O sol de meio-dia já estava forte no mais alto do céu. A entrada da caverna e as palmeiras próximas cobriam de sombra a fogueira onde estavam Fabi e Helen. A sereia Neris e a... mão... Pugno brincavam de Pedra-papel-tesoura. Psitta estava apenas do lado da fogueira, sentado em um tronco de árvore, incomodando a quem ele quisesse incomodar.
— Se você não lembra nada, como é que tá preparando tão bem essa decápoda? — questionou Psitta, encucado com Fabi.
Ela ficou com a missão de limpar a lula — ou decápoda, como disse o pássaro — que Neris capturou. Parecia saber por instinto; não se questionou nem por um segundo como fazê-lo, logo colocou o corpo da lula em cima de uma rocha próxima e iniciou, com movimentos precisos, os cortes necessários.
— Não sei. Devo ter muito talento natural — respondeu Fabi, meio debochante, meio irônica. Se acostumou rápido ao papagaio tagarela nessas últimas horas.
Do outro lado daquela fogueira, Helen cortava os pedaços da cobra e os colocava em espetos no fogo. Tirava várias facas e facões, tábua de corte e uma serra. Ao lado dela, estava o corpo do javali que Pugno trouxe. Ao que parece, Helen só precisaria do couro dele, por algum motivo que ela não quis perguntar.
Fabi reparou na diferença daquele javali para o animal que ela lembrava... lembrava? Nem tanto lembrava. Mesmo assim, não perguntou nada sobre. Suas memórias estavam tão embaralhadas que achou melhor lidar com elas sozinha, neste momento.
Não apenas as memórias a atormentavam, mas os conhecimentos adquiridos. Pouco antes de iniciar os preparativos do almoço, todos se reuniram em volta da fogueira para uma sessão de tira-dúvidas e uma chuva de informações caiu na mente nublada de Fabi.
♦| ▼ Δ ▼ |♦
— Você consegue escutar o que Neris e Pugno falam? — questionou Helen.
— Não sei... acho que sim. Preciso que falem de novo para eu confirmar — respondeu Fabi, confusa.
Ambas olharam para a sereia de pelúcia, que estava deitada na areia, alisando o cabelo e sem prestar atenção na conversa. Quando percebeu os olhares, encarou por dois segundos Helen e perguntou:
— O que foi? Se admiraram com minha beleza?
— É... eu entendi o que ela falou. — Fabi ignorou o que a mini-sereia falou e dirigiu-se à Helen.
— Incrível! — respondeu Helen, com uma empolgação contagiante. Seus olhos pareceram ganhar uma cor amarelada brilhante, como se virassem estrelas naquele momento. — Nunca ouvi falar de alguém que entendesse a Linguagem dos Daimons! Você sempre conseguiu?
— Não sei... não lembro... Daimon? São esses... animais que falam? — perguntou Fabi, apontando para o lado onde estavam os três pequenos monstrinhos. — E você não entende eles também?
Helen olha para Psitta como se procurasse a melhor resposta. Seu olhar era de preocupação. A ave, no entanto, já tinha essa resposta na ponta da língua.
“Papagaios tem língua?” — Antes mesmo de Fabi concluir esse pensamento, Psitta questionou:
— Posso contar uma história que minha mãe me contava no ninho? Acho que vai te ajudar. — Fabi assentiu com a cabeça. — Também era uma época em que eu não sabia nada do mundo lá fora, assim como você... — Psitta colocou óculos de acadêmico e começou, em tom professoral:
“Em uma era antiga, nesta mesma terra... havia apenas os daimons, que viviam em conflito... entre eles, os sete mais antigos tinham tamanho poder que eram vistos como divindades: os Archidaimons. As lendas diziam que aquele Daimon que derrotasse os sete Archidaimons teria um desejo concedido pela própria deusa que dá nome a esta terra, Elysia. Cada raça de daimon se digladiava para eleger os mais poderosos entre si e entre os outros para definir aqueles que teriam a chance de desafiar os Archidaimon. Aquele que se destacava como o mais poderoso entre os Daimons era eleito, de tempos em tempos, como o Campeão de Elysia. O mais forte, o mais rápido, o mais tenaz, o mais sagaz, vários enfrentaram os sete desafios. Eras se passaram e nenhum Campeão derrotara nem mesmo um único Archidaimon.
