Capítulo 14: O Jogo no Mar
No exato instante em que Penny materializou-se naquela nova cidade costeira, seus pés tocaram o asfalto úmido, e ela deparou-se com o caos absoluto.
— Socorro, alguém me ajude! — gritou uma pessoa, antes de ser partida ao meio por um monstro humanoide com garras afiadas.
Após partir o sobrevivente ao meio, o grupo parou brevemente, observando a cena, horrorizados. O monstro olhou na direção deles e avançou.
— Merda, corre! — gritou outro homem, avisando para uma mulher e um jovem correrem.
Penny virou o rosto em direção ao local de onde os gritos vinham.
— Vejam só, eu mal cheguei e já sou recebida com uma festa dessas. É por isso que eu estou adorando cada vez mais esse mundo — disse ela, dando um sorriso sinistro, antes de desaparecer.
Penny reapareceu exatamente no local de onde os gritos vinham. Ao observar o caos, ela viu um grupo de sobreviventes correndo desesperadamente em direção ao cais da cidade.
— Por favor, alguém nos ajude! — gritou a mulher do grupo que corria em direção ao cais. — Me esperem!
O monstro avançava em uma velocidade absurda em direção aos sobreviventes, que, ao verem a velocidade do monstro, ficaram tensos.
“Droga, desse jeito eu não vou conseguir fugir daqui. Aquele monstro vai me alcançar. Eu preciso criar alguma distração.“ — pensou um homem jovem que corria mais à frente.
Vendo o monstro se aproximar, o homem mais jovem empurrou a mulher em direção ao monstro.
— Seu maldito, o que você pensa que está fazendo?! — gritou a mulher, após se levantar do chão, vendo que os dois já iam longe.
Ela olhou para trás e, no mesmo instante, o monstro, que estava atrás dela, com uma única patada, arrancou a cabeça dela, fazendo o sangue esguichar e chover, pintando o asfalto. Logo em seguida, o monstro ignorou os outros e começou a comer o cadáver da mulher, rasgando sua carne com suas mandíbulas.
— Que ótimo, parece que meu plano está dando certo — disse o jovem, enquanto continuava correndo, olhando brevemente para trás, vendo o monstro comer o cadáver da mulher.
“Esse maldito é louco. Como ele teve coragem de fazer isso e ainda fica sorrindo?“ — pensou o homem que corria ao lado do jovem.
— Seu desgraçado, como você teve coragem de fazer isso com ela? Eu pensei que vocês fossem irmãos! — gritou o homem, correndo ao lado do jovem, enquanto olhava furioso para o rosto do jovem.
“Tsc. Aquela puta não era minha irmã de sangue. Esse maldito também parece um estorvo. Vou ter que me livrar dele também.“ — pensou o jovem, estalando a língua, enquanto olhava para o homem correndo ao seu lado.
— Pare de reclamar. Graças a ela, nós podemos fugir. Então, cala a boca e corre! — disse o jovem ao homem ao seu lado.
“Esse desgraçado. Se ele teve coragem de fazer isso com a irmã dele, ele pode muito bem tentar me usar para fugir também. É melhor eu jogar ele para os monstros, antes que ele faça isso comigo.“ — pensou o homem, olhando para as costas do jovem que corria à sua frente.
O homem avançou e empurrou o jovem, fazendo-o tropeçar e cair, rolando no chão.
— O que você está fazendo?! — gritou o jovem, no chão, enquanto olhava para o homem que continuava correndo.
O homem não respondeu e continuou a correr. Mas um outro monstro pulou de um dos andares e dilacerou-o, sem dar tempo sequer para ele gritar.
— Merda, eu preciso sair logo daqui — disse o jovem, enquanto observava o monstro comer o cadáver do homem que foi morto.
Mas, antes do jovem conseguir se levantar, um terceiro monstro pulou do prédio e pousou no chão, a poucos metros dele. O monstro começou a andar em direção a ele.
— Socorro! Alguém, por favor, me ajude! — gritou ele. Sua voz estava completamente embargada pelo pavor absoluto, enquanto olhava para o monstro vindo, caminhando calmamente em sua direção, como se o monstro soubesse que poderia despedaçá-lo quando quisesse.
Penny estreitou seus olhos, enquanto observava aquilo. Ela deu um suspiro.
