
Zephyr, que estava segurando suas adagas, começou a encarar a princesa.
'O que fez ela mudar tanto?'
Seus olhos vermelhos estavam vidrados em Aurora.
O silêncio pairava no local onde eles estavam. A única coisa à vista eram as lojas fechadas, mas a fonte ainda jorrava água. Zephyr sorriu de forma sarcástica e respondeu:
"Veremos."
Zephyr se aproximou rapidamente da princesa.
Aurora reagiu ao ataque usando sua habilidade de água, criando um chicote líquido para desferir vários golpes contra Zephyr, mas o assassino desviou com facilidade.
Zephyr viu o chicote se aproximar de seus pés; então, saltou, girou no ar e lançou sua adaga na direção de Aurora. Ela quase foi atingida, mas conseguiu se defender usando os próprios chicotes de água.
Aproveitando a abertura, Zephyr avançou e correu para recuperar a adaga que havia acabado de arremessar.
Ao ver o assassino se aproximando, a princesa decidiu mudar de estratégia. Em vez de manter o combate à longa distância, ela optou por lutar no corpo a corpo.
Zephyr viu a água da fonte se aproximar de Aurora a uma velocidade incrível. No mesmo instante, uma lança de gelo surgiu nas mãos da princesa do gelo.
Os dois se chocaram com força. Aurora foi empurrada para trás, mas Zephyr não parou. Ele brandiu sua adaga em direção ao pescoço da princesa, que se defendeu no último instante. Impressionada com a velocidade do assassino, Aurora fincou a ponta da lança no chão, apoiou-se nela e desferiu um chute no peito de Zephyr, arremessando-o para longe.
'Então a princesa é boa em combate', pensou Zephyr, levemente impressionado. A princesa parecia ter pressa, assim como ele.
Mas Zephyr não ficava para trás. Quando viu Aurora se aproximar, pulando e girando no ar para apontar a lança em seu rosto, ele esquivou com facilidade e chutou o peito da princesa, que foi lançada ao chão.
Ela mal conseguiu ver o assassino se mover. Aurora começou a pensar em como lutar contra Zephyr, que era muito mais rápido que ela.
'Vamos pensar... O que devo fazer?' Aurora sabia que o assassino à sua frente tinha muito mais experiência, que ela foi treinada apenas por seus guardas, mas a velocidade dele ainda era seu maior problema.
Mesmo conseguindo sentir sua presença, ela não consegue acertá-lo.
'Droga... e agora?'
Aurora viu o assassino correr em sua direção; então, criou uma esfera de gelo ao seu redor para se defender dos golpes de Zephyr.
Segundos depois de formar a cúpula de gelo, Zephyr a quebrou com um chute elétrico.
Aurora rapidamente transformou sua lança em uma espada de gelo em sua mão esquerda, conseguindo se defender do golpe de adaga de Zephyr.
O assassino ataca a princesa, que se defende com sua espada de gelo. Porém, Zephyr a chuta no estômago, fazendo com que ela perca um pouco de ar. Ainda assim, ela permanece de pé e avança na direção do assassino, que consegue se esquivar de todos os seus golpes.
Eles começam a trocar golpes, mas a princesa se vê em desvantagem e decide congelar o chão para, em seguida, criar várias estacas de gelo que surgem do solo na tentativa de atingir Zephyr. Ele consegue desviar, mas fica impressionado.
'Ela está se adaptando ao meu estilo de luta... isso vai ser problemático.' Zephyr sorri ao ver a habilidade da princesa em criar armas de gelo, mas não se deixa intimidar.
Os olhos de Aurora demonstravam muita hostilidade, e não era apenas isso. Zephyr, já curioso, percebe que Aurora está extremamente irritada e começa a provocá-la.
"O que foi, princesa? Está tão brava assim?", diz Zephyr, provocando Aurora.
Enfurecida, ela cria várias espadas de gelo usando a água do ambiente e as lança em direção ao assassino, que desvia com certa dificuldade.
'Ela realmente é um monstro', pensou Zephyr enquanto se esquivava das espadas de gelo.
Aurora percebe que precisa tomar mais cuidado com o assassino, pois ele é mais experiente em combate do que ela.
"Eu tenho pena de você, assassino. Você não tem vida nem vontade própria e nunca parou para pensar nas consequências dos seus atos na vida das pessoas que você arruína. Você é vazio", disse Aurora, com o rosto um pouco triste. Ela sentia pena do assassino, mas também com raiva. Entendia que, muito provavelmente, ele não tinha escolha; por ter sido criado assim. Ainda assim, ela também havia sido criada para proteger as pessoas que amava.
Zephyr arregalou os olhos. Ele não compreendeu imediatamente o que ela quis dizer com aquilo. Vazio? Por que ele era vazio? Esse pensamento o irritava profundamente.