Então, finalmente um Campeão se ergueu da raça mais fraca. Sem poderes estrondosos, não era o mais forte, o mais rápido, o mais tenaz e nem o mais sagaz. Tinha apenas uma habilidade especial... a capacidade de criar vínculos com outros daimons e guiá-los em batalha. Através apenas da comunicação, aquele Campeão podia comandar outros daimons para que se submetessem. Os daimons se fortaleciam com o vínculo e fortaleciam o Campeão, cada vez mais. Esse foi o primeiro a vencer um Archidaimon. Não foi necessário que mais uma era se passasse antes que o Campeão daquela raça superasse as sete divindades. Como diziam as lendas, chegou o momento de seu pedido para a tenra Deusa Elysia. E então, o pedido do Campeão de Elysia foi que sua raça tivesse paz e prosperidade pelas próximas eras nas Terras de Elysia.
A Deusa garantiu o pedido daquele Campeão, garantindo fartura, fertilidade e fortuna para aquela raça. No entanto, temerosa de que essa ação desequilibrasse seu mundo, a Deusa Elysia ceifou algo importantíssimo para a criação dos vínculos com outros daimons: a comunicação. Os Humanos, como ficaram conhecidos os seres daquela raça, não mais poderiam se comunicar na mesma língua dos Daimons. Desde então, salvo algumas raras exceções, daimons não conseguem entender a linguagem humana e vice-versa. Os vínculos deveriam ser criados por meio de convívio, paz, carinho e boas relações entre os Humanos e Daimons.”
Apesar de atenta, nada veio à cabeça de Fabi. Nenhuma pista de seu passado em meio aos mil pensamentos. Helen observou Fabi vidrada enquanto escutava a lenda e também notou que história não despertava nenhum gatilho para que sua memória voltasse. A face em seu casaco, até então sorridente, muda para a “face da tragédia”, uma cara triste.
— Parece que você perdeu toda a memória mesmo, para não lembrar de algo assim.... Daimons são todas as formas de vida consciente em nosso mundo, exceto nós, que não entendemos sua linguagem. Eu consigo entender, pois o meu cas... pois eu também sou especial. — Fabi percebe a hesitação na fala de Helen, mas prefere ignorar.
“Não sei nada, ainda... vamos... tente entender... junte as informações que você vê e que você pode.” — dialogando consigo mesma, Fabi olhou a sua volta antes de perguntar.
— Onde eu estou?
— Península de Lira, no oeste de Ode. — respondeu Helen, seca e direta.
Fabi se sentia uma criança descobrindo um mundo novo e sem as memórias de infância. Seu olhar entregava a confusão, enquanto Helen não parece lidar bem com as confusões mentais de outras pessoas.
— Tem alguma cidade aqui por perto? Talvez eu lembre de alguma coisa se encontrar alguém conhecido.
— Há a cidade ao sul do Vulcão Costa: Hefais, a Cidade da Forja. Também tem o meu vilarejo... mas ele é mais longe, precisaríamos atravessar para o outro lado do vulcão e ainda pegar uma balsa. É melhor irmos para Hefais — disse Helen, apontando para o vulcão acima da colina. A caverna em que estavam parece fazer parte dessa mesma estrutura.
— Irmos? Você iria junto?
— É claro! — responde Helen, com um entusiasmo que fez o sorriso voltar a aparecer também na face em seu casaco.
— Não podemos te deixar ir sozinha desse jeito — complementa Psitta.
— Obrigado! De coração, muito obrigado! — Fabi junta as palmas das mãos na altura de sua face e quase solta lágrimas — Tô totalmente perdida!
