A luz da lâmpada que estava no teto do quarto iluminava bem.
Line e Misaki estavam ajoelhadas no chão, elas usavam kimonos floridos, mas a felicidade que os kimonos transmitiam não melhorava o olhar triste delas.
Line olhou pelo canto do olho para misaki, seus olhos estavam fundos de tanto chorar.
A porta deslizante se abriu e kurona entrou segurando dois futon.
— Ufa! vocês não tem noção da dificuldade que eu tive para convencer meus avós que vocês eram minhas colegas de escola que não tem um lugar para ficar. —
Line abaixou a cabeça.
— Muito obrigada por nós receber em sua casa. —
— Tá. Tá. De nada. —
Kurona simplesmente ignorou os agradecimentos e entregou os futon para elas.
— Podem ficar aqui quanto tempo quiserem, mas não esqueçam de procurar algum lugar para chamar de casa. —
Line e misaki levantaram os olhos surpresas.
— O que foi? vocês acham mesmo que eu vou abrigar vocês para sempre? —
O olhar das duas se abaixou, afinal elas não tinham ideia do que fazer naquele momento.
Ao perceber, a tristeza em seus rostos, kurona abriu um leque vermelho que acabou chamando a atenção das duas.
— Eu sei que estão tristes por causa da morte do Akira e pelo desaparecimento do yukito, mas não se preocupem. Meus amigos e eu vamos ajudar a pegar aquele palhaço. —
O olhar de misaki ficou sombrio ao palhaço ser citado.
— Eu quero... Matar aquele maldito... —
Line se virou para ela com o espanto em seu rosto.
— O que? você enlouqueceu, misaki? —
— Eu não posso deixar aquele maldito continuar vivendo após ter matado Akira... —
Line levantou a sua mão para pegar em seu ombro, mas a risada de kurona roubou sua atenção.
— Que determinação intrigante... Mas devo te avisar que o caminho que você quer seguir é muito perigoso... —
Misaki fica de pé e com uma determinação sombria disse o que Line não queria ouvir.
— Eu estou disposta a tudo para acabar com aquele maldito! —
O quarto ficou silencioso, Line ficou trocando de olhar entre kurona e misaki.
Kurona fechou o leque e se aproximou lentamente de misaki, ele abriu o olho direito, line não conseguiu ver do ângulo que estava como era seu olho.
Misaki arregalou os olhos e deu um passo hesitante para trás após ver o olho de kurona.
Kurona fechou o olho e bateu com o leque na cabeça de misaki, fazendo ela cair no chão.
— Misaki! —
Line engatilhou até misaki que estava com as mãos na cabeça.
— Não grite coisas assim na casa dos outros. É falta de educação, sabia? —
Line olhou para kurona com um ar de irritação.
— O que você tem nos olhos? Seus irmãos e seus avós tem olhos normais, mas você sempre anda com os olhos fechados. O que você mostrou para a Misaki?! —
Kurona riu um pouco antes de responder.
— Seus pais não ensinaram educação nenhuma para você?bom, eu mostrar para você que é mais fácil. —
Ele abriu os olhos deixando as duas em choque e com profundo medo.
As íris tinham um tom vermelho-vivo, quase radioativo, que contrastava agressivamente com a fenda escura no centro. Olhar para ele era como encarar uma jararaca prestes a dar o bote.
— Eu tenho olhos lindos, não tenho? —