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Para se Sentir Culpado
Bane tenta se levantar mais uma vez, vendo como Reni havia se afastado e a expressão de medo no rosto dela, ele se preocupa imediatamente e levanta tentando manter a pose forte, mesmo que sua barriga estivesse doendo como se estivesse cheia, e talvez estivesse após ver as letras caídas no chão.
- T-tá tudo bem Reni, eu já sei como derrotar ele.
Ela tenta se aproximar ainda muito assustada tremendo e não conseguindo falar direito.
- V-você s-sabe??
- Eu acho que.. Talvez o caderno seja o assassino, eu sei como pegar ele.
Bane toca na lataria da nave e começa a falar com Zero.
- Desce e me deixa ali embaixo, vou tirar o caderno da bolota.
Enquanto eles descem, Bane vê o reator escrever mais uma sentença no seu caderno, mas assim que dá o ponto final ele não sente nada – Bane olha para a Reni que parece estar bem também, talvez tenha afetado outra pessoa? Mas não era coisa a se pensar agora mesmo.
- M-mas Bane, vê se não fica muito perto, o corpo pode ser uma armadilha!
Reni segura a manga de Bane preocupada mesmo que assustada.
- Como assim armadilha?
- Como o corpo é um reator, e tudo praticamente é explosivo.. Tirar o caderno ou chegar perto pode ser o gatilho que ativa..
- Faz sentido.. Mas eu não vou ficar aqui, eu acho que esse caderno é o décimo assassino, a culpa, eu tô sentindo isso se instaurar dentro de mim, é estranho, e eu só quero que acabe antes que me consuma.
- Entendi.. Mas não chega muito perto, e se acontecer algo, grita viu?
- Fica tranquila, eu sei me cuidar.
Zero começa a descer para deixar Bane, mas enquanto eles descem algo chama atenção, no horizonte uma linha amarela cortava o céu correndo múltiplas vezes, como se lançasse um raio para baixo ou coisa assim.
- O que é aquilo??..
- Parece o Mark.. Ele que é rápido assim. Espero que estejam bem, a gente tem um problema maior pra lidar aqui agora.
Finalmente a nave pousa, abrindo a entrada para que Bane desça, que sem pestanejar faz isso, logo Zero volta a flutuar um pouco mais acima deixando Bane ali – Ele observa o assassino no meio daquela quase arena glacial, ele parecia terminar de escrever algo, e faz o ponto, mas Bane não sente nada.
- Vamos parar com isso daí vai.
A máquina sequer liga e começa a escrever outra frase rapidamente, Bane coloca a pistola e o machado que tinha pego dentro da luva, e retira aquele mesmo novelo de lã com adaga de antes, começando a enrolar ele mas assim que termina – A máquina escreve mais um ponto final, e Bane cai novamente de joelhos no chão, sua visão fica nubla novamente e ele consegue ver uma visão que não é dele, Veronika lutando no quarto e chorando contra aquele lobo, a situação que estavam, o medo, tudo isso Bane conseguia sentir como se fosse dele.
- O-OQUE VOCÊ TÁ FAZENDO?..
Bane começa a vomitar mais e mais letras na neve, o sangue saindo junto enquanto ele relembra essas memórias como se fossem próprias dele.
“O sofrimento da garota foi culpa sua, poderia ter feito antes de acontecer, vocês estavam em perigo e sabia muito bem disso, sua boa noite de sono foi a causa de trauma da sua amada.”
- NÃO FOI! NÃO COLOCA ESSA CULPA EM MIM, NÃO TINHA COMO NINGUÉM SABER DISSO!
Ele levanta com vontade renovada e começa a girar o laço com fúria nos olhos. Bane joga o laço para o caderno do robô, e consegue laçar ele, mas não consegue puxar – O robô fecha a mão, segurando com força aquilo enquanto tenta escrever mais uma vez, mas Bane continua forçando, tentando ao máximo atrapalhar e pegar o caderno para si.
- VOCÊ NÃO VAI MAIS ENFIAR CULPA EM MIM SEU MERDA!
Ele respira e pega todo o ar gelado que o rodeava, enchendo seus pulmões, ele segura com força o laço e puxa com toda a força que conseguia, praticamente se jogando para trás enquanto seus músculos se forçavam – Com aquele puxão, a mão do robô é desacoplada sendo jogada no chão assim que o caderno vai para dentro do novel de lã.
- Agora é meu, isso acaba aqui.
Ele pega o caderno, e começa a rasgar com as próprias mãos, mas assim que o primeiro barulhinho é feito – Alguém aparece em meio a nevasca, aparecendo logo do lado do reator nuclear que estava parado quase como se tivesse desligado na mesma hora.
- NÃO! NÃO FAZ ISSO!
