Capítulo 12: Emboscada
Vendo Lucios desacordado no chão, Penny fez uma careta de irritação, enquanto pensava:”Eu tenho que esconder logo essa criatura antes que mais algum daqueles humanos apareça.“ — pensou Penny, encarando Lucios, que estava desmaiado no chão.
Ao olhar ao redor, Penny viu um grupo de pessoas vindo ao longe. Onde três delas se despediram e foram por outro caminho, e apenas duas pessoas vieram em direção de Penny.
— Que merda… Já tem mas humanos vindo para cá... Vou deixar o corpo dele invisível para ninguém notar.
Penny apontou sua mão para o corpo de Lucios, e seus olhos se incendiaram em dourado divino. No mesmo instante, o corpo inerte de Lucios desfez-se diante de seus olhos, tornando-se completamente invisível.
No mesmo instante em que Penny deixou Lucios invisível, o grupo de pessoas estava passando a alguns metros na estrada perto dali, sem desconfiar de nada. Eles eram uma mulher e um homem.
— Nossa, você está vendo aquela criança? — perguntou a mulher, enquanto caminhava. — Ela é tão fofa.
— Sim, e daí… Quem se importa com isso? — respondeu o homem, que parecia irritado com algo.
Os dois começaram a discutir um com o outro, e Penny ficou encarando os dois irem embora.
— Ugh… Esses malditos não param de ficar me amolando — disse ela, irritada, enquanto observava para ver se não tinha mais ninguém por perto.
“Tsc… Só por segurança eu vou deixar o corpo dessa criatura imaterial também, para que ninguém note a presença dele.“ — pensou ela, olhando para o corpo de Lucios.
Ela apontou a mão para o corpo do soldado e fez o corpo dele ficar intangível, aplicando uma dobra espacial tão avançada que a estrutura física do homem sequer ocupava mais lugar no espaço-tempo. Era como se ele estivesse habitando uma outra dimensão.
— Certo… Agora vamos — disse ela, virando de costas e começando a caminhar.
Quando ela começou a caminhar, o corpo desmaiado de Lucios começou a flutuar no ar, a vários metros de altura, seguindo os passos de Penny, como se ela estivesse carregando um balão invisível.
Penny começou a caminhar pela estrada. E, após alguns minutos de caminhada, o cenário ao redor exibia a miséria do refúgio. À sua frente, uma senhora de feições castigadas jogava algo de um balde em um rego de água suja, que ficava de frente a uma outra casa.
— Sua velha… Pare de jogar essa porcaria aqui! — gritou uma pessoa de cima da janela de outra casa.
As duas pessoas começaram a brigar, e Penny passou tranquilamente, não dando a mínima para aquilo. Mas, de repente, três crianças passaram correndo, rindo alto, enquanto brincavam. Em meio ao caos da correria, uma das crianças esbarrou contra o ombro de Penny.
— Maldito… Por acaso você não tem olhos para ver por onde anda? — sibilou Penny, a expressão tornando-se instantaneamente fria. Ao focar o olhar, percebeu que era o mesmo garotinho que ela já havia visto antes. — Então é você de novo? Eu deveria arrancar os seus braços por esse atrevimento.
Apesar do comentário aterrorizante e da aura sinistra que emanava da menina, o garoto não recuou. Em vez disso, ele abriu um sorriso caloroso. Em sua mente inocente, ecoou o conselho que sua falecida mãe costumava repetir: “Se um dia você encontrar outra criança, e ela chegar até ameaçar ou brigar com você sem motivo nenhum, tente fazer amizade com ela, pois ela também deve ter perdido alguém.“
— Você não quer brincar com a gente? — perguntou o menino, estendendo a mão pequena e suja de terra na direção dela.
“Tsc… Eu odeio crianças… Como se já não bastasse eu ter que aturar esse monte de humanos adultos me amolando, ainda vem um bando de crianças para tirar minha paciência.“ — pensou Penny, sem sequer dignar-se a responder. Ela ignorou o gesto da criança e passou caminhando na frente dele, deixando o garoto estático para trás.
“Hum… Acho que minha mãe realmente tinha razão. Ela também deve ter perdido alguém. Que pena que ela foi embora. Depois eu vou tentar fazer amizade com ela de novo.“ — pensou o garoto, com suas bochechas ficando levemente coradas, ao olhar para as costas de Penny, que já ia longe.
Logo em seguida, os amigos do menino voltaram correndo, por notarem que o menino havia ficado para trás.
