Gabriel sem entender, olhou para baixo, vendo seu pai o levantando nos ombros.
— Então vamos lá garotão! Criar laços com o papai. — Disse Kalchas. — Acha que só você queria brincar assim? Eu também sempre quis isso. — Afirmou ele, levando Gabriel pelos ombros, até o bosque do castelo, onde ficaram até tarde.
Astradamas assistia tudo pela janela, Gabriel e Kalchas se divertindo pela primeira vez como pai e filho, ela sorria assistindo aquela paz momentânea, logo após indo ao pátio, onde Kaelis se aquecia para treinar sozinha, antes dos demais, se encontrando com ela, o pátio era amplo e aberto, tendo no seu centro uma enorme árvore ao lado de uma fonte com a escultura de um dragão em seu topo, o pátio é cercado por algumas pilastras.
— Ora, a mãe de Gabriel. — Kaelis comentou. — Como ele está aliás? — Ela se alongava, esticando a perna e flexionando o joelho, logo após se sentando e se esticando até tocar a ponta dos pés.
— Ora deixe disso, me chame de Astra. — Pediu. — E ele recebeu alta agora a pouco. — Informou ela
— Isso é ótimo Astra, e onde ele está agora? — Kaelis perguntou.
— No momento ele e o pai estão no bosque brincando juntos. — Seus olhos se encheram de brilho, e um sorriso sincero veio ao seu rosto. — É a primeira vez que ele pode abraçar, segurar Gabriel e brincar com ele sem que algo o restrinja.
Kaelis sorriu também.
— Eu consigo imaginar como deve ser, esse amor entre pai e filho. — Sua voz aparentava uma leve frieza, traumas de seu passado. — Deixe eles, vai ser até bom para o Gabriel, um alongamento para o que está por vir
A tarde veio, Gabriel e seu pai já estavam cansados de tanto correr, e após uma refeição, um dos guardas reais o instruiu a ir até o pátio, onde Kaelis e os demais heróis o esperavam. Ao chegar se encontrou com Kaelis, que estava ao lado de uma mesa coberta, com algumas silhuetas marcando diversas formas.
— Está pronto garoto? — Kaelis perguntou. — Hoje você dá o primeiro passo rumo a uma nova vida.
— Sim, estou! — Gabriel respondeu de imediato, sem hesitar.
— Bom, então vejamos qual arma você se adapta melhor. — Disse Kaelis, apontando para uma mesa com diversas armas para testar Gabriel. — Arco e flechas, lança, alabarda, machado, adaga, martelo, maça e a que você mais está familiarizado, a espada. — Kaelis apresentou todas as armas para Gabriel, que escolheu a espada, sem nem pensar duas vezes.
— Essa, é a mesma espada do meu pai? Mas como? — Gabriel perguntou surpreso.
— Bom, eu pedi pro Aeron reforjar ela, ele é um ótimo ferreiro, o melhor da região, imaginei que era uma espada importante para você. — Respondeu Kaelis apontando para Aeron que acenou para Gabriel.
Os demais heróis se aproximaram.
— Bom, parece que teremos mais um espadachim no grupo, junto da Kaelis e do Riven. — Afirmou Lilith.
— Mesmo tendo escolhido espada, você terá que treinar todas as demais. — Alastor respondeu.
— E depois irá treinar a respeito do Éter, mas isso ficará mais para a frente. — Disse Amara. — Eu e Lilith o ensinaremos sobre.
— Falando nele… — Comentou Aeron, olhando ao redor. — Alguém viu o Riven por aí? — Perguntou.
Ninguém soube responder, mas Kaelis fazia uma pequena ideia sobre seu paradeiro.
— Bom, já que ele não está aqui, eu irei te ensinar sobre a arte da espada. — Kaelis afirmou.
Gabriel segurou firme a espada, entrando em uma pose de guarda, que surpreendeu a todos.
— Ei, essa pose de guarda... — Murmurou Lilith.
— Não é a mesa que a da... — Comentou Aeron.
— Kaelis! — Afirmou Alastor.
Kaelis se surpreendeu ao ver Gabriel copiando sua pose, e replicando sua postura.
— Estou surpresa Gabriel, como sabe os meus movimentos assim? — Perguntou Kaelis enquanto brandia uma espada de madeira contra Gabriel, avançando e o golpeando.
— Eu assistia, os seus treinamentos e aquecimentos todos os dias lá do alto da enfermaria, mesmo não podendo treinar, eu estudei um pouco da sua técnica de combate e a dos outros, e a sua é magnífica. — Respondeu Gabriel, sendo pressionado por Kaelis.
