Capítulo 8: Saída dramática.
Já fazia 2 dias e 10 hotas que a expedição de coleta começou, Safira estava mais "atrasada" que os outros, mas com certeza tinha lucrado mais… pelo menos na cabeça dela.
“8 cristais rank E e um Rank D isso dá mais de 3000… ainda não é muito, mas já vou poder comprar carne processada esse mês… esqueça a carne, eu sou uma heroína agora, eu vou comer filé e picanha!”
Safira se animou ainda mais, agora com seu uniforme limpo e equipamentos devidamente checados ela estava pronta… tirando que o facão dela sumiu sem deixar vestígios, ela tinha certeza que quebrou na luta contra o monstro mas não tinha provas quanto a isso “mais uma dívida pra conta então.”
Conformada, saiu da tenda e viu a cena desolada deixada nesse ambiente.
A areia e o chão foram roubados até não sobrar nada além de rochas, o mar que parecia infinito foi completamente esvaziado, o castelo desapareceu, todos os trabalhadores se preparavam para sair, não havia mais nada pra Safira roubar… quer dizer, coletar.
“Bem… fim do expediente.”
Ela foi até a saída do portal dando seu adeus a esse bolsão dimensional sucateado.
Enquanto ia embora, percebeu os olhares de respeito dos trabalhadores para com ela, as máquinas de mineração entrando e saindo, mas principalmente um monte de gente estranha olhando pra ela “heróis” olhavam pra ela com dúvida e inveja, algo que ela não entendeu.
— Senhorita Safira? — perto da saida, havia uma mulher de terno, ela era bem comum tirando seus olhos cinzas.
— Sou eu, e você é?
— Sou do governo, vim entregar isso a você, tem até 7 dias úteis para aparecer e fazer seu cadastro, não se preocupe, o processo é simples. — A mulher tira um papel do meio de seu terno e entrega a Safira saindo logo depois como se algum tipo de desastre fosse acontecer, Safira não importou então olhou para o papel.
“Um panfleto sobre o cadastro de super humanos, é obrigatório, mas não entendi por que ela entregou isso agora ao invés de, Aai!” seu pensamento é interrompido por feixes e mais feixes de luz machucando sua retina e cegando ela temporariamente, câmeras, repórter, gente da internet, eles começaram a bombardear Safira com perguntas em um caos no qual ela mesma conseguia entender algo, mas que jurava ter ouvido uma pergunta sobre namorado e filhos.
Ela se espreme e corre desse câncer em forma de mídia, agora que ela era um rank E em força era o equivalente a um atleta profissional e mesmo que não pudesse enxergar muita coisa agora ela podia correr mais rápido que um bando de humanos a pé, uma pena que sua constituição era bem abaixo disso, então após um longo período de fuga ela agora fungava como um porco escondida no meio do lixo… que ela acabou caindo sem querer… ela nem teve tempo de entregar o equipamento… logo ela dela, mesmo assim Safira estava mergulhada em lixo.
—Mas… ah… que… ah… merda!
(Nota: odiei escreve esses pontos, mas não tinha forma melhor de demonstrar que ela estava ofegante já que usando vírgula fica muito estranho.)
***
Safira faz seu caminho de sempre até sua casa, subindo o morro enquanto fede a lixo e suor, pelo visto algumas coisas não mudam.
Chegando a sua casa, ainda é o pôr do sol, praticamente invisível devido a grande floresta de concreto abaixo, mesmo que ela tentasse ver algo, tudo era cinza e meio esfumaçado.
Ao entrar em casa, ela esperava ser recebida com a visão triste daquele lar… ironicamente, não foi isso que ela encontrou.
Sua casa não era sua casa, era uma sala pequena feita de madeira quente e cheia de vapor.
E lá dentro havia três pessoas.
Pedro, irmão de safira, claramente nervoso.
Um dos homens que geralmente cobra seu irmão Pedro, um rapaz com o tom de pele bronzeado e com cara de poucos amigos.
E Emanuel, um herói rank B… um homem que tinha músculos inchados, um rosto quadrado e uma barba por fazer.
Todos eles só de toalha numa sauna enquanto Safira, uma mulher, entra…
— Nossa convidada de honra chegou, sente-se. — seu tom era de clara ameaça, mas a vergonha e bom senso de Safira falaram mais alto.
— Por que vocês estão assim! Aqui! Por que!?!
— Você não ouviu senta aí!
Pak
O capanga que falou isso levou um tapa na nuca.
— Sai rapidinho daqui querida, volta daqui a pouco pra dá tempo da gente se trocar.
Emanuel depois de dar um tapa no capanga se levanta, estalando seus ossos do braço e da espinha em sinfonia.