— Hum… — limitou-se a dizer a outra criança, ao ver o rosto de seu amigo vermelho, enquanto encarava a menina que já ia longe.
— Ei, cara, o que foi que houve? Por que você ficou para trás? — disse outro garoto que havia acabado de chegar.
— Pare de ficar perturbando ele… — disse o garoto que antes estava observando seu amigo. — Você não consegue ver que ele está a fim daquela garota que estava com ela agora pouco?
— Que isso é verdade… Ele tem namorada, hahaha! — riu o garoto, tentando zoar com seu amigo.
— Não, vocês entenderam errado! — gritou o menino, com seu rosto ainda mais vermelho.
Já a dezenas de metros dali, enquanto se afastava da algazarra infantil, a mente de Penny fervilhava: “Que saco... Eu odeio esse lugar. Será que eu deveria mandar um asteroide para matar todos os humanos daqui… Não, isso chamaria atenção demais e tiraria toda a graça da atuação que estou fazendo?“ — pensou Penny, olhando para baixo, enquanto o corpo desacordado de Lucios atravessava as pessoas que passavam perto de Penny.
— Bem… De qualquer forma, vou esconder logo o corpo desse humano nojento. E assim finalmente poderei dar uma volta para longe daqui — disse Penny consigo mesma, enquanto continuava andando e olhando para frente.
E, após alguns minutos caminhando, a algumas dezenas de metros, os olhos de Penny fixaram-se na figura do Comandante Gideon. O general de farda escura estava de pé próximo a um jipe. Ele conversava algo com um outro soldado.
— Comandante Gideon. Alguém me entregou isso — disse o soldado, entregando um pedaço de papel para Gideon.
— Ok, agora você já pode ir e preparar o jipe para partirmos — ordenou Gideon, pegando o papel da mão do soldado.
“Hum… Vejam só… Parece que o plano está indo bem… Haha… Logo, logo, aquela maldita da Comandante Katerina estará morta, e depois dela será a Comandante Lara, e o miserável do Raven será o próximo. Mal posso esperar por isso.“ — pensou Gideon, amassando o papel em sua mão, enquanto um leve sorriso se abria em seu rosto.
Penny, que já estava chegando perto daquele local, começou a encará-lo com uma cara de paisagem, como se estivesse entediada. Ao notar o olhar da garota, o sorriso de Gideon desapareceu na mesma hora. Vendo Gideon olhando em sua direção, Penny começou a se irritar.
“Vejam só... Está exatamente aí a prova do que eu estava pensando… Esse é mais um dos malditos humanos que me irrita profundamente, mesmo que eu sequer tenha conversado com esse inseto. Por algum motivo, a cara dele me dá náuseas.“ — pensou Penny, travando os passos, ao notar Gideon olhando para ela, enquanto fazia uma expressão de repulsa. “Esse merda deve estar querendo morrer… Como ele ousa me encarar como se eu fosse algo repulsivo?“
Ao notar que Penny começou a encará-lo de forma ameaçadora, Gideon fechou a cara e começou a caminhar a passos arrogantes na direção de Penny, exibindo seu habitual semblante de superioridade desdenhosa.
— Tsc... Pelo visto, ninguém me respeita mais nesse lugar… Eu avisei para aqueles três não trazerem esses mortos de fome para nossa base, porque ela já estava cheia — resmungou Gideon, encarando a menina com profundo nojo. — Pelo visto, a Comandante Lara agora deixa que esse tipo de criatura fique vagando por onde querem.
Ao ouvir os insultos de Gideon, veias de pura irritação saltaram na testa de Penny. Mesmo sorrindo para parecer uma criança normal, a mente de Penny rugia em fúria: “O que foi que esse verme imundo acabou de dizer? Um inseto insignificante como este chega do nada e se atreve a me insultar? Eu vou matá-lo da forma mais brutal e dolorosa que se pode imaginar. Isso eu prometo.“
Antes que Penny pudesse erguer as mãos para realizar o mesmo gesto que ela utilizou para explodir o corpo do servo de seu irmão, passos firmes ecoaram no asfalto. Era a Comandante Lara aproximando-se de onde estavam Gideon e Penny.
