39
Tsar
- Que f-frio do cacete!
Bane e Dash logo dão um passo para trás logo após pisarem no planeta nevado, o ar frio e a nevasca não era algo que eles tinham se acostumado ainda, haviam acabado de sair de um planeta quente como o deserto para vir diretamente para o ártico – Bane coloca sua luva, e logo de dentro dela tira uma jaqueta verde, colocando em si mesmo, ela tinha um pouco de pelagem o que ajudava.
- Olha, você trouxe até roupa dentro dessa coisa aí?
- Foi aquela lá que eu roubei do vilão que a gente enfrentou, a Veronika deu um jeito na costura.
- Que legal, reciclagem.. Eu vou ficar só com o meu uniforme mesmo, correr pra esquentar né?
Eles finalmente começam a caminhar, mas logo param quando uma dúvida pertinente aparece – Os dois se olham confusos.
- E como vamos achar o Mark?
- Não sei onde aquela lâmpada se enfiou, é quase na sorte, o Zero olhou todo o planeta mas a única luz que achou tava em um lugar difícil de pousar.
- Você.. Não quer ficar aqui? Eu posso ir lá buscar ele rapidinho e voltar.
Bane engole seco, meio apreensivo em deixar a mulher ir sozinha, mas se queriam sair rápido do planeta talvez fosse a única forma.
- Acho que.. Pode ser, mas não demore Dash.
- Eu te prometo que eu volto! Confia em mim vai.
Antes que ela se vire, Bane estende a mão para a mulher, que logo volta e aceita o aperto de mão, mas rapidamente é puxada para um abraço firme, quase carinhoso.
- Tô te confiando.. Mas vê se não faz merda.
- Só vou fazer o que tá no meu limite, tá bem?
- Nem isso, só volta assim que puder.
Lindsay dá um último sorriso para Bane antes de colocar seu capacete e sair correndo, o raio roxo subia pelos montes nevados com extrema eficiência, subindo neve cada vez mais alto enquanto seu rastro sumia na distância, Bane se senta na entrada da nave, esperando e um pouco inquieto.
- Espero que ela cumpra promessas.
Alguns minutos se passam com Bane ficando cada vez mais impaciente, mas ele escuta um barulho, olhando diretamente para o horizonte – Tinha algo vindo, e não era Dash, parecia mais como uma grande bola rolando até onde eles estavam, Bane estranha e vira para trás, olhando para Reni que estava olhando o painel da nave como se estivesse tentando decifrar.
- Aí pirralha, tem algum bicho nesse planeta?
- Se existem Nevaicianos? Sim, existem, mas eles vivem sozinhos e são praticamente andarilhos, acho difícil que achemos um por aqui.
- Entendi.. E como eles são?
- Se eu bem me lembro, tem em torno de dois metros e meio de altura..
- Sim..
- São totalmente em tons de azul.
- Aí eu ainda não decifrei..
- E são extremamente magros e esguios, além de terem membros bem alongados, é isso que eu lembro, mas eles são bem interessantes de estudar!
- Tem como eles engordarem?
- Acho que não pela falta de nutrientes, eles comem em sua maioria alguns pequenos insetos que também existem aqui.
- Entendi.. Então nenhum deles consegue virar uma bola né?
- Não? Por que?
- Por que tem um pneu vindo na nossa direção.. Muito obrigado, ajudou bastante.
Bane se levanta, tirando aquele mesmo machado novamente de dentro da luva, e também logo ele pega uma pistola também, mirando enquanto aquela coisa chegava mais perto – O barulho de algo rolando entre a neve e o gelo ficava cada vez mais alto em meio a nevasca.
- Vamo ver o que é isso.
Finalmente aquele ser chega mais próximo, pulando um pequeno morro feito de gelo e caindo alguns metros à frente de Bane, o homem fica parado, mirando a pistola sem se mover muito – Era uma grande esfera de cor branca, ela parecia ter alguns pistões acoplados, alguns medidores estranhos, fios, tubos e pequenos detalhes quase imperceptíveis.
- O que é você?..
Bane dá alguns passos para trás, voltando para perto da nave, ele olha para Reni e fala diretamente para a lataria, ou para Zero sendo mais exato.
