Capítulo 2:
O céu laranja do fim do dia começava a se despedaçar no céu indicando o fim de mais um dia.
Com um sopro de ar para esfriar a comida quente. Safira começava sua preparação para o que via a seguir.
Um prato de miojo pela metade em uma casa iluminada por velas, a pequena Safira se vestia como um pedreiro, roupas de proteção típicas como capacete comum em obras e luvas de construção.
Ela geralmente usa tal roupa quando trabalha em bicos de construção, mas hoje era diferente.
Um trabalho como coletora em um rasgo, o mais bem remunerado que ela conseguiu, um cristal rank D algo equivalente a um salário mínimo e 5% do valor de tudo que ela pudesse coletar dentro daquele mundo.
Depois de anos de trabalho, ela finalmente conseguiu algo decente e se fosse bem no trabalho, seria chamada mais vezes.
Um sonho, mas uma mulher podia sonhar… mesmo que ela mal seja classificada como adulta.
Uma garota de 18 anos, com 1.53 de altura, que só comia miojo e comida de rua pra suplementar proteína nem sabia como ainda conseguia levantar da cama pra trabalhar por 16 horas inteiras.
Mas ali estava ela, tentando terminar seu miojo enquanto calçava uma bota de borracha grossa.
Ela seguiu seu caminho, descendo os morros e evitando a luz das fogueiras dos mendigos enquanto chegava seu equipamento.
Óculos de proteção, sua fiel faca de cozinha além de uma mochila velha. Ela talvez recebesse algo lá, afinal, os coletores tinham um uniforme legal, mas era melhor não contar com a sorte.
Chegando a um canto movimentado da cidade perto da orla, era possível ver todas as construções evacuadas às pressas devido ao rasgo, aquele lugar do Rio de janeiro parecia uma terra assombrada, só com a iluminação pública como companhia, isso até Safira chegar ao seu destino.
Carros caros misturados a grandes caminhões de mineração, barulho incessante de pessoas gritando e conversando.
Máquinas sendo aquecidas e pessoas indo de lá pra cá.
Aquele rasgo era um colosso, Safira ouviu que, quanto maior o rasgo, maior às criatura dentro e melhor a qualidade dos produtos, ela não sabia o que deveria ter lá dentro, mas agora seria tudo sucateado pelo governo e algumas empresas de mineração.
Se apresentando a um dos postos de controle, Safira se apresentou.
— Oi, boa noite
Entregando documentos e a sua autenticação de contrato, algo que ela conseguiu com muito esforço.
A mulher do outro lado olha para Safira, olha para os documentos, pega o papel com a autenticação e carimba ele.
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[Safira Santos : coleta]
[Idade : 16]
[Qualificada]
Aprovado
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Rápido assim, ela entrega pra Safira seus documentos e fala — vá até a área de informação, lá você receberá guia sobre os rasgos e um — ela olha para as roupas de Safira — equipamento adequado — o tom monótono da sua voz e sua clara falta de vontade mostrava que ela já tinha falado a mesma coisa várias vezes apenas hoje.
Safira se encaminha para a área de informação ignorando o tom monótono da atendente. Era fácil saber onde ela tinha que ir, já que tinha um outdoor enorme no meio da área indicando as áreas, inclusive tendo uma área de treinamento sobre maquinaria, algo que interessou a Safira.
Chegando a área de informação era um lugar cheio de barracas e o que parecia ser uma barraca de jornal adaptada bem abaixo do outdoor.
Lá dentro, havia um rapaz, alto e bem vestido como um homem de negócios, tem sorriso simpático no rosto e olhos lindos, pelo menos é como Safira parecia ver tal homem.
— Ola, sou Valdir como posso ajudar?
— Oi! Sou Safira, a recepcionista me mandou aqui para.
