Capítulo 3 (parte 1/3)
Equipamentos preparados e determinação para lucrar, Safira esperava ansiosamente para entrar, mas pra sua surpresa… ou nem tanto assim, ela teria que pegar uma senha e esperar.
— Por que?
— Você não leu a apostila? — um homem forte vestido da mesma forma que Safira a perguntou, a resposta era clara, mas Safira queria pelo menos ter feito o mínimo então simplesmente mentiu.
— Eu esqueci essa parte…
— Bem, já que você esqueceu essa parte, deixa eu refrescar sua memória — o homem começou a explicar a situação para Safira como se ela fosse uma criança e ele um ancião.
Mas basicamente. O primeiro dia era a prospecção, identificar recursos complicados de coletar e catalogar o ambiente enquanto também coleta os materiais mais fáceis de serem coletados.
Identificar jazidas daria um acréscimo de 2 salários ao sortudo que encontrasse, além disso, se por algum acaso encontrar uma criatura viva ou que não foi limpa pelos herois e recuperar o núcleo espiritual ele é todo seu.
Quando o homem terminou de explicar sua parte, seu número foi chamado.
— Bem garota, boa sorte com sua exploração, eu vou primeiro, mas eu guardo alguma coisa pra você HAAhaha ha. — com uma risada zombeteiro o homem vai embora.
O número dele era 012.
O número de Safira era 328…
Isso iria demorar…
***
Depois de 1 horinha de sono, Safira acorda, ela adormeceu no meio da espera e só acordou por que alguém esbarrou nela.
Inicialmente pensou ser um vigia, mas olhando para a chamada o número ainda estava em 270, não sabia por que demorava tanto, mas fazer o que.
Olhando para a pessoa que esbarrou nela… alta com um manto de tecido cobrindo seu rosto dando a ele um ar de mistério, além de um arco de madeira que parecia ser feito de raízes…
Herói!
— Ei!
Saindo de seu devaneio, Safira olha para a figura, que parecia claramente incomodada com algo.
— Ei! Eu tô falando com você — seu tom parecia ainda mais rude, como se falasse com um animal.
Safira se sentiu ofendida, mas tinha experiência o suficiente para saber o que fazer.
— Desculpe senhor, não queria incomodar de forma alguma eu vou sair agora. — nesse tipo de situação, o melhor era recuar.
— hum? O que?
O olhar do homem parece ir alguns centímetros para cima agora sim olhando para Safira.
“Se ele não está falando comigo…” olhando para baixo, havia uma criatura transparente mas ainda visível abaixo de sua cadeira, pequena, parecida com um chihuahua, ele era vermelho e seu corpo parecia ser feito de labaredas de fogo.
Com um pulo, Safira vira para trás, e agora, ela estava sendo atacada pelo espírito com lambidas quentes de cachorro, era confortável e nojento ao mesmo tempo.
— Aí meu deus! Aí!
— Cerberus, para com isso — o homem parecia desesperado.
“Tenho que dar um jeito nisso, se não, a notícia de que meu espírito familiar é perigoso vai se espalhar e aí eles nunca mais vão deixar eu invocar ele aqui fora!”
— Já sei! — como se uma lâmpada aparecesse em sua cabeça ele teve uma idéia!
***
Safira não sabe ao certo como é porque acabou nessa situação. O herói se desculpou com Safira e no final acabou sendo convidada a entrar no rasgo mais cedo com um grupo de heróis.
Motivo?
Eles esqueceram uma sala…? Isso era meio improvável, mas aconteceu. Além disso ela teve que assinar um termo de confidencialidade, ela entendeu o porquê disso, mas o herói encapuzado parecia bem mais animado com isso que os seus companheiros de time.
Ao entrar no portal Safira entendeu a parte da “sala” o rasgo também era uma praia, com a única diferença que havia um castelo gigantesco em meio a costa.
Olhando ao redor da entrada já havia algumas barracas armadas e alguns grupos comentando coisas da areia ou desconstruindo os muros do Castelo.
O grupo de heróis conversava entre si, enquanto guiavam os coletores pra certos lugares quase como se fossem iguais. Enquanto Safira era basicamente uma mula de carga, levava um monte de poções e objetos estranhos em sua mochila… era quase como se ela tivesse caído em uma armadilha e agora virasse uma escrava, mas ela estava aqui e iria aproveitar o momento.
Entrando profundamente no castelo, um cheiro de ferrugem impregna o ambiente, armaduras quebradas para todos os lados e sinais de batalha e magias destrutivas por todos os lados.
O castelo era grande com vários corredores, cada lugar era simples e ao mesmo tempo único, como uma espécie de “e se?” como se os europeus nunca tivessem chegado às Américas, criando esse visual indígena e ao mesmo tempo refinado e simplista que há nos castelos medievais.
Safira aproveitou a ocasião para coletar algumas coisas para si.
Mandalas de palha, decorações de rocha do que pareciam ser divindades, e uma manopla das armaduras, que mesmo tendo a aparência de metal… era feita de um material emborrachado e resistente.
Passando pelos ambiente, do castelo, eles chegaram a um jardim, árvores e plantas destruídas e o que parecia ser um monstro de madeira, morto no chão.
— Cuidado
Um aviso, provavelmente para os membros do grupo tirando Safira, já que eles esqueceram que ela estava ali.
Olhando melhor, era um movimento na grama, rápido e veloz, ele pulou do meio, se revelando uma cobra, mas que era tão rápida que para Safira parecia um borrão.
Um dos heróis, um tanque coberto de armadura pesada e com uma maça estrela e escudo em mãos, simplesmente amassou a cabeça da cobra ao chão, que virou pó em um instante.
— ainda tem mais desses Minions vivos?
Agora quem perguntou foi a última membro do grupo, uma mulher estilo tábua, vestida com roupas furtivas como uma ninja urbana, algo com a qual Safira adoraria se vestir igual, mas não tem tanto dinheiro assim pra isso.
— Não sei, mas que bom que foi a pequena e não a imensa da mãe dela. —
O homem alto encapuzado fala, tremendo levemente com sua própria afirmação, como se tivesse medo que a figura insultada ouvisse. Mas logo se encaminha para o corpo do monstro de madeira, o espírito que o seguia pula pra cima, incinerando o corpo e revelando um alçapão feito do mesmo material que as armaduras.
— E pensar que os outros não viram isso haha.
Eles começam a entrar na nova passagem mas são interrompidos pela pergunta da sua acompanhante.
— Tudo bem mesmo eu seguir vocês?
Safira pergunta com preocupação.
O grupo se entreolha e o tanque dirige a palavra.
— comigo aqui, haha, nem fudendo que algo ruim vai acontecer, vem logo.
Ele animadamente começa a ir para baixo, seguido pelos seus companheiros, Safira vai logo atrás, com medo, MAS MUITO ANIMADA.
Ela corre pra não ficar muito atrás do grupo, afinal… quem sabe o que tem lá embaixo… e também por que aquele espírito de cachorro continuava a olhar pra ela, como se soubesse de todos os pecados de Safira.
— Bicho maligno — Safira sussurra baixinho.