— Que coisa tediosa. Isso já acabou? Logo agora que estava ficando divertido? É uma pena. Eu realmente estava gostando dos gritos deles — disse Penny, observando o monstro chegar perto do jovem.
“Merda, pensa, pensa. Se eu não fizer nada logo, vou acabar morrendo.“ — pensou o jovem, com medo demais para conseguir se levantar. Ele olhou para os lados e se deparou com Penny, que olhava para ele. Os olhos dela pareciam brilhar na escuridão do luar. “Uma criança num lugar como esse? Como isso é possível? Isso não importa. Se eu jogar essa criança para esse monstro, minhas chances de sobreviver vão aumentar.“
Antes que o homem pudesse formular o final de sua estratégia covarde, o mutante pegou impulso e avançou como um raio na direção dele, em uma velocidade tão grande que cada passo do monstro quebrava o asfalto com suas patas. O monstro saltou em direção ao jovem, com suas garras e dentes prontos para dilacerá-lo.
“Merda, não vai dar tempo!“ — pensou ele, fechando os olhos com força, enquanto encolhia os ombros, ao aceitar a própria morte iminente.
Contudo, após longos segundos de silêncio, nada aconteceu. Ao abrir as pálpebras lentamente, deparou-se com uma cena bizarra: a abominação estava paralisada no ar, com as garras a milímetros de seu rosto. Todos os monstros estavam congelados no tempo, como estátuas de cera.
— O que... O que está acontecendo aqui? — gaguejou ele, enquanto se afastava para longe do monstro.
No mesmo instante, ele olhou para onde Penny estava, mas não viu nada onde ela estava.
“Cadê aquela criança? Para onde ela foi? Ela estava ali agora pouco.“ — pensou ele, enquanto olhava para o lugar onde Penny estava.
Quando ele virou o rosto e olhou novamente para frente, Penny estava na frente dele. Ela sorria de forma macabra, enquanto seus olhos brilhavam intensamente.
“Como ela chegou aqui? Que merda é essa criança? Por que eu sinto ainda mais medo dela do que daqueles monstros? Meu corpo parece que está tremendo.“ — pensou ele, ao ver o sorriso de Penny, que o encarava de forma macabra.
— Como... Como você chegou aqui tão rápido?! — perguntou o homem, com o rosto pálido e o suor gélido brotando na testa, enquanto apontava um dedo trêmulo em direção a onde Penny estava antes. — Você estava a dezenas de metros de distância agorinha mesmo!
Penny desfez seu sorriso sinistro, fechou os olhos e deu um sorriso alegre e infantil, enquanto juntava as mãos.
— Olá… Eu escutei que você queria me jogar para os monstros para tentar se salvar — perguntou Penny, arregalando os olhos, encarando-o de forma ameaçadora.
— Não! Eu jamais faria uma monstruosidade dessas com uma criança indefesa! — mentiu ele em voz alta, engolindo em seco, enquanto sua mente entrava em pânico absoluto. “Quem é essa criança? Como ela sabe exatamente o que eu estava pensando? Ela consegue ler mentes, por acaso?!“
— Como eu sei o que você estava pensando, não importa — cortou Penny, abrindo um sorriso psicopata, enquanto inclinava a cabeça de forma macabra, com os olhos amarelos cortando a alma do jovem à sua frente, que estava apavorado.
“Mas que porra, é, essa garota? Ela é um monstro!“ — gritou mentalmente o jovem, enquanto olhava fixamente para Penny, com os dedos de suas mãos tremendo.
— O importante aqui é que eu realmente gostei da sua personalidade. Você tem um excelente senso de sobrevivência ao decidir sacrificar os outros para se salvar — continuou Penny, enquanto olhava para ele.
“Mas que merda é essa, que ela está falando?“ — pensou ele, sem entender nada do que Penny estava dizendo.
— Enquanto você fugia daquele monstro, eu ouvi seus pensamentos, e devo dizer que você é um verdadeiro sobrevivente, do tipo que faz de tudo para sobreviver, sem fingir empatia por ninguém — disse Penny, olhando para ele, enquanto arregalava os olhos e aproximava seu rosto do dele, fazendo-o ficar com ainda mais medo.
“Que frio é esse do nada? Isso não parece ser o frio normal dessa cidade à noite. É o que essa criança quis dizer sobre ter ouvido meus pensamentos?“ — pensou ele, observando os olhos amarelos de Penny bem diante de seu rosto.