— Não precisa falar mais nada — ele se vira e começa a mexer nas coisas atrás dele tirando uma mala grande — A mala junto de seu conteúdo deve ser devolvida como escrito no contrato previamente assinado, sujeito a multa, não nos responsabilizamos por equipamentos de terceiros, escolha uma das barraca vazia para se trocar — ele aponta para as várias barracas a volta da jornaleira enquanto segue falando ininterruptamente — leia a apostila fornecida dentro da mala o mais rápido possível, a equipe de limpeza dos rasgos já deve estar terminando e em breve poderemos entrar isso é claro se tivermos sorte, então se prepare para evacuar assim que possível!
Ele termina seu monólogo com um belo sorriso entregando a mala para Safira.
Com isso a mesma se encaminha até alguma barraca vazia e começa a vestir o equipamento dentro da mesma.
Um uniforme justo com placas metálica nas juntas e relevos de couro que cobrem do peito até as coxas parecendo uma armadura média, mas que era claramente mágica, se ajustando perfeitamente ao corpo de safira.
Um cinto e uma bandoleira com respectivamente um facão e uma shotgun. Uma mochila de tecido que estranhamente tinha a textura de metal que vinha com um cantil térmico.
E um par de botas de borracha, iguais às que ela já está usando.
Safira se maravilhou com tal equipamento, claro ela sabia que não poderia usar a arma já que ela não tinha porte de armas - algo comum nesses tempos - mesmo assim ela não sabia atirar então não faria diferença. De qualquer forma, parte do equipamento era muito melhor do que o seu atual, tirando as botas… mas era só botas.
“Quem dera eu pudesse levar pra casa…”
Depois de se vestir ela viu a apostila no fundo da mala.
Lendo, ela viu algumas informações úteis, como: usar a mala(feita de metal mágico) como escudo ou distração em caso de perigo, como lidar com monstros não mortos no rasgo, dicas de sobrevivência, essas coisas normais, além disso tendo uma parte inteira sobre como identificar o rank de uma pedra da alma, mesmo que isso já fosse de conhecimento comuns ainda era interessante.
Mas o que mais á interessou foi a parte dos rasgos.
Eles não apareciam em câmeras digitais e câmeras analógicas só exibem uma mancha negra, pessoas normalmente não a veriam, já que elas só se revelam no momento que os monstros saiam dela ou quando são limpas.
Ao ler sobre isso em jornais, só havia a descrição vaga de tal anomalia.
[Um pilar de luz negra, feita do próprio céu, mas essencialmente diferente]
Ela estava animada, já que essa seria sua primeira vez vendo um rasgo de perto
Ela tentou continuar lendo, até que um aviso soou pelo ar.
{O rasgo foi limpo, todos os coletores, se apresentem na entrada!}
Enquanto a voz repetia o aviso, Safira já corria até a área, seguindo a manada ela viu o rasgo.
— Parecido… mas diferente.
Era tão imponente quanto divino, um colossal pilar, que ia do chão até as nuvens. Era como um pedaço do céu noturno só que cheios de estrelas multicoloridas que pareciam emitir uma magia única de seu interior, como se fossem portais para outros mundos, ironicamente só podia ser visto por pessoas dentro da área de 60 metros do rasgo. Logo, a visão desse colossal pilar que sustenta os céus era limitado para aqueles ao seu redor e mais ninguém.
Os heróis saem do Pilar, com capas esvoaçando ou armaduras sujas de sangue e terra, com suas armas poderosas e sua aura de poder, cada um deles parecia um semi deus, algo que fazia os olhos de Safira brilharam.
“Como eu queria ser como eles!”
Não só Safira, mas todos olhavam para eles como heróis ou pelo menos, pessoas muito poderosas.
{Coletores, em fila! Se encaminhe para a triagem!}
Os heróis fizeram seu trabalho, era hora dos coletores começarem o seu.
— Com sorte, minha vida muda hoje. — Safira diz a si mesmo.
— Haha esse é o espírito! — um homem com o mesmo uniforme que Safira diz atrás dela, inicialmente ela fica vermelha de vergonha, mas ao olhar em volta ela percebe, todos ali pareciam animados, loucos até…
Safira não era burra. Talvez aquele trabalho pudesse ser mais difícil do que ela imaginava. A aura envolta daquele lugar dizia tudo.
“É isso, eu preciso ser a melhor!”