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Korradia
Um barulho constante de vento passava pela lataria da nave, entrava nos buracos e em canos que se quebraram com a batida, era um barulho tão leve, quase calmante, mas esse mesmo barulho faz Veronika acordar – A mulher abre os olhos pesados lentamente, ela olha ao redor, parecia estar deitada contra uma das paredes da nave, logo ela se levanta lentamente, passando a mão na cabeça.
- O que aconteceu?.. B-bane?
Ela olha para a própria mão, estava cheia de sangue, Veronika se assusta mas tenta ao máximo se manter calma, provavelmente havia batido a cabeça na queda ou em outro momento – Ela passa a mão nos olhos, limpando, e logo vê Reni caída contra a porta, ela chega na garota e a balança, com preocupação.
- Reni, acorda!
- O-oque foi?
A garota acorda levantando direto, já meio preocupada também com o que havia acontecido – Elas se levantam, tentando se limpar da areia e do sangue que tinha ficado na roupa.
- Ah.. O meu pijama rasgou.. Você tem algo aí Reni?
Um rasgo direto na camiseta de pijama de Veronika, passando por todo abdômen dela, e até estava um pouco queimado estranhamente – A mulher hora bem desconfortável consigo mesma, quase se escondendo.
- Ah sim, eu tenho! Eu comprei umas coisas lá em nublus.. Mas tá lá no meu quarto, fica aí rapidinho?
- Tá bem..
Reni sai, abrindo a porta do quarto que estava meio emperrada, e saindo rapidamente, alguns poucos minutos depois ela volta com uma sacola cheia.
- Eu não se é muito o seu estilo, mas acho que fica legal em você!
- Vamos ver, se não for um traje laranja..
Ela pega a roupa de dentro da sacola, era quase como um vestido cinza, um camisão ou coisa parecida, de manga longa e tudo, tinha uma gola bem específica e estranha, e um zíper com uma linha verde que abria no meio, ele tinha alguns círculos específicos, não era a roupa mais estranha do mundo, mas era definitivamente um traje bem diferente – Ela se arruma rapidamente, além disso pegando uma calça grande, talvez maior que ela que Reni tinha comprado, fazendo um traje até que bem aceitável mas diferente.
- Ficou linda amiga!
- Não sei não..
- Olha, se eu fosse uma heroína eu super usaria isso um traje igual!
- Acho que tá bom então..
- Mas tirando esse negócio da sua roupa de lado, tem algo bem mais preocupante pra lidar..
- O que é?
- Eu não sei dizer o que aconteceu, mas vem aqui..
Reni pega na mão da amiga, andando com cuidado para fora do quarto com ela, somente para que quando saiam, o que restava ao ver das duas, era o corredor dos quartos pelo o que parece, ele estava cheio de uma areia vermelha e fofa, como se tivesse caído diretamente no chão, e a esse momento elas já haviam percebido o que aconteceu.
- A gente.. Caiu? Mas o que deu?
- Talvez tenha sido um problema da nave.. Mas eu temo que seja mais que isso!
Reni arrasta Veronika para onde deveria estar o cockpit, mas somente o deserto vermelho podia ser visto por quilômetros e mais quilômetros a frente, separados e meio jogados para cantos diferentes, estavam outras partes da nave como a sala, o outro corredor, banheiro e outros cômodos.
- C-cadê o Bane?
- Eu não sei se nem ele e a Dash tão aqui, eles tinham ido logo pra cá mesmo..
- Eles devem estar sim!
Veronika começa a correr um pouco mais rápido para as outras partes da nave, mas logo para caindo de joelhos no meio da corrida, Reni vem logo atrás e segura a amiga preocupada.
- Você tá bem??
- Eu acho que bati a cabeça..
Ela olha para a cabeça de amiga e analisa um pouco, passando a mão pelos cabelos e vendo o sangue, logo Reni corre para onde estava a enfermaria – Ela volta correndo com bandagens e começa a tratar Veronika com rapidez e maestria.
- Pelo menos deixa isso na cabeça.. Vai melhorar eu espero.
- Ah, obrigado! Você consegue pegar o meu cajado?.. Acho que ele ficou no meu quarto talvez.
- Consigo sim, já volto!
Veronika levanta enquanto Reni vai até seu quarto, e ela começa a andar até o corredor separado da nave, ela anda de cômodo em cômodo procurando Bane e Dash, que não estavam em lugar nenhum.
- C-cadê você Bane?..
Alguns minutos depois Reni volta com o cajado de Veronika, que logo se apoia utilizando como forma de se manter um pouco mais estável, elas duas voltam e se sentam perto do corredor dos quartos, pensativas.
- E agora, pra onde será que eles foram??
- Eu não sei.. Mas só espero que eles dois estejam bem viu?
- Certeza que tão Vero! São os mais fortes!
Logo, alguns poucos segundos depois, enquanto pensam, um barulho alto aparece atrás delas, as duas garotas pulam de susto, Veronika agarra a mão de Reni e logo se levanta amedrontada – Para que no fim do corredor, no último quarto, Stile saísse, seu rosto estava do pior jeito que haviam visto em dias, seu braço sangrava e ele estava arrumando o fuzil na parte de trás dele. Assim que o vê, o aperto de Veronika na mão de Reni se intensifica.
