- Onde você está? Precisamos fazer compras, a geladeira está vazia. – Ouço Mônica perguntar do quarto.
- Tô aqui, relaxa. A gente pode pedir algo pra comer. – Digo encostado no balcão da cozinha, mexendo no celular.
Levanto o olhar ao ouvir sua voz. Guardo o celular no bolso ao vê-la sair do quarto e passar a mão pelos cabelos bagunçados.
- A geladeira não tá tão vazia assim. Tem refrigerante e pão. – Digo desviando o olhar.
- Já estou gorda de tanto comer pizza e todas as coisas que pedimos fora. – Ela responde.
- Não tá gorda não. É puro músculo de tanto reclamar. – Digo sorrindo. – Pega isso então. Vitamina natural. – Jogo uma maçã da fruteira em sua direção.
- Você sabe que odeio maçãs, faz isso pra me provocar. – Ela diz jogando a maçã de volta.
- E funciona perfeitamente. Adoro ver você fazendo cara feia. – Digo pegando a maçã e dando uma mordida. – Talvez eu devesse comprar só maçãs agora.
- Vou jogar todas na sua cabeça. – Ela diz irritada.
- Ei, ei! Cuidado com a decoração! – Recuo fingindo medo, segurando a maçã como um escudo do rosto.
- Verdade, pelo menos pra decoração sua cara tem que servir. – Ela diz rindo.
- Tô brincando, calma. Vamos comprar o que você quiser. – Falo ao ver que consegui fazer ela rir.
- Que tal sairmos ao invés disso? – Ela sugere, me pegando de surpresa.
- Sair? Tipo um... encontro?
Levanto uma sobrancelha intrigado. Somos amigos de infância e dividimos um apartamento, mas muito raramente saíamos a sós, ainda mais justamente no dia dos namorados. Ela cruza os braços, me analisando com curiosidade após minha pergunta.
- Não, é que pensei que você tivesse trabalho hoje. – Digo sorrindo tentando esconder meu nervosismo.
- Eu sou escritora, posso trabalhar mais tarde. – Ela responde com uma risada leve visivelmente relaxada.
- Ah, esqueci que você é aquela que fica digitando até tarde. – Digo já pegando as chaves do apartamento do gancho na parede.
- Tem algum lugar específico em mente? – Ela pergunta.
- Churrasco coreano? – Os olhos dela se iluminam com a sugestão, e ela sorri amplamente.
- Coreano? Perfeito! Aquela churrascaria perto do parque no lago? – Ela pergunta animada.
- Essa mesmo. Só me dá um minuto pra trocar essa camiseta.
- Veste algo leve, está quente hoje, vou me trocar também. – Ela diz indo para o quarto.
- Tudo bem. Vou colocar aquela camisa azul que você gosta. – Digo baixinho.
- Não demora muito! Estou morrendo de fome. – Ouço ela dizer enquanto troco de roupa.
- Ah! Meu vestido é o mesmo tom de azul. – Ela diz ao nos encontrarmos de novo na sala. – Agora parecemos o quê? Gêmeos? – Ela tem uma expressão divertida no rosto e não posso evitar sorrir.
- Gêmeos? Imagina se fossemos gêmeos... – Digo, balançando a cabeça. – Vamos ser o casal de vestido azul hoje. As pessoas vão achar estranho.
- Casal? – Ela pergunta e um leve rubor surge em suas bochechas. – Casal que anda com roupa combinando seria a primeira vez pra mim.
- Primeira vez pra você? E pra mim também. – Sorrio maliciosamente.
- Vamos causar sensação na rua. – Ela passa a mão pelo cabelo, tentando conter o riso. – Ah! Por falar em casal a churrascaria está com um desconto para casais por causa do dia dos namorados, podemos fingir um namorico e comer muito pagando menos.
- “Namorico” falso? Isso me parece... interessante. – Digo em um misto de confusão e excitação.
- Sempre dá pra tirar proveito do capitalismo em datas como essa. – Ela diz determinada.
- Vamos mostrar como se comporta um casal apaixonado, então. E economizar dinheiro. – Digo também determinado.
- E o que você sugere? – Ela pergunta com um olhar travesso.
- Para começar, vamos andar de mãos dadas, é claro. – Seguro sua mão ao dizer isso e sei que estou brincando com o fogo, pois sinto meu corpo inteiro ferver.
