra ela.. Eu vou te matar da pior forma que eu conseguir imaginar.
O lobo ri, se afastando um pouco e recuperando o seu fôlego, seu corpo tinha leves arranhões de momentos em que a espada de Bane havia chegado perto de o ferir, mas nada tão preocupante para ele – Desejo levanta o facão que utilizava, e de forma não-natural, o sangue que saia dos pequenos cortes de Bane passa pelo chão, subindo pelo corpo do lobo e se juntando aquela arma que parecia crescer um pouco mais pela quantidade de sangue.
- Esse é meu primeiro desejo, a Manipulação Sanguínea, com isso todo o sangue de algum alvo ou meu próprio pode ser manipulado como eu quiser!
- Eu não ligo pra como funciona o poder, vem pra luta logo porra, quero acabar contigo o quanto antes.
Bane parte para cima com um ataque um pouco mais forte, mas que é defendido pelo facão de Desejo com certa facilidade pelo tamanho maior dele, o lobo pula para trás levemente, apontando na direção de Bane, e algumas gotinhas de sangue começam a flutuar no ar, Bane observar já pronto para defender – E com alguns segundos o lobo fecha o punho com força, lançando todos as pequenas gotas como tiros de alta precisão na direção de Bane, que defende alguns mas outros passam direto pelo seu corpo, como uma rajada praticamente impossível de não receber.
- Vocês são em cinco não são? Agora propriamente quatro, e a garota piloto, além disso aquele verme.
Bane sequer responde antes de voltar ao combate corpo a corpo, ele continua andando de um lado para o outro enquanto tenta ao máximo cortar o lobo com força, mas ele defendia todo o golpe com maestria, chegava a ser irritante, mas logo ele pensa.
“Eu posso usar a nave pra ajudar, se eu colocar ele contra a parede não tem o que um corte forte não ajude.”
Ele começa a lutar com o lobo com uma ideia em mente em cada ataque, levando ele de forma direta até perto do outro corredor, onde ele coloca Desejo contra a parede, e finalmente levanta a espada, pronto para desferir um golpe que quebraria qualquer defesa do lobo, mas assim que a espada chega perto dos tentáculos, Bane solta, fazendo com que o lobo se assuste surpreso, e receba um soco forte direto em sua barriga, cuspindo sangue em Bane mas com um sorriso ainda no rosto, embora uma gota de suor escorra no canto de seu rosto, demonstrando o medo que havia começado a sentir.
- Você é um dos assassinos?
Bane estranha ao ouvir, ele vira o rosto vendo Stile atrás dele, ele segurava uma pistola e parecia meio desesperado olhando para frente, quase esperançoso enquanto olhava para o lobo, ele sequer apontava a pistola, somente mantinha ela na mão enquanto a outra repousava em sua cabeça, ressaltando a dor que não parava – Vendo a oportunidade, Desejo dá um corte direto em Bane, jogando ele para trás, e dando uma risada baixa que aumenta de tom em poucos segundos.
- Quem é o amiguinho aí? Um pássaro eu diria.. Mas não sou experiente nessa área.. Quer saber algo de mim? Eu falo com prazer.