— Afinal, em um mundo pós-apocalíptico, a empatia pelo próximo é a maior causa da morte daqueles que são fracos de mente — continuou Penny, afastando seu rosto, enquanto o jovem ainda a observava com pavor.
“Essa criança não é normal. Ela deve ser algum tipo de monstro com aparência humana. Eu tenho que sair daqui, ou vou acabar morrendo.“ — pensou o jovem, olhando ao redor, caçando uma rota de fuga.
— Não precisa ficar com tanto medo. Como eu disse antes, eu gostei de sua personalidade. Por isso, não vou te matar pelo que você pensou antes — disse Penny, abrindo um leve sorriso. — Mas, claro, se você quiser sobreviver, você terá que me vencer em um jogo.
— Um... Um jogo? — gaguejou o jovem, enquanto ainda estava apavorado com toda aquela situação.
— Sim, é um jogo bem simples — respondeu Penny, enquanto olhava para o jovem. — Nesse jogo, você terá exatos cinco minutos para correr para o mais longe possível daqui. E, após esse tempo, eu farei algum monstro dessa cidade ir atrás de você.
“Que droga essa criança está falando… Isso não importa. O importante é que ela disse que eu tenho cinco minutos para fugir daqui. Isso é tempo mais que o suficiente para eu conseguir chegar até aquele barco, ligá-lo e já estar bem longe dessa cidade quando esse tempo acabar. Preciso chegar o mais rápido possível naquela ilha.“ — pensou ele, enquanto olhava para Penny, que parecia distraída com algo.
— Tudo bem... Eu aceito o seu jogo! — respondeu ele, forçando uma postura confiante, enquanto se levantava.
“Já vasculhei essa cidade inteira e só tem monstros sem graça nesse lugar. Acho que irei precisar utilizar meus bebês de novo para isso… HaHa… Isso vai ser divertido. Que gritos será que esse inseto fará?“ — pensou ela, dando um sorriso sinistro, enquanto encarava o jovem.
— Ótimo. Então, vamos parar de perder tempo e vamos começar logo com nosso jogo — disse Penny, enquanto encarava o jovem, que já se preparava para correr.
Penny fechou os olhos, fazendo um silêncio sufocante tomar conta do lugar. Logo em seguida, ela abriu brevemente seus olhos, que pareciam brilhar em dourado divino.
— Corre — disse ela, arregalando os olhos, enquanto encarava o jovem.
O jovem sentiu seu coração bater feito um tambor ensandecido, tomado por um pavor monumental, ao ver a expressão fria do rosto de Penny. No mesmo instante em que Penny disse a palavra, ele avançou, correndo com todas as suas forças.
“Essa garota não é de jeito nenhum um humano normal. Se ela não for um monstro, é, sem dúvidas, um demônio. Eu preciso ir o mais longe possível dela e desses monstros.“ — pensou ele, enquanto corria, sem olhar para trás.
Após metade dos cinco minutos terem se passado, ele já estava correndo sobre as tábuas do cais, em meio a diversas embarcações abandonadas.
“Droga, o tempo já está acabando. Eu pensei em pegar uma lancha, mas vou pegar aquele barco ali.“ — pensou ele, enquanto continuava correndo pelo cais.
Segundos depois, ele saltou para dentro de um pequeno iate. Ele correu até a cabine e, após alguns segundos de puro desespero tentando ligar a embarcação, o maquinário rugiu de forma funcional. A embarcação cortou as ondas, avançando em alta velocidade em direção ao mar aberto, distanciando-se rapidamente da costa cinzenta.
Após o restante do tempo acabar, a embarcação já estava a centenas de metros de distância da cidade. As nuvens no céu cobriram a luz da lua, que iluminava a noite. Enquanto avançava, iluminando as águas à sua frente pelos faróis da embarcação, o jovem começou a rir de felicidade.
Enquanto isso, longe daqui, Penny estava flutuando sobre a cidade. Ela começou a abrir lentamente os olhos, observando a embarcação ao longe.
— Haha… O tempo acabou. Tá na hora de começarmos o jogo — disse ela, seus olhos se incendiando logo em seguida.