- E trocar olhares apaixonados quando os garçons estiverem por perto. – Ela diz com malicia em seus olhos.
- Me parece uma boa ideia. – Não consigo deixar de sorrir, parece que tenho um cabide na boca. – Pronta para entrar no personagem? Não se esqueça de parecer apaixonada, talvez até te dê um beijo na bochecha de vez em quando.
- Não sei se vai ser na bochecha já que você não para de encarar meus lábios.– Ela se aproxima mais, baixando a voz.
- Eu? – Digo fingindo surpresa, mas sem desviar o olhar dos seus lábios. – Não é minha culpa se eles são tão... chamativos. Mas vamos manter o foco. Churrasco primeiro, flerte depois. – Digo tentando recuperar a compostura.
- Quem está flertando com você? – Seus olhos continuam mostrando malícia, e agora minhas bochechas é que estão ruborizadas.
- Você mesma, com esse vestido e toda essa ideia de fingir.
- Não é culpa minha se fico linda vestindo qualquer coisa. – Ela diz me dando uma piscadela.
- Vamos logo antes que eu mude de ideia sobre esse namorico falso. – Pego as chaves novamente, agora mais nervoso.
- Ok, não precisa ser tão mandão. – Ela revira os olhos, mas há um sorriso em seu rosto.
- Não estou mandando, estou... incentivando. – A noite mal começou e já sei que essa mulher definitivamente vai me deixar louco de vez. Abro a porta do apartamento e gesticulo para ela passar.
- Depois não diga que eu não te avisei sobre o beijo. – Ela diz ao passar por mim. – Vamos ver se você resiste ao meu charme natural.
- Charme natural? Agora estou curioso para ver isso. – Lhe lanço um olhar desafiador enquanto caminhamos pela calçada. – Aposto que você vai desmoronar antes de mim.
- Vamos fazer uma aposta de verdade, então? – Ela sugere caminhando de costas enquanto me encara.
Mônica nunca foi de fazer esse tipo de provocações, algo está diferente nela. Seus olhos brilham mais que as estrelas e ela sorri dissimuladamente, nesse momento decido deixar o nervosismo de lado – não que isso seja fácil, - e entrar no jogo
- Adoro apostas. Qual seria o prêmio? – Pergunto a encarando de volta. – O perdedor tem que fazer algo humilhante?
- Nada disso, o perdedor paga a conta. – Ela diz voltando a caminhar ao meu lado.
- Você é muito mercenária. Mas tenho pena, isso é quase fácil demais. – Com uma risada confiante completo: - Aceito totalmente.
- Prepare-se para gastar todo seu dinheiro comigo hoje. – Ela diz com um ar convencido.
- Acho que vou economizar um bom dinheiro hoje. – Digo segurando sua mão ao chegarmos ao restaurante.
- Sonhe mesmo. Vou pedir o menu completo. – Ela afirma.
- E vou comer devagar para aproveitar cada segundo da sua carteira vazia. – Me inclino para ela e sussurro ao abrir a porta.
- Talvez eu coma devagar também já que você acha meus lábios tão... chamativos. – Ela sussurra de volta.
Engasgo levemente, tentando manter a compostura enquanto entramos no restaurante. Sinto minhas bochechas corando e isso me deixa estranhamente competitivo.
- Não jogue sujo antes da hora. Mesa para dois, por favor. – Digo ao garçom que nos recebe. – O mais reservado possível.
- Reservado pra que só eu possa ver sua derrota. – Ela diz ainda entre sussurros.
- Minha derrota? Você está com muita confiança. – Puxo uma cadeira para ela, aproximando-a mais do que o necessário. Me sento perto o suficiente para que minha perna toque seu joelho de leve. – Vamos ver se consegue se concentrar no jogo comigo tão perto assim.
- Mas isso quer dizer que eu também estou bem perto... – Ela diz se inclinando em minha direção.
- E o que isso muda? Você está nervosa comigo tão perto? – Me inclino ainda mais, com seu rosto ficando a centímetros do meu posso ver seu rosto ainda mais ruborizado. – Parece que alguém já está perdendo o foco.
- Nada disso, comigo tão perto meu charme vai ficar mais evidente, não são só meus lábios que vão parecer "chamativos"... – Ela sorri maliciosamente, mantendo contato visual intenso.
- Chamei sua atenção para os lábios, não para todo o pacote. – Tomo um gole de água, mas engulo a seco tentando disfarçar meu nervosismo. Ela tem razão, não vai ser fácil resistir ao seu charme.
