O pântano de carne e a névoa de Kush evaporaram instantaneamente sob a radiância da trindade divina. O ar, antes saturado com o cheiro de morte, agora estalava com o ozônio e o calor sagrado da Espiriturgia Primordial.
Dahaka, o Carrasco dos Vivos, erguia-se sozinho diante dos três pilares da civilização egípcia, mas o tempo da arrogância havia acabado.
O primeiro a se mover foi Osíris.
Diferente da figura serena dos mitos, o Ka-Sahu da ressurreição manifestou-se como um colosso de energia escarlate pulsante. Sem uma palavra, ele avançou com a inevitabilidade do destino. Seu punho, envolto em uma aura de gravidade espiritual, atingiu o peito de Dahaka com o peso de uma pirâmide. O impacto foi tão seco que o som viajou por quilômetros; Dahaka foi lançado para trás, seus pés rasgando a terra enquanto ele lutava para manter a verticalidade. Antes que o inimigo pudesse se estabilizar, a tempestade o alcançou.
Set investiu como um raio azul. O deus do caos e do deserto não lutava com elegância, mas com uma ferocidade predatória. Ele utilizou o impulso de sua própria massa de energia para desferir uma ombrada brutal no flanco de Dahaka. O osso do elmo de Tyrannus trincou, e o gigante avermelhado foi arremessado para o lado como um boneco de palha sob o vendaval.
Osíris, imóvel como uma sentinela, estendeu a palma da mão. O Prana ao seu redor se condensou em um pilar de luz vermelha profunda.
— Julgamento — a voz ecoou na rede neural de cada soldado vivo.
O feixe de energia atingiu Dahaka em cheio, arrastando-o por centenas de metros e cavando um sulco profundo no solo de Kush. O inimigo ainda tentou se erguer, os músculos tremendo, mas o cjhý h7dele já não pertencia mais aos mortais.
Rá ascendeu.
O Sol parecia ter descido para observar a guerra de perto. Envolto em um esplendor dourado que cegava até os sensores ópticos das Esfinges, Rá concentrou a fúria de uma estrela em um ponto focal. O feixe de luz incandescente que desceu dos céus não era apenas fogo; era a pureza da criação incinerando a heresia. O solo sob Dahaka transformou-se em vidro líquido instantaneamente. O calor absoluto fez o chão tremer, e por alguns segundos, o silêncio foi absoluto, preenchido apenas pelo rugido da combustão solar.
Inacreditavelmente, a silhueta de Dahaka persistia entre as chamas, uma sombra negra e resistente contra o ouro de Rá. Mas a trindade não dava margem para milagres.
Set avançou novamente, cruzando o campo em um microssegundo. Ele desferiu um soco descendente que parecia carregar toda a fúria das tempestades de areia do Saara. O punho de energia azul esmagou Dahaka contra o leito de vidro, afundando-o na terra. No mesmo instante, Osíris reforçou a opressão com um segundo feixe de energia escarlate, fixando o inimigo no chão em uma prensa de poder divino.
Dahaka estava à beira da aniquilação, sua pele avermelhada agora coberta por cicatrizes de luz e sua aura opressora reduzida a um fio de fumaça negra.
Foi então que Rá iniciou sua descida fulminante.
Ele não era mais apenas uma luz no céu; ele se transformou em um projétil de energia solar pura, assumindo a forma de um ser alado feito de chamas brancas e douradas. O impacto final foi cataclísmico. Uma cúpula de fogo solar expandiu-se do ponto de colisão, incinerando o que restava dos Behemoths de carne em um raio de dez quilômetros. Dahaka foi queimado e enterrado nas profundezas do solo, envolto em chamas solares que pareciam devorar a própria alma do deserto.
Lentamente, Rá ergueu-se das cinzas. Ele flutuou novamente aos céus, seu brilho dominando o horizonte e dissipando as últimas nuvens de fumaça purpúrea de Kush. Osíris e Set permaneceram em guarda, suas formas de energia brilhando suavemente enquanto contemplavam a cratera fumegante onde o Carrasco dos Vivos havia desaparecido.
O campo de batalha, antes um inferno de gritos e agonia, mergulhou em um silêncio reverente. Os soldados egípcios caíram de joelhos. Madoc, ofegante e coberto de poeira, baixou sua espada, olhando para o vazio deixado pelo impacto. Kanak, do alto do Disco Voador, sentiu o esgotamento do Prana, mas um sorriso de triunfo surgiu em seu rosto bronzeado.
A ameaça havia sido varrida. O sol de Kemet reinava absoluto mais uma vez