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Retalhos
- Quem tá aí?
- Aquele que você procura.
Uma voz agora masculina, mas que na última palavra se transforma em uma criança falando, era confuso e Bane não conseguia negar isso em suas ações, ele continua rodeando e olhando entre os destroços de casa e a tempestade de areia.
- O que? Cadê você, se mostra porra!
- Estive pensando.. Por que uma decisão tão inútil como essa de suicídio?
A voz mudava conforme as palavras eram faladas, parecia quase um coral de centenas de pessoas diferentes que falavam uma palavra por vez.
- Você é o Arqueólogo né?
- Como é esperto..
- Então se mostra, por que continua se escondendo nisso? Você que fez essa areia levantar?!
- Talvez tenha sido, ou não..
- Para de jogos! Eu vim aqui pra terminar com tudo isso!
- Não se afobe tanto.. Vamos conversar.
Bane continua tentando procurar qualquer silhueta ou coisa que pudesse mostrar o Arqueólogo, mas o próprio nunca aparecia, somente a voz dele que mudava a cada segundo conseguia ser escutada, mesmo que parecesse estar cercando Bane por todos os lados.
- Eu não vim aqui pra conversar..
- Não tem nenhuma dúvida sobre mim? Estou disposto a responder.
- Como que eu mato você então?
- Hahaha, que engraçado Bane.
- Você disse que responderia minhas dúvidas.
- Não tente sua sorte pensando como me matar.
- Se eu não pensar não te mato né? Tenho que colocar o cérebro pra funcionar um pouco.
Bane escuta um passo atrás de si, e se vira rapidamente, somente para ver uma grande silhueta no meio da areia que começava a chegar mais perto, se revelando.
- Me diga Bane.. O que é ser um herói?
A figura finalmente aparece, aquele ser que havia atormentado a jornada por tanto tempo mesmo sem aparecer, e ele é impontente, Bane dá alguns passos para trás tentando entender sua anatomia – Um grande alienígena de dois metros e meio talvez, ele tinha um rosto coberto de marcas de retalhos, várias cores e peles diferentes, vestia uma máscara e um óculos como se escondesse a si, além de uma grande ushanka na cabeça com alguns detalhes de estrelas, escondendo seu cabelo ruivo e longo. Ele vestia uma grande jaqueta de jeito estranho, meio recortada com algumas estrelas balançantes, seu corpo era feito de o que pareciam ser vários retalhos e partes de alienígenas diferentes, o braço direito era longo e esguio enquanto o esquerdo era mais grosso e forte, suas pernas não faziam sentido também mais o mantinham de pé, seu troco era de um jeito diferente do pescoço e por assim vai, os materiais, a pele, tudo que compunha o Arqueólogo era estranho, era recortado, não parecia ser um alienígena somente.
- O que é você?..
- Eu sou o Arqueólogo.. Não queria me ver?
- Você é tudo estranho, remendado, não esperava algo tão nojento assim.
- Tome cuidado como fala com as pessoas Bane.
- Pessoas?! Nem isso você é!
- Milênios de existência cobram um preço alto.. Mas é um que eu posso pagar.
- Milênios? A quanto tempo você vive? O que você é?
- Não são coisas que eu te responderia, herói.. Agora, se quer suas respostas, me responda as minhas.. O que é ser um herói? Ouvi tal identificação poucas vezes.. Mas você aceita com tanta vontade ser um.
Bane para pensativo, ele tremia um pouco diante daquela presença, mas talvez pudesse conversar e tirar alguma informação útil daquela coisa – O Arqueólogo se mantinha parado, como se estivesse morto, seu braço balançava enquanto ele olhava para Bane por atrás daquele óculos, era difícil saber se aquilo sequer tinha olhos.
- Ser herói é.. Sei lá, salvar os outros, ser bom, ser um símbolo e ser forte, derrotar quem é ruim.
- Isso já o torna um símbolo distorcido de heroísmo.. Não conseguiu salvar qualquer um de seus companheiros, isso não é o trabalho de um herói.
Bane abre um rosto mais bravo, claramente afetado pela frase.
- Heróis não salvam todo mundo.. Salvam que podem salvar.
- Entendo.. E como você classifica alguém ruim? Me classificaria nesse meio?
- É claro que sim, você tá destruindo três planetas sem sequer dar motivo! Como isso não é ruim?
- Eu somente preservo os planetas que necessito para estuda-los, e para isso preciso do sol da galáxia.
- E com isso você mata diversas outras raças alienígenas.
