Capítulo 131 — O Veredito
A madrugada cobria Celestria com um silêncio incomum.
As ruas próximas às muralhas estavam praticamente vazias, iluminadas apenas por algumas lanternas presas às construções e pelos poucos postos de vigilância que continuavam funcionando durante aquelas horas. Ao longe, os edifícios mais altos desapareciam parcialmente na escuridão, enquanto o vento frio atravessava os corredores de pedra da cidade.
Na entrada principal, um soldado permanecia de guarda.
Sua armadura apresentava diversas marcas de uso, e algumas cicatrizes antigas atravessavam sua pele envelhecida. Os cabelos pretos estavam presos atrás da cabeça, deixando seu rosto inteiramente visível. Na bainha presa à cintura, carregava uma espada de aparência comum, sem qualquer ornamento que a diferenciasse das armas utilizadas pelos demais soldados da Igreja.
Nas costas da armadura, escritas em caracteres japoneses, estavam as palavras que identificavam sua unidade:
「エリート・第3大隊」
Elite. 3.º Batalhão.
Não era um soldado qualquer. Sua posição e suas responsabilidades exigiam experiência suficiente para que a Igreja lhe confiasse a segurança de uma das entradas de Celestria.
Ainda assim, naquela madrugada, seu trabalho parecia tedioso.
Ele bocejou discretamente e ergueu os olhos para a torre de vigia próxima ao portão. Um segundo soldado estava lá em cima, observando os arredores com uma lança apoiada no ombro.
— Ei! — gritou o soldado de elite.
O homem na torre inclinou a cabeça para escutá-lo.
— Verifique se já podemos trocar os turnos com os soldados da madrugada! Vá falar com o chefe e descubra o que está acontecendo!
— Entendido!
O soldado da torre guardou a lança e começou a descer pela escada de madeira. Pouco depois, atravessou uma pequena passagem lateral e desapareceu entre as construções que levavam ao interior da cidade.
O soldado de elite acompanhou sua saída com os olhos.
Quando voltou a ficar sozinho, ajeitou a espada na cintura e soltou um suspiro.
— Finalmente...
A frase morreu em sua boca.
Uma corrente de ar passou por sua lateral.
Ele franziu a testa.
Por um instante, teve a impressão de que alguma coisa havia se movido perto do portão. Não conseguiu identificar o quê. Foi rápido demais, como uma sombra atravessando o campo de visão.
O soldado virou a cabeça.
Não havia ninguém.
Deu um passo à frente, procurando enxergar melhor a estrada que se estendia para além das muralhas.
Então, sentiu algo atrás de si.
Não teve tempo de sacar a espada.
Uma força atingiu seu corpo e o arrancou do chão. O portão de Celestria desapareceu de seu campo de visão enquanto ele era lançado para longe, atravessando a vegetação que cercava a entrada da cidade.
Seu corpo colidiu contra o tronco de uma árvore.
O impacto arrancou-lhe o ar dos pulmões. Ele caiu sobre a neve acumulada, rolando alguns metros antes de parar entre as raízes expostas.
— Ngh...!
Por alguns segundos, não conseguiu se levantar.
A dor se espalhava pelas costas, e sua respiração saía irregular. Ele tentou compreender o que havia acontecido, mas a velocidade do ataque tornava impossível reconstruir os movimentos.
O soldado apoiou uma das mãos no chão.
Foi então que percebeu duas silhuetas diante dele.
Uma delas estava parada a poucos metros, com um capuz escuro escondendo parte do rosto e uma foice presa às costas.
A outra era mais alta, vestia roupas ancestrais negras e possuía longos cabelos vermelhos que se destacavam contra a paisagem branca.
O homem de cabelos vermelhos observava o soldado com um sorriso tranquilo.
Seus olhos, porém, não tinham absolutamente nada de humano.
O soldado sentiu o corpo enrijecer.
Ele conhecia aquelas características.