- Foi você quem falou sobre meu vestido. – Ela diz virando sua atenção para o cardápio.
- Mas vamos ver até onde esse charme vai quando você estiver pagando a conta. – Também começo a analisar o cardápio.
- Se bem que tão perto assim você pode ver todo o “pacote”, vamos ver se você vai manter essa pose de durão quando sua carteira estiver chorando.
- Meu dinheiro não chora. Ele é... estratégico. – Tento manter a expressão controlada, mas meus olhos me traem um breve momento de fraqueza. Respiro fundo, tentando recuperar a compostura. – Vamos pedir algo para beber enquanto planejo como destruir você nesta aposta. – Digo fechando o cardápio e chamando o garçom.
- Peça, mas ainda não definimos o movimento decisivo da aposta, o que você sugere?
- Vou querer soju. E para o movimento decisivo... O primeiro que conseguir resistir aos encantos do outro, perde. – Sugiro.
- Não deveria ser o primeiro a ceder aos encantos do outro? – Ela se inclina novamente, sussurrando com um sorriso malicioso.
- Interessante. O primeiro a se entregar perde. – Sei que entrei em um jogo perigoso, mas não posso evitar, é mais forte que eu. Estendo a mão para selar o acordo.
- Mas não pense que vai ser fácil me fazer ceder. Tenho resistência de ferro.
Ela diz exalando confiança, o que acende a competitividade em mim, mas ao mesmo tempo me deixa mais ainda a sua mercê nessa aposta arriscada. Sempre fomos competitivos um com o outro e sempre fizemos apostas sobre todas as coisas possíveis e um flerte casual no meio disso era normal, mas sinto que dessa vez é diferente, não estou apostando apenas um jantar, mas meu coração, é perigoso e excitante, estou viciado nesse sentimento.
- Isso é o que vamos ver. – Apertamos as mãos com firmeza, nos encarando com olhares desafiadores.
- Vamos ver mesmo. Não sou qualquer uma que cai fácil. – O garçom chega com as bebidas, interrompendo o momento intenso.
- Vamos brindar à minha vitória adiantada? – Digo levantando o copo.
- Vamos brindar à minha, já que é muito difícil resistir a mim. – Ela diz sussurrando em meu ouvido. Estremeço levemente com seu sussurro.
- Confiança demais é convite para frustração. – Tento parecer inabalado, mas sei que meu rosto queima fortemente. – Brindemos à queda iminente de alguém que acha que pode me conquistar.
- Você se acha a última bolacha do pacote Dudu, mas lembre-se que ela é sempre esfarelada. – Ela diz pegando um copo d’água.
Quase engasgo com o apelido, olhando-a com uma mistura de irritação e diversão solto uma risada nervosa.
- Dudu? Isso é novo. Esfarelado? Está desesperada para diminuir meu valor? – Viro o copo de soju na boca. – A esfarelada vai ser você quando perceber que não consegue resistir a mim.
- Desesperado parece você, bebendo soju com quem bebe água. – Ela faz um gesto provocativo com o copo
- Eu bebo pra ter coragem de lidar com a sua irritabilidade.
- Uhum, sei! Não vou beber soju, esse restaurante também serve sakê, vou chamar o garçom. – Ela coloca a mão em minha coxa leve e rapidamente para me sentar direito, acho que realmente coloquei nossas cadeiras próximas demais.
- Sakê? Mais suave que o soju, como você. – A observo chamar o garçom, meu olhar traçando cada movimento seu. – Tome cuidado com o álcool. Não quero ganhar porque você não consegue se controlar.
- O álcool traz a verdade de dentro das pessoas Dudu, soju é mais forte, daqui a pouco vamos saber a sua verdade. – Ela diz baixinho encarando meus lábios e dando um sorriso travesso.
- Minha verdade? – Tento manter o controle enquanto meus olhos descem brevemente para seus lábios. – Eu sou completamente honesto. E você vai descobrir que sou perfeitamente resistente ao álcool... e aos seus joguinhos.
- O álcool é forte e você é resistente, mas eu posso ser inebriante. – Sinto seu perfume quando ela se aproxima para mover uma mecha de cabelo da minha testa, “inebriante” é eufemismo.
- Tente o quanto quiser. Estou acostumado a lidar com pessoas... inebriantes. – Digo com a respiração ficando levemente irregular.