Após seus olhos começarem a brilhar, um estrondo ensurdecedor ecoou pela cidade costeira. Era um barulho tenebroso de rugidos dos monstros.
De volta à embarcação, dentro da cabine fechada, ouvindo o som dos rugidos dos monstros, o jovem abriu um leve sorriso, enquanto olhava em direção à cidade.
“Podem berrar o quanto vocês quiserem, suas aberrações malditas. Agora vocês não podem mais me pegar. Logo, logo, eu vou chegar naquela ilha.“ — pensou ele, voltando a olhar para o oceano à frente.
— Ha... HaHa! Eu consegui! Finalmente estou salvo! Obrigado, meu De...
Antes que ele pudesse pronunciar a última sílaba da palavra, o vidro da cabine explodiu em um estrondo catastrófico. Um mutante alado colossal mergulhou das nuvens escuras. Com um movimento chicoteante de suas mandíbulas escancaradas, a fera cravou os dentes no pescoço do homem, arrancando sua cabeça por inteiro, com uma única e brutal mordida.
O sangue jorrou em jatos violentos, salpicando o painel e caindo como uma chuva escarlate pesada sobre o casco da embarcação, enquanto o corpo acéfalo desabava inerte sobre o timão.
Flutuando sobre a cidade, observando a abominação alada afundar a embarcação, Penny assistia a tudo, dando um leve sorriso.
— Hahaha! Eu disse que faria um monstro ir atrás dele, mas em momento algum especifiquei qual tipo de monstro seria — ironizou Penny, balançando os ombros com total indiferença, enquanto o sangue do homem manchava o oceano à distância.
“Que pena... Acho que a vontade de sobreviver dele não era tão grande quanto eu havia imaginado. Se ele fosse realmente esperto, teria pulado na água para tentar se salvar do meu bebê voador... HaHa. Se bem que isso seria inútil, já que eu também havia colocado monstros aquáticos dentro do mar, só por precaução. Ha... HaHa! Isso foi muito divertido. Teria sido melhor se ele tivesse tido tempo de gritar.“ — pensou Penny, enquanto observava a embarcação terminando de ser afundada pela monstruosidade alada.
— Agora, vejamos. Meus planos iniciais eram achar um monstro forte desde o início para enviar até o bunker, igual eu fiz antes — disse Penny consigo mesma, enquanto colocava a mão no queixo, pensativa.
Enquanto Penny pensava, a criatura mergulhou do céu, parando seu focinho ensanguentado bem diante de Penny.
— Hum… Você fez um excelente trabalho. Agora, você já pode voltar — disse Penny, fazendo a criatura desaparecer no mesmo instante.
“Eu estou ansiosa para ver as habilidades daquela comandante do tapa-olho. Mas acho que vou primeiro dar uma olhada naquele grupo que saiu na expedição.“ — pensou Penny, desaparecendo logo em seguida.
Longe dali, no escuro prédio onde Maria, Carlos e Arthur estavam, Arthur começou a olhar para as manchas escuras no chão e a observar os esqueletos humanos ao seu redor. Alguns desses esqueletos não tinham braços, pernas e, em alguns, faltava a cabeça. Ele começou a ter flashbacks de seu passado, vendo continuamente memórias de sua esposa sendo morta, e o som dos gritos dela ecoava em sua mente.
“Droga, isso de novo não...” — pensou ele, enquanto olhava para Maria e Carlos mais à frente, que estavam conversando. “Preciso subir e descansar um pouco, não quero preocupar esses dois.”
Arthur deixou seu bastão de madeira no chão e caminhou até Maria e Carlos.
— Pessoal, vou subir para dar uma olhada no segundo andar. — disse ele, olhando para Maria e Carlos.
— Isso não é perigoso? Vai que um monstro aparece do nada lá em cima. Além disso, a comandante Katerina nos disse para ficarmos juntos. — disse Carlos, enquanto encarava Arthur.
Maria olhou para Arthur e viu em seu rosto a mesma expressão de quando ele estava relembrando seu passado.
“Hum... Ele deve estar remoendo seu passado de novo. Acho que é melhor deixar ele ficar sozinho um pouco. Além disso, com toda essa barulheira, dificilmente um monstro vai aparecer.” — pensou Maria, enquanto olhava para Arthur, que estava com uma expressão pensativa.