- Se iniciar um combate pode se afastar, cuida da garota mas não me perde de vista.
- O que você vai fazer Bane? O que é isso?
- Não se aproxima, fica dentro da nave pirralha, eu ainda tô tentando entender também.
- Peraí.. É um reator nuclear compacto?
Bane olha para a Reni, se assustando e bem curioso com o que aquilo era e se ela havia descoberto – A garota se aproxima de saída da nave e tenta olhar melhor, ela limpa seus óculos que ainda estavam cheios de areia e arruma no rosto.
- Como assim pirralha?
- É um reator nuclear, ele tem medidores de radiação, alguns de vasão, nível, parece que tem temperatura pra aquele lado ali também.. Mas tá tudo em.. Alemão?!
- Nem fudendo que tamo lidando com projeto comunista no espaço.
- Sequer faz sentido ter algo assim a tanta distância da terra.. Eu até ouvi falar que teve uma época em que os alemães começaram a trabalhar com isso após a falha da segunda guerra, mas nunca passou de boatos!
- Mas esse negócio vai me causar algum problema aqui?
- Acho que não, só não chega muito perto e pra não acontecer nada que pudesse dar errado.. Eu acho que eles devem ter jogado esse projeto fora?.. Mas por qual motivo?
- Eu não sei nem sei se quero saber, mas enquanto tiver bem longe de mim..
A grande bola começa a girar, virando para o outro lado, e enquanto ela gira Bane consegue visualizar o que parece um..
- Um rosto? Um capacete?
Era um capacete cinza e branco coberto de neve saindo diretamente da parte de cima do reator – Assim que ele se vira completamente para Bane, da parte de baixo da bola dois pequenos alçapões abrem e saem pernas feitas de vários mecanismos, elas tem alguns detalhes triangulares estranhos, parecem que foram peças montadas uma a uma para se juntar e formar essas pernas, e a bola finalmente fica de pé.
- Você tem certeza que é um reator nuclear?
- Com pernas.. Mas continua sendo um.
Dos dois lados do reator, abrem alçapões e mãos e braços começam a sair, formando os quatro membros completamente, os dois braços são formados por três partes, nos cutuvelos o que parece ser uma bomba que conecta diretamente ao reator, fazendo a movimentação, depois da bomba vem o cotovelo que é uma pequena esfera com detalhes vermelhos e uma bola amarela no centro, seguido de o que parece ser uma bomba que fica pressionando ar, vapor sai dela enquanto ela faz contrações, e por último as mãos, do lado direito tem uma grande mão com dedos vermelhos totalmente robóticos, e do outro uma caneta de tinteiro que pinga algo preto, talvez tinta ou talvez não. Essa coisa completa parecia ter em torno de três metros de altura e alguns de largura.
- Mas que porra é essa..
- S-são Tsar Bombas nos ombros dele?
Reni parece travar, seu rosto fica pálido na mesma hora que vê aquilo, ela segura no ombro de Bane com força e sua voz não parece querer sair.
- É uma bomba atômica Reni?..
- E-eu não diria atômica, ela é bem menor que uma Tsar normal mas.. É.. Assustador ver isso.
Bane dá um passo para trás ao ouvir – Ele olha para Reni.
- Dá de matar?
- Não tenta, volta pra nave.
Bane dá alguns passos para trás, havia aprendido a ser mais cuidadoso e não era contra um reator nuclear e duas bombas atômicas que ele mudaria a própria visão – Ele entra na nave enquanto o robô ainda não se movia, e Zero começa a lentamente subir.
- A gente precisa esperar a Dash aqui ainda, vê se não foge larvinha.
- Mas como a gente vai lidar com aquilo? Ele tá parado e parece que tá até guardando caixão!
- Qual a chance da gente não morrer explodindo o projeto de feira de ciências lá?
- Depende de muitas coisas, se ele é funcional ou não, o raio de explosão dessas bombas em miniatura e mais muitas coisas.
Zero começa a subir e pairar acima de onde está o reator, Reni e Bane continuam olhando lá para baixo e tentando pensar em um meio de como tirar aquilo dali – A coisa lá continua parada, como se esperasse um gatilho.
