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Nevaice
Bane entra na nave, se sentando em sua cadeira meio pensativo, mas logo olha para Reni.
- A pirralha tá bem Dash?
- Ela parece que tá mais estável, tá se recuperando aos poucos eu acho, mas vai demorar um pouco pra acordar.
- Entendi.. A gente encerra a missão aqui, falhamos.
- O-oque?
- Oha pra tudo, você acha que dá de continuar assim? Faltam sei lá, quatro assassinos e gente tá em dois, se continuarmos é suicídio, além disso, sequer temos comida.
- V-verdade.. Faz sentido.
- Vamos passar naquele planeta lá e pegar o Mark, depois vamos sair daqui direto, não importa o que tiver lá, vamos ir e buscar ele.
- Tudo bem.. Zero, voa para Nevaice.
A nave começa a se mover, enquanto Bane se joga na própria cadeira totalmente derrotado e cansado, seu rosto sequer tinha brilho algum – Dash permanece agachada perto de Reni, preocupada.
- A gente nem sabe se ele tá lá ainda né?
- Acho que só a Reni conseguia saber disso.. E na outra nave ainda.
- Que merda, então é sorte, olha onde esse alienígena se mete por tanto tempo.
- Vamos rezar pra que ele ainda esteja lá né?
- É isso mesmo..
A viagem começa pelo espaço, por horas, os dois falam um pouco, mas o que permanece é o silêncio, a falta, a sensação de algo errado que os dois sabiam que tinha, algo faltando, mais de uma coisa, e uma desesperança que crescia cada vez mais em ambos corações.
-
Mark desce em velocidade impressionante até o planeta congelado, uma crosta de gelo visível cobria todas aquelas montanhas gigantes, além de uma nevasca grossa que parecia não parar de cair, o próprio não sentia medo, sua armadura e seu corpo produziam bem mais calor que o normal – Ele começa a rondar o planeta inteiro, era gigante e cheio de montanhas, não pareciam ter cidades ou estruturas, além de uma grande montanha bem visível de todos os cantos do planeta, talvez semelhante ou maior ao monte everest da terra.
- Onde será que está?..
Em poucos minutos já havia rodeado o planeta em torno de seis vezes, com calma, ele já estava confuso, mas até que algo brilha – No topo daquela montanha, um brilho visível no meio da nave, fraco, mas visível, ele sobe rapidamente sem sequer pensar, e logo chega até lá.
No topo onde o ar sequer parecia existir, alguém ou algo pairavam, mas que Mark quase reconhece imediatamente, uma armadura branca assim como a sua estava sentada na ponta de um penhasco visível, ele parecia sussurrar ou cantarolar algo, mas para assim que Mark chega.
- Não esperava que fosse tão rápido.
- Você é meu irmão?
Mark paira sobre a neve, observando, ele não tinha pose alguma, estava sendo direto – O alienígena vira o rosto lentamente, agora era visível que no arco que ficava atrás de sua cabeça, estava quebrado, e além disso um de seus chifres parecia quebrado, os detalhes de su roupa eram tortos, claramente utilizados diversas e diversas vezes, o uniforme parecia errado diferente do de Mark que era bem cuidado até demais.
- Direto assim? Achei que seria mais impactante o reencontro de família.
- O que aconteceu em nosso planeta? Aquilo é tudo verdade?
- O Confiança que lhe contou não é? Aquele velhote não fica quieto.. Mas sim, tudo verdade, cada parte.
- O templo está preservado?
- Aquela velharia.. Desisti dele faz uns três anos.
- Como pôde desistir de algo tão importante para o nosso povo?!
- Não ergue a voz pra mim Lisan.. Nem você se importa com isso.
- Como assim não me importo? É extremamente importante para nós.
- Você não tava lá pra proteger ninguém, nem aquele templo, a existência dele é mérito completamente meu.
- Eu não pude estar lá por que tinha que cumprir nosso objetivo!