- O bem maior precisa de mortes.
- É claro que não!
- Todos os outros morreram para que você pudesse estar aqui, não é herói?
- ...
- Para o seu bem maior, foram precisas mortes.
Bane olha para baixo, ele serra os próprios dentes com certa ansiedade, e abaixa ergue o fuzil, mirando para o Arqueólogo que sequer se move.
- Acho que já deu de conversar.. Você tirou suas dúvidas e eu percebi as minhas.
Finalmente Bane dá uma rajada de tiros no peito do Arqueólogo, que vai dando passos para trás ao ser atingido, sem sequer tentar desviar, Bane para e observa, arregalando os olhos – Arqueólogo levanta o braço direito e toca nos buracos de tiros, e de lá sangue não saia, ao invés disso ele começava a se costurar, colocando uma pele e carne nova de outra espécie alienígena cobrindo cada um dos ferimentos.
- Não se afobe Bane.. Não sou eu que vou lutar com você por agora, me mostre o quanta vontade você tem.
- Como assim?...
De surpresa Bane é atacado pelo lado, ele defende com rapidez com o machado, mesmo se cortando um pouco na bochecha, a silhueta derrapa na areia para a frente de Bane, e ele pula novamente para atacar rapidamente, com Bane segurando a pressão de seu ataque com sua própria arma – Bane percebe, aquele capacete com chifres longos, a cor prata e o machado cheio de sangue, era o General.
- V-você?..
- Não pensei que o veria de novo homem Bane.
O General se afasta, mas logo somente para partir para cima de novo com ataques rápidos e inteligentes que Bane defende com dificuldade, não era como Confiança ou Desejo, o General Prata parecia treinado para um combate bem mais inteligente, de poucos em poucos ataques ele cortava o corpo de Bane com maestria enquanto continuava defendendo e quando Bane atacava, ele sempre utilizava uma das partes de sua armadura para receber o golpe, quase como se não fizesse efeito – Bane pegar certa distância, analisando o inimigo que tinha o pegado de surpresa, ele se assusta ao ver que o braço do General havia voltado e todos os ataques que tinha em seu peito sequer tinham cicatrizes.
- Você também se regenerou..
- Entendeu né?.. É minha naturalidade, eu tenho um fator de regeneração surpreendente.
Eles voltam a se atacar, cortando um ao outro como dois gladiadores sedentos por sangue, embora claramente Bane fosse bem mais cauteloso que o inimigo, ele lutava com confiança e com garra, o que dava certa dificuldade para Ambição também – Eles logo se afastam novamente para recuperar o fôlego mas assim que Ambição parte para cima de Bane, ele pega o fuzil e atira diversas vezes no peito do inimigo que cai para trás abrindo uma brecha para que Bane cortasse seu peito de um lado ao outro com o machado, e chutando no final jogando Ambição para o mais longe possível, ele olha para Arqueólogo enquanto o General deslizava e quebrava os destroços das casas com o seu corpo.
- EU QUERO LUTAR COM VOCÊ!
- Já disse Bane, mostre para mim o quanto quer isso mesmo.
De novo Ambição volta com rapidez, cortando o peito de Bane de quase letal, mas o homem defende na hora jogando o inimigo para longe com o seu machado – Ele observa que o corte que havia feito no peito do homem estava começando a cicatrizar, mesmo que fosse fundo.
- Você é forte Bane.. Um adversário tão ambicioso quanto eu.
- Foda-se o que eu sou a mais que você.
Ele puxa o fuzil e começa a fuzilar Ambição, que corre pela areia indo até o escombro mais próximo se escondendo atrás, ele volta a correr e desliza para trás de um pilar, cortando ele com seu machado e com uma força fora do comum lançando os escombros para Bane que defende eles, cortando cada um com seu machado também – Poeira cai no rosto de Bane assim que ele corta os escombros, o fazendo ficar desorientado, Ambição parte de trás do pilar e pula para cima do homem com o machado.
- Acabou.
Bane dá um passo para trás, puxa o ar para seus pulmões e agarra o machado, ele se vira para Ambição mesmo com seus olhos fechados, pega o machado na mão do inimigo e usa o seu próprio para cortar o braço de Ambição com eficácia, explodindo praticamente aquele membro do corpo do alienígena em sangue – Ele joga o corpo de Ambição longe, que dá um grunhido de dor enquanto deixa seu outro braço caído no chão com o machado, e Bane limpa os olhos, com o rosto cheio da raiva que tinha criado daquele assassino.