- E se aquilo ali inteiramente for uma bomba? Sei lá, criaram um meio suicida de matar a gente?
- Mas não faria sentido Bane! Se aquilo vem direto da Alemanha, por que pra gente aqui e no meio do espaço? E ainda mais tendo em vista que quando os boatos começaram a gente sequer era vivo.
- Eu não sei o que faz ou não faz sentido aqui..
A coisa lá embaixo coloca a sua mão para dentro de si próprio, e como mágica tira um caderno lá de dentro, ele era bem maior que o normal – Ele aproxima a caneta tinteiro do caderno e começa a escrever lentamente, com calma.
- O que ele tá fazendo?
- Ele.. Tá escrevendo? Qual o sentido de ele ter uma caneta e um caderno?
- Sei lá, vai que o projeto gosta de desenhar né.
Ele continua por alguns segundos enquanto os dois observam ele, mas logo ele para, e por último dá um último toque de caneta como um ponto final na página do livro, assim que o próprio termina, Bane sente uma pontada na cabeça, e cai de joelhos no chão da nave, sua visão começa a se escurecer, e o próprio começa a rever a cena de si próprio com Veronika, o abraço que deu na garota, a promessa que fez, e de pouco a pouco sua visão volta para aquele monte de corpos, para o sorriso dela mesmo pós morte, tudo daquele planeta.
“Mesmo prometendo salvar todos seu corpo de ferro não o fez salvador de ninguém.”
Ele volta sua visão ao normal, suspirando como se tivesse sufocado, como se fosse vomitar. Reni vai até Bane e segura suas costas, preocupada com o colega – Ele olha para ela, sua visão era quase traumatizada.
- P-por que eu tinha que lembrar disso agora.. O que eu fiz.. Por que aquela promessa, eu já me desculpei Veronika, não tenho oque fazer mais sobre você! Por favor, não faz isso comigo.
- O que Bane?
- Ela.. Tem algo, aquele caderno dele, o que ele escreveu veio até mim.
Ele tenta levantar com as pernas fraquejadas, lágrimas que ele não escolheu chorar começam a passar pelo canto de seus olhos – Bane olha para Reni.
- É aquele caderno.. Ele tem algum poder.
- Mas uma máquina ter um poder? Isso é algo possível?
- eu não sei, talvez seja do caderno em si, eu acho que ele é um dos dez assassinos.
- Um dos dez? Mas esse veio da terra.
- Eu não sei se isso importa agora.
Bane segura a pistola que tinha com mais força.
- Zero, abre aí, eu vou atirar no caderno.
- Não Bane! E se você errar? A bomba pode explodir, a gente não sabe a resistência daquela coisa!
Ele se vira claramente decepcionado, olha para a sua mão com a pistola.
- Se fosse o Stile ele acertava esse tiro sem nem se preocupar, que merda.
- Não faz coisa sem pensar! Ah.. Ele tá escrevendo de novo.
O maquinário continuava a escrever no meio do gelo enquanto a neve se acumulava em seu corpo massivo, a cada linha que ele parecia escrever com a caneta a mente de Bane começava a se afundar, um sentimento que ele não entendia acertava seu coração como uma flecha envenenada.
- A gente vai ter que parar ele..
Ele finalmente coloca o ponto final, e na mesma hora Bane cai no chão de novo, segurando sua barriga como se tivesse acabado de beber ácido ou alguma mistura extremamente ruim, ele começava a chorar e abrir a boca como se vomitasse algo constantemente enquanto sua mente passava por memórias ruins que nem ele gostaria de ver – Reni se debruça tentando ajudar o amigo, mas algo começa a sair da boca dele, letras rastejavam como larvas e saiam de dentro da boca de Bane que tentava vomitar com o máximo de força, a saliva caia no chão, juntamente com sangue e outras coisas, Reni se afasta imediatamente assustada com aquilo, ver seus colegas naquela situação já começava a ser traumático.
“Seu heroísmo banal lhe garantiu confiança de sobra para que não se preocupasse com o que não encarava de frente, quem não perdeu nada, não tem medo de perder algo.”
- B-BANE?!