- Não diga “nosso”, não é objetivo de mais ninguém de você entende?
O irmão de Lisan levanta, voando entre a neve enquanto encara o herói, os dois eram quase como um espelho um do outro.
- Como assim, por que desiste tão fácil?
- Fácil?! Você tem ideia do que essa palavra significa? Eu vi o nosso povo inteiro morrer, e eu fui o único vivo! Sem sequer ter certeza se esse “irmão” que nem sabia da minha existência tava vivo, você chama isso de fácil? Fácil é a sua vidinha na terra atrás de algo que não existe!
- Eu estou lá para cumprir o propósito do nosso povo irmão, a coisa mais importante desde o começo da nossa existência está nas minhas mãos.
- Que baboseira, você tem na cabeça que se você morrer agora, tudo vai sumir? Não vai existir mais profecia, objetivo, tudo isso vai embora, assim como o nosso povo todo. Você é o legado daquela nação Lisan! Parece que não entende o que carrega nas costas!
- Eu entendo, e por isso honro meu propósito e o sacrifício tanto seu quanto do nosso povo.
- É engraçado, hilário Lisan! Você só fala do nosso povo, pergunta do templo, pergunta do planeta, mas e o irmãozinho aqui? Sou tão feio assim?
- Eu não sabia da sua existência até poucas horas, chega a ser assustador saber que existe.
- Eu sei.. Não esperava né? Que o “herói perfeito” da nação teria um gêmeo, por que não criaram dois heróis perfeitos juntos?
- Por que isso não tá na profecia..
- Então o meu nascimento não quebra essa profecia?
- Não é assim que funcio-..
- COMO funciona? Tem instrução? Tem manual Lisan? Eu olho para aquelas paredes e vejo somente escrituras, desenhos sem sentido feitos por pessoas que já não estão vivas fazem séculos!
- Mas é a profecia, algo sagrado dado por nosso deus.
- E ELE EXISTE? Você já viu esse pássaro em algum lugar?
- Mas ele nos deu a vida.
- Milhares de outras raças existem também, por que só a nossa tem que vir de um deus? Ou melhor, por que só a nossa NÃO tem que vir de um deus?
- Por causa da profecia!
- NÃO TEM FUNDAMENTO LISAN! NÃO TEM! Pensa Mark, pensa! Todo o nosso povo passou milênios da família real tentando e tentando criar o herói que dominaria o sol e derrotaria o cavaleiro da escuridão! Mas tudo na sua linhagem como herói deu errado na mesma hora que eu nasci com você, e agora não existe mais família real, não existe planeta pra voltar, tudo acabou, nada é verdade naquilo, passamos milênios atrás de uma mentira.
- Não faz sentido que seja isso..
- Não faz sentido? MAS É ISSO! Encaixa essas peças direito, eu sou o problema disso tudo! Entende? Se eu não existisse talvez tivesse certo, mas eu.. Eu existo..
Lisan parte para cima do irmão e agarra no pescoço dele, mas sem esforço o próprio se transforma em luz e escapa, rindo.
- Não tem como você me matar.. Eu disse que eu sou o problema, mas não é um que você consegue resolver, somos o mesmo! Entende Lisan?
- Eu devo conseguir te matar sim, com toda a certeza.
- Não tente, somos dois seres de luz, embriões gêmeos que nasceram juntos, não existe diferença entre nossos poderes.
- Não é possível..
- É sim, agora, só desiste disso tudo, não existe nada que você possa fazer para mudar.
- É claro que existe!
- Não existe! Me diga oquê então?
- Eu vou derrotar o cavaleiro, vou derrotar ele, não importa como seja e não vai ser alguém como você que vai me segurar, é minha predestinação, e eu vou fazer!
- Se não for eu que vou te segurar, não tem ninguém que pode fazer isso.
- Então, acaba aqui nossa conversa, tenho um objetivo a cumprir.