Após chegar onde Gideon estava, Lara ficou parada, com sua mão repousando, como sempre, em sua katana. Ela encarou Gideon, enquanto pensava: “Isso de novo… Pelo visto, ele já está atormentando os civis de novo. E, para piorar, dessa vez ele está atormentando uma criança. Eu tenho recebido vários relatórios sobre as ações dele. Se eu não fizer algo sobre isso, sem dúvidas o pessoal do alto escalão das outras bases vai começar a me encher por causa disso.“
— Gideon? — questionou Lara, encarando Gideon, com um tom de voz gélido e ameaçador. — Eu acredito que você esteja de saída para a tal patrulha que você falou comigo antes. Por que você está aqui perdendo tempo, se você já tem o que fazer?
— Comandante Lara! — Gideon forçou um sorriso, mantendo sua falsa postura para esconder seu nervosismo. — Eu não estava fazendo nada de mais... Só estava tendo uma conversa amigável com essa criança adorável.
“Esse cara realmente não presta… Eu ouvi tudo que ele disse para essa criança e ele ainda tenta esconder o que fez.“ — pensou Lara, encarando Gideon.
— Pouco me importa o que você estava conversando — cortou Lara, implacável. — Suma logo da minha frente e vê se para de incomodar os civis.
Assistindo à discussão dos militares, a irritação de Penny apenas mudou de alvo: “Quem foi que pediu a sua ajuda, ô do tapa-olho? Não se meta onde não é chamada. Eu não preciso que uma humana tente me proteger, pois esse verme vai morrer pelas minhas mãos. Irei desmembrá-lo e matá-lo de todas as formas possíveis, até que eu me satisfaça com o resultado. Nem que para isso eu tenha que trazê-lo de volta à vida apenas para matá-lo novamente.“
— Mas é claro, Comandante Lara, por favor, me dê licença — disse Gideon, fingindo calma, enquanto fazia uma reverência para Lara.
“Tsc… Essa mulher maldita… Me espere. Logo, logo, você vai me pagar por tamanho insulto com a sua vida.“ — resmungou Gideon mentalmente, enquanto caminhava em direção a um jipe à frente.
Bufando de irritação, Gideon embarcou em um jipe militar utilitário, junto com um soldado que era seu motorista. O motor rugiu alto, e o veículo cruzou os imensos portões de pedra do abrigo, partindo em alta velocidade.
Lara observou o jipe sumir no horizonte. Olhou para baixo logo em seguida, encarando o rosto sério de Penny, que a encarava.
“Hum… E agora, o que eu faço com essa criança… Ela não parece ter ficado assustada, mas o rosto dela está esquisito. Será que ela está zangada? Hum… De qualquer forma, vou dar para ela esse doce que venho guardando. Talvez assim ela se acalme mais.“ — pensou Lara, entregando um doce que ela tirou do bolso.
Penny, sem entender o que era aquilo, pegou o doce. E, logo em seguida, um soldado apareceu, e Lara se virou e foi embora.
Enquanto caminhava, o soldado entregou algo para Lara. Era uma adaga banhada em sangue.
— Quer dizer, então, que o espião que enviamos foi morto de novo… Isso é uma péssima notícia, como sempre. Você tem mais alguma coisa a relatar? — perguntou Lara, guardando a adaga na cintura, enquanto olhava para o soldado.
— O espião que a senhora mandou para seguir o Gideon já está em campo — respondeu o soldado, enquanto acompanhava os passos de Lara.
— Isso é uma boa notícia… — disse Lara, continuando a caminhar, enquanto olhava fixamente para frente. — Você já pode ir.
— Entendido, Comandante Lara — disse o soldado, fazendo uma saudação à comandante e indo embora logo em seguida.
Enquanto isso, de volta a Penny, ela abriu a mão, e ficou encarando o doce que Lara lhe deu.
— Hum… Que merda é essa… Ela estava esperando que alguém como eu fosse comer esse tipo de porcaria? Tsc… Humanos e suas esquisitices — desdenhou Penny. Com total indiferença, ela amassou o doce na palma da mão e o jogou no chão de terra.
Logo em seguida, Penny retomou sua marcha. Ela caminhou por longos minutos, até finalmente alcançar os fundos da base, parando diante de um velho galpão abandonado e tomado pela poeira. Sem mover nenhum músculo, ela desfez a invisibilidade no corpo de Lucios e, logo em seguida, arremessou o corpo dele para o interior do galpão abandonado. Logo em seguida, ela bateu a porta de ferro com um estrondo.
— Certo... — disse Penny, com um sorriso sádico se abrindo em seu rosto, enquanto suas pupilas amarelas brilhavam na penumbra do lugar. — O que eu tenho que fazer agora é ir atrás daquele inseto maldito que ousou me insultar. Eu irei adorar testar várias formas de agonia naquele infeliz.