Conhecia as histórias contadas pelos próprios membros da Igreja sobre criaturas capazes de desafiar seus guerreiros mais poderosos.
Ancestrais.
E aquele diante dele não parecia ser um dos fracos.
O homem de cabelos vermelhos inclinou ligeiramente a cabeça e abriu os braços, como se estivesse recebendo um convidado.
— Boa noite, amigo. Muito prazer. Meu nome é Yorm, e este aqui é meu companheiro, Ren.
Ren não disse nada.
Apenas observou o soldado, mantendo uma expressão indecifrável.
Yorm percebeu o medo nos olhos do homem e sorriu um pouco mais.
— Ora, não precisa ficar tão assustado. Vamos, diga-me seu nome.
O soldado tentou responder.
Seus lábios se moveram, mas nenhuma palavra saiu.
A presença de Yorm era sufocante. Não se tratava apenas de medo diante de um inimigo desconhecido. Havia alguma coisa naqueles olhos ancestrais que fazia o soldado sentir que estava diante de uma criatura cuja força não conseguia sequer imaginar.
Yorm aguardou alguns segundos.
Depois, soltou um suspiro teatral.
— Ah, entendi. Está nervoso.
Ele se aproximou um pouco, observando a armadura do homem.
— Vamos facilitar as coisas.
Seus olhos passaram pelo peitoral metálico até encontrarem uma pequena etiqueta presa à armadura. Nela, o nome do soldado estava gravado.
Yorm leu em voz alta:
— Bashiki.
O homem ergueu o rosto.
— Hm... Então seu nome é Bashiki. Muito prazer, Bashiki.
Yorm sorriu como se acabasse de conhecer alguém em uma reunião social.
— Enfim, vamos direto ao assunto. O que queremos é algo bastante simples.
Ele levou a mão à cintura e retirou o artefato.
O objeto refletiu a pouca luz que atravessava as árvores, revelando suas formas incomuns. Yorm o segurou entre os dedos e o ergueu ligeiramente, permitindo que Bashiki o observasse.
— Seu Kai.
O sorriso permaneceu em seu rosto.
— Vamos colocar seu Kai dentro deste objeto e depois iremos embora. Sem luta, sem sangue, sem qualquer complicação desnecessária. Você só precisa aceitar.
Ren permaneceu em silêncio, acompanhando a conversa.
Bashiki olhou para o artefato.
Depois, para Yorm.
E, por último, para Ren.
A mentira era evidente.
Nenhum ancestral invadiria os arredores de Celestria, sequestraria um soldado de elite e pediria seu poder com tanta educação se estivesse disposto a deixá-lo voltar para casa depois.
Bashiki conhecia os riscos de sua posição. Sabia que, se entregasse seu Kai, provavelmente seria considerado inútil por aqueles homens. E, mesmo que prometessem poupá-lo, nada garantia que cumpririam a palavra.
Aqueles dois não tinham motivos para manter um soldado da Igreja vivo.
Ele apertou os dentes.
Apoiado no tronco de uma árvore, começou a se levantar lentamente. Suas pernas ainda tremiam devido ao impacto, mas conseguiu recuperar o equilíbrio.
Yorm observou o movimento sem interferir.
— Ah? Vai responder agora?
Bashiki ignorou a provocação.
Sua mão alcançou a empunhadura da espada.
— Vocês cometeram um erro grave ao entrar neste território!
A lâmina saiu da bainha com um ruído metálico.
Bashiki assumiu uma postura defensiva, embora sua respiração ainda estivesse irregular.
— Estão diante de Celestria, o centro do poder da Igreja! Retirem-se imediatamente! Se continuarem com essa loucura, serão tratados como inimigos da humanidade!
Yorm ficou olhando para ele.
O sorriso desapareceu lentamente.
Por alguns segundos, sua expressão permaneceu vazia.
Então, ele inclinou a cabeça.