— Tudo bem, você pode ir, mas não demora, tá bom? — disse Maria, enquanto continuava olhando para Arthur.
Arthur, sem responder nada, começou a subir as escadas para o segundo andar.
— Por que você disse para ele ir? — perguntou Carlos, olhando para Maria.
— Não seja imbecil. Ele deve estar pensando em alguma coisa dolorosa. Você não reparou na expressão que ele estava fazendo? — respondeu Maria, enquanto explicava o motivo.
— Hum... Você está certa, ele realmente parecia estar pensando em algo. — disse Carlos, enquanto lembrava da expressão que Arthur fazia. — Pensando agora, a expressão que ele estava fazendo dava a impressão de que ele estava vivenciando um trauma profundo.
Maria observava seu irmão e via que ele estava preocupado demais com Arthur.
— Você está bem? — perguntou Maria, enquanto olhava para Carlos.
— Claro que estou bem. Por que não estaria? — perguntou Carlos, enquanto olhava para Maria.
— Como posso dizer isso? Antes, quando você estava falando com o Arthur, você parecia o Enrique quando está com medo, e agora você está parecendo comigo quando estou pensativa. — respondeu Maria, enquanto olhava para Carlos.
— Você deve estar viajando. — disse Carlos, parando com seus pensamentos de preocupação.
“É melhor eu parar de me preocupar por nada. Não deve ter perigo nenhum aqui. E também não quero ser comparado àquele idiota do Enrique.” — pensou Carlos, voltando à sua postura normal de sempre.
Após alguns minutos subindo as escadas Arthur chegou ate o segundo andar. Ele estava se apoiando nas paredes enquanto caminhava entre um corredor onde tinha várias portas. em sua mente as memórias de seu passado continuavam vindo, onde ele continuamente revivia a morte de sua esposa, e o dia em que ele enterrou sua filha.
“Merda… por que estou lembrando dessas coisas logo agora. “ —pensou Arthur, enquanto abria a porta de um apartamento velho, que estava com manchas escuras na porta.
Arthur entrou dentro do apartamento que estva com um imenso buraco na parede conectando o apartamento que ele estva a outro. ele se sentou em uma cadeira velha, que fica perto de uma mesa quebrada. Enquanto estava sentado de cabeça baixa, sua mente continua o arastando para os traumas de seu passado. Mas derrepente ele notou uma fotografia no chão, que estva suja de poeira, e perto de cacos de vidro.
—o que e isso. —disse ele consigo mesmo, com uma voz que não escondia a tristeza que sentia.
Ele pegou a fotografia e limpou ela, e viu que na fotografia estava ele, sua esposa, e sua filha. Na mesma hora ele sentiu uma pontada na cabeça relembrando de sua vida antes do apocalipse.
Em suas lembranças ele estava vestido como um policial. E ele acabava de chegar em casa.
—querida ja cheguei. —gritou ele apos chegar e fechar a porta. —onde esta todo mundo.
—voce chegou mais cedo do que o normal aconteceu alguma coisa —perguntou a esposa dele, que apareu logo em seguida.
—não aconteceu nada, eu que decidi vir mais cedo. —respondeu ele, enquanto olhava sorrindo para sua esposa. —a propósito cade a minha pequena.
—ela deve esta…
Antes que a mulher falasse mais alguma coisa, uma criança veio correndo em direção a Arthur.
—papai. —gritou a criança se jogando em Arthur, que a pegou e alevantou no ar.
Arthur começou a sorrir enquanto abraçava a criança.
De volta ao apartamento escuro. Lágrimas escorriam dos olhos de Arthur enquanto ele olhava fixamente para a fotografia em sua mão.
—Finalmente eu consegui voltar para casa. — disse ele, fechando os olhos enquanto segurava a fotografia. — Sinto muito por quase nunca estar em casa para vocês, por causa do meu trabalho. Se eu soubesse que tudo isso aconteceria, teria passado mais tempo ao lado de vocês.
Enquanto continuava relembrando de seu passado, Arthur abraçou a fotografia contra seu peito, enquanto continuava sentado em uma cadeira perto de uma janela velha coberta de poeira.
Enquanto isso, cortando a neblina que subia do rio, Enrique arrastou o corpo inerte de Katerina para fora das águas escuras do rio, deitando-a com cuidado sobre o concreto da margem.