Enquanto isso, longe dali, o grupo da expedição estava no meio de uma enorme ponte sobre um imenso rio de águas escuras. Após alguns minutos andando pela ponte, eles pararam no meio da ponte para descansarem. E, como sempre, Katerina fez a varredura do lugar. Ela fechou seus olhos, estendendo sua percepção por todo aquele local. Em sua mente, projetaram-se imagens de um imenso grupo de pessoas que estavam no final da ponte, na mesma direção onde eles estavam indo.
“Droga, isso não é um bom sinal… Esse grupo de pessoas está todos armados. Isso, sem dúvida, é uma emboscada. Tenho a sensação de que algo ruim está prestes a acontecer.“ — pensou Katerina, abrindo os olhos e encarando a imensidão da ponte à sua frente.
Após fazer a varredura do lugar, Katerina foi até o restante do grupo, que estavam descansando perto de um monte de veículos enferrujados.
— Pessoal, todos vocês, levantem-se rápido! — disse Katerina, ao se aproximar do restante do grupo.
— Hum… O que foi que aconteceu? — perguntou Maria, ao notar o rosto sério de Katerina, que denunciava que ela estava preocupada com algo.
— Notei um grupo de aproximadamente vinte indivíduos no nosso caminho, à frente. E, aparentemente, todos eles estão armados. Então, provavelmente, isso é uma emboscada — revelou Katerina, estreitando os olhos.
“Maldição… Lá se vem mais dor de cabeça…” — pensou Enrique, olhando para o rosto de Katerina.
— Acho que nem é necessário eu perguntar isso, mas farei mesmo assim. Antes de virem nessa expedição, todos vocês já ouviram da Comandante Lara que existe um traidor em nossa base, certo? — perguntou Katerina, olhando para o grupo.
— Sim, eu já ouvi. E, assim como a Comandante Lara me pediu antes, eu também já repassei essa informação para a Maria e para o irmão dela — respondeu Arthur, enquanto olhava para Katerina.
— Hum… Eu não ouvi nada sobre isso não — comentou Enrique, levantando a mão, enquanto olhava para Katerina.
Katerina fechou os olhos e ignorou completamente o comentário de Enrique.
— Isso é ótimo. Se todos vocês já ouviram falar do traidor, então vou só resumir — disse Katerina, abrindo levemente os olhos e olhando em direção ao grupo.
“Mulher maldita… Ela deve estar com raiva que eu fiquei conversando o caminho inteiro do laboratório até aqui. Eu sei que, por causa disso, poderia aparecer algum monstro, mas é preciso ser tão rancorosa assim?“ — pensou Enrique, enquanto encarava Katerina.
— Esse traidor é a causa da falha e da morte das pessoas que foram na expedição anterior. E, provavelmente, é esse mesmo traidor que planejou essa emboscada — disse Katerina, enquanto olhava para o grupo.
— Mas, então, o que nós vamos fazer agora? — perguntou Maria, olhando para o rosto de Katerina. — Nós vamos ter que dar a volta de novo?
— Isso não vai ser necessário — respondeu Katerina, com confiança, enquanto dava um leve sorriso. — Eu consigo matar todos esses insetos. Então, vamos seguir pelo caminho planejado.
— Mas, então, por que a senhora estava com uma cara tão séria antes? — perguntou Carlos, enquanto olhava para Katerina.
— Hum… Não era nada não. Só senti como se algo ruim fosse acontecer, mas acho que é apenas o cansaço dessa expedição falando alto — respondeu Katerina, enquanto pensava: “Meus instintos nunca estiveram errados antes. Então, há uma grande chance de algo ruim acontecer. Mas não é bom eu dizer isso a eles. Isso apenas criaria pânico desnecessário em uma situação que já não é das melhores.“
Sem perder mais tempo, Katerina flexionou os joelhos e disparou em um salto sobre-humano, pegando impulso nos cabos de aço de sustentação, onde, segundos depois, ela pousou no topo do mastro da ponte. Ela apoiou seu rifle em seu ombro e fechou os olhos, puxando ar para seus pulmões. Ela soltou o ar devagar, enquanto abria os olhos, expandindo sua percepção em uma área gigantesca que cobriu dezenas de quilômetros da cidade.
Katerina concentrou uma grande quantidade de energia em seu rifle, enquanto focava sua percepção no centro do grupo de pessoas encapsuzadas, que estavam a centenas de metros dali, do outro lado da ponte.
Enquanto isso, do outro lado da ponte, o grupo de pessoas encapsuzadas estava todos inquietos.