— Entendo.
Seus olhos percorreram a espada nas mãos de Bashiki.
— Então vai ser do jeito difícil.
O soldado apertou a empunhadura e avançou.
— Morra!
Antes que pudesse completar o movimento, Yorm ergueu uma das mãos.
Não precisou assumir uma postura de combate. Não precisou sequer sair do lugar.
Sua voz atravessou a floresta com uma clareza perturbadora.
— Kai da Verdade: Veredito. Você não tem força para segurar essa espada.
Bashiki sentiu uma estranha pressão percorrer os braços.
A princípio, pensou que fosse consequência dos ferimentos. Seus dedos tremeram ao redor da empunhadura, e a lâmina oscilou diante de seu corpo.
— O quê...?
Ele tentou apertar a mão.
Os músculos não responderam como deveriam.
Uma sensação de fraqueza se espalhou pelos antebraços, como se toda a força que possuía estivesse sendo arrancada de seu corpo. Bashiki arregalou os olhos e tentou firmar os pés na neve.
A espada começou a pender.
— Não... Espera...
Ele tentou erguê-la novamente.
Nada.
Os braços tremiam violentamente. A lâmina, que segundos antes parecia leve e familiar, tornou-se impossível de sustentar.
Bashiki soltou um grunhido e tentou resistir, mas seus dedos se abriram involuntariamente.
A espada caiu no chão.
O som metálico ecoou entre as árvores.
O soldado recuou, segurando os próprios braços, ofegante.
— O que é isso?! Por que... por que ela está tão pesada?!
Tentou flexionar os dedos.
Conseguia movê-los. Seus braços ainda estavam ali, e não havia qualquer ferimento novo que explicasse aquela perda repentina de força.
Mesmo assim, não conseguia levantar a arma.
Yorm abaixou a mão e voltou a sorrir.
— Isso é o que eu posso fazer, Bashiki.
O soldado encarou o ancestral, completamente confuso.
Yorm caminhou lentamente até a espada caída e a observou por um instante.
— O que eu digo se torna verdade absoluta. Naturalmente, existem certas limitações. Não posso simplesmente declarar qualquer coisa e esperar que o mundo inteiro obedeça sem restrições.
Ele olhou novamente para Bashiki.
— Mas, em algumas circunstâncias, eu me consideraria uma espécie de juiz.
Yorm ergueu um dedo.
— Um juiz que decreta leis.
Bashiki sentiu um arrepio percorrer sua nuca.
Agora compreendia que não estava enfrentando apenas um ancestral com um Kai poderoso.
Estava diante de alguém capaz de alterar as condições da própria luta com uma simples declaração.
Se Yorm pudesse determinar o que era ou não possível para seus adversários, como alguém poderia enfrentá-lo?
Como seria possível lutar contra uma pessoa que podia transformar uma afirmação em realidade?
Bashiki recuou mais um passo.
— Fique longe de mim...
Yorm continuou se aproximando.
— Você parecia bastante confiante há pouco.
— Eu... Eu não...
— Não precisa explicar. Acontece com frequência.
O ancestral parou diante dele.
Bashiki tentou recuar novamente, mas suas pernas vacilaram. O soldado caiu de joelhos sobre a neve, apoiando as mãos no chão.
— Por favor...
Yorm ergueu ligeiramente as sobrancelhas.
— O quê?
— Por favor, não me mate...
O ancestral ficou em silêncio.
Bashiki abaixou a cabeça, tentando recuperar o fôlego.
— Eu faço o que quiserem... Posso ajudar vocês a sair daqui. Posso dizer que não encontrei ninguém. Só... só me deixem viver.
Ren observava a cena sem interferir.
Seus olhos alternavam entre Bashiki e Yorm. A demonstração do Kai da Verdade havia despertado sua curiosidade, embora ele não demonstrasse isso abertamente.
Era um poder absurdo.