— Comandante Katerina... — murmurou Enrique, com a voz trêmula, enquanto olhava para os ferimentos que ainda havia no corpo de Katerina.
Com as mãos tremendo pela adrenalina, o recruta pressionou os dedos contra o pescoço gélido de Katerina. Ele notou que não havia pulso. O peito dela estava estático, sem qualquer sinal de respiração. Naquele milésimo de segundo de silêncio absoluto, a mente de Enrique foi puxada para trás, em um turbilhão de flashbacks. Reviu a jornada inteira deles, as discussões que tiveram, os momentos de perigo, as ameaças rígidas e a forma como ela o forçava a ser um soldado de verdade.
— Eu disse que queria que você morresse... Mas eu não estava falando sério! Me desculpe... Se eu fosse mais corajoso, igual a você, eu teria ficado e ajudado desde o início — desabafou Enrique, as lágrimas quentes finalmente escapando de seus olhos e caindo no chão.
Enquanto Enrique chorava perto do cadáver de Katerina, de repente, Penny surgiu flutuando acima dos prédios vizinhos, observando silenciosamente a destruição que ficara após a batalha.
— Nossa... Parece que algo divertido aconteceu aqui. Que pena que eu cheguei tarde — comentou Penny, dando um suspiro.
Ela estreitou os olhos amarelos e avistou a silhueta do Titã gigante afastando-se lentamente entre as ruínas, ao longe.
— Vejam só que criatura belíssima! — disse ela, enquanto observava a criatura se afastando. — Essa criatura parece ser mais forte que meus bebês com asas. Acho que acabei de achar o monstro que irei enviar para aquele bunker.
“Tsc… Só é uma pena que só tem um igual a ele nessa cidade. Acho que terei que procurar por mais uns cinco para poder enviá-los.“ — pensou ela, enquanto olhava os arredores.
Penny olhou para baixo e viu Katerina deitada no chão, já sem vida, com Enrique de cabeça baixa, chorando perto do cadáver dela.
— Haha! Acho que superestimei demais essa mulher. Ela morreu de uma forma tão lamentavelmente ridícula que estou até envergonhada de ter dito que ela parecia ser alguém perigosa antes — desdenhou Penny, observando o cadáver de Katerina.
“Mas, de jeito nenhum, ela vai morrer aqui. Logo quando estou preparando algo tão divertido. Eu odeio fazer isso... Mas, se eu não fizer, o espetáculo que estou planejando vai ficar chato, só com dois comandantes vivos.“ — pensou Penny, dando um suspiro, enquanto observava lá embaixo.
No mesmo instante, Penny apontou sua mão em direção ao corpo de Katerina. Seus olhos incendiaram-se em um dourado divino. E, no instante seguinte, uma energia cósmica invisível tocou o cadáver. Katerina voltou à vida instantaneamente, expandindo os pulmões em um suspiro profundo. E, no mesmo instante em que Katerina abriu os olhos, espantada, Penny já havia desaparecido do céu, sem deixar vestígios.
— Comandante Katerina! Você... Você está viva! — exclamou Enrique, enxugando as lágrimas às pressas, na tentativa de escondê-las. — Você estava sem pulso! Eu tive certeza de que você tinha morrido!
Katerina ergueu o tronco lentamente, o cenho franzido sob o quepe, enquanto sua mente fervilhava em pura confusão. “Como eu ainda estou viva? Tenho certeza de que fiquei sem energia para me regenerar. Eu deveria ter morrido... E que sensação é essa? É fraca, mas ainda sinto um pouco daquela mesma presença sinistra de antes.“
Enquanto Katerina ficava perdida em seus pensamentos, Enrique tentava enxugar as lágrimas que ainda brotavam em seu rosto.
— Soldado Enrique... Por que você está chorando? — perguntou Katerina, interrompendo seus pensamentos, ao notar o estado emocional do recruta.
— Não é nada não — respondeu Enrique, desviando o rosto rapidamente.
“Hum… Vendo a reação dele, eu realmente devo ter morrido. Mas, se estou viva, isso com certeza tem algo a ver com essa presença sinistra que sempre aparece em momentos perturbadores como esse. Acho que vou precisar investigar mais a fundo para descobrir o que é essa presença.“ — pensou Katerina, se levantando, enquanto olhava os arredores.
Fim do Capítulo 14