— Por que ninguém ainda apareceu? — perguntou um dos homens de capuz para o companheiro ao seu lado.
— Eu não sei também. Não dou a mínima. Se eles aparecem, é só matá-los para irmos logo embora desse muquifo — respondeu o companheiro. — E vê se você para de me amolar.
“Tsc… Que cara grosseiro…” — pensou a pessoa de capuz, olhando para o companheiro ao seu lado.
— Hum… Sinceramente, eu acho que eles já devem ter ido embora, ou nos perceberam e pegaram outra rota… Acho que o chefe deveria desistir logo disso e irmos embora…
*BOOM-CRAAAAASH!*
A pessoa de capuz foi interrompida por uma explosão devastadora. O projétil do rifle de Katerina viajou quase instantaneamente através do ar, atingindo com precisão cirúrgica o centro do grupo de pessoas. A explosão criada desintegrou tudo em dezenas de metros, matando instantaneamente todos naquele local.
No entanto, a percepção de Katerina detectou que um deles sobreviveu e conseguiu fugir.
“Merda, um deles sobreviveu… Eu tinha certeza de que aquele disparo mataria todos eles. Se alguém conseguiu sobreviver, deve ser alguém perigoso. Acho que eu vou ter que tomar mais cuidado até sairmos dessa cidade.“ — pensou Katerina, enquanto olhava pela mira de seu rifle.
Relaxando a postura, Katerina abaixou seu rifle e olhou para baixo, observando o grupo lá embaixo.
— Pessoal, eu já terminei. Nós já podemos prosseguir…
A frase de Katerina foi brutalmente interrompida por um estrondo ensurdecedor, acompanhado de um terremoto, que fez a ponte inteira tremer e estalar, fazendo alguns cabos de sustentação da ponte se quebrarem.
— Mas que droga foi essa? — perguntou Enrique, após o tremor.
— Gente… O que é aquilo? — perguntou Maria, se tremendo, com seu rosto tomado pelo pavor, enquanto ela apontava a mão para algo.
Ao virarem os rostos, Carlos, Enrique e Arthur viram algo que parecia ter saído de um pesadelo. Um monstro colossal, com seu corpo sendo inteiramente coberto por uma armadura biológica de placas ósseas negras. A cada passo que a criatura dava, o solo estremecia.
— Mas que porra é aquela? — gritou Enrique, ao olhar para o monstro vindo em direção à ponte.
“Mas o que é aquilo… Merda, não tenho tempo a perder com pensamentos inúteis.“ — se perguntou Katerina mentalmente, enquanto observava a criatura sorrindo, enquanto vinha na direção deles.
Katerina jogou seu rifle em suas costas e saltou do mastro. E, após aterrissar no chão, ela foi rapidamente em direção aos outros.
— Comandante Katerina, o que é aquela coisa…
Enrique foi interrompido por Katerina, que fez um gesto dizendo para ele se calar.
— Não temos tempo a perder conversando. Vocês três, juntamente com o Soldado Enrique, irão sair daqui. Eu vou ganhar o máximo de tempo para vocês fugirem — ordenou Katerina, olhando para o grupo.
— Como assim? A senhora não vem com a gente? — perguntou Enrique, olhando para Katerina.
— Não seja idiota logo em uma situação dessas e pense um pouco — disse Katerina, olhando para Enrique, enquanto explicava. — Se fosse só eu e você, nós conseguiríamos fugir daquela criatura sem muitas dificuldades. Mas, como estamos com esses três, aquela coisa vai acabar nos alcançando, já que nenhum desses três conseguiria nos acompanhar.
— Então, não seria melhor tentarmos enfrentar aquele monstro? — perguntou Enrique, enquanto olhava para Katerina.
— Não seja idiota. Se nós…
Katerina foi interrompida ao ver que a criatura já estava entrando dentro do rio.
— Droga, não temos tempo para isso. Vão logo. Eu vou assim que vocês já estiverem seguros — ordenou Katerina, pegando seu rifle de suas costas.
Então, o grupo largou para trás suas mochilas pesadas e correram, levando apenas suas armas. E, após alguns poucos minutos, eles já haviam cruzado a ponte e já estavam correndo por uma rua.
— Será que a Comandante Katerina realmente vai ficar bem? — perguntou Maria, olhando para Enrique, enquanto corriam.
— Eu não sei… — respondeu Enrique, olhando para baixo, enquanto continuava a correr. — Mas, já que ela nos pediu para nos abrigarmos, vamos logo com isso. Não temos tempo a perder.
