Em um dia como qualquer outro, Isaac acordou com a iluminação solar em seu rosto.

Ele levantou-se de sua cama e fechou a cortina de seu quarto, tampando a pequena fresta do sol que invadia o local. Ele pegou o seu celular para dar um conferida nas horas, arrumou seu cabelo dourados como fios de ouro e desceu para a cozinha, sua mãe e a sua irmã mais nova estavam no sofá assistindo a um filme.
Ao se depara com elas, ele limpa a garganta e diz:
— Bom dia…
— Bom dia, filho, tem bolo na geladeira.
Isaac abre a geladeira e pega um pedaço do bolo, então se serve com um pouco de café e senta na mesa, come aos poucos enquanto manda mensagem para seu amigo, perguntando se o mesmo estava acordado.
“Ele deve estar dormindo a esse horário”
Apesar do relógio estar marcado às 11:00 da manhã, Isaac tira essa conclusão, pois frequentemente o seu amigo passava os fins de semana jogando até tarde.
Isaac, começa a ver vídeos no celular por não ter esperança de ser respondido agora, mas o celular vibra com a notificação de uma nova mensagem. O seu amigo respondeu dizendo que ainda não foi dormir, Isaac solta um leve suspiro de desaprovação, mas pode se ver um sorrisinho estampado em seu rosto.
— Mãe! O Isaac está conversando com o namoradinho dele. — Ela diz com desaprovação, mas também com uma certa felicidade.
— O quê?!...Cof… Cof — Isaac engasga-se com o café devido ao que sua irmã disse.
Após recuperar-se, Isaac olha com indignação para a sua irmã que parecia estar observando ele há um tempo do sofá.
— O que você disse sua pirralha? — Ele diz levantando-se da cadeira fazendo-a cair no chão com um grande estrondo.
— Elisa não implique com o seu irmão, eles são apenas amigos, filha — A mãe diz com um tom de voz neutro, mesmo com a confusão.
— Amigos, sei… — Elisa diz em um sussurro.
O celular de Isaac vibra novamente com uma nova mensagem, ele apenas visualiza e diz:
— Posso ir à casa do… — Isaac é interrompido antes de terminar a frase.
— Sim, filho, você pode, apenas esteja de volta antes do jantar.
Isaac sobe as escadas indo para o seu quarto para se arrumar.
— Quem ele pensa que engana assim? — Elisa diz se sentando no sofá novamente com os braços cruzados.
A mãe apenas ignora e voltando a sua atenção a televisão.
Após alguns minutos Isaac volta arrumado.
— Já estou indo, mãe.
Ao escutar isto, a sua irmã caminha até ele ficando frente a frente analisando ele.
— Tá olhando o quê?
Ela olha-o da cabeça aos pés e percebe que ele está segurando uma chave.
— Tá todo arrumado assim para quê? Vocês não são apenas “amigos” — Elisa diz fazendo um sinal de aspas.
— Não tenho tempo para as suas teorias malucas, pirralha.
— Eu não sou mais uma pirralha e outra da onde é essa chave?
Ele olha para a chave a mais em sua mão.
“Droga, como pude esquecer de guardar ela”
— Do apartamento do Daniel — Ele diz desanimado já sabendo o que viria.
— Isaac e Daniel estão namorando, Isaac e Daniel estão namorando — Elisa diz cantando.
Um estrondo enorme percorre por todo o lugar, Isaac tampa os ouvidos por conta do barulho repentino e logo em seguida tudo fica em silêncio, como se todos os barulhos do mundo tivessem deixado de existir, antes que Isaac pudesse raciocinar o que estava acontecendo, o chão começa a tremer, a tremer tanto que a casa balança, os copos de vidro caem, pequenos pedaços do teto caem.
— Mãeeee… — Elisa corre para a sua mãe com a voz repleta de desespero e medo enquanto as lagrimas escorrem por seu rosto.
Elisa corre para os braços da mãe que a abraça, mas de repente tudo para, os barulhos estridentes dos copos quebrando, o tremor no chão, tudo se acalma, Isaac que havia caído de joelhos no chão se levanta e então vê a sua mãe de costa abraçando sua irmã, ele se aproxima e diz:
— Vocês estão bem? — A preocupação toma conta de sua voz.
Mas tudo que ele escuta em resposta são grunhidos, ele dá a volta no sofá correndo em direção delas.
— Se machucaram? Vamos para o hos… — Isaac para de falar no meio da frase.
Elas se levantam, grudadas, o que antes eram duas, viram uma. Uma mistura grotesca, não é mais possível saber onde a pele de sua mãe começa e onde a sua irmã termina, a sua mãe o olha com um enorme sorriso no rosto mostrando todos os dentes, com o seu cabelo longo caído em seu rosto. O rosto de sua irmã está completamente grudado na barriga de sua mãe, a pele dá bochecha dela está sendo puxada para a pele da mãe e grudando instantaneamente, a boca dela está aberta como se quisesse gritar, mas tudo o que sai é um sussurro fraco por socorro, enquanto as lágrimas caem e seus olhos vão escurecendo.

Isaac quer correr, mas suas pernas ficam moles como gelatina e ele cai no chão, a sua mãe, ou sua irmã, Aquilo, fica diante dele se curvando em sua direção, Isaac sente uma enorme vontade de gritar, mas sua voz some e o vomito saem em seu lugar queimando sua garganta, Isaac começa a sentir sua visão escurecer, mas algo molhado e quente cai em seu rosto, ele olha para cima e ver que aquela coisa havia babado nele, rapidamente ele se arasta indo para trás e se levanta e começa a correr desajeitado tropeçando e destranca a porta com dificuldade, mas consegue abrir-lá e quando dá um passo para fora escuta:
— Fi….lho…. volt….a…a…ma..mãe…. vai…te… prote…ger.
Isaac olha para trás ao escutar a voz de sua mãe, lágrimas caem, mas tudo que ele vê ao se virar é aquela mistura, das pessoas mais preciosas em sua vida. Isaac quer correr, mas como poderia deixá-las e se Aquilo ainda fosse elas.
— Mãe.. irmã, são vocês, né? São vocês? — Isaac diz com a voz tremula, preste a desabar.
— Cor...re…
Dessa vez foi a sua irmã que disse, era a voz dela, ele pode ver a língua dela se mexendo ao falar, tudo que ele quer e ficar e chorar, mas ao escutar sua irmã falar, ele sentiu que precisava correr, mesmo sentindo o seu corpo pesado como uma estátua, ele sai e fecha a porta e começa a escutar batidas e tentativas de abrir a porta, ele tranca a porta, os murros continuam, mas agora ao olhar envolta ele vê que aquilo estava acontecendo com todo mundo. Um homem que passeava com o seu cachorro tranquilamente antes, agora pegou o seu cachorro para correr, mas ele grudou no cachorro assim que o encostou, o pelo e a pele começaram a se misturar. As pessoas cheia de desespero corriam para escapar, mas isto só as faziam se trombar e grudam imediatamente e começava a perseguir mais pessoas, e mais.
Isaac não sabia o que fazer, mas definitivamente precisava sair dali correr o mais longe possível, ele foi para a rua mais vazia e correu e correu, mesmo sentindo que seu pulmão iria estourar ele continuou a correr enquanto via o caos a sua volta. Antes que percebesse estava em frente a casa do seu amigo, sem pensar ele destranca a casa a e entra.