- O que aconteceu?.. Cadê o resto? Só tá vocês aqui?
- Ah, sim sim, parece que deu um mal funcionamento na nave ou algo aconteceu.
- Que estranho.. O Bane me apagou e.. Ele me apagou?
Veronika fica meio atrás de Reni, com certo medo, ela tremia levemente mas não queria que Stile visse isso ou tivesse sequer ideia de que estava acontecendo – Reni toma a frente conversando com Stile, percebendo o certo medo da amiga.
- Não sei o que aconteceu entre vocês mas acho que temos algo maior pra lidar agora, precisamos achar os dois e saber o que aconteceu.
- Achar os dois.. Tá bom, que seja.
Stile vai até as duas, se juntando e olhando para o local lá fora, estava de noite, uma das luas pairava no céu e refletia o sol, dando um grande brilho e uma visão linda para o deserto vermelho, mas um frio gigantesco também – O vento forte que já estava acontecendo começa a aumentar, subindo um pouco de areia pela visão deles, fazendo aqueles quilômetros de distância parecerem maiores.
- Então, o que vocês pensaram?.. Alguma ideia, pista?
- A gente não sabe, estávamos no quarto quando tudo aconteceu.
Stile vai andando pelos destroços, procurando algo ou alguma coisa que ajudaria na sua dedução, logo, ele parece encontrar alguma coisa, se agachando no chão e analisando uma das partes da nave – Ele olha para as garotas e chama as duas, que seguem.
- Eu acho que foi algum ataque inimigo, talvez daquele assassino mesmo.
- O-o que?
- Pera, como assim Stile?
- Olha isso aqui, na lataria, tem um corte limpo cheio de sangue, com a manipulação de sangue dele, eu não sei até onde chegava a força, mas ele pode ter feito isso.
Era uma das partes da lataria jogadas diretamente do cockpit, tinha um claro corte avermelhado rivalizando com o cinza da nave, era visível – Assim que vê isso, Veronika treme, o aperto fica ainda mais forte na mão de Reni, e ela quase se esconde atrás da garota que não era nem tão mais alta que ela, praticamente da mesma altura.
- Entendi.. Então cortaram a nave.
- Provável que aconteceu alguma luta ou coisa assim, vocês sabem como acabou a luta do Bane?
- Ele disse que matou o lobo e jogo ele pra fora no espaço.
- Talvez ele tenha ficado vivo, eu não duvido.
- V-vivo?..
- Vai ficar tudo bem amiga, ele já deve ter morrido realmente, e é só suposição!
- É.. É uma suposição, mas é bom ficarmos atentos.. E além disso.. É bom a gente não se apegar muito a aqui, se eles provavelmente tão sem mexendo, a gente tem que fazer o mesmo, afinal temos pouco tempo até o Arqueólogo fazer os negócios dele.
- Sim.. Mas acho que é bom pegar algumas coisas ali na cozinha né? Uns alimentos ou o que der de tomar.
- Perfeito.. Mas mantenham em mente que nosso objetivo agora é achar uma nave, o Bane e a Dash devem estar fazendo o mesmo.
- Uhum.. A gente vai lá e já volta.
Reni leva Veronika até o cômodo da cozinha que estava mais longe, ela abre a geladeira e começa a pegar algumas coisas, mas antes pega um suco de laranja e oferece gentilmente a mulher que aceita.
- Vai ficar tudo bem viu? A gente vai achar o Bane e a Dash logo logo.
- Eu sei que vamos.. Mas isso que o Stile falou, me deixa assustada.
- O lobo não tá vivo, não precisa ter medo!
- Eu vou tentar..
Ela pensa um pouco, lembrando de Bane, e um sorriso confiante tenta aparecer no sorriso dela, se mantendo com certa dificuldade – Ela segura o cajado um pouco mais decidia.
- É.. Eu vou tentar!
- Isso aí amiga, agora vamos lá vai.
Reni agarra uma sacola de comida, e logo e suquinhos de laranja que haviam sobrado, agarra a mão de Veronika e as duas voltam até Stile, que estava sentado em alguns destroços observando a areia.
- Voltamos viu, tá com fome?
- Não, tô tranquilo, só tava pensando que esse vento talvez traga uma tempestade de areia.
- Isso é bem preocupante né?
- Só a gente se enfiar nos nossos quartos e esperar passar que vai ficar tranquilo..
Stile fraqueja por um momento após falar, sentindo uma pontada de dor de cabeça, seu rosto se enche de raiva por alguns segundos mas logo ele suspira e continua olhando.
- Espera aí..
Ele levanta, puxando o fuzil direto e apontando para o meio da areia que estava voando com o vento, Veronika e Reni olham, ficando atrás dele – Veronika tenta se impor puxando o cajado e apontando para o mesmo lado.
- O que deu?
- Tem alguém vindo ali no meio, é uma silhueta estranha..
