Capítulo 4 (parte 2/3)
Antes da sua vida virar de cabeça pra baixo. Safira era mais uma garotinha normal... ou talvez um diabinho em forma de gente.
Ela falava e agia de forma a não saber se ela estava sendo irônica ou só inocente… beirava a sociopatia, mas ela era só má mesmo.
— Desculpa papai, esqueci que você não escuta direito quando a mamãe não tá por perto.
— Sem desculpas, fala o que você fez.
Seu pai a encarava com raiva e cansaço em seus olhos fazendo parecer que ele era um homem rígido, mas a pequena Safira sabia que seu pai era um homem cansado e triste por causa da sua falta de cabelo e de dinheiro por causa da mamãe.
Pai e filha estavam em um parquinho, Safira como uma pestinha, grudou chiclete no pelo de um cachorro… novamente, mas dessa vez o animal tentou revidar.
Por sorte o dono do animal era um homem com bíceps do tamanho da cabeça de um bebê e o cachorro era uma bola de pelos do tamanho de um travesseiro.
Safira estava agora levando uma bronca do seu pai, enquanto o homem do tamanho de uma geladeira tentava acalmar a pequena besta chamada Thor.
Era só mais um dia como qualquer outro, até acontecer aquilo.
Os rasgos já existiam e já estavam sendo explorados e fechados, mas os heróis não eram tão fortes como os de hoje.
Quando um herói falha em sua incursão, o rasgo fragmenta, e tudo que está dentro dele é lançado como um tsunami por metros e mais metros.
Um rasgo em Copacabana transformou quase um quarto do Rio de Janeiro em um lamaçal cheio de monstros, até hoje você encontra poças de lamas por aí… e se der sorte, um corpo ou dois daqueles que não escaparam da enxurrada.
Safira não se lembrava de nada depois de ver um mar de lama sendo lançado sobre os céus, quando acordou, seu pai sumiu, sua mãe morreu, toda sua vida desmoronou… não havia mais uma criança ali… ela foi levada junto aos escombros e lama.
Agora, Safira se encontrava em um caminho feito de raízes e terra batida, pedras brilhantes iluminavam o corredor, enquanto planejava como pegar as pedras na volta do caminho. O trio de heróis parecia tenso como se uma emboscada pudesse acontecer a qualquer momento, então qualquer barulho suspeito fazia os pelos da nuca arrepiarem.
Aos poucos, o túnel começa a ficar maior até chegar a um salão circular, raízes caiam do teto como candelabros com pedras de brilho em suas pontas o chão batido foi substituído por blocos de barro e cerâmica, e várias estátuas de vários tamanhos estavam espalhados pelas bordas olhando para o centro, todas eram imagem de um humano com uma perna só, fumando um cachimbo e usando um gorro.
— Um saci! — Safira observa a estátua tentando pegar uma menorzinha para levar com ela, sem perceber a figura obscura atrás dela.
— Exatamente… — respondendo a exclamação de Safira, o vento parece afirmar em zombaria infinita.
— Porra! — o trio responde em um palavrão harmônico enquanto o vento começa a girar e gargalhadas começam a ecoar junto com palavras sem sentido ao vento como “Idiota” ”Voadeira” ”Bruxa” sempre com um tom místico, mas propositalmente idiota.
As estátuas são jogadas contras as paredes enquanto o vento fica mais forte. O arqueiro e a ninja se segurando ao tanque resistem ao vento, enquanto Safira é levada junto ao ciclone.
Enquanto Safira fazia cosplay de roupa suja na máquina de lavar. No centro do ciclone a forma sombria de vento começa a se solidificar em um tipo de elfo negro com uma única perna enquanto ao mesmo tempo o gorro vermelho se materializava em sua cabeça.
— Aqui esta, elemental do vento, espírito da malcriação, o melhor, o magnífico, Saci! — O vento começa a ressoar com glória e pomposidade com a afirmação do Saci.
Quando ele finalmente aparece, o vento cessa, fazendo a força parar e jogando safira para o próximo corredor.
Ainda deitada, tentando recuperar fôlego por causa do golpe safira vê o trio de heróis se preparando para a luta, o arqueiro invoca outros três cães de fogo, o tanque brilha com uma aura metálica e a ninja saca suas adagas enquanto seus olhos e boca começam a emitir fumaça.
O Saci observa seus adversários olha para trás vendo Safira e sorri… ele levanta sua mãos e com o estalar de dedos, o caminho se fecha com uma porta de pedra…
Safira estava sozinha agora, enquanto os sons de batalha começam a ecoar.
Safira estava com todas as poções e consumíveis do trio…
— Fudeu, Fudeu, eu tô fudida!
***
Ela estava sozinha de novo, como sempre.
Com apenas um corredor de raízes a frente e uma parede de rocha obstruindo a fuga daquele lugar.
“As vezes penso se isso era realmente o que eu queria pra minha vida” pensamentos a parte Safira fica ansiosa com o resultado da batalha, tudo o que restava a ela era esperar de qualquer forma, seguir em frente naquele momento era suicídio.
Mas em meio a sua preocupação, ela pareceu observar algo de canto de olho vindo do corredor.
Olhando melhor… era uma figura humanoide derretida com um aspecto lamacento “lama viva!”
— Bem, se eu morrer agora… pelo lado bom eu não vou ter que me preocupar com meu irmão.
“Mas não custa tentar!”
Indignada com seu destino, Safira retira sua bolsa colocando-a no canto do corredor enquanto sacava seu facão.
“Se tudo o que ouvi na TV tá certo, então essa coisa é só um slime diferente, é só eu acertar o núcleo e ela morre, simples”
A criatura era lenta, talvez pela falta lama no caminho, já que, a cada passo que ela dava um pouco do seu corpo ficava grudado ao chão algo comum pra esse tipo de criatura.
“Como um peixe fora d'água”
Safira tremia, mas sua mente parecia raciocinar uma resposta simples para o problema, ao invés de esperar, ela pegou um escudo reserva do tanque na mochila e começou a se aproximar da lama viva.
A cada passo ela fica tensa.
Ao chegar perto do monstro, um cheiro de planta podre e morte caíram no nariz de Safira.
A criatura percebendo a aproximação se preparou para atacar, mas antes que pudesse.
*Bak!*
Ela foi atingida pelo escudo, normalmente isso não iria afetar tal criatura, isso é claro, se estivesse em seu ambiente natural, mas o monstro não tinha esse raciocínio.
Ela espalhou seu corpo pelo chão e o manipulou para assumir a forma de espinhos, mas boa parte de seu corpo grudou no chão, mas tudo que ela precisava fazer era colocar mais for~
*Crack*
Com um golpe de sorte, Safira destruiu o núcleo com um corte, o monstro se “desfez” só deixando sua estrutura gelatinosa que a mantinha de pé e o cristal que guardava seu espírito.
Os olhos de Safira brilharam, limpando o cristal lamacento em sua roupa ela viu seu brilho opaco.
“Rank E tá explicado por que foi tão fácil, bem, dinheiro é dinheiro”
*Plak* *Plak*
Como o som de passos abafados por um líquido pegajoso, outros dois lama vivas caminham até Safira…
“O porra” — O porra — com mente e corpo sincronizados pela adrenalina da batalha, Safira se preparando para possivelmente morrer ou lucrar muito. Safira ficou empolgada, mas não o suficiente para duvidar da morte.