- Acabou para você.
Bane corre até o General e pula para cima do corpo caído, com o machado direto para fazer um corte limpo na cabeça do inimigo que sequer consegue pensar em desviar, mas assim que Bane vai atingir o pescoço de Ambição – Um retalho assim como o do corpo de Arqueólogo aparece no pescoço do inimigo, e cabeça dele se separa do corpo antes que o corte realmente seja efetuado, fazendo Bane fincar o machado no chão, ele olha confuso.
- Acabou.. Você me provou.
O Arqueólogo começa a se aproximar, e Bane se afasta do corpo do inimigo, tomando cuidado com o que o Arqueólogo poderia fazer, ainda não havia entendido nada além da regeneração dele – O alienígena se abaixa um pouco e pega a cabeça de Ambição, agarrando o corpo também.
- Você matou ele?..
- Não, não matei, somente separei sua cabeça de seu corpo, mas ele está vivo, somente desacordado.
- Esse é seu poder então? Os retalhos?
- Não havia percebido? Acreditei que havia deixado óbvio.
Ele junta a cabeça e o corpo do General, fazendo com que o próprio volte a se mexer, olhando para Bane imediatamente mas sendo segurado por Arqueólogo e olhando para ele.
- Você já fez o que devia fazer.. Foi uma boa peça.. Concederei sua liberdade Ambição, então, vá.
Ele toca na cabeça do inimigo com a mão direita, e uma linha de costura começa a aparecer em seu corpo, descendo até seu pescoço e divisão de membros, ele olha confuso para o Arqueólogo.
- Oque?..
Mas assim que pergunta, desaparece no ar como se nunca tivesse estado ali, nenhuma poeira nem nada é deixado, além do braço decepado que Bane havia tirado – Bane se assusta, dando um passo para trás assustado.
- O que você fez com ele??
- Eu mandei ele para um lugar, espero que se divirta.
- Como assim?
- Perguntas e perguntas que não terão resposta Bane..
O Arqueólogo finalmente se vira para Bane, ele começa a se aproximar em passos lentos e pesados, Bane segura o machado com mais força, preparado para qualquer coisa que fosse acontecer.. Ou talvez não, nem ele sabia.
- Agora, o verdadeiro final, quer lutar não quer?
Bane abaixa o machado, dando um passo para frente e estufando seu peito, mantendo a pose de quem não tem medo, mas Arqueólogo também não tinha medo algum.
- Vamos lutar então costurado.
- Como quiser, herói.
Bane parte para cima tentando ter pelo menos a iniciativa, e sem pestanejar, ele corta o braço direito do Arqueólogo, que parecia quase apático ao o que era cortado, ele começa a cortar braço por braço e as pernas do inimigo, mas quanto mais faziam mais pareciam se regenerar, querendo crescer de volta e aumentando cada vez mais – Bane não desiste, ele não podia parar assim que começou, sabia que se parasse talvez Arqueólogo sumisse com ele assim como fez com o General, mas logo, ele se cansa e se afasta.
- Bem resistente você hein?...
- Seus ataques são em vão.
Os braços e pernas de Arqueólogo crescem novamente, nova pele, nova anatomia, nova cor e novo jeito, não eram as mesmas, eram completamente diferentes, como se usasse elas como roupas roubadas – Bane suspira, estava cansado e sem saber o que fazer, não importava o que fizesse e ele se regenerava.
- Você tem alguma fraqueza? Precisa ser uma espada específica pra te matar é?
- Não existe jeito de matar alguém que já está morto.
Bane volta, continuando a cortar cada vez mais Arqueólogo que sequer parecia tentar atacar, certas vezes ele balançava os braços e cortava Bane levemente como se só fingisse, Bane corta a cabeça dele, seus braços, suas pernas, seu tronco, mas tudo regenerava, não parecia ter fim.
Minutos se passam, e cada vez mais tempo enquanto Bane continua a cortar aquele inimigo sem parar, ele não queria parar, não importava o quanto ele fizesse ele ia ganhar, não importa a força do inimigo ou o quanto se regenerasse.
- ISSO TEM QUE ACABAR ALGUMA HORA!
- Não existe fim.
Bane se afasta, recuperando o fôlego, e se sentando percebendo que qualquer ameaça que aquilo desse não existia, ele não iria matar Bane pelo menos não tão facilmente.
- Desistiu?..
- Acha que eu vou desistir?.. Meu corpo é de ferro, eu posso fazer isso o dia todo!
- Vamos acabar com isso logo, você está começando a me atrasar.