O irmão de Lisan vai até ele, de braços abertos.
- Pelo menos um abraço no irmão antes de ir?
- Por que?
- Não são costumes humanos isso?
- Até que sim.
Lisan hesitantemente abraça o próprio irmão, um abraço apertado que acaba em poucos segundos – Mas o assassino dá uma risada ao se afastar, apontando para o braço do herói.
- Burrice sua algo assim.
- O que é?
Mark olha para o próprio braço, uma estranha marca de costura estava em sua armadura, ela se movia e subia pelo braço do próprio, uma marca em cada um de seus cotovelos, como se tivesse sido costurado, uma nos ombros, nas pernas, e por último uma diretamente em seu pescoço, ele olha confuso, tentando se transformar em luz para afastar mas era como se tivesse marcado nele.
- E-esse é seu poder?..
- Não burrão, é dele ali ó.
O assassino aponta para baixo, e em algum ponto da montanha uma silhueta pairava no meio da neve, totalmente escondida pela forte nevasca, era alta, mas irreconhecível – Mark começa a quase surtar, se movendo enquanto olha.
- É o Arqueólogo?
- Bingo irmão, mas.. Não olha pra ele, foca em mim.
Mark vira o olhar para seu irmão, totalmente incrédulo.
- Seu sonho de criança acaba aqui.. Dá tchauzinho pra profecia viu?
E em um piscar de olhos, Mark desaparece, deixando somente a mão esquerda ali, o assassino à vê e pega, acenando para a silhueta em meio a nevasca – O Arqueólogo olha mais uma última vez, e também desaparece no meio da neve, deixando somente Melancolia ali com a mão do próprio irmão.
- Bom reencontro de família.. Fiquei feliz por me proporcionar isso.
Ele se senta novamente a beira do penhasco, encarando a neve cair naquele planeta, um verdadeiro gigante de gelo.
-
Os heróis se aproximavam cada vez mais do planeta de Nevaice, mas com isso a apreensão em seus corpos também crescia, e o nervosismo ainda mais - Dash olha para Bane, que parecia extremamente nervoso, o que era estranho para aquele homem que não tinha medo algum de entrar em batalhas.
- Bane.. Posso perguntar uma coisa?
Ele balança a cabeça como se tivesse acabado de sair de um transe, olhando para a mulher ainda meio assustado.
- Ah, c-claro claro, fala aí!
- É.. Eu sei que é meio fora de momento, mas.. Por que você virou um herói?
Ele fecha o olhar, estranhando um pouco mas decide responder após pensar por alguns poucos segundos.
- Eu acho que.. Sei lá, eu saí do exército e vim direto pra herói mundial, nunca liguei muito pro cargo sabe? Eu sou eu, diferente de vocês eu não tenho uniforme, não tenho nome de herói e nem um poder.
- E mesmo assim você é o número um, já pensou nisso?
- É.. Não sei se merecido, mas sou.
- É merecido sim, pelo menos eu acho viu? Você é um símbolo de força, de persistência, e tenho certeza que pra muita gente que quer ser herói deve ser um alívio saber que até alguém sem poderes consegue ser o número um.
- Eu acho que muito disso vem da minha genética, pelo pouco que ouvi, meu pai também era monstruoso de tão forte, mas não fazia isso para o lado bom. Minha mãe também é outro símbolo, desde que me conheço por gente ela tá sempre se esforçando pra manter a empresa dela nos trilhos praticamente sozinha, ela e a minha prima.
- Deve ser bom pelo menos ter uma mãe ou um pai pra saber de onde veio tudo isso né? Os meus morreram.
- Quando você era pequena? Meus pêsames.
- Não, nada disso, foi lá pros meus dezenove, eles já eram meio velhinhos.
- De qualquer forma meus pêsames.
