Ao entrar na casa, Isaac corre o mais rápido possível até o quarto de Daniel e abre a porta com tudo, e encontra Daniel sentado em sua cadeira gamer jogando.
Assim que Isaac abre a porta com força, Daniel olha para ele e tira o headset ao ver o estado de Isaac, olhos vermelhos, lagrimas, cabelo bagunçado.
— O que aconteceu?! Você está bem? — Daniel diz rapidamente levantando-se da cadeira.
Preocupado, Daniel vai em direção dele para abraçá-lo.
— SAI DE PERTO DE MIM!! NÃO SE APROXIMA — Isaac grita andado rapidamente de costas para o mais longe possível até bater as costas na parede do corredor e desaba no chão chorando enquanto tampa o rosto.
Daniel fica em choque de ver Isaac de tal forma e dá um passo para trás.
— NÃO ENCOSTA EM MIM! NÃO ENCOSTA, não encosta… não… — A voz de Isaac vai ficando mais fraca até sumir e virar apenas choro descontrolado.
— ok, ok, não irei encostar — Daniel, diz se afastando mais um pouco e levantando as mãos. — Mas preciso que você me conte o que está acontecendo.
Daniel diz se abaixando para ficar na altura de Isaac que está sentado no chão tremendo, a sua voz é tranquila e suave, mas a sua expressão está tão séria como nunca esteve antes.
Isaac olha para os olhos verdes de Daniel ainda chorando com uma expressão tomada pela dor.

Ele tenta falar, mas sua voz não parece querer sair, então ele abaixa a cabeça apoiando em seus joelhos.
— A minha… a minha mãe e a Elisa estão m-mortas. — Isaac diz com a voz abafada.
— Como?! Como isso aconteceu? Quer dizer….. — Daniel diz em choque, sem saber direito em como ajudar Isaac a se acalmar.
“Mortas? Elas realmente morreram? O que aconteceu?” Isaac pensa percebendo que ele não tem a menor ideia do que realmente está acontecendo com o mundo.
— Mortas? Elas estão… mortas? Grudadas? Juntas?
Ao dizer isto em voz alta, Isaac compreende o quanto tudo parece loucura, um sonho lúcido, ele levanta a cabeça e olha nos olhos verdes de Daniel com a expressão extremamente confusa, franzindo as sobrancelhas enquanto as lagrimas escorrem. Ele não consegue imaginar uma forma de explicar. Tenta gesticular com as mãos, mas tudo parece ser em vão.
— Elas se tocarão e então grudaram… grudaram — Isaac diz afirmando para si mesmo que essa era a melhor forma de definir
O lugar fica em silêncio, Daniel não diz uma palavra sequer. Ansioso, Isaac começa a tentar explicar cada vez mais, enquanto tenta se lembrar dos detalhes
— Elas virarão uma, a pele delas…. — Isaac não consegue continuar lembrando do que presenciou mais cedo.
Isaac faz uma expressão de nojo, e corre disparado para o banheiro. Daniel vai atrás dele, mas fica parado na porta do banheiro enquanto Isaac vomita na privada.
Até que escuta gritos na rua, Daniel quer dar suporte para Isaac, mas ele também precisava descobrir o que está acontecendo principalmente para poder ajudá-lo. Daniel corre até a janela de sua sala e olha para a rua. Um monte de pessoas grudadas passam em frente a sua rua, havia tantas pessoas grudadas juntas que pareciam um bolo de carne com um monte de pernas e braços com diversos olhos, não dava mais para diferenciar se era mulher, homem, ou crianças, que haviam ali, e aquilo o viu observando da janela. Daniel sente um arrepio percorrer todo o seu corpo, imediatamente abaixou-se e engatinhou para longe da janela e fechou as cortinas.
Agora ele havia entendido o que Isaac estava dizendo a ele. O porquê havia ficado tão desamparado para chegar naquele estado. Ele corre de volta ao banheiro que Isaac estava vomitando apenas para encontrá-lo sentado ao chão, acabado.
Isaac olha para Daniel com lagrimas ainda escorrendo, parecendo extremamente frágil e quebrado.
“Ele deve achar que estou louco” Isaac pensa.
Isaac espera que Daniel o olhe com julgamento, que diga que ele está pirando e prefere que realmente esteja enlouquecendo, mas tudo o que recebe é um olhar de pena. E silêncio, Daniel abre a boca para dizer algo, mas a fecha sem deixar uma palavra sequer sair.

Por mais que Daniel quisesse negar tudo. Aquele era o mundo deles agora, e negar a realidade não os ajudaria a sobreviver a ela, por mais cruel que isto fosse, eles não tinham outra alternativa a não ser continuar vivendo, vivendo por quem já se foi.
Após um dia, do ocorrido. Isaac se recusa a sair do banheiro, mesmo com Daniel insistindo para que ele saia e vá para a cama. Mas Isaac permanece imóvel, apenas encara Daniel após o mesmo dizer algo e o ignora, sem esboçar qualquer reação.
Daniel percebe o quanto Isaac está abalado e resolve deixá-lo sozinho um pouco para absorver melhor tudo o que aconteceu. Ele vai para o quarto em busca de reunir o máximo de informações possíveis através da internet, com as suas buscas ele encontra apenas algumas informações, algumas fornecidas por outros sobreviventes, outras pelo governo, e ainda assim são pouquíssimas, mas que valiam ouro. Daniel imediatamente pega um papel e começa a anotar tudo.
Contato com qualquer outro ser vivo que produza calor é estritamente proibido. (Nada de contato físico com animais ou seres humanos)
Quanto mais pessoa estão grudadas, mais perigoso é ficar próxima delas.
Os seres grudados perdem a consciência completamente de quem eram após 1 hora juntos, antes disso eles possuem mais um pouco de noção, mas é quase nula.
Para matá-los é necessário atingir o celebro dominante?
Após se acumularem, os cérebros ficam confusos e o que se sobressai é o puro instinto de sobrevivência.
Depois de um bom tempo pesquisando, isto é tudo que Daniel encontrou. Ao olhar pela janela, ele vê que já escureceu. O moreno se levanta decidido a fazer algo para Isaac e ele comerem.
No corredor, Daniel vê a porta do banheiro encostada, a luz do banheiro ilumina um pedaço do corredor. Ele se aproxima da porta e a empurra com cuidado para não fazer barulho, a porta dá um pequeno rangido, Daniel hesita um pouco, mas volta a abri-la e se depara com Isaac, dormindo, com a cabeça em cima da tampa da privada.
Ao vê-lo parecer tranquilo enquanto dorme, a expressão de Daniel suaviza. Ele volta ao quarto, pega a coberta da cama e cobre Isaac com delicadeza para não acordá-lo.
Daniel se abaixa e observa Isaac dormir por um tempo e pensa que seria bom se pudesse carregá-lo para a cama, invés de deixá-lo dormir no chão gelado.
— Desculpa… — Daniel diz com a voz carregada.
Ele se levanta e segue reto em direção à cozinha.
Isaac abre seus olhos azuis, e observa Daniel se distanciar cada vez mais.
“Desculpa?” Isaac pensa sem compreender o que isto significava.
O cheiro de café fresco preenche toda a casa. A barriga de Isaac ronca mesmo ele estando sem um pingo de apetite, para se abisme-te de senti o aroma, Isaac se aconchega na coberta, sentindo o perfume de Daniel invés do cheiro de café. De alguma forma, isto trouxe um pouco de conforto para Isaac mesmo com a mente perturbada.