Capítulo 7: Sonho do assassino
Faz anos que Safira não consegue sonhar, talvez pela sua cama ser um sofá, ou pela quantidade inumana de trabalho braçal que seu pequeno corpo foi forçado a fazer.
Mas hoje, ela finalmente descansou como há tempos não fazia.
Sonhos normalmente são caóticos, mas para Safira era só questão de tempo até ela chegar em uma única cena…
Sua primeira vítima.
Dizem que para se tornar um assassino basta matar alguém, para se tornar um monstro é preciso matar por prazer, mas quando se está encurralada, até um coelho pode cegar um lobo.
Ela mal se lembrava do dia e talvez nunca se lembrasse, mas desde que ela “Ascendeu”, suas memórias se fortaleceram junto.
Lembranças que agora, sua mente estava forçando para fora como se fossem impurezas, mas essa era com certeza era a mais forte delas.
Era um dia como qualquer outro, ela tinha 14, e sua vida já estava um caos, ainda mais do que agora.
Ela mal tinha dinheiro pra comer e ainda era roubada pelo seu próprio irmão, na época era inocente demais para acusar seu próprio irmão “eu perdi” ou “devo ter gastado” eram comuns em sua mente, mas que a deixavam deprimida ao extremo.
Mas na véspera do dia da independência, um “cobrador” apareceu, seu irmão não estava lá, e ele queria o dinheiro.
E Safira não tinha o dinheiro… ela apagou
E então Safira acordou...
Ela não sabia o que tinha acontecido nesse período, mas sabia o final, como um flash de luz que a assombrava constantemente. Uma faca perfurou o pescoço do homem enquanto suas mãos ficavam sujas de sangue, sua garganta parecia rasgar com os gritos terror e medo enquanto continuava a apunhalar o homem.
Seja por sorte ou talvez por influência do divino, ninguém venho comprar pela vida do homem… mas agora, Safira estava com medo…
Medo de morrer.
Medo de falhar.
E durante um certo tempo, medo de homens no geral.
Mas sua mente aos poucos foi apagando o medo e sumindo com as memórias… Mas agora que ela estava mais forte resolveu enfrentar a memória de frente.
— Não fui eu… — murmura Safira em meio a seu sono.
Aquilo que faltava em suas memórias, um homem escondido nas sombras que matou o cobrador com um golpe na cabeça.
Sumindo nas sombras como se nada tivesse acontecido, mas seu olhar, era sombrio ao extremo, enchendo a alma de Safira com escuridão.
Naquela tenda médica, Safira chorou.
Um pouco do seu medo sumiu, mas ainda existia aquele medo inquietante de insegurança, mas ainda assim as lágrimas caiam, não tinha sentimento nelas, apenas veneno e impurezas que seu novo status começou a expulsar.
Safira não percebeu… mas as lágrimas fediam a podridão.
***
A cidade é linda. Maravilhosa.
Devido ao estado do mundo muito da arquitetura mudou, mais segura, mais robusta, mais prática.
Mesmo assim, o Brasil continua a mesma coisa, tirando é claro, um pouco mais colorida.
Entre muitos prédios antigos e construções mágicas que desafiam a física estava a sede da guilda Atenas no Brasil.
Era um prédio simples que ocupava quatro quarteirões e as ruas passavam por dentro da estrutura por túneis de vidro revelando um jardim cheio dos mais diversos monstros e plantas mágicas.
Tais guildas existiam desde os primórdios da humanidade, mas agora que a magia existe tais organizações se tornaram mais “oficiais” uma união entre os poderosos heróis e os habilidosos artesãos e mestres em diversas áreas com o intuito de limpar o mundo dos mal e da injustiça.
A primeira guilda foi fundada pelo governo da Coreia, talvez pela cultura de massa do país já conter dezenas de histórias sobre portais e heróis eles se adiantaram em regulamentar esses novos e poderosos indivíduos o mais rápido possível, se aproveitado que a força bélica ainda podia controlar e os forçaram a trabalhar para o bem do país eles ergueram a bandeira para outros países fazerem o mesmo.
Inspirados, os países de primeiro mundo começaram a criar suas próprias guildas governamentais.
A Patrulha Europeia.
Heróis Unidos da América.
A Academia Celestial, tudo bem que essa era mais uma escola do que uma organização de controle de super humanos, mas como pertence a China acabou sendo a mesma coisa.
É claro que tudo mudou quando a primeira guilda fundada exclusivamente por super humanos foi fundada.
Guilda Atenas.
Fundada obviamente por Atenas, que podia ser considerada tão deusa quanto a própria deidade greco romana, a primeira super humana de classe B que depois virou a primeira rank A. Ela conquistou seu lugar ao Sol e fundou sedes em lugares que não possuíam guildas e logo se tornou a número 1 do mundo.
Neste momento na sede da guilda Atenas do Brasil acabou de tornando uma das mais movimentadas devido a uma reunião importante que acontecia…
— A primeira fissura rank S foi localizada.
Em um telão, havia uma beleza que chocava o mundo sempre que aparecia, olhos verdes pela branca como a neve, cabelos negros cacheados como as ondas do mar. Atenas. Sua voz parecia meio estranha devido ao software de tradução em tempo real, mas ainda era confortável de se ouvir.
Nessa sala, vários indivíduos, vestidos de terno ou com roupas estranhas dignas de cosplayers em uma convenção de cultura pop estavam sentados e tensos.
