Já haviam se passado 5 anos após o sacrifício de Abel, mas mesmo assim, a humanidade continuava sem saber da existência de seus próprios poderes.
Michael, um sobrevivente de agora 15 anos, treinava sem parar pra que pudesse entrar no exército de combatentes de monstros, mesmo que os humanos não tivessem como mata-los.
Sua baixa estatura e seu cabelo raspado apenas de um lado era algo incomum entre todos os outros dali, fazia com que ele se destacasse, afinal era o único que poderia se dizer, inadequado, para o treinamento.
O real propósito do exército era servir como distração, para que os cidadãos comuns das bases fundadas pudessem ter tempo para escapar da morte de novo.
Michael que estava em seu quarto treinando seu corpo através de flexões, sente um arrepio percorrer em todo seu corpo, junto do arrepio sentia um choque que faziam seus dedos arderem e seus músculos se contratairem.
O garoto acaba falhando e batendo o rosto no chão, a sensação da queda foi quase que um tapa fraco vindo de frente, afinal estava bem perto do chão quando seu corpo decidiu falhar.
Michael: “...Grr... Só 30!...”
Ele bate no chão, totalmente frustrado por não conseguir passar de 30 flexões, se sentia um lixo comparado a todos os seus colegas que sempre dispararam, tanto fisicamente, quanto mentalmente na frente dele.
Michael: “É melhor eu descansar...”
Michael suspira, e então se levanta. Ele pega uma camisa de manga curta cinza, um casaco de moletom básico preto, substitui sua bermuda por uma calça baggy preta e por fim põe seus tênis brancos que já estavam totalmente sujos de areia. Após sair de seu quarto, se depara com seu melhor amigo, Alvin, um garoto da mesma idade que Michael, porém bem mais alto, o suficiente para ser um jogador profissional de vôlei e atacar sem problemas, cabelos longos e escuros, olhos castanhos e amigáveis, além de uma pele um pouco mais bronzeada.
Alvin: “Eae Mike, como vai?”
Ele da alguns tapinhas no ombro de Michael enquanto cumprimenta o mesmo.
Michael: “Eu vou bem...”
Diz num tom claro de irritação misturado com frustração.
Alvin percebe isso e se afasta, tentando ser mais confortável.
Alvin: “O que acha da gente dar uma volta, mano?”
Michael: “Eu já ia fazer isso.”
Alvin então pensa em uma sugestão de local convecesse Michael a ir junto.
Alvin: “Que tal a praia?”
Michael relutante pensa se deve aceitar ou não.
Michael: “...eu acho que... é uma boa ideia, talvez.”
Alvin: “Talvez, huh?... Não vejo a hora de você conseguir se decidir quando for pra algum lugar sem ter que me fazer pensar e repensar milhares de vezes.
Michael reage de forma negativa ao deboche disfarçado, mas no fundo ele sentiu um grande alivio por não estar sozinho.
Michael: “Vamos logo.”
O garoto então começa a ir em direção a saída do prédio, sem nem esperar que Alvin concorde.
Por outro lado, Alvin não fica nem um pouco relutante, apenas segue Michael, sabendo que seu plano de animar Michael deu certo por enquanto.
Durante o caminho todo eles ficam em silêncio, mas um silêncio confortável, queriam gastar a voz apenas quando chegassem no ponto de interesse, mas esse silêncio se quebra ao chegarem no limite da base.
Alvin: “E ai? Decidiu que hoje vai me mostrar como que você consegue passar por esses muros sem nenhum soldado ter ver?”
Michael que estava observando os arredores de repente pega Alvin pelo pulso e corre até uma das casas que ficavam ali, uma casa amarela e pequena, que estava abandonada havia anos.
Os dois então entram na casa e se escondem, mesmo Alvin não entendendo nada, ele não questiona.
Michael: “Essa casa tem um buraco que dá acesso ao lado de fora, é assim que os soldados saem pra caçar.”
Alvin: “E por ser perigoso, é proibido entrar aqui, isso?”
Michael sorri ao ver que Alvin tinha entendido o porquê de estarem naquela casa.
Michael: “Bom, antes que pergunte, afinal eu sei que vai. Essa casa não foi registrada como acesso restrito pois só trariam mais curiosos do que o comum, e também, eles costumam eliminar os que entram na casa ou os que tentam sair da base.
