O oceano profundo era silencioso demais para Nerissa. Ela passava séculos trançando as correntes marítimas e conversando com baleias que nunca tinham muito a dizer. Mas naquele dia, o som veio de cima. Um ritmo. Thump-thump-thump. Madeira contra água. E vozes. Vozes pequeninas e agudas cantando em uníssono.
Os olhos de Nerissa brilharam. Amigos!
Com um impulso de seus tentáculos azuis, ela disparou para a superfície, rompendo a linha da água com um sorriso de canto a canto. O sol estava quente e brilhante. Diante dela, um barquinho de madeira balançava. Era adorável, como uma casca de noz.
— OLÁ! — Nerissa cumprimentou, sua voz soando como o estrondo de um trovão para os seres minúsculos. Ela estava tão feliz que começou a cantarolar a melodia que tinha ouvido lá de baixo.
Para se apoiar, ela gentilmente envolveu a proa do navio com um de seus tentáculos, apenas para sentir a textura da madeira.
— La la la! — ela cantou, fechando os olhos e esperando os aplausos.
Mas não houve aplausos. Quando ela abriu os olhos, os pequenos seres não estavam cantando de volta. Eles corriam de um lado para o outro, agitando os braços freneticamente. O cheiro de medo e pólvora encheu o ar.
"Por que eles estão correndo?", Nerissa pensou, inclinando a cabeça colossal. "Eu só segurei o brinquedo deles para ele não ir embora..."
Um som alto estourou — BUM! — e algo picou a bochecha dela como um mosquito. Eles haviam disparado um canhão.
O sorriso de Nerissa vacilou. Ela soltou o barco devagar, confusa. Ela não queria machucar ninguém, ela só queria alguém para terminar a canção com ela.