São nossas memórias que nos fazem sentir vivos, não é?
Quando olho para minha pequena amiga Rubi dormindo ao relento, penso que já passamos por coisas demais juntas. Pego mais um cobertor e coloco por cima dela, que já tremia há alguns minutos. Deixo apenas o focinho de fora.
Ela vive em mim e eu nela... acredito que seja isso que nos desperta um instinto de proteção fraternal. Ela insistiu em me acompanhar nesse frio, então é o mínimo que posso fazer.
Não há muitos lugares seguros neste mundo. Mesmo que a natureza seja abundante e as paisagens sejam de tirar o fôlego, o perigo espreita em cada esquina, em cada arbusto, em cada poça d’água. No entanto, mesmo sem lugares seguros, há vínculos seguros. Consigo sentir segurança perto dela. É o que me dá forças para seguir em frente.
“Em algum momento da noite, ergue-se o Fantasma da Meia-Noite”
Foi o que o velho senhor ferreiro me disse pela manhã. Passamos o dia nos preparando. Por que não é à merda da meia-noite que aparece o Fantasma da Meia-Noite? Por que deram esse nome, afinal? Já são duas horas da manhã, tá frio e não há nem sinal dele.
Neste mundo vivo, até um monte de ferro-velho pode ter vida. Por isso acreditei quando Rubi insistiu para que esperássemos aqui, em frente a esse monte de engrenagens enferrujadas, longe da cidade. Ela é bastante sensitiva para energia espiritual.
Uma hora depois, finalmente, um pequeno redemoinho de vento se formou acima daquele monte de ferro-velho. Era o tal “Fantasma”. Suspeitei que era da classe Metal quando ouvi a descrição, mas uma combinação com Vento não é tão comum. Sorte que eu trouxe o Charge comigo...
O redemoinho tomou forma de uma espiral com as engrenagens “vestindo-o” de cima a baixo. Duas delas, maiores, destacavam-se como se fossem “braços” de cada lado do Fantasma.
— Acorda, Rubi! O Fantasma apareceu.
— Mais cinco minutos...
Vejam só... ela estava confortável mesmo nesse frio. Ela também se sente confortável comigo por perto. Já me disse isso em várias situações.
— “Mais cinco minutos” é o cacete! Levanta! Vamos lutar.
Relutante, ela se levanta. Bem na hora. O Fantasma atacou com tudo, muito rápido, e destruiu a árvore onde eu me apoiava. Conseguimos desviar, uma para cada lado.
No início, seria impossível desviarmos disso... até me traz memórias...
É... Acho que vou acabar escrevendo um livro sobre minhas aventuras em Elysia. Já venho pensando nisso há algum tempo, é uma boa forma de guardar memórias. Quero que este mundo viva ainda mais e para mais pessoas...
Mas sempre penso: "Qual seria o nome desse livro?..."
Enquanto eu pensava, o Fantasma preparava um novo ataque, um redemoinho de vento se formava perto de mim. Não recuei, pelo contrário. Em uma investida rápida, vou em direção ao inimigo. O tempo passa mais devagar quando ativo esse poder; começo a pensar novamente.
Que tal... "A Grande Fábula de Elysia"? Não... muito egocêntrico... Já sei!! "A Campeã de Elysia"!!