Veronika aperta os olhos um pouco, procurando, e logo acha algo, ou alguém, uma silhueta caminhando em meio a areia, ele parecia ter chifres longos indo para o lado direito e esquerdo da cabeça, e segurava algo grande, como um machado, de resto ele parecia ter um pano branco que voava com o vento preso no pescoço, era difícil de entender muito bem – Stile se aproxima um pouco e aponta diretamente a arma, subindo a voz.
- Ei! Você aí! Para agora ou eu atiro porra!
Nenhuma resposta.
- Para aí ou eu atiro, tô falando sério!
A silhueta para, derruba o machado no chão e levanta os braços, como se estivesse se rendendo.
- Eu venho em paz! Sou um Korradiano!
Ele grita alto, uma voz meio abafada por algo, mas compreensível – Veronika chega um pouco mais próxima de Reni, ficando na frente para proteger.
- Será que é inimigo Stile?
- Ele pode estar falando a verdade mas.. Deixa o machado aí! Pode chegar mais perto, mas nenhum movimento errado se não eu estouro tua cabeça!
A silhueta volta a caminhar em direção a eles, se revelando em meio a areia, os chifres grandes eram parte de um capacete sujo e prata com alguns anéis dourados nele, pareciam enferrujados, no meio do capacete tinha somente um buraco em formato de um olho, que brilhava em vermelho, ele tinha um corpo esguio mas alto, mais ou menos do tamanho de Stile, seu corpo era de uma pele escura, coberta por partes de armadura prata enferrujadas, em partes nos ombros e pernas, e botas nos pés – Ele tinha grandes manoplas que pareciam deixar suas mãos maiores do que realmente eram, tinha um tom ameaçador mas ao mesmo tempo parecia alguém realmente normal, em partes tinha sangue em alguns pedaços da armadura, o que fazia Stile desconfiar.
- Quem é você? Fala agora.
- Eu não tenho nome, sou conhecido como General Prata somente, sou o comandante da armada dos Korradianos.
- É? E por que que você tá aqui?
- Eu estava vagando pelo deserto após minha armada ser tomada por uma mulher, foi quando vi uma luz estranha no céu, ela se separou em duas e desceu diretamente para cá, então somente fui aonde haviam caído, foi uma nave?
- Tomada por uma mulher?
- Se separou em duas?
Veronika e Stile perguntam interessados, mas com objetivos diferentes, Veronika se aproxima um pouco baixando o cajado, enquanto Stile mantinha a arma ainda mirada diretamente para a cabeça do alienígena, ele explodiria o crânio do mesmo com toda a certeza caso ele fizesse algo.
- É, sim, uma mulher estranha apareceu na frente da nossa base dizendo ser uma pobre andarilha espacial, acolhemos ela por uma beleza exuberante, mas logo os meus soldados começaram a se virar uns contra os outros para protege-la, era quase como um controle mental ou coisa assim..
- Como assim? Eles ficaram próximos demais?
- Como a gente mora embaixo da terra para evitar tempestades de areia, a proximidade foi impossível de evitar.
- Talvez sejam os feromônios também..
- Enfim, eu saí da nossa base, e tive que matar alguns dos meus soldados no processo, estava procurando alguma resposta vagando pelo deserto, talvez se pudesse ir para Nublus, eles tem diversas bibliotecas lá.
- Sim, com certeza.
Veronika se coloca na frente de Stile, chamando a atenção do alienígena para ela rapidamente, ela estava mais interessada em outra coisa que não fosse o controle mental dos soltados da armada dela.
- Mas General, consegue responder para mim onde foi a outra parte dividida da nave?
- Ah sim, do céu eu vi uma das partes caindo diretamente aqui, e a outra havia ido para Norradia, o outro lado do planeta.
- Entendi, então eles estão vivos mas em outra parte do planeta. Você não tem nenhuma nave?
- Eu até tenho sim, mas ela está juntamente com meus soldados próximo a nossa base, eu até utilizaria ela, mas não conseguiria invadir o local sozinho.
Stile para pensando um pouco, ele estava interessado, poderia matar outra da mulher dos feromônios, e na melhor das hipóteses conseguir respostas sobre o homem do relógio, ele se coloca a frente, baixando a arma.
- Nós vamos ajudar, mas somente caso possamos utilizar a nave depois.
- Se acabarem com a mulher, podem utilizar como quiser.
- Então nós vamos fazer isso Stile?
- Se eles tão fazendo algo do lado deles, acho justo que a gente tente fazer do nosso lado também né?
- Faz sentido.. Então a gente ajuda sim, mas olha General, tem que ajudar a proteger minha amiga aqui, ela não sabe lutar!
- Uma garota indefesa? Não se preocupem, tenho anos de experiência em batalhas e guerra.
- Ah, a Reni não tem nada né? Pega aqui menina, tenho uma sobrando.. Mas essa aí só vai ter seis balas, acho que é o bastante pra se precisar né?
Stile pega um revólver e entrega nas mãos de Reni, que pega com cuidado quase como se disparasse sozinho, e guarda em um dos bolsos da jaqueta, com certo medo, mas sabendo que provavelmente precisaria usar – Os quatro se ajeitam, já começando a tomar rumo pelo deserto para a base onde o General Prata havia falado.