Helen, meio sem jeito, apenas coçou as costas de sua cabeça e sorriu.
— Mas antes, preciso resolver algo dentro dessa gruta — disse Helen, apontando para dentro da caverna onde estavam todos. — Devo terminar antes do pôr-do-sol, então partimos amanhã, quando amanhecer.
Fabi assentiu com a cabeça, rapidamente.
— Vamos começar o almoço? Não consigo mais pensar sem comida — Psitta deu a deixa, faminto.
♦| ▼ Δ ▼ |♦
A caverna em que elas estavam era a entrada de uma gruta, algo que Fabi só percebeu após questionar o que Helen faria após o almoço. Uma estreita passagem no interior daquela caverna escondia uma paisagem encantadora e, ao mesmo tempo, misteriosa. A escuridão era cortada por finas lâminas de luz que vinham do teto da gruta, revelando rochas acinzentadas que emanavam um brilho único, bem como o brilho das águas límpidas que rasgavam as pedras. Uma queda d’agua constante e forte ali por perto, encoberta pelo escuro, acelerava o fluxo das águas para o interior da gruta.
— E então, o que é esse Hegemon que você comentou mais cedo? — perguntou Fabi.
— É um daimon mais forte em sua raça, que se torna algo como um líder em sua região... tipo aquela serpente que derrotamos mais cedo — respondeu a ave de pelúcia verde, um pouco cabisbaixo.
Segundo Helen, no interior da gruta, seguindo aquele fluxo de água, seria possível encontrar um Hegemon. No entanto, ela não tinha certeza de qual seria. Aparentemente, derrotar adversários fortes fortalece o tal “Vínculo” com seus daimons. Ainda era um conjunto de regras muito novo para Fabi compreender naquele momento.
Psitta não tinha ido junto de Helen. Apenas Neris e Pugno seguiram ela, em suas formas originais. Ele não seria útil naquela caverna, sem tanto espaço para voar, pelo que Helen anteviu. Sobrou ao papagaio a função de ficar de guarda na entrada da caverna, para evitar visitas ou fugas indesejadas. Além disso, serviria de companhia para a jovem perdida.
“E esse negócio de vínculo aí? Como é que funciona?” — pensava Fabi, querendo perguntar, mas não querendo incomodar. Psitta estava meio quieto, claramente chateado por não ir junto com Helen para a aventura. Por vezes, andava um pouco chutava algumas pedrinhas e voltava a sentar e balançar seus pés de papagaio. Definitivamente ficar quieto e parado não era seu forte.
Enquanto não perguntava, se distraía olhando para as chamas da fogueira. O fogo já havia baixado, mas não cessado. O restante da lula frita ainda estava na panela, o couro do javali estava secando ao sol; mas aqueles pedaços de cobra assada como churrasco em espetos que Helen jogou no chão, em dado momento da refeição, como se não fossem para nós comermos, apenas sumiram. Fabi nem tinha notado alguém ou algo os retirando dali. Entre esses pensamentos mais e menos importantes, algo continuava em sua cabeça:
— Quem é Helen?
Os olhos de Psitta brilharam como esmeraldas sob a luz.
— É a minha amiga de vida. Ela me encontrou um dia com as asas quebradas e cuidou de mim... — Com aqueles grandes olhos marejados, após uma curta pausa, a pelúcia continuou — Eu tinha acabado de sair do ninho para viver a vida, morrendo de medo e ela me acolheu... desde então sempre estivemos juntos.
— Faz quanto tempo?
— Bastante... toda a minha vida depois de aprender a voar foi ao lado dela.
— Desse tamanho aí eu duvido muito que toda a sua vida tenha tido mais de cinco minutos de duração, Psitta... — brincou Fabi, enquanto fazia um sinal de “tamanho pequeno” com os dedos polegar e indicador.
