Zephyr, que estava pensativo depois do que aconteceu, foi para uma hospedaria próxima ao castelo e passou a observar a rotina da princesa.
A princesa Aurora, que era bastante conhecida, era alguém muito amável com o seu povo. Ela adorava conversar com todos, sempre com um sorriso no rosto, mas Zephyr achava algo estranho: mesmo sorrindo, ele conseguia notar um olhar triste.
'E depois fala que eu sou vazio… que palhaçada.'
Mesmo após dois dias, Zephyr não conseguia esquecer essas palavras. Ele nunca pensou que fosse alguém vazio. Ele tinha objetivos, ajudar seu pai era um deles.
O reino de Arvandor era bem movimentado, com muitas lojas de roupas e barracas de comida. Parecia que o comércio era dominante nesse reino, diferente dos outros. Zephyr, que estava em cima do telhado de uma casa, observava Aurora, pensando que talvez as pessoas fossem mais até ali para vê-la do que pelo comércio.
Uma princesa que saía e cumprimentava seus súditos era algo muito interessante de se ver, além de bastante incomum.
Desde então, Zephyr manteve os olhos atentos na princesa.
Zephyr, que estava deitado na cama da hospedaria, se perguntava constantemente como ela havia sentido sua presença. A única resposta que lhe vinha à mente era que ela havia usado uma habilidade que ele não conhecia.
“Dante, você esqueceu de me Conta tudo sobre ela… ou talvez nem ele saiba disso”, refletiu Zephyr, relembrando as habilidades de Aurora e tentando descobrir algo a mais.
Pelo que Dante havia dito, a princesa era uma mística da água e conseguia transformá-lo em gelo.
Ele também ouvira dizer que ela conseguia manipular o sangue, mas com muita dificuldade.
Mas havia algo que não saía de sua cabeça: o motivo de o pai de Aurora querer vê-la morta.
Isso era algo que ela mesma havia dito a Zephyr.
'Não faz sentido… por que alguém iria querer vê-la morta? Não parece que alguém do reino a odeie, e ainda é possível que seja o próprio pai dela.'
Zephyr não conseguiu encontrar a resposta para nenhuma de suas perguntas. Infelizmente, isso o impediu de pegar no sono.
Enquanto Zephyr vigiava Aurora em um local um pouco mais a oeste, seu pai entrava em seu escritório, bocejando. Porém, ao atravessar a porta, ele ficou paralisado.
Havia uma mulher sentada em sua cadeira: cabelos longos e brancos, olhos verdes e uma expressão séria que o deixava tenso.
"Zarek, há quanto tempo… Eu só vim aqui para te entregar algo."
Ao terminar de falar, ela jogou um caderno sobre a mesa.
Zarek se aproximou da mesa e pegou cuidadosamente o caderno. Ao abri-lo, assustou-se com o que viu. Quando voltou o olhar para a mulher à sua frente, ela havia desaparecido.
"Tome cuidado. Cada erro seu torna meus objetivos mais difíceis de serem alcançados" disse a mulher, que agora estava sentada em um dos sofás atrás de Zarek.
Ele se virou para ela com um olhar penetrante e um pequeno sorriso no rosto.
"Eu não sei se posso confiar em você ainda, nem mesmo se você é quem diz ser. Mas vou confiar desta vez, porque, se isso for real e eu não fizer nada, vou me arrepender de novo" disse Zarek, encarando a mulher misteriosa, que permanecia sentada com olhos sombrios.
Ela sorria.
"Então está tudo indo conforme o meu lindo plano. Se tudo der certo, você não vai precisar se preocupar com nada no final" disse a mulher misteriosa antes de desaparecer.
Zarek caiu sobre sua cadeira com um suspiro e jogou o caderno que havia recebido sobre a mesa.
"No final, ele vai precisar de reforços" disse Zarek, já planejando enviar mais duas assassinas para a missão.
Depois de alguns minutos, duas mulheres entraram no escritório de Zarek.
"Vocês nos chamaram, chefe?" perguntou a mulher um pouco mais baixa que Zephyr, de cabelos vermelhos e olhos azuis. Ao lado dela estava outra mulher, ainda sonolenta, que parecia ter acabado de acordar.
Zarek estava furioso e gritou, enquanto a mulher que havia acabado de despertar bocejava, ignorando os gritos.
"Sim, eu chamei vocês. Acabei de descobrir que fomos enganados, e agora vocês vão resolver isso!"
As duas assassinas não entendiam como seu líder havia sido enganado, e a assassina de cabelos vermelhos perguntou: "Eu não estou entendendo.
Zarek explicou
"A pessoa que pagou pelo assassinato da princesa foi o próprio pai dela, por medo de seu poder."
Enquanto isso, as duas assassinas começaram a entender. Os assassinatos eram anônimos para não comprometer o comprador, mas todos eram realizados para o bem dos quatro reinos, e não por egoísmo próprio.
"Certo, agora que os planos mudaram, o que é para nós fazermos exatamente?" perguntou a mulher de cabelo ruivo.
"Quero que vocês vão e matem o rei Cedric, do reino de Arvandor, e digam ao meu filho que os planos mudaram", disse o líder, antes de as duas assassinas desaparecerem.
