No dia seguinte, Michael e John já estavam de prontidão do lado de fora da base, Michael ainda com a camiseta preta, mas com uma calça e botas militares, enquanto John estava completamente fardado.
John: “Preparado para primeira missão, carinha?”
John pergunta fazendo alongamentos peculiares, Michael também estava se alongando, mas de forma mais leve.
Michael: “Bom, eu acho que eu to, é só uma missão de caça mesmo.”
John: “Vamos ver se conseguimos achar um Veado ou um Lince.”
Michael: “Um Lince?!”
Michael para seu alongamento, surpreso, não esperava que fosse ser tão arriscado assim, talvez fosse só parte da mentalidade jovem dele tentando lidar com isso.
John: “Pff! Hahahaha! Cê tinha que ver a sua cara, foi hilário!”
John quase cai no chão de tanto rir, mas é para em seguida por causa de Custer que estava vendo tudo la do alto.
Custer: “Soldado, pare já com isso!”
Por outro lado, o garoto que veio a virar motivo de risada, estava irritado com isso e também envergonhado.
Michael: “Grr...”
John finalmente fica quieto, se aproxima de Michael e da alguns tapinhas nas costas dele, Michael não entende muito bem, mas não era algo que o incomodava, na real, isso trazia uma sensação de que seu falecido amigo, Alvin, estava ali, pois o rapaz também tinha mania de dar alguns tapinhas leves em Michael. John então faz um sinal para Custer e se afasta novamente de Michael.
Michael: “O que foi?...”
A pergunta de Michael saiu com uma voz tímida e curiosa, mais calmo por causa do conforto recém recebido.
John: “Vamos então, carinha?”
John responde de forma indireta, porém fácil de entender, fazendo Michael apenas sinalizar um “Sim” com a cabeça. Durante o caminho, tanto Michael quanto John estavam em um silêncio desconfortável, afinal o ar do lado de fora da base era mais calmo, calmo até demais e isso trazia esse desconforto à parte. Andando mais um pouco, eles chegam na mesma praia em que Alvin havia morrido, John segue o caminho, mas Michael não consegue, ele gruda no mesmo lugar e começa a tremer.
Michael: “...”
John olha para o garoto que estava com um semblante triste, ligou os pontos e voltou alguns passos até ele.
John: “Foi... Foi aqui, não é?”
. . .
John: “Michael, responde, foi aqui que o Alvin foi-”
Michael: “Cala a boca!”
Michael de cabeça baixa confronta John em um momento sensível, estar naquele lugar não fazia mais sentido na missão.
Michael: “A droga da missão era caçar um animal, então por que diabos a gente tá aqui?!”
John: “Michael, se acalma...”
Michael: “Responde a minha pergunta primeiro!”
John: “Carinha, vamos deixar isso de lado, ok?...”
Michael: “Seu... desgraçado!!!”
Michael parte pra cima de John e o derruba no chão.
John: “Ai!”
Michael: “Fingiu ser legal comigo só por causa da droga do seu capitão, não é?!”
John: “Não é isso, eu-”
Michael acerta um soco pesado no meio do rosto de John, fazendo seu nariz sangrar.
John: “Ai! Merda!”
Michael: “Foi o que eu falei ontem?! Eu tenho certeza que foi! só por que eu provavelmente matei a droga do Anjo! Você e o Custer estavam planejando o que me trazendo até aqui, hein?!”
Lágrimas de raiva escorriam pelo rosto do garoto que agora estava descontrolado, o estresse no qual havia sido acumulado nos últimos dias estava finalmente fluindo em seu corpo inteiro, fazendo seu sangue ferver, dando ao garoto uma vontade absurda de apenas descontar tudo em algo ou alguém. Já preparado pro próximo soco, John impede Michael e o tira de cima dele, jogando o garoto pra longe, assim, se levantando logo após se libertar.
Michael: “Argh”
Após ser jogado longe, Michael se levanta imediatamente e parte pra cima de John de novo, que o impede com um soco na barriga, fazendo o garoto cair no chão.
Michael: “Arghh! Aai!”
O corpo do garoto se contraia no chão por conta do soco que havia recebido, estava acostumado com brigas, mas não aquelas que ele levava a pior.
Michael: “Arf... Bhur!”
Michael vomita antes mesmo que pudesse notar, o soco havia pego em uma região sensível que o fez vomitar, ele apenas ficou ali, atirado no chão como se não fosse nada, se sentindo um nada, se acalmando aos poucos.
John: “Me desculpa por isso, mas você tava fora de si...”
Michael: “...”
John: “Certo, eu vou dar uma olhada ao redor, eu sei que consegue se mexer caso algo aconteça, então não hesite.”
O jovem soldado deixa Michael sozinho, apenas ao som do mar no fundo, a única coisa que não queria ouvir naquele momento, era como tortura, mas, uma tortura que o fazia perder a vontade de sequer escapar da mesma. Os minutos correm, nenhum sinal de John, talvez tivesse apenas abandonado o garoto naquele estado deplorável depois de presenciar uma instabilidade emocional tão grande em relação ao seu amigo, bom, seja lá o que John tenha ou esteja fazendo, ele não estava mais ali.
