Capítulo 22 - O Convite do Mestre Takeda
06 de Abril – 19:46
Itsuki olhou para a porta aberta do carro, depois para o rosto de Reina, onde um sorriso educado, porém inabalável, estava plantado. Ele sentiu o laço da armadilha se apertando. Ele precisava de uma saída, uma desculpa que fosse plausível e final.
"Agradeço a gentileza, Diretora, mas não vou para casa hoje", disse ele, a voz soando o mais natural possível. "Meu avô me pediu para passar a noite no dojo da família. É... para o meu treinamento. Fica em uma direção completamente diferente."
Ele esperava que aquilo fosse o suficiente. Era uma desculpa sólida, que o pintava como um neto e aluno dedicado.
Mas Reina não recuou. O sorriso dela nem vacilou.
"Ora, não seja por isso", respondeu ela com uma facilidade desconcertante. "Eu te levo até lá. Na verdade, adoraria conhecer o famoso dojo do Clã Takeda. Considere parte do meu trabalho, conhecer melhor a vida e as tradições dos meus alunos."
A insistência dela foi a confirmação final. Aquilo não era uma carona. Era uma captura. Recusar novamente seria uma declaração de hostilidade. Itsuki sentiu. Ele estava encurralado.
Com um suspiro interno, ele assentiu. "Se a senhora insiste."
Ele entrou no carro. O interior cheirava a couro novo e a um sutil perfume que ele agora associava a ela. A viagem foi tensa e quase toda em silêncio. Reina dirigia com uma eficiência calma, enquanto Itsuki olhava pela janela, a mente correndo para formular um plano. Se ela queria ver o dojo, então ela veria. E ela conheceria o mestre dele.
Poucos minutos depois, eles saíram da cidade e entraram em uma área mais arborizada, a estrada de terra, andaram mais uns 2 quilômetros. O carro parou em frente a um imponente portão de madeira escura, ladeado por um muro de pedra baixo, mas sólido. Atrás dele, via-se o telhado curvo e tradicional de um grande dojo, cercado por um jardim meticulosamente cuidado.
"Chegamos", disse Itsuki.
Ele desceu do carro, sentindo o alívio de estar em seu próprio território. Ele caminhou até um pequeno sino de bronze pendurado ao lado do portão e o tocou. O som grave e ressonante cortou o silêncio da noite.
Momentos depois, o portão se abriu, e a figura de Genji Takeda apareceu, vestindo um simples samue de algodão. Seus olhos enrugados passaram de Itsuki para o sedan preto parado na rua.
Itsuki se adiantou, a voz alta e clara, cada palavra escolhida com cuidado.
"Vovô. Vim dormir aqui hoje, como o senhor falou."
A ênfase na última parte foi sutil, mas para um mestre em ler intenções, foi como um grito. Isso não foi planejado. Jogue junto.
Genji Takeda sentiu. Seus olhos se moveram para o neto, e ele deu um leve aceno de cabeça, a expressão calma e acolhedora. "Claro, Itsuki. Estava esperando por você. Entre."
Nesse momento, a porta do carro se abriu e Reina desceu. Ela olhou para a propriedade com uma expressão de admiração perfeitamente ensaiada.
"Uau. É ainda mais impressionante pessoalmente", disse ela.
Genji focou seu olhar nela. Ele não a conhecia, mas sentiu a aura dela, a disciplina contida. E, talvez, tenha reconhecido algo nos seus olhos que o fez se lembrar da conversa sobre o nome "Kurokawa".
"Você deve ser a nova diretora de quem meu neto falou", disse Genji, a voz surpreendentemente forte para sua idade. Ele fez uma pequena reverência. "Sou Genji Takeda. É um prazer."
"Reina Kurokawa. O prazer é todo meu, Takeda-sama", respondeu ela, retribuindo a reverência com uma elegância impecável.
"Você trouxe meu neto em minha casa. A noite está fria", disse o velho mestre, um sorriso amigável em seus lábios, mas com os olhos afiados como os de uma águia. "O mínimo que posso fazer é oferecer um chá para aquecê-la antes de sua viagem de volta. Aceitaria se reunir conosco senhorita Kurokawa-dono?"
Era um convite que não podia ser recusado sem grande ofensa. E para Reina, era uma oportunidade de ouro para analisar o patriarca do Clã Takeda.
"Eu adoraria", aceitou ela, a voz suave. "Seria uma honra."
"Ótimo", disse Genji, abrindo mais o portão. "Por aqui, por favor."
Itsuki observou em silêncio enquanto Reina Kurokawa, a diretora misteriosa, entrava voluntariamente no coração do território do Clã Takeda. A armadilha que ela havia armado para ele havia se transformado em algo completamente diferente. Agora, ela estava no tabuleiro dele. E o jogo estava prestes a ficar muito mais perigoso.