Os membros de Arqueólogo finalmente voltam totalmente de novo, mas agora algo a mais aparece, uma cauda que parecia funcionar quase como uma garra, parecia ser feita de ferro e ter uma ponta como uma lâmina longa cheia de sangue – O Arqueólogo parte para cima com uma impulsão impressionante, passando por cima de Bane que estava sentado enquanto tenta fincar a garra no peito do homem que defende em um susto, passando o Arqueólogo para o outro lado, logo Bane pula e se afasta, ficando alerta novamente.
- Agora a gente vai realmente lutar é?
- Agora eu vou acabar com a sua vida.
- Vamos ver isso.
Novamente o Arqueólogo vem tentando atacar Bane, que corta a cauda do alienígena com facilidade, ele tenta atacar com as garras mas Bane corta os ambos braços e escala o inimigo, chutando seu ombro e empurrado-o para frente enquanto ia até suas costas – Ele observa o Arqueólogo e começa a entender, um padrão de ataque de três braços mas bem mais amplo que o de Confiança.
- Inteligente..
Tanto a cauda quanto os braços do alienígena crescem novamente em segundos, enquanto ele se recupera do último ataque – Novamente ele pula para cima de Bane começando um confronto direto mas dessa vez sem parar, Bane corta sua cauda, seus braços, mas logo um quarto braço aparece diretamente do abdômen do inimigo que Bane estoura com seu fuzil, a cauda é recuperada e ele tenta atacar novamente mas o homem pula para trás.
O Arqueólogo continua na investida, mais um braço cortado, e mais outro, um que aparece em sua barriga e outro em sua cabeça, pareciam infinitos e saindo de qualquer lugar mas Bane continua os cortando com maestria e força, como se podasse uma árvore e seus diversos galhos, em alguns ataques ele até recebe certos cortes mas sempre aguentando e se mantendo de pé – Mesmo que se afaste o inimigo continuava insistindo, começando a rir de forma maníaca enquanto Bane cortava sua quantidade de braços crescentes.
Ele corta o inimigo ao meio, mas isso só faz com que ele ataque pelos dois lados, enquanto reconstruía o corpo vários braços aparecem do chão e tentam atacar Bane por todos os lados, ele puxa o máximo de ar que consegue e faz um corte com todo o redor, cortando todos ao mesmo tempo e pulando para longe – A batalha começa a se estender como se o campo fosse o corpo do inimigo, Bane sobe em cima dos escombros das casas enquanto braços aparecem do chão tentando atacar ele, Bane corta alguns, ignora outros e é ferido por poucos, mas nunca para.
Ele começa a suspirar cansado pela horda inacabável, mas não para de se mexer, no meio da arena o Arqueólogo começa a rir maniacamente enquanto continuava a atacar de todos os lados, ele parecia se divertir com a situação enquanto Bane suava.
- FANTÁSTICO! VOCÊ É TÃO AMBICIOSO, TÃO FORTE! CONTINUE!
- Vai a merda..
Bane pula para longe desviando de três braços, ele chuta uma das paredes criando escombros e lançando contra outros da direção contrária, e parte para cima do corpo de Arqueólogo cortando mais alguns pelo caminho, ele volta a combate direto com o inimigo evitando ao máximo os braços do inimigo, ele continua a cortar o corpo dele mas em vão como sempre, até que – Um braço agarra a perna de Bane, ele corta aquele braço, mas antes que ele percebesse outro vem por trás e.
- Não..
Decepa o braço de Bane fora com uma garrada, transpassando toda a carne e fazendo com que ele caísse no chão, ele olha incrédulo, mas Bane enquanto arregala os olhos vê os múltiplos membros do inimigo vindo em fúria, ele pega o machado no chão e ataca, mesmo que não seja o braço dominante – Não tinha tempo para desperdiçar, ele não podia parar durante o combate, aquilo já estava levando ele ao limite mas Bane não pararia ali.
- VOCÊ NÃO PARA, ISSO É IMPRESSIONANTE!
- Eu acho que já te entendi..
Ele continua lutando, e começa a dar a volta na arena, mas agora um brilho de esperança passava no seu olhar, o sangue escorria e ele começava a se sentir mais fraco, mas sabia que não tinha tempo a perder, ainda mais agora – Ele pula até o corpo de Arqueólogo, cortando diversos braços pelo caminho, e parando logo na frente do corpo daquele alienígena.