- Obrigado, obrigado.. Eu lembro ainda dessa época, eu não tinha poderes, e vivia uma vida completamente normal, tinha um namorado, estudava, tinha sonhos..
- É verdade não é? Sempre me perguntei, como conseguiu seus poderes?
Assim que Bane pergunta todos os músculos de Lindsay travam, mas ela tenta relaxar o máximo possível, suspirando.
- Quando eu tinha vinte, recebi uma proposta, uma amiga minha era aspirante a astronauta e eles iam testar uma nave nova, e como eu sempre gostei de espaço e eles permitiam um convidado.. Ela me chamou, eu fiquei toda ansiosa pra isso mas.. Quando a gente tava passando perto de um planeta, tivemos que fazer um pouco forçado e o motor da nave quebrou.
- Sério? E o que aconteceu mais?
- A gente pediu resgate.. E esperou.. Esperou.. Esperou.. Passaram meses e mais meses, e ninguém veio, o nosso estoque de comida foi acabando, e no fim, só eu sobrei quando o resgate chegou.
- Que.. Horrível, isso na verdade é bem assustador.
- Tem coisas que eu sequer gosto de lembrar sobre lá, pessoas, acontecimentos.. Mas acontece que quando me resgataram, disseram que só tinham passado quatro dias na terra, aquele planeta mantinha um tempo totalmente acelerado e diferente do nosso, meu corpo se acostumou tanto a isso, que hoje eu consigo controlar minha percepção do tempo conforme eu quiser, e aumentar a distância temporal com base na metragem da minha corrida.
- Entendo, você vê tudo lento quando quer e fica cada vez mais rápida então?
- Isso mesmo, é legal, além disso, não fico mais rápida pra sempre, tenho limites que meu corpo aguenta é claro.. E isso é a única coisa boa que veio daquilo.
Lindsay olha para baixo, para seu capacete por alguns segundos, seu sorriso desce – Reni começa a se mover levemente, dando alguns pequenos espasmos e mexendo a mão, Lindsay vai direto até a garota, Bane se levanta também.
- Reni! Tá acordando?
- Pirralha!
Ela começa a abrir os olhos lentamente, a expressão de medo que tinha no rosto se alivia assim que vê os dois, ela tenta levantar o braço esquerdo, mas ele não responde e ela logo olha começando a chorar no mesmo momento – Lindsay abraça a garota e começa a tentar acalma-la.
- Tá tudo bem.. Já passou.. O pior já foi Reni..
- M-mas.. O General, a Veronika, o Stile!
- Tudo isso já passou..
Depois de alguns minutos ela se acalma, e se solta do abraço da mulher, limpando as lágrimas do rosto com a outra mão e se apoiando para levantar, ela se senta na cadeira e olha para a nave curiosa.
- Que nave é essa??
- Pegamos emprestado de um amigão viu? Cê ia adorar.
- Q-que legal! Mas.. Eu tô meio confusa sobre.. Tudo eu acho.
- A gente te atualiza, vem cá.
Bane e Dash começam a conversar com Reni, explicando tudo mas tomando o máximo de cuidado para que a garota não lembrasse de nada que aconteceu lá, explicando a situação, e o planejamento deles enquanto a nave chegava cada vez mais perto de pousar – Ela parecia entender, e até feliz com a decisão deles de partir embora assim que resgatassem Mark.
- Entendi.. Entendi, então tá bem!
- Você vai ficar dentro da nave o tempo todo viu amiga? Cuida desse braço aí!
- T-tá bom.. Até prefiro mesmo.
-
A nave finalmente chega ao planeta gelado, ela pousa em meio a neve e gelo que o formavam, deslizando um pouco mas dando um jeito de se estabilizar com algumas modificações de Zero – A porta se abre, e os dois heróis saem, totalmente confiantes e com outro olhar de quando haviam saído de Korradia, eles pisam para fora e chegam no novo planeta, Nevaice, para finalmente e por último, buscar Mark e terminar a missão.