Bane começa a escutar um tique-taque dentro da própria cabeça, e assim que percebe, olha para a silhueta, o homem do relógio que o Stile tanto falava estava na sua frente – Bane dá uma risada ao perceber que era alguém real, e para de rasgar o caderno.
- Olha se não é o famoso.. Quer o caderninho?
- Solte esse caderno Bane, ele é muito mais importante do que você imagina.
- Você que é o assassino então?
- Eu não tenho qualquer envolvimento com o Arqueólogo ou qualquer um dos outros, meu nome é Purgatório, eu sou um caminhante temporal.
- Então por que atormentou o Stile por tanto tempo? Por que fez com que ele quebrasse totalmente?
- Eu sabia que a morte dele seria divertida de ver, e o que aquilo poderia me beneficiar.
- Então você só é maníaco mesmo.. Merece ferver no inferno junto com esse caderno.
Ele começa a rasgar o caderno, e a cada rasgo o homem do relógio gritava mais alto, o tique-taque ficava mais insuportável mas Bane não ligava, até que finalmente, o caderno rasga, todas as páginas caem no chão com escritas em alemão que ele sequer entendia – O homem aparece logo aos pés de Bane, se jogando no chão e tentando pegar as folhas de forma desesperada.
- Esse é o mínimo que merece por isso tudo.
- Não.. O que você fez?..
- Ué? Mas você não sabia que isso ia acontecer?
- Não é assim que funciona! O tempo funciona de forma que você não entenderia, ninguém entenderia..
Na frente de Bane, o reator nuclear começa a emitir um sonar baixinho, que começa a aumentar como uma sirene de algo que claramente iria explodir – Bane se assusta e se afasta alguns passos.
- Ele vai explodir?..
- Agora que você destruiu o caderno sim.. Você abriu uma caixa de pandora..
- O que isso significa?
- Você não vai entender.. Mas alguém futuramente vai.
- Tá bom né..
Bane acena para a nave lá em cima, e logo ela desce, resgatando Bane e subindo o mais rápido possível.
- Se isso for uma Tsar Bomba a gente tem que ir para o mais longe possível!
- Vocês dois pelo menos viram aonde aquela luz que tava rodeando terminou?
- Sim, eu pedi pro Zerinho marcar na cabeça dele, vamos lá Zero!
Os dois começam a ir para o outro lado do planeta, se afastando o máximo possível da bomba em poucos segundos – Quando chegam onde Zero havia marcado, não parecia ter nada, além de algumas poucas silhuetas na nevasca, muito gelo derretido e neve no chão, Zero desce um pouco, abrindo a porta de saída.
- Você vai ir lá olhar Bane?
- Talvez aquela silhueta seja algum deles ferido.
Ele vai se aproximando, e encontra o corpo de Melancolia caído no chão, embora sua armadura estivesse em uma coloração diferente – Ele se agacha e vê o rosto amassado e o corte na garganta, o sangue continuava escorrendo.
- Mas que merda.. Mark?..
Ele continua andando, deslizando pelo gelo derretido que começava a tentar voltar ao estado normal, ele não acha nada, mais ninguém – Até que ao longe vê algo, e chega perto.
- Não..
O capacete de Dash no chão, seu visor estava um pouco quebrado e queimado pelo calor, mas a neve começava a cobrir ele – Bane começa a tentar cavar desesperadamente ao redor procurando o corpo da mulher, mas ele não achava, não tinha vestígio algum.
- Cadê ela? CADÊ?
Após alguns vários minutos ele desiste, sentando próximo ao capacete da mulher e segurando ele no colo, ele olha diretamente para o visor.
- Você prometeu que voltaria Dash.. Mais uma promessa vazia.. Eu já tô cansado de perder tanta gente.
Ele não se dá tempo para chorar, somente pega o capacete e levanta, levando até a nave – Bane entra com uma cara de funeral, claramente triste.
- O-oque aconteceu Bane??
- Ela tá morta também, e o Mark.. Eu nem se era ele ali.
- E-ela morreu?
Ele entrega o capacete para Reni e senta na cadeira da nave, colocando as mãos no rosto de forma quase desesperada e triste, sua mente havia se tornado vazia agora, e não tinha muito o que dizer – Reni vê o capacete e começa a chorar também, sentando no chão e chorando sozinha no canto enquanto Zero fecha a nave, e se desacopla dela, voltando a ser uma larva e subindo no colo de Reni tentando confortar a garota.
- Ela tá morta sim.. Ela, deve ter escolhido lutar..
- M-mas ela disse que ia voltar!
- A Dash deve ter tido um bom motivo pra isso.. O que nos resta é continuar..
- Sério? Sério mesmo?
- E o que a gente ia fazer? Não tem mais espaço pra chorar, agora acabou, só tem eu.