Zephyr estava no topo de uma torre, ao lado de um sino. Dali, observava a princesa Aurora saindo em uma carruagem escoltada por seus guardas. Ele sabia que aquela era a sua chance; seria hoje que atacaria.
Ao chegar à cidade, avistou uma fonte onde várias crianças caminhavam e corriam ao redor.
Zephyr seguia Aurora, que passeava pelo reino. Ela saía de uma loja com um sorriso animado, conversando com seus guardas.
Aparentemente, a princesa se dava muito bem com os aldeões e com os guardas de seu reino.
Aurora estava sendo vigiada por cinco guardas.
Naquele momento, Zephyr estava encapuzado, escondendo-se no meio da multidão e mantendo uma distância considerável de seu alvo. Ele pensou que, após a tentativa de assassinato, ela sequer sairia do castelo.
'Ela é mais corajosa do que eu pensei... ou talvez seja apenas excesso de confiança', refletiu enquanto observava a princesa e seus guardas caminhando.
Zephyr avançou em direção aos guardas.
Seu plano era eliminar cada um deles sem que a princesa percebesse. Ele tinha de admitir: enfrentá-la sozinho já seria extremamente problemático; enfrentá-la com ajuda seria ainda pior.
Caso ela o notasse, Zephyr fugiria imediatamente.
Ele se moveu com rapidez, usando a eletricidade para aumentar sua velocidade e força.
Aproximou-se dos guardas de forma sorrateira, buscando o momento certo para agir, enquanto ainda mantinha uma distância segura deles e de Aurora.
Zephyr permaneceu imóvel por um instante, avaliando a situação.
Ele poderia atacar os guardas, mas isso obviamente alertaria a princesa, e ele seria preso novamente. Queria evitar isso a todo custo.
Por fim, decidiu esperar mais um pouco, tentando encontrar uma oportunidade melhor.
'Talvez seja melhor chamar a atenção em vez de tentar me esconder.' Um sorriso surgiu em seu rosto, e ele se aproximou cada vez mais dos guardas que rodeavam a princesa.
Entrando em um beco próximo a um dos guardas, Zephyr decidiu chamar a atenção de alguns deles, fazendo barulho com pedras e outros objetos pelo caminho, criando a impressão de que havia uma presença estranha na área.
Ao chutar uma garrafa que estava no chão, ele acabou chamando a atenção dos guardas, que imediatamente ficaram em alerta.
Um dos guardas percebeu alguém suspeito saindo em disparada e alertou os outros, que assumiram uma postura defensiva. Enquanto isso, Aurora continuava a caminhar tranquilamente com seus guardas, sem suspeitar de nada.
"Você tem certeza de que há alguém suspeito nos seguindo? Pode ser aquele assassino", disse o guarda mais velho, observando seus companheiros com um olhar pensativo.
"É melhor nos separarmos e tentar capturá-lo antes que algo pior aconteça, certo, Eduardo?", perguntou o guarda que havia notado a presença de Zephyr. Ele olhava para Eduardo, que mantinha uma expressão carrancuda no rosto.
Eduardo estava furioso com o assassino que havia matado seus companheiros e ainda mais irritado com o fato de ele continuar tentando matar a princesa, a quem jurara proteger.
'O que eu faço? Preciso proteger a princesa Aurora. Separar-nos agora não seria um bom plano, mas deixar aquele assassino à solta, fazendo o que quer, também não é uma boa ideia. Ele é imprevisível', pensou Eduardo, passando a mão pela barba.
Eduardo olhou para dois de seus melhores guardas e acenou com a cabeça.
"Podem ir, mas não morram. Não quero ver a princesa chorar mais uma vez. Nunca mais", disse Eduardo com firmeza no olhar. Seus olhos, normalmente cansados, agora estavam mais motivados. Ele observou os dois guardas entrarem em um beco ao lado.
Zephyr, vendo que seu plano havia dado certo, manteve-se à vista dos dois guardas que corriam em sua direção. Ele fez com que o seguissem, dando a impressão de que fora descoberto, e os conduziu até uma rua onde não havia ninguém. Algumas pessoas que passavam por ali, ao verem os guardas com as espadas em mãos, saíram correndo.
As armaduras brilhavam sob a luz do sol. Zephyr sorriu e empunhou suas duas adagas.
"Antes de eu matar vocês dois, poderiam me dizer o que faz aquela mulher ser tão especial?", perguntou ele, tentando entender o que tornava aquela mulher diferente. Todos a adoravam - seria admiração, talvez respeito, ou medo? Isso o deixava intrigado.
"Um assassino como você não tem o direito de saber o que a faz especial, mas vou lhe dizer uma coisa: é algo que você nunca terá. Ela é livre e sabe o que quer. Não é como você, que só sabe receber ordens, como um cachorro que apenas obedece ao dono", disse o guarda à esquerda de Zephyr, ainda segurando a espada.
"É isso mesmo. Ela lhe deu uma chance, e você a desperdiçou", completou o guarda à direita de Zephyr.
"Sério? E qual é a nossa diferença? Vocês também estão apenas recebendo ordens", disse Zephyr com um olhar frio. Seus olhos vermelhos fizeram os guardas entrarem em alerta.
"Nós escolhemos o que fazemos. Você teve a chance de ir embora, mas não foi. Decidiu terminar um trabalho sujo", disse o guarda à direita, ao ver Zephyr suspirar.
Zephyr começou a rir e, em seguida, ativou sua habilidade para aumentar a velocidade.
Os guardas viram a eletricidade percorrer o corpo de Zephyr e arregalaram os olhos.
"Ele é um místico!"
Após ouvir aquelas palavras, um dos guardas avançou em direção a Zephyr, mas ele conseguiu bloquear o golpe com sua adaga.
A espada chocou-se contra a lâmina de Zephyr. O segundo guarda se aproximou pelo flanco, movendo a espada em direção à costela dele. Zephyr chutou o guarda que o atrapalhava e saltou para desviar do golpe do outro.
Ao tocar o chão, Zephyr ergueu a mão e a abaixou em uma velocidade que excedia os reflexos do guarda, que foi atingido e caiu ao chão com o rosto ensanguentado. O guarda que Zephyr havia chutado se levantou e correu novamente em sua direção.
O guarda ergueu a espada, pronto para cortar Zephyr, mas o assassino via todo aquele movimento em câmera lenta. Com certa facilidade, ele cravou a adaga no olho do guarda. Em seguida, seu punho começou a brilhar, envolto pela eletricidade que percorria seu corpo.
Um soco devastador atingiu o rosto do guarda, fazendo boa parte dele explodir. O outro guarda, que ainda tentava se levantar com muita dificuldade, presenciou a cena.
"Droga... você tinha que ser um místico. O mundo realmente não é justo", disse o guarda, cuspindo um pouco de sangue. Ele via Zephyr se aproximar, mas seu corpo não se movia; simplesmente não o obedecia.
Zephyr chegou perto o suficiente do homem moribundo à sua frente. Colocou a mão sobre o ombro dele, e uma corrente elétrica passou de seu corpo para o do guarda, que foi eletrocutado e caiu no chão, sem vida.
"Onde está a sua princesa agora?", disse Zephyr, observando os dois homens mortos no chão. Para ele, havia feito o que precisava ser feito: eliminara os obstáculos à sua frente.
Zephyr limpou rapidamente uma de suas adagas e a guardou na bainha. Em seguida, parou e olhou ao redor, certificando-se de que não havia mais ninguém por perto.
Então, afastou-se do local. Agora era a hora de concluir essa missão.