Safira, com a cara vermelha, fecha a porta rapidamente.
“Velho maldito! Velho tarado maldito!!!”
Esperando uns três ou quatro minutos, Safira volta a entrar, ela estava em sua casa, velha e acabada, mas na cozinha (que ainda era a sala), os homens estavam vestidos e sentados, bem… quase.
Seu irmão estava com as roupas todas amassadas, o capanga estava abotoando uma camiseta de botões e Emanuel estava só de shorts.
— Agora sim, pode se sentar. — um sorriso venenoso se abre na cara de Emanuel
Safira caminha até a última cadeira, uma de plástico velho e bambo de uma das pernas.
Ao sentar, Emanuel inicia a conversa de uma forma inesperada para Safira.
— Entre pra guilda Shiva.
Safira esperava qualquer coisa, extorsão, fazer serviço questionáveis ou até ser cobrada pelo homem que ela já matou, o que no final ainda seria extorsão.
— Por que?
— Não estamos te cobrando dessa vez… na verdade você não deve nada — ele olha para Pedro ali sentado e depois olha pra Safira — ainda.
Um sorriso se abre em seu rosto… ele parece esperar alguma resposta de Safira… O silêncio começa a ficar estranho.
— Contínua… ou era só isso?
Safira não tava pra paciência com isso, quanto mais cedo isso acabasse, melhor pra ela.
— Entendo, entendo — ele começa a lamentar em um claro deboche — viemos como recrutadores, e recebemos uma comissão por recrutas, entende?
Safira já sabendo onde isso ia dar e como ia acontecer resolveu agir, agora ELA tinha uma vantagem aqui, e principalmente, eles precisavam dela, um pouco pelo menos.
— Tá… isso vai contar como pagamento da dívida.
— Não viemos como cobradores. — sorri Emanuel
— Eu não tô perguntando…
O clima pesou, o capanga parecia querer sacar uma arma, mas tudo que ele encontrou foi o vazio do seu bolso. O irmão de Safira estava apavorado. E Emanuel ainda sorri, dessa vez de forma genuína.
— Claro, vamos fazer assim, se seu potencial for pelo menos rank B, eu limpo metade da dívida do seu irmão.
— 75%
— Estamos falando em porcentagem hein? bom, bom… a comissão não é tão alta então 20% da dívida — o sorriso de Emanuel se iluminou, até seus músculos pareciam brilhantes.
— Tá eu aceito a metade. — A partir daqui safira perdeu completamente ela sabia disso.
— 15% — o sorriso do homem parecia que ia rasgar seu próprio rosto.
—TÁ 15!
Safira perdeu feio.
Pelo menos por enquanto.
***
Já era tarde, Emanuel e seu capanga Denis estavam a caminho da sede da guilda Shiva, o capanga dirigia enquanto Emanuel bebia uma cerveja.
— Chefe, posso perguntar?
— Manda bebê — Emanuel estava relaxado, olhando para o teto solar daquele carro que era espaçoso, mas pequeno, ele claramente estava pensando em algo a mais.
— Por que negociar com aquela garota? Ela mal tem onde cair morta, ela deveria nos agradecer. — Denis aperta o volante até os noz dos dedos ficarem brancos, ele não gostava de ser contrariado, mas sabia que sem poder ele viraria um presunto pra monstros em algum rasgo, então preferia se manter na paz.
— Ah Denis, você tem muito o que aprender sobre esse tipo de coisa, transformar dívida em lucro e lucro em dinheiro.
— o que? — “Do que o chefe tá falando, lucro e dinheiro são a mesma coisa… né?”
— Nem toda carne do porco é boa pra cozinhar ou assar é por isso que eles fazem salsichas e vendem pelo quíntuplo do preço que essas carnes custam de verdade, se dá pra vender lixo pelo preço de ouro por que recusar.
— Tipo vender água no deserto?
— É isso aí — e com essa resposta seca, o clima no carro fica desértico, mas na mente de Emanuel algo ainda ecoa, um ódio misturado com agonia.
“Depois disso eu não vou te dever mais nada garota… se não fosse aquele merdinha eu nem te deveria nada pra início de conversa, ele devia me agradecer por não ter feito nada… aquele demônio das sombras”
*CRAK!* BRINKS!
O barulho da garrafa de cerveja invade o carro todo.
— CHEFE!
— Tá tranquilo, tá tranquilo, apertei demais a garrafa… — ele estava calmo enquanto olhava pro álcool derramado no carro, medo e raiva misturada com desejo se tornando vingança… “Um dia…”
Nota: minha internet tá ruim, tô a base de dados móveis, talvez só poste o resto no domingo, estão vou continuar a revisar meus capítulos e lançar mais de 1 semana que vêm.