'Vazio... de novo isso. Vou mostrar para você quem é vazio', pensou ele, determinado a provar quem realmente era o vazio.
Para ele, sim, havia vontade própria, já que sua vida era dedicada a matar em prol do bem do reino e por seu pai.
"E você, qual é o motivo de estar tão furiosa? Eu só matei seus guardas. Admito que tentei te matar, mas esse não é o verdadeiro motivo da sua raiva. Então, o que é?", pergunta Zephyr.
Ele não entende. Sempre que matava alguém, normalmente acabava matando também pessoas que estavam junto de seu alvo. Ainda assim, quando isso acontecia, essas pessoas sentiam medo, não raiva.
Mas Aurora estava triste e irritada, e aquela raiva não era direcionada apenas a ele, porque aquilo ia muito além, ele não sabia e nem entenda.
Zephyr não entendia aquela ansiedade. Um assassino não deveria sentir nada, mas Zephyr era uma pessoa.
Ele tinha sentimentos.
"Assassino, eu não acho que você entenda o que estou sentindo. Essas pessoas estão comigo desde que eu era pequena," diz Aurora, com a voz fria, lançando várias espadas de gelo em direção ao assassino, que consegue desviar de muitas usando sua velocidade.
No entanto, uma das espadas acaba atingindo a perna direita de Zephyr, que se assusta com o impacto.
Ele tenta rapidamente retirar a espada de sua perna, mas Aurora a força ainda mais, fazendo-o sentir uma dor intensa.
Zephyr cria várias esferas de energia elétrica e as lança em direção a Aurora, que ergue uma barreira de gelo para se proteger.
Usando sua magia de eletricidade, Zephyr consegue fazer com que seus nervos deixem de funcionar temporariamente.
Em seguida, ele retira a espada de sua perna e avança em direção à princesa. Aurora tenta prendê-lo em uma cúpula de gelo, mas ele desvia, pega algumas agulhas que estavam em seu bolso, eletrifica-as e as arremessa em direção à princesa.
Ela consegue criar outra barreira de gelo.
Zephyr se impressiona com a incrível velocidade de Aurora.
"Isso é tudo que você tem?", disse a princesa, com um tom de deboche e um sorriso no rosto.
Zephyr percebe que ela está se adaptando ao decorrer da batalha mais rápido do que ele imaginava.
Enquanto a luta se desenvolvia, uma garota de cabelos pretos os observava de longe, sem que ninguém notasse sua presença.
Zephyr, enquanto se movia, notou que seus movimentos estavam ficando mais lentos, que estava cada vez mais cansado e sentindo um frio intenso.
Ele notou que parte de seu corpo estava congelada; suas pernas estavam quase totalmente cobertas de gelo.
'Agora que não estou sentindo dor, não percebi minhas pernas congelando', pensou, após analisar a situação.
Zephyr tentou se aproximar de Aurora o mais rápido possível, mas ela começou a congelar o chão e a criar paredes de gelo para limitar seus movimentos.
Com o ar gelado parecendo congelar seus pulmões, Zephyr se sentia cada vez mais cansado, até perceber que quase todo o seu corpo já estava tomado pelo gelo.
Aurora, que se aproximava de Zephyr, o aprisionou em uma parede de gelo.
"Você finalmente ficou parado, e agora só falta eu dar o golpe final."
Aurora criou uma espada de gelo em sua mão esquerda.
"Você não tem coragem de me matar. Da última vez, você me deixou fugir... ou acha que eu esqueci?"
Aurora se aproximava lentamente do assassino.
"Eu só não te matei por causa de uma promessa que fiz à minha mãe, mas, no fim, não vou poder cumpri-la."
Aurora fazia uma expressão um pouco melancólica; seus olhos azuis escondiam uma profunda tristeza.
"É... eu também esperava que você pudesse se tornar uma pessoa melhor, mas eu estava enganada. E, por causa disso, você matou muita gente. Então eu tenho um pouco de culpa, mas você me dá pena," disse Aurora, sentindo um turbilhão de emoções: culpa, raiva, ansiedade e tristeza.
Zephyr se espantava com o motivo de a princesa ter poupado sua vida e, ainda assim, sentir compaixão por alguém que tentou matá-la, além de carregar culpa pelos atos dos outros.
Zephyr nunca havia sentido nada assim. Na verdade, ele havia esquecido aquela sensação e começou a sorrir ao ver a princesa levantar a espada.
'Será que eu conseguiria ir contra o meu pai e não matá-la?' pensou, buscando uma resposta para aquela pergunta, embora já a conhecesse.
'Não... eu não voltaria atrás. Talvez eu seja mesmo vazio.'
Ele já tinha sua resposta.
"Pare!"
A princesa, com lágrimas nos olhos azuis, crava a espada no peito do assassino, matando-o.