Bane pega o machado e corta a cabeça do arqueólogo, ele agarra a cabeça do inimigo na mão com força, para que não perdesse nem que fosse forçado, praticamente enfiando os dedos no crânio dele – Arqueólogo para de rir, observando o olhar decidido no homem.
- Eu já percebi.. Você recupera seus membros sempre da parte mais alta do seu corpo, então se eu me livrar disso aqui.. Tudo vai embora..
- O que?..
Bane puxa o máximo de ar possível até o pulmão, talvez o máximo que tivesse conseguido em toda a minha vida, o próprio prepara uma pose estável no chão e coloca toda a força possível em seus músculos, ele olha por uma última vez para a cabeça do Arqueólogo.
- Hora de voar.
E joga com extrema força na direção do espaço, o crânio daquele alienígena começa a voar praticamente quebrando a barreira do som, como um cometa ou meteoro saindo do planeta diretamente, Bane escuta o alienígena resmungando mas vê ele voar – Mas assim que ele sai da atmosfera, Bane sente algo na barriga e olha para baixo.
Ele vê, uma das mãos do inimigo atravessando sua barriga, mas sorri – Bane se vira e corta aquela mão, ele começa a se forçar, correndo e cortando todas as partes do corpo restantes do Arqueólogo enquanto sua força se esvaia, ele cambaleia, ele fraqueja, mas não desiste por nenhum segundo, até que a última mão restante é cortada, sem voltar de novo.
- Acabou..
Ele olha para cima, para o espaço e dá um sorriso, ele sabia que o Arqueólogo não estava morto, sabia que voltaria alguma hora ou outra, mas pelo menos ele tinha ganhado, mesmo sendo uma falsa sensação de vitória, sabia que era o máximo que teria – Bane olha para seu braço decepado no chão, olha para o ataque em sua barriga e os diversos cortes em seu corpo, ele fraqueja, mas se rastela como consegue até uma das pilastras mais próximas, e se senta, tocando na grama no chão e rindo.
- Finalmente..
Lágrimas mornas começam a aparecer nos cantos de seu rosto, seu sorriso se esvai, e ele olha para as estrelas chorando, agora fungando e fazendo os sons que conseguia, Bane não precisava mais se fazer de forte, Reni provavelmente já havia fugido e ele já havia salvado quem conseguia, agora finalmente poderia chorar, poderia sentir tudo que queria sem se preocupar com quem observava.
- D-desculpa..
Sua visão começa a embaçar, ele olha para seu outro braço e vê a pele que era tão viva, ficando pálida, o sangue escorrendo e formando uma poça na grama.
- Tá ficando frio..
Ele sabia que estava morrendo, sabia que tudo tinha acontecido e já havia aceitado aquele destino há horas – Mas estava realizado, Bane se sentia feliz por ter vencido, por ter feito tudo o que podia até o final, ele ri, e dá um último sorriso enquanto olha para o lado, repousando sua cabeça no concreto frio.
- Missão cumprida Heróis Mundiais..
Um último suspiro sai de sua boca, e seu braço amolece, seus olhos cheios de lágrimas se tomam por um olhar vazio, sem mais sentimento, sem mais sofrimento – Mas seu rosto ainda mostrava um sorriso, um sorriso confiante de alguém que não havia desistido em momento algum até sua missão se sentir completa, Bane havia morrido, mas pelo menos morreu com o mesmo sorriso que se tornou seu símbolo de força.
-
A nave se afasta do planeta, indo para cada vez mais longe e mais rápido, Reni bate nos vidros e na lataria, observando o quanto se afastava enquanto chora e briga com Zero, uma briga em vão mas que ela não conseguia aceitar perder – Zero não a ouvia, havia entendido a ordem de Bane e concordado, ele continua avançando e se afastando cada vez mais.
- NÃO! VOLTA ZERO! ELE AINDA TÁ LÁ! VOLTA!
Ela começa a cair, perdendo a força nos joelhos e deslizando até se sentar no chão, ela abraça os próprios joelhos e começa a chorar, um choro sentido e assustado, um medo de se afastar de quem se conectou com a garota, mas ela já havia entendido, que não poderia mais voltar.
Eles se afastam cada vez mais daqueles planetas, daquela sistema solar, de tudo que havia naquele lugar, voltariam para a terra, voltariam para o seu normal, e tudo que aconteceu aqui, todas as pessoas que conheceram, experiências que tiveram, inimigos que enfrentaram e cada uma das lágrimas que choraram, vão permanecer entre esses quatro planetas, no túmulo dos Heróis Mundiais.