A mesa é um semicírculo onde no meio, um mapa do Brasil com várias marcações estratégicas e indicações de zonas indicando influência de outras guildas, mas uma dessas marcas era maior e mais brilhante.
— Localizada na antiga capital Brasília, segundo nossos batedores ela se chama [Ponto Zênite] a fissura parece liberar uma aura opressiva que até mesmo os monstros evitam, a missão de vocês é mantê-la oculta do mundo até que uma equipe seja formada. — Atenas falava seriamente, seus olhos eram frios e belos, algo que contrastava com a cor esmeralda e ao mesmo tempo era como olhar para um fosso de almas.
— Mas senhora, monstros de rank S já saem de ras~fissuras de rank A+, que tipo de aberração poderia acabar escapando dali? A retido que espalhar a notícia séria a melhor escolha é — antes que o homem pudesse terminar ele é interrompido por Atenas — Enviaremos reforços, transmissão encerrada.
Com o desligamento da tela uma série de exclamações e insultos ecoam pela sala.
— O que nós vamos fazer!?!
— Aquela alemã filha de uma.
— É isso, vai tudo pro caralho mesmo, eu não sou pago o suficiente pra isso! — o homem que falou isso foi o primeiro a sair da sala o'que acabou criando um efeito em cadeia de pessoas desesperadas e xingamento sujos, mas não importava o quão desesperados ou tristes aquele grupo estava, todos saíram em silêncio depois de um tempo, menos 1, que após sair entrou em outra sala de reuniões, dessa vez com um grupo de três pessoas lá, sozinhas em uma mesa redonda.
Uma mulher de cabelos negros e com um coque, tinha um olhar negro afiado, mas estava claramente nervosa o que destoava completamente suas roupas que a faziam parecer uma female fatal.
Um homem alto com um capuz verde que cobria todo seu corpo junto de um cãozinho de fogo no seu colo.
E um ruivo cheio de sardas e com roupas de alguém que acabou de malhar com um top suado e shorts típicos de academia.
Era o trio de heróis que levou Safira para o rasgo.
— Atenção contratados, começando a chamada.
— A gente precisa disso? — Mika perguntou, mas foi recebido pelo olhar estranho do homem de terno.
Na verdade ele em si era estranho, tirando o terno seu rosto velho e redondo tinha uma cicatriz no olho direito e seu olho esquerdo era como o de um ruminante, com pupilas horizontais e quadradas o que tornava olhar para seu rosto um desafio como se ele pudesse ver a sua alma.
— Senhorita Mika — com sua frase iniciada todos entenderam que mesmo só tendo três pessoas na sala eles teriam que responder a chamada.
— Mika, classe ninja, herança [sombra] presente!
— Senhor Marcelo.
— Marcelo, classe arqueiro, herança [chamado do espírito] presente!
— Senhor Jaime.
— Tem como não — Normas da guilda senhor “Juca” — interrompe o homem.
— Arff, Jaime, classe guerreiro, herança [Ode de aço] presente.
— Eu sou o superintendente Young e é um prazer estar com vocês.
Quando toda essa cena terminou, ele se sentou a mesa e tirou um tablet de seu terno, já com a tela ligada, havia uma notícia.
—#####—
[Garota vira heroína após matar monstro rank B!]
[A comunidade de transcendência afirma ser a prova cabal de transcendência via FEITOS!!!]
[Queda de cabelos como evitar!!!]
[Veja o que os FAMOSOS estão fazendo!!!]
—#####—
— Caramba, chá de chifre de sátiro evita queda de cabelo! — "eu preciso conseguir alguns desses chifres" pensa Marcelo enquanto ignora completamente as outras manchetes.
— foco senhor Marcelo! — seu olhar parecia uma lança principalmente pelo fato de ele nem mover o rosto da tela mais ainda parecer estar observando Marcelo.
— Olha… a gente não fez nada, ela nem ao menos matou a criatura, só umas lama vivas rank E, até meu velho consegue fazer algo assim.
— Explique isso pra mídia, senhorita Mika, mesmo assim, eles vão fingir não ouvir pra vender mais, na minha época eles nem ousariam fazer isso, esse abutres de terno. — o homem parecia ainda mais irritado agora.
— Tá mais, o que a gente faz? — Juca pergunta, enquanto nervosamente olha para as suas unhas sem coragem de olhar na cara do homem — Tipo… a gente encontra ela? Ela realmente transcendeu?
— Não procurem ela. Se ela não tiver talento a mídia não vai ter embalo para agir, mas enquanto isso, vamos ter que lidar com a mídia fazendo pressão sobre a guilda… por enquanto, dêem ênfase nessa história absurda.
— O QUE?!? — gritam os três com surpresa.
— É bem simples, quando ela se provar sem talento, simplesmente vão considerar que foi uma pedra caindo na água, faz muito drama pra pouco estrago.
— Mas e se a pedra for grande demais? — pergunta Mika, ela tentava olhar para os olhos de Young sem desviar o olhar.
— Vamos estar com sorte ou azar, vai depender do dia.
— Muito explicativo… tá eu vou pra casa — Marcelo tenta se levantar mas acaba parando depois de ouvir a próxima frase do homem.
— Agora sobre a passagem secreta da Dungeon… vocês vão explicar isso?
O trio gelou, aquela conversa não ia ser nada rápida…
Nota: Eu tava doente, vou postar mais uns 2 capítulos essa semana só pra compensar