Enquanto corriam, eles notaram vários olhos tenebrosos nos andares dos prédios, olhando para eles.
— Mas que merda são essas? — perguntou Carlos, olhando para aquilo, enquanto corriam.
— São os monstros. Eles devem estar com medo do que quer que seja aquela coisa, na ponte — respondeu Enrique, observando seu caminho à frente, enquanto continuava a correr.
— Hum… Isso é bizarro. Por que você, que sempre fica com medo em situações como essa, está com tanta coragem agora? — comentou Carlos, enquanto olhava para o rosto de Enrique.
Ao ouvir o comentário, Enrique começou a olhar para baixo, enquanto continuava correndo. E sua mente começou a projetar lembranças de quando ele era criança.
Em sua memória, ele tinha seis anos, e sua mãe estava desesperada, colocando-o em um quarto de portas extremamente grossas.
— Mãe, o que nós estamos fazendo aqui? — perguntou Enrique, quando era criança, em sua lembrança.
— Nós só estamos brincando de esconde-esconde, querido — respondeu a mãe dele, enquanto o abraçava, e lágrimas escorriam dos olhos dela. — A brincadeira é a seguinte: você vai ficar escondido aqui, e seu pai vai vir nos procurar. E, não importa o que aconteça, não abra a porta.
— Você não vai se esconder aqui comigo? — perguntou ele, olhando para o rosto de sua mãe.
— Não… Aqui é muito pequeno. Só cabe você. Então, não importa o que aconteça, não faça barulho e não saia daqui, não importa o que você ouça — explicou a mãe dele, olhando para ele.
Após isso, ele ficou dentro de um baú que tinha no quarto. E sua mãe, após sair para fora do quarto, foi atacada, antes de fechar a porta, por um monstro que era o próprio pai dele, que havia se tornado uma das criaturas. Enquanto estava sendo rasgada pelos dentes do monstro, ela não soltou os próprios gritos para não acabar fazendo Enrique sair do baú. Mas, ao ouvir o som de algo sendo mastigado, Enrique abriu o baú e viu sua mãe sendo devorada pelo seu pai, que estava com o rosto todo deformado. E, antes de morrer, ele viu sua mãe chorando, enquanto olhava para ele e dizia: "Sobreviva". Ao notar o menino, o monstro tentou atacá-lo, mas alguém apareceu e explodiu a cabeça do monstro.
— Eu admito que tenho muito medo dos monstros — respondeu Enrique, enquanto corria e olhava para Carlos. — Mas esse medo se deve ao fato de eu saber, desde pequeno, a verdadeira realidade em que vivemos.
Ao ouvir aquilo e ver a expressão de tristeza profunda no rosto de Enrique, Carlos nem conseguiu falar mais nada e continuou a correr.
Após alguns minutos, o grupo entrou em um prédio velho, bem longe dos monstros e da ponte onde Katerina estava.
— Ok, pessoal. Agora que todos vocês estão aqui, eu vou voltar para tentar ajudar a Comandante Katerina no que eu puder — disse Enrique, caminhando em direção à saída.
— Espera, mas ela nos disse para ficarmos todos juntos — disse Carlos, olhando para Enrique. — E de que ajuda você seria contra aquele monstro?
— Não sei se vocês perceberam, mas, quando ela disse que ganharia tempo para nós fugirmos, ela estava extremamente preocupada. Provavelmente, nem ela acha que irá conseguir vencer aquele monstro — disse Enrique, olhando para trás. — E, mesmo que eu não seja de muita ajuda, tenho certeza de que ainda posso ajudá-la em alguma coisa.
Após dizer isso, Enrique saiu correndo pela saída, indo novamente para a ponte onde estavam Katerina e o monstro mutante.
Enquanto isso, de volta a onde Katerina estava, ela olhou para os prédios, enquanto prestava atenção no monstro vindo em sua direção.
“Eu preciso de um bom lugar para atirar nesse monstro.“ — pensou ela, olhando para os prédios. “Hum… Beleza. Aquele edifício ali vai ser um bom lugar para atirar nesse monstro.“
Katerina começou a correr em alta velocidade em direção ao edifício, enquanto o monstro a seguia, atravessando o rio. Após alguns poucos segundos, ela já tinha chegado em um dos maiores prédios que ela havia visto. Ela se posicionou, apontando seu rifle para a criatura, que ainda estava atravessando o rio.
Fim do Capítulo 12