— EI!!!! Sua idiota!!! Eu vivi por mais de trinta anos, menina insolente!! — disse Psitta, se transformando em um redemoinho verde que, então, deu forma àquela grande ave esmeralda que tinha visto anteriormente, chegando ao tamanho de Fabi.
Fabi já não se surpreendia mais com essa transformação, e não podia deixar de pensar na informação, muito menos na forma como ele falava. Após uma breve hesitação e desvio de olhar para o lado...
— Então... você já está morto? — perguntou, com algum pesar nas palavras e na expressão, Fabi.
— Sim... O Vínculo de Memória com Helen é o que me mantém neste mundo.
— Aquela sua forma pequenininha tem a ver com esse vínculo? — disse Fabi, enquanto repetia o sinal de “tamanho pequeno” com os dedos.
Psitta retornou à sua forma pequena para explicar. Como percebeu que Fabi queria aprender mais coisas, novamente colocou óculos e, desta vez, um capelo em sua cabeça (sabe-se lá de onde ele tirou isso).
— Sim, essa é minha forma de Eidolon, assim como as de Pugno e Neris, que você viu antes. Gasta menos energia se manifestar dessa forma do que na forma de Daimon. — No meio da explicação, ele tirou um pequeno monitor (do nada) e começou a apontar para cenas que aconteceram antes.
“Então a sereia e o mãozinha também...”
— Então... me conte como foi a sua vida. — Fabi desviou brevemente o olhar em direção à entrada da gruta. — Quer dizer... talvez Helen demore... e se você me contasse mais sobre sua vida... sabe?
Aquele papagaio abriu um sorriso e apontou para o monitor novamente.
— Então vamos contar a história do MAIOR dos Zephyrus, o MAGNÂNIMO PS—
— Espera! De onde você tirou essa TV, afinal?
— Poderes psíquicos. Não me interrompa de novo, ou vou usar os poderes em você. — Mesmo sem uma explicação satisfatória, Fabi se conformou.
A conversa dos dois foi longe e a espera por Helen deixou de ser entediante. Algumas risadas aqui e ali ecoavam pela entrada da caverna, de vez em quando. Serviu, também, para acalmar e organizar os pensamentos da jovem. Essa conversa entre os dois novos amigos só viria a ser interrompida por um barulho estrondoso no fundo da gruta.
— Você ouviu? Deve ser a Helen — comentou Psitta.
— Ouvi... — Após um segundo pensativa, Fabi questiona — Até agora não falamos disso, mas... e a Helen? Por que ela tá lutando com outro hegemon, logo depois de derrotar aquela cobra gigante?
Enquanto Fabi falava, o barulho de passos aumentava. Eram passos fortes e rápidos, como aqueles que ela havia escutado com Pugno, mas claramente eram de uma criatura ainda maior. Psitta se transformou em daimon antes mesmo dela terminar a pergunta anterior, ficando em guarda para voar.
— Helen quer apenas uma coisa: ficar forte o suficiente para desafiar os Archidaimons. Ela quer se tornar uma legítima Campeã de Elísia — disse Psitta, com uma seriedade nunca antes vista pela jovem.
Antes que Fabi pudesse perguntar o porquê, a barreira estreita que dividia a entrada da caverna e a gruta se estraçalhou com uma pancada. Da nuvem de poeira que se formou, saiu uma grande aranha, praticamente do tamanho daquela caverna, inteira preta e de presas vermelhas, assim como seus pedipalpos. Seus pelos pretos davam aspecto de ainda maior imponência à aranha.
— SAIAM DA FRENTE!! — gritou Helen, montada na aranha e se segurando com sua Mão Grande de Pugno.
Fabi foi empurrada por Psitta para o lado de fora da caverna. Ambos apenas acompanharam a ação.
— ACORDE, HESTA!! — O chão abaixo da fogueira começou a se mexer. — Incinerar!
Após o comando, um lagarto se ergueu do chão e as madeiras que eram combustível da fogueira caíram em volta. De um buraco no topo de sua carapaça, uma rajada de fogo se formou e atingiu o abdômen da aranha gigante que passava logo acima.