Não se limitava a destruir, cortar ou incendiar alguma coisa. Yorm podia estabelecer uma condição e obrigar seu alvo a enfrentar as consequências dela.
O alcance e as limitações daquele poder ainda eram desconhecidos para Ren.
Mas uma coisa estava clara.
Yorm não precisava vencer seus adversários apenas pela força física.
Podia fazê-los perder antes mesmo de compreenderem como a luta havia começado.
Enquanto Ren refletia, Yorm se agachou diante de Bashiki.
— Sabe o que eu acho curioso nos seres humanos?
Bashiki ergueu os olhos, desesperado.
Yorm apoiou um cotovelo sobre o joelho.
— Vocês passam a vida inteira dizendo que são diferentes dos monstros. Falam sobre justiça, honra, dever... Criam leis, estabelecem regras e apontam para qualquer um que não se encaixe nelas.
Seu sorriso desapareceu.
— Mas basta alguém mais forte aparecer diante de vocês.
Yorm segurou Bashiki pelo pescoço da armadura e o ergueu parcialmente, obrigando-o a encará-lo.
— De repente, toda essa convicção desaparece.
O soldado tentou afastar a mão do ancestral.
— Por favor...
— Vocês imploram. Oferecem informações. Prometem trair os próprios companheiros. E, se tiverem uma oportunidade de escapar, não hesitam em abandonar qualquer princípio que diziam defender.
Os olhos de Yorm ficaram completamente frios.
— Seres humanos são uma espécie realmente desprezível.
A frase saiu sem qualquer sinal de humor.
Então, ele golpeou.
O punho de Yorm atravessou o abdômen de Bashiki com uma força devastadora. O ferimento sangrou instantaneamente até Yorm retirar o braço do corpo de Bashiki. O Soldado caiu de lado, tentando respirar.
Bashiki soltou um grito abafado.
Tentou se levantar, mas uma dor intensa atravessou seu tronco. Seu corpo não obedecia, e cada movimento parecia exigir mais força do que ele possuía.
Yorm olhou para seu sofrimento e se aproximou novamente de Bashiki.
— Ainda está tentando?
Bashiki tentou rastejar para longe, arrastando-se em direção à espada que havia deixado cair, mas Yorm pisou diante de sua mão, bloqueando o caminho.
— Não me diga que ainda acredita que pode vencer.
Bashiki levantou o rosto.
O medo havia tomado conta de sua expressão.
Ele tentou falar, mas a voz saiu fraca demais para formar uma frase compreensível.
Yorm o observou por um instante.
Então, afastou o pé e agarrou a parte frontal de sua armadura, puxando-o para cima mais uma vez.
— Olhe para mim quando estiver falando comigo.
Bashiki mal conseguia manter os olhos abertos.
Yorm desferiu um golpe no centro de sua armadura, fazendo-o se curvar, e logo depois o atingiu com uma joelhada que o lançou novamente ao chão.
A neve ao redor dos dois estava revolvida.
Bashiki já não conseguia reagir adequadamente. Seus movimentos haviam perdido a coordenação, e a tentativa de se afastar se transformara em um esforço desesperado para permanecer consciente.
Ainda assim, Yorm não parecia satisfeito.
Ajoelhou-se ao lado do soldado e segurou sua armadura.
— Você deveria ter aceitado a proposta.
Bashiki tentou responder.
Não conseguiu.
Yorm o soltou.
O corpo do soldado caiu novamente sobre a neve.
O ancestral ficou de pé, ajeitou as vestes e observou sua vítima por alguns segundos. O sorriso havia retornado ao seu rosto, mas agora parecia muito distante daquela expressão amigável com a qual se apresentara.
Então, voltou-se para Ren.
— Vamos, Ren.
Ele indicou Bashiki com um movimento da cabeça.
— Dê o golpe final para completarmos a missão.
Ren não respondeu imediatamente.