— Fico lisonjeada por isso Gabriel. — Disse Kaelis sorrindo, dando uma rasteira nele, o fazendo cair no chão, e apontando a ponta da espada para ele. — Mas só copiar nossos movimentos não é o suficiente. — Kaelis o repreendeu, o ajudando a levantar. — Sem falar que minha postura não é tão aberta assim, você precisa manter os pés firmes no chão, e não balançar a espada no ar, grave uma coisa na sua cabeça, cada golpe deve carregar uma intenção, independente de qual for, você tem que ter certeza do que quer, e usar a sua espada para realizar esse vontade. — Kaelis o instruiu. — Então me diga Gabriel, o que você quer?
— O que eu quero? — Gabriel se perguntou, relembrando do pesadelo de ter sua vila invadida, seus pais atacados e quase morrer. — Eu quero manter a paz no mundo, para que nenhuma outra pessoa passe pelo que eu passei. — Gabriel respondeu com um olhar de determinação.
— Oh, o garoto disse sério. — Afirmou Aeron.
— Sim, até eu fiquei determinada por ele. — Respondeu Lilith.
Mas passos silenciosos se aproximaram repentinamente próximo a eles.
— Mas somente determinação não basta, e ele é só um garoto. — Era Riven, o desaprovando.
— Ei Riven, para de ser estraga prazeres. — Amara o repreendeu.
Gabriel firmou os pés no chão, e começou a adaptar sua base, uma própria para ele, junto a um estilo, com o auxílio de Kaelis.
— Bom, está um pouco cru, mas com o tempo você vai refinar ela. — Afirmou Kaelis. — Agora venha.
Gabriel foi para cima dela, com uma base e estilo próprios, não só defendendo os ataques como antes, mas agora conseguindo até mesmo contra-atacar.
— Ei, ele tá revidando. — Afirmou Amara surpresa.
— Muito frio... — Declarou Riven com desdém, se virando e saindo.
— Chatoo. — Amara respondeu, mostrando a língua para ele.
— Não seja impaciente, não desperdice movimentos, imponha sua vontade a espada e a use como uma extensão do seu próprio corpo. — Kaelis o instruiu.
Gabriel conseguia manter um duelo contra Kaelis, chegando perto de acerta-la algumas vezes.
— “Ela costuma se afastar saltando e caindo primeiro com a perna esquerda no chão.” — Gabriel a analisava.
Investindo contra ela, fazendo com que ela saltasse para trás, e antes de aterrissar, dando uma rasteira nela, a fazendo desequilibrar e cair.
— Isso! — Gabriel comemorou.
Os heróis se espantaram ao ver que Gabriel havia realmente acertado Kaelis, mesmo tendo só a desequilibrado.
— “Olha só… esse garoto.” — Kaelis sorriu, enquanto caia.
Gabriel estocou com a espada em direção a ela, mas antes de cair, Kaelis apoiou a mão no chão, chutando e o chutou na mão, o fazendo soltar a espada, e com a outra perna chutando sua perna o fazendo cair e se levantando após.
— Rift — murmurou Kaelis, seu olho brilhou em um tom de azul por um instante, fazendo a espada de Gabriel cair em sua mão, apontando para Gabriel caído no chão.
— Ele se saiu bem. — Lilith o parabenizou.
— Ele tem um bom Q.I. — Afirmou Alastor.
— Muito bem garoto, até me fez usar o Rift — Comentou Kaelis.
— Rift… arf…? O que é isso? — Gabriel perguntou arfando, enquanto Kaelis o ajudava a se levanar.
— Bom, essa será sua próxima aula. — Respondeu Kaelis, guardando as armas de volta na mesa.
— Rift, nada mais é do que um Thyr. — Afirmou Kaelis, Gabriel estava confuso.
— Thyr? O que é isso. — Gabriel perguntou confuso.
Kaelis olhou e acenou para Aeron, o chamando para perto.
— Bom Gabriel, Thyr nada mais é do que a força interior, a manifestação da sua vontade existencial, como por exemplo, quando enfrentou aquele orc, você sentiu suas feridas doem quando você se levantou? — Perguntou Kaelis.
— Bom, agora que você tocou no assunto, não. Não me lembro de sentir dor naquele momento. — Gabriel respondeu.
— Isso Gabriel, foi um Thyr, para ser mais exato, foi o Thyr Excidium. — Aeron afirmou. — Esse Thyr remove temporariamente as limitações subconscientes do usuário, como a dor que você não sentiu no momento, ela também cura temporariamente, fechando feridas, sangramentos, reforçando os ossos quebrados e arrumando à força articulações deslocadas, podendo também induzir o usuário a uma insanidade ou fúria descontrolada, similar a um berserker, mas todo esse ímpeto vem com um custo, um rebote que sempre cobra logo após seu uso, no seu caso, você se manteve inconsciente durante quatro dia. — Explicou.