- Na verdade, tem algo que eu quero dizer... – Ela fala ficando tímida de repente. – E hoje é dia dos namorados, então pensei...
- Você não é a primeira que pensa poder me dominar assim. – Digo acreditando que é mais uma jogada dela.
- Eduardo. – Ela diz séria e não consigo entender seu comportamento de hoje.
- O que foi? Está perdendo a confiança tão cedo? – Tento provocá-la, mas há um leve tremor em minha voz.
- Você parece nervoso. – Ela dá um sorriso sem graça, me deixando ainda mais confuso. – Eu só ia dizer que lá vem a comida.
- Nervoso? Você precisa melhorar suas observações. – Endireito a postura rapidamente, forçando uma risada. – E não me interessa se está vindo comida ou não. Eu estou concentrado no jogo.
- Foi você quem disse que primeiro a comida e depois o flerte, mas parece que está ansioso para perder. – Ela diz desviando o olhar do meu e tenho a impressão de que sua auto confiança diminuiu.
- Eu não estou ansioso para nada. Só quero terminar isso logo. – Sirvo uma porção generosa de comida em meu prato. – Flertar pode esperar. Primeiro a estratégia.
- Sei. Se fosse assim você teria me servido primeiro, tsc tsc tsc nada galante. – Congelo por um momento, percebendo meu erro.
- Isso não prova nada. Eu só não queria servir você. – É isso, hoje é o dia em que ela vai me deixar louco de vez. – Não preciso de galanteria para ganhar. Sou mais eficiente assim.
- Ah... está tentando se fazer de difícil. – Ela diz colocando comida em meu prato. – Só a gentileza vence esse tipo.
- Não estou tentando ser nada! E eu não preciso que você me sirva. – Digo em um tom irritado e frustrado empurrando o prato com mais força que o necessário. – Gentileza não vence nada. Você está confundindo as coisas.
- Agora está com raiva? – Ela diz encostando o cotovelo na mesa e apoiando a cabeça com a mão me encarando. – Não seja um mal perdedor, isso não é nada sexy.
- Eu não estou com raiva. Estou impaciente com sua arrogância. – Respiro fundo e preciso de força para conseguir desviar meu olhar do seu. – E não preciso ser sexy para você. Este jogo não é sobre isso.
- E sobre o que é? Dudu? – Ela pergunta provocando.
- É sobre quem é mais forte mentalmente. Quem não cede. – Me inclino para frente deixando nossos rostos mais próximos novamente. – E pare de me chamar assim. Não combina comigo.
- E que tipo de apelido combina melhor com você? – Ela diz aproximando ainda mais seu rosto do meu onde nossas respirações começam a se misturar.
- Nenhum. Eu tenho um nome perfeitamente normal. – Sinto meu coração errar as batidas, mas tento manter a compostura. – Não preciso de apelidos infantis. Principalmente os seus.
- Agora você está sendo grosso por nenhum motivo. – Ela diz se afastando e cruzando os braços.
- Não estou sendo grosso. – Solto um suspiro frustrado e passando a mão pelos cabelos. – Estou sendo honesto. Você que insiste em me provocar sem motivo. É exaustivo.
- Devo ir embora então? Se minha companhia te deixa exausto... – Não é uma provocação, posso ver que minhas palavras a magoaram.
- Não foi isso que eu quis dizer. – Digo suavemente percebendo que passei dos limites. – É só que... você me deixa confuso. E quando estou confuso, falo besteira.
- Sobre o que está confuso? Claramente quer me beijar esta noite. – Ela diz ainda séria, sem provocações e seus olhas descem até meus lábios. Fico momentaneamente sem palavras, meus olhos fixos em seus lábios rosados e muitíssimo beijáveis.
- Não é tão simples assim. As coisas entre nós nunca foram simples. – Tento desviar o olhar, mas falho miseravelmente. – E não é sobre querer ou não. É sobre... consequências.
- A consequência de hoje é a conta do jantar. – Ela fala quase hesitante.
- É claro que você pensaria em dinheiro neste momento. – Forço uma risada curta, mas minha voz sai mais rouca do que pretendia. Finalmente consigo desviar o olhar e encaro a comida na mesa. – A conta não é o problema. O problema é o que vem depois.