Para finalizar o trabalho, com a aranha já pegando fogo e as garras de metal da sereia em suas mãos, Helen desferiu um golpe final na cabeça da aranha, que ainda se moveu por alguns metros e caiu, por fim, à beira-mar.
Helen se ergueu, erguendo junto sua garra na mão direita ensanguentada.
— Ufa... Deu certo! — falou, balançando o braço para chamar a atenção de seus daimons e de Fabi.
♦| ▼ Δ ▼ |♦
“Até a fogueira escondia um daimon... o que mais esse mundo tem para me surpreender?”
Deitada, pensando, Fabi ainda parecia perdida.
“Pelo menos hoje foi um dia menos tenso”
Com todas as experiências, ela já aprendeu muito. Mas há, literalmente, um mundo inteiro para aprender.
“Preciso recuperar minhas memórias.”
Esse era o pensamento que a fez perder o sono. A fogueira ainda aquecia ela e Helen, e uma aconchegante cabana com dois colchões, montada na entrada da caverna; protegia as duas de qualquer perigo, assim como Psitta e Pugno, que revezavam a guarda, sempre atentos. Neris não estava presente e Hesta dormia perto da fogueira, agora.
Com o tempo, notara mais algumas características do lagarto, como sua carapaça translúcida em suas costas, que lembrava o bulbo de uma lamparina, revelava apenas uma chama fraca, diferente da potência flamejante que queimou a aranha preta gigante há algumas horas.
Sem conseguir pregar os olhos, a jovem se mantinha acordada. Da fresta aberta na cabana, que apontava para a paisagem da praia, Fabi se atentou a algo que definitivamente nunca tinha visto antes. Uma noite com duas luas cheias, paralelas em uma linha horizontal. Essa imagem era algo que não estava nem em suas memórias perdidas, e disso ela tinha certeza. Um medo incompreensível tomou seu peito.
Com o coração palpitando e os olhos arregalados, ela não conseguia parar de encarar aquelas duas luas — estava paralisada. A sensação ruim acabou por se materializar quando aquelas duas luas começaram a tomar fases diferentes, uma crescente e uma minguante, que lado a lado se pareciam com olhos a encarando de volta. O brilho das luas no mar formava um sorriso macabro e completava a figura de uma face aterrorizante no meio da paisagem noturna.
Sem conseguir olhar para seus braços, apenas sentia algo subindo. Patas, uma após a outra, subindo lentamente. Alcançaram seu peito, e então seu pescoço e finalmente seu rosto. Só conseguiu observar que era uma aranha negra pelas suas seis patas peludas. Ela encobriu sua visão e só saiu para dar espaço para que a face de antes estivesse ainda mais perto e se aproximasse devagar. Para Fabi, horas se passaram naquele pesadelo. Uma encarada eterna que só acabou na manhã seguinte.
— EI!! ACORDA!! — berrava Psitta, quase dançando em cima da cabeça de Fabi.
— Fabi! Tá tudo bem? — perguntava Helen, que estava agarrando Fabi pelos ombros, tentando acordar aquela jovem no meio de um pesadelo.
Ainda abrindo os olhos e confusa, Fabi percebeu que já era de manhã.
— Oi... — disse Fabi, coçando os olhos.
— O que aconteceu? Você estava se debatendo quando acordei.
Ainda sem entender com o que sonhou, Fabi apenas desconversou.
— Não foi nada, só um pesadelo, mas já me esqueci o que era. — Quando olhou um pouco para baixo, para a gola do casaco de Helen, viu aquela mesma face. — Tá tudo bem. Não precisa se preocupar, acho que só vi coisas demais ontem.
Escondendo-se atrás de um sorrisinho disfarçado, Fabi ficou mais alguns segundos encarando aquele horizonte logo após o nascer do sol.
“Temos sempre um mundo de coisas para descobrir, não é?”