Alvin: “Então acho melhor irmos agora, antes que vejam a gente moscando aqui dentro!”
Alvin sentiu um pouco de medo ao saber que poderia ser morto se fosse visto ali.
Já Michael, muda o olhar de direção, em seguida respira fundo e corre em alta velocidade para o cômodo onde estava o buraco e entra nele. Alvin também faz a mesma coisa, mas um pouco mais desajeitado pela impulsão despreparada.
Ambos os garotos, após entrarem no buraco, rolam até a saída, que larga ambos na parte interna de um rio.
Michael é o primeiro a sair de dentro do rio, em seguida Alvin também sai com dificuldade. Os dois garotos se escondem em arbustos, com medo de que a vigia da pequena muralha os visse.
Ambos: “. . .”
Os minutos se passam, finalmente era hora de agir, os dois correm para a direção oposta da muralha da base, indo a oeste, onde ficava o mar.
Após muita caminhada, eles finalmente conseguem ver aquele enorme horizonte, com um vasto oceano e um terreno arenoso.
Alvin: “Chegamos... A gente finalmente chegou!”
Ele sorri e abre os braços, aproveitando a brisa.
Michael: “pelo jeito sente falta de tomar um banho de mar, não é mesmo?”
Alvin fica indignado com uma pergunta tão óbvia.
Alvin: “claro que sinto! E você, não sente?”
Michael: “Nem tanto... Não consigo me lembrar muito do mar antes de começarem as guerras e os monstros surgirem...”
Alvin então relaxa os braços novamente e então olha para Michael com um aspecto um pouco mais abalado.
Alvin: “Ouvir isso foi bem deprimente, viu? Afinal... sinceramente nem eu me lembro direito.”
Os dois ficam em silêncio total.
Alvin: “...Hm...”
Alvin finalmente toma uma decisão, e corre em direção ao mar.
Ele correu na única direção que podia, a única direção que faria com que ele pudesse entender finalmente aquela angústia que sentia agora.
Ele sente seu peito bater mais rápido a cada passo, uma obsessão em conhecer o que havia perdido de sua infância. A sensação que num instante seria perdida.
De baixo da areia surge um dos monstro-anjos, e devora a metade de baixo do corpo de Alvin.
Michael que observava tudo de longe não conseguiu processar aquilo. Ficou parado, encarando seu amigo que agora partido no meio.
Michael perde o ar, seus pulmões pareciam estar encolhendo, sua cabeça doia como se batessem nela com uma marreta densa e pesada, seu coração parecia estar parado e pulsando ao mesmo tempo, o suor escorria, a respiração mais intensa, o suor escorria, o coração batia, a respiração mais intensa, o coração batia, a respiração-...
Michael: “Alvin!”
Ele corre até o resto de seu amigo sem nem pensar duas vezes, mas tropeça no meio do caminho por conta de uma fraqueza repentina em sua perna.
Michael: “Agh! Droga!...”
O garoto se levanta e continua seu rumo. Ofegante, se ajoelha do lado do corpo já sem vida de Alvin.
Michael: “Não, não, não não! Acorda cara... Alvin! Acorda!.. Por favor...”
Michael sente a areia tremer debaixo de seu corpo, um arrepio instintivo faz com que seu corpo se lance para trás, assim, ele acaba desviando do anho que tentou o atacar, mas no fim só acabou devorando os restos de Alvin.
Michael engole a seco, suas pernas travaram no lugar, era como se a areia puxasse suas pernas para dentro dela.
Ele tenta ir para trás usando as mãos - Eu não quero morrer -, se arrasta e suja sua roupa com areia - Eu não quero morrer -, mas já era tarde - Eu não quero morrer -, aquele mesmo tremor, o anjo então-
Michael: “Eu não quero morrer!”
Ele se ajoelha e aponta a palma da mão em direção ao chão, onde no instante em que o anjo sai milimetricamente da areia, ele consegue perfurar o monstro com algo que nem mesmo ele sabia o que era ao certo.
Mesmo assim, não sairia ileso, o monstro explode, fazendo com que Michael voasse longe batesse a cabeça em uma árvore, perdendo a consciência.