Seus olhos permaneceram sobre o soldado caído.
Bashiki ainda respirava, embora de maneira irregular. Uma das mãos se movia fracamente contra a neve, como se ele procurasse apoio para se levantar, mas já não possuía forças para fazê-lo.
Ren conhecia aquele momento.
O instante em que uma pessoa compreendia que havia perdido e que não existia mais uma saída evidente.
Ele já havia visto aquela expressão antes.
Em inimigos.
Em companheiros.
Em pessoas que acreditavam que ainda teriam tempo para consertar os próprios erros.
Ren afastou o pensamento.
Não havia vindo até Celestria para refletir sobre a vida de um soldado desconhecido.
A missão era simples.
Obter o Kai.
Retornar à caverna dos Ancestrais.
Era isso que Lily esperava deles.
Ren começou a caminhar.
Seus passos eram lentos e firmes, afundando na neve enquanto se aproximava de Bashiki. O soldado ouviu o som e ergueu os olhos, percebendo a silhueta escura que se aproximava.
— Não...
Ren parou diante dele.
Bashiki tentou recuar, mas seu corpo mal respondeu.
— Por favor... Eu não quero morrer...
Ren permaneceu em silêncio.
A mão alcançou a empunhadura da foice presa às suas costas.
Ele a retirou lentamente, permitindo que a lâmina escura refletisse a luz fraca que atravessava as copas das árvores.
Bashiki acompanhou o movimento com os olhos arregalados.
— Espere...!
Ren segurou a arma com as duas mãos e inclinou ligeiramente a cabeça.
Por um instante, encarou os olhos do soldado.
Não havia satisfação em sua expressão.
Tampouco hesitação suficiente para fazê-lo desistir.
Apenas uma quietude difícil de interpretar.
Ren posicionou a lâmina junto ao pescoço de Bashiki e começou a preparar o golpe.
Yorm observava a cena alguns passos atrás.
O artefato permanecia preso à sua cintura, aguardando o momento em que receberia o Kai do soldado.
Tudo estava prestes a terminar.
Até que uma voz surgiu na escuridão.
— Eu não faria isso se fosse você.
Ren parou.
Yorm virou o rosto.
A voz não havia vindo da estrada, tampouco das árvores atrás deles.
Estava próxima.
Muito próxima.
E nenhum dos dois havia percebido a aproximação.
Por um breve instante, a floresta pareceu perder todos os seus sons. O vento continuou passando entre os galhos, mas até mesmo o ruído da neve pareceu distante diante daquela presença inesperada.
Ren afastou ligeiramente a foice do pescoço de Bashiki.
Yorm estreitou os olhos.
A poucos metros deles, uma figura estava agachada sobre uma das raízes expostas de uma árvore, observando os dois ancestrais como se tivesse encontrado exatamente aquilo que procurava.
Era um homem de corpo grande, cabelos brancos e óculos escuros que escondiam seus olhos. Um enorme manto branco cobria seus ombros e descia até próximo ao chão, destacando-se entre as árvores escuras.
Em suas mãos, segurava uma alabarda.
A arma estava preparada.
Sua lâmina apontava na direção de Ren e Yorm, enquanto uma aura de chamas brancas se espalhava ao redor de seu corpo. O fogo não iluminava a floresta como uma chama comum. Movia-se em torno dele de maneira controlada, formando pequenos rastros luminosos que desapareciam antes de tocar a neve.
Nas costas do manto, havia uma inscrição.
「シンパンカン 第5位」
Shinpan-Kan N.º 5.
O homem inclinou ligeiramente a cabeça.
As chamas brancas cresceram ao redor de seus braços, refletindo-se na lâmina da alabarda.
Seu olhar permaneceu fixo nos dois invasores.
Kagetsu Arashi estava ali.
E, pela maneira como segurava sua arma, não pretendia deixá-los sair daquela floresta sem uma explicação.
Fim do Capítulo 131.