- Eduardo, vamos parar com esse relacionamento ambíguo. – Ela diz e sua voz soa rouca. – Era isso que eu queria falar hoje, ou pelo menos algo do tipo...
- Relacionamento ambíguo? – Levanto o olhar rapidamente, surpreso com sua franqueza. – Isso é o que você chama? – Solto uma risada nervosa, não sei o que está acontecendo agora. – Nós mal conseguimos conversar sem brigar. Não tem relacionamento nenhum.
- Se é assim que você pensa... Esqueça a aposta, perdi a fome.
Ela coloca o dinheiro da conta na mesa e sai do restaurante em direção ao parque. Fico paralisado por um momento, observando ela se afastar. Minha mente alterna entre surpresa e confusão.
- Espera! Mônica... – A sigo apressadamente para fora do restaurante. – Não foi isso que eu quis dizer! Volta aqui!
- E o que você quis dizer? – Ela me encara e seus olhos estão avermelhados e suas bochechas vermelhas.
- Eu... eu não sei explicar. – Paro a alguns passos dela, tenso e sem palavras.
- É complicado. Você me confunde. – Passo a mão pelos cabelos, frustrado com minha própria incapacidade de expressar o que sinto. – E quando estou perto de você, tudo fica mais confuso ainda.
- O que é confuso? – Ela suspira profundamente, seus olhos encarando os meus com intensidade.
- É confuso como você consegue me irritar tanto e, ao mesmo tempo, me fazer querer estar perto. – Dou um passo hesitante em sua direção. – É confuso como sinto ciúmes de qualquer pessoa que te olhe, mesmo quando estamos brigando.
- E por que briga? Por que não é sincero? Se te incomoda tanto me ver com outra pessoa, então... – Ela diz com sua voz baixando para um tom mais vulnerável.
- Porque tenho medo, ok? Medo de ser rejeitado. Medo de estragar tudo. Medo de que você não sinta o mesmo. E então eu perco até mesmo nossa amizade. – Ao dizer isso sinto que respiro pela primeira vez em muito tempo.
- Você me vê flertando com qualquer um? É humilhante o quanto me joguei em cima de você esta noite só pra ser rejeitada assim. Você realmente não percebe? Nem foi só essa noite...
- Não é humilhante... é que eu não acreditei. – Digo em um misto de culpa e surpresa. – Nunca imaginei que você poderia... – Dou mais um passo em sua direção, agora apenas a centímetros de distância. – Eu vi como você é com os outros. Como eu sou diferente.
- Você é diferente, todos vem e vão, mas você sempre fica. Acha que não percebo? Que não valorizo. Eu também tenho medo, mas reuni coragem. – Ela dá um passo em minha direção quase acabando com a distância entre nós.
- Eu fico porque não consigo ficar longe. Mesmo quando você me irrita. – Meu coração está acelerando com a proximidade. Meus olhos buscam os seus com intensidade, mas ainda hesito por um momento antes de confessar. – Fico porque gosto de você mais do que deveria.
- Então não seja ambíguo. Prove! – Ela diz quase em tom de súplica.
- Você quer que eu prove? Então vou provar.
Sinto uma determinação que nunca imaginei ter dentro de mim. Sem mais hesitação, seguro seu rosto em minhas mãos. Me inclino fechando a distância entre nós com um beijo intenso e decidido. Quase sinto arrependimento por não ter feito isso antes, mas seu toque me leva para uma dimensão onde, de repente, tudo parece certo, tudo parece no lugar. Ela reivindicou meu coração, e sem mais resistência eu cedi completamente.
- Você perdeu a aposta... – Ela sussurra ao me abraçar.
- Acho que perdi bem mais que uma aposta. – A tensão que esteve em meu corpo por todos esses anos se dissipa completamente quando afundo meu rosto em seu pescoço. – Mas valeu cada segundo.
- Você é meu agora? – Ela pergunta sem soltar o abraço. Eu a seguro ainda mais perto, minha respiração quente contra sua pele.
- Sempre fui seu. Só que agora você pode admitir que sou. – Me afasto apenas o suficiente para olhar em seus olhos. – Não vou a lugar nenhum, Mônica.
- Então aceite ser chamado de Dudu e fique ao meu lado! – Ela sorri antes de me dar um selinho.
- Dudu? Sério? Você vai mesmo me chamar assim? – Reviro os olhos, mas não consigo deixar de sorrir. – Tudo bem, eu aceito. Por você qualquer coisa!