Michael: “...”
Os olhos do garoto estavam cada vez mais pesados, os sons do mar, do vento e dos passáros cada vez menores, tudo se isolava a um único som, uma voz doce de uma mulher, uma mulher igualmente doce, era o que ele pensava.
???: “Acho que chegou a sua hora, rapazinho.”
Michael: “Você... Você é a morte?...”
Morte: “Haha, interessante, então sabe que desistiu.”
Michael: “Eu não esperava outra coisa mesmo...”
A mulher então vira de costas para Michael.
Morte: “Eu adoraria dizer que você teve uma vida curta e que eu te levaria daqui, mas, acho que errei em vir neste momento, pode se dizer que... Você enganou a morte, haha!”
Antes que Michael pudesse falar alguma coisa, a mulher some como um fantasma, deixando aquele silêncio.
???: “Levanta! Levanta, vai!”
De longe ouviria alguém gritando desesperado.
John: “Michael!”
Michael se levanta na mesma hora, seu corpo reagiu ao seu nome de maneira comum a uma sensação não tão antiga.
John: “Corre!!!”
Michael olha para John, que estava a cerca de 400 metros dali e entende o perigo imediatamente. Um Anjo, mas com um toque diferente, ainda possuia as características magras de um Anjo comum, menos em seus braços, pois, o Anjo se arrastava ao invés de caminhar ou até correr como em outras situações.
Michael: “Não... Não, não, isso é sacanagem!”
Sua voz tem um desespero áspero, no instante em que viu o Anjo suas pernas começaram a tremer, tentou dar um passo pra trás mas quase perdeu o equilíbrio.
John: “Corre de uma vez, droga!”
John estava cada vez mais próximo do garoto que nem ao menos conseguia mexer as pernas sem quase cair.
Michael: “Você consegue Michael...”
O garoto então se vira de costas pra John, só faltava correr. Deu um passo tímido, depois mais um, mais outro e, assim, foi conseguindo conter o desespero aos poucos. John agora estava a cerca de uns cinquenta metros do garoto, o Anjo, cada vez mais e mais perto. Na mente de John, a situação não podia ser pior, não sabia se deveria mudar de direção e torcer para que o Anjo o seguisse, ou fugir ao lado de Michael que estava se recuperando do desespero. Em um impasse desses, John não conseguia decidir, mas, não deixava de ter uma observação afiada, afinal, é um soldado e estava ali justamente por ser uma escolha de confiança.
John: “Michael! A pedra!”
Michael que estava quase dando partida ouve aquilo e se arrepia, o grito não era um pedido de ajuda, não era desespero, era confiança e liderança, uma ordem. Michael pega a pedra que estava logo ao seu lado e a arremessa com mais força que o seu comum por conta da adrenalina. O jovem soldado observa a pedra sendo arremessada e passando ligeiramente por cima de sua cabeça, acertando o olho do anjo como planejado, afinal, mesmo armas comuns não sendo eficazes para ferir Anjos, isso não impedia de atrapalhar a visão deles, mesmo que apenas por milésimos.
John: “É isso! agora corre!”
Michael consegue finalmente começar a correr, agora lado a lado com John.
Michael: “E agora?!”
John: “A gente vai virar pra floresta, por ele ser muito grande, vai ser mais fácil fazer ele nos perder lá do que em uma área tão plana!”
Michael: “Entendi!”
John então levanta sua mão, sem perder o ritmo, fazendo uma contagem regressiva com seus dedos, três, dois e um.
John: “Vira! Agora!”
Ambos viram para a direita de forma mais aberta, evitando escorregar na areia com uma parada brusca, diferente do Anjo, que para de uma vez e acaba ficando alguns segundos para trás, aumentando as chances dos dois fugirem.
John: “Boa! É só focar!”
Disse John, que no mesmo instante cai feio, tropeçando em uma raiz, batendo seu joelho com força no chão, fazendo com que ele não conseguisse se levantar.
John: “Argh! Maldição!...”
Michael para de correr na mesma hora e olha para trás.
Michael: “John!”
John: “Vai na frente!”
Michael se aproxima de John e ajuda ele a se levantar, no mesmo instante, John agarra Michael e joga ele pra longe. O soldado havia feito isso porque o Anjo que os perseguia já estava ali, só Michael que não havia percebido. Enquanto Michael caia, o tempo parecia devagar, mas não era o mundo, era ele, ele sentiu que tudo desacelerou aos poucos, novamente, teria que presenciar a morte de um companheiro.
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Levante seu braço e erga sua espada, lute por aqueles que você quer proteger, lute pelo medo de perder.
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Uma espada flamejante surge em sua mão direita, pronta para ser arremessada, sua mente estava gélida, seu coração ardente. O arremesso é limpo e poderoso, atravessando o olho do anjo, que pode se chamar de núcleo principal, isso o mata instantaneamente, mas, nem tudo era como esperado, metade do braço de Michael havia se queimado com o ato, será que isso vale mesmo uma vida?
-- Obrigado...
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