— O outro, que eu pude sentir em você, mesmo inconsciente, foi o Thyr Impetum, é um Thyr ofensivo, usado para revestir o próprio corpo, armas e outros objetos, os fortalecendo, dependendo do nível, são capazes até mesmo de atravessar até o aço como se fosse uma folha de papel. — Kaelis explicou. — Foi assim que você conseguiu atravessar a cabeça do orc e o derrotar.
— Bom, se for mesmo verdade que você tem esses dois Thyr, sendo o Excidium um tipo raro, você tem um potencial enorme. — Respondeu Aeron com um sorriso no rosto.
— Existem outros tipos de Thyr, cada um deles sendo a imposição da própria vontade sobre o mundo, sendo eles Sentire, que aprimora os sentidos, possibilitando a pessoa até mesmo a sentir intenções, antecipar movimentos e sintir presenças ocultas, dito também que aqueles que dominam o Sentire, ao enfrentar um oponente, não lutam, contra eles, mas sim dançam ao compasso de seu próximo movimento. — Afirmou ela. — Gabriel, coloque as mãos para trás, e faça alguns números com os dedos, eu irei adivinhar quais são. — Disse Kaelis.
Gabriel escondeu os dedos e começou a levantar os dedos enquanto Kaelis adivinhava quantos ele havia levantado.
— 3, 2, 4, 9, 6, 8, 1e 7. — Surpreendendo Gabriel.
— Uau, você realmente acertou todos! — Exclamou ele.
— O próximo é Aegis, capaz de manifestar barreiras, redirecionar impactos e até mesmo erguer muros invisíveis contra ataques, aqueles que o dominam podem proteger até mesmo pessoas distantes dela. — Explicou Kaelis acenando para Aeron.
Ele a socou, mas sua mão parou no ar antes mesmo de a atingir, logo após pegando uma pedra do chão e arremessando contra ela, fazendo a pedra ricochetear no mesmo instante.
— Junto do Impetum e Sentire, esses três são os Thyrs comuns, onde todas as pessoas são capazes de despertar, através de algum treino ou algum gatilho. — Afirmou ela. — Os próximos são os mais raros, Vita, capaz de manipular a energia vital dos seres vivos a sua volta, para curar, purificar ou até mesmo quebrar maldições. — Afirmou Kaelis arrancando uma flor do chão e a colocando no chão ao lado da fonte, mantendo a mão nas suas folhas, emanando uma sutil aura verde e dourada, fazendo a flor se enraizar novamente ao solo e permanecer viva.
— Junto do Vita, tem o Excidium, que você despertou anteriormente, e o Thyr Rift, que eu usei contra você antes. — Afirmou ela, caminhando ao redor de Gabriel.
— Rift é uma manipulação sútil do espaço, usado para encurtar distâncias, como eu fiz para chegar até você contra a horda de orcs outro dia e a pouco para fazer a sua espada se redirecionar para a minha mão. — Afirmou Kaelis, com receio de contar sobre os dois últimos. — E por fim, dois que não possuímos total conhecimento sobre, mas em antigos livros, e registros, há boatos de dois que foram classificados como mitos, um dito como ser capaz de criar qualquer coisa do nada, e outro como capaz de remodelar o mundo a sua própria vontade, mas são apenas boatos. — Kaelis contou. — E como você foi capaz de despertar um Thyr comum, e um raro sozinho, você deve ser capaz de despertar, ou manifestar os outros 4.
Gabriel estava perplexo, os olhos brilhando, junto a um sorriso de empolgação.
— Que demais… — Comentou. — E eu vou ser capaz de usar todos esses Thyrs? — Perguntou empolgado
— Com o treinamento certo, talvez. — Respondeu Aeron esfregando sua cabeça.
— Seu primeiro treinamento, será sobre o Sentire. — Afirmou Kaelis, vendando os olhos de Gabriel. — Eu irei rodear você, e quero que me diga onde eu estou quando eu parar de me mover.
— Certo! — Gabriel assentiu.
Kaelis começou a dar voltas por Gabriel, parando e perguntando sua posição a ele.
— “Eu consigo ouvir seus passos claramente.” — Gabriel estava concentrado.
— Na minha frente. — Gabriel respondeu.
— Muito bem. — Kaelis o parabenizou.
Gabriel conseguiu acertar todas as vezes.
— Agora, eu vou ocultar minha presença totalmente. — Declarou ela.
— “Não consigo mais ouvir ela, não sei onde ela pode estar.”
Gabriel estava inquieto, por não conseguir rastrear ela, sendo golpeado por Kaelis logo após.
— Aii, pra que isso? — Perguntou Gabriel com dor.
— Se não conseguir notar minha presença eu irei te golpear com o Impetus, agora o seu objetivo não será só me rastrear, será desviar dos meus ataques. — Kaelis respondeu.