CAPÍTULO 6 — O TREINAMENTO DECISIVO
Após o dia cansativo das três provas, Shin só pensava no empate entre ele e Rogan.
Eu preciso melhorar. Agora é decisivo. Se eu perder, estou fora.
Shin chegou em casa calado e distraído.
— Shin, o que aconteceu? — perguntou Ami.
— Nada, não, mãe. É que eu vou ter que lutar para disputar uma vaga para ir ao torneio.
— Que legal, filho! Você não está feliz?
— É que eu errei coisas que treinei com o meu pai e, com isso, perdi pontos. Por pouco não fui eliminado. O professor deu três dias até a disputa, e agora vou ter que enfrentar um garoto muito forte lá da escola.
— Então mostre que você é capaz, meu filho — disse Aran. — Não tem problema errar. O que importa é entender onde errou e treinar para aperfeiçoar.
— Uma coisa que eu percebo em você, Shin, é que você tenta apenas se defender, mas nunca ataca.
— É... eu sei, pai.
— Já que o seu professor deu três dias, nós vamos focar no seu ataque, tanto elemental quanto apenas com as mãos. Você precisa confiar em si mesmo, filho. Vai dar tudo certo.
A tarde estava agradável. O céu estava limpo, e um vento bom e refrescante passava sobre a Vila do Fogo.
— Pai, onde estamos?
— Estamos em um local de treinamento. Te trouxe aqui para termos mais espaço e para você utilizar o seu poder elemental.
— Então, vamos treinar?
Shin abriu um sorriso.
— Vamos nessa, pai!
— Shin, vamos começar! Primeira coisa: você já aprendeu a canalizar o fogo na sua arma, mas agora eu quero que faça isso sem o bastão. Me ataque sem a sua arma. Quero apenas seus golpes e seu poder.
Shin se concentrou, fazendo chamas surgirem nas palmas das mãos.
— Isso! É isso! Agora me ataque. Não se prenda!
Shin se moveu rapidamente, correndo em direção ao seu pai. Ele lançou uma bola de fogo média, mas ela não durou muito tempo e se apagou no meio do ataque.
— Ela apagou assim? — perguntou Shin.
— De novo! — respondeu Aran.
E a tarde passou. Shin estava cada vez mais focado. Ele se concentrou e ativou suas chamas nas palmas das mãos. Movimentou-se rapidamente, soltando seis bolas de fogo em uma linha horizontal.
Aran ficou surpreso com o ataque inesperado. Ele desviou, mas, quando olhou para frente, Shin não estava mais ali.
Shin estava vindo do alto com o punho envolto em fogo. Aran deu um leve sorriso e desviou novamente, mas o ataque acabou causando uma explosão no chão.
A poeira baixou. Shin estava de joelhos, com a respiração pesada. Aran foi até ele para ajudá-lo a se levantar.
Porém, Aran viu algo brilhante, dourado e avermelhado no pulso de Shin, que rapidamente desapareceu. Aran arregalou os olhos.
— Pai? Está tudo bem? — perguntou Shin.
— Está tudo bem, sim, meu filho. É que eu fiquei surpreso com o seu ataque. Foi muito inteligente — respondeu Aran, mentindo para não assustar o garoto.
— O seu ataque foi muito bom. Porém, você sobrecarregou demais o seu braço com esse ataque. Vamos descansar. Amanhã a gente continua.
Quando a noite chegou, enquanto Shin dormia, Aran chamou sua esposa para conversar.
— Ami, eu tenho que te contar uma coisa que aconteceu lá no treino com o Shin.
— O que aconteceu, amor? Você parece preocupado.
— No treino, ele fez um ataque muito bom e inteligente.
— Mas o que tem de problema nisso?
— A estratégia que ele usou não é o problema.
— Amor, você está me deixando preocupada. O que aconteceu?
— Ele deixou o punho direito envolto em chamas, mas, quando eu olhei para o punho esquerdo, tinha uma marca igual a uma pulseira.
— Uma marca? Como uma pulseira?
— Isso não é algo normal, Ami. Eu acho que já ouvi falar, durante a guerra que aconteceu, de algo parecido com o Segundo Líder da Chama, mas não tenho certeza.
— Eu vou atrás dessas informações.
— Ami, eu não sei o que é, mas será que é algo perigoso?
— Eu não sei, mas tenho que tentar descobrir.
Os dias se passaram, e chegou o último dia de treino. Shin estava focado, melhorando seu ataque elemental e também sua habilidade com a arma.
Rogan também treinava seus ataques com a espada. Ele passou todos os dias treinando, determinado a vencer Shin.
— Você não vai me vencer, Shin!
O dia se passou, e já estava na hora de ir para a disputa.
— Mãe, pai, vocês vão me ver lutar, né?
— Claro que sim — responderam Ami e Aran.
Os portões da escola se abriram, e todos foram para a arena. A hora da batalha estava prestes a começar.