-- Quanto mais eu tentava, mais eu percebia o quão distante estava do que eu verdadeiramente era. Talvez eu não quisesse ser tão importante, ou talvez, eu não quisesse ser o único a sempre estar sozinho no final.
Ouviria passos familiares, uma voz tão baixa quanto a brisa da cidade, a mesma voz que...
???: “Mano, vai ficar parado ai?”
John olha para trás e vê aquilo que acreditava ter perdido, seu antigo amigo Isaac. Não tinha dúvidas, era o mesmo garoto de cabelos longos e bagunçados que sempre dava trabalho, a mesma roupa de frio que ele só tirava para missões. Seus olhos se arregalaram em dor, o sofrimento que havia guardado por tanto tempo.
John: “Isaac, é você mesmo?”
Ele não sabia como agir, queria se aproximar e sentir com as próprias mãos se aquilo era real, mas, seus pés o guiavam para trás.
Isaac: “Você tá bem, mano?”
A preocupação era genuína, então se aproximou de John e num instante o abraçou.
John: “O... que?...”
Isaac olha pra baixo, seu olhar inocente cada vez mais triste, o aperto nas costas de John.
Isaac: “Eu não aguento mais ver as pessoas que eu amo ficarem destruídas a cada missão que fizemos...”
John: “Foram quantos?”
Aos poucos, aquela questão de ser um sonho se tornou uma confirmação, passou a acreditar que o sonho era sua vida futura, onde tivera sofrendo no presente.
Isaac: “17, incluindo a Lucy.”
John: “Sobre ela, eu já sabia...”
Isaac para de abraçar John e dá alguns passos para trás, ainda com a cabeça baixa.
Isaac: “Mas não podemos ficar assim, certo?... Ela odiaria.”
O jovem soldado olha para o céu e suspira longamente.
John: “Todos eles.”
. . .
Os dias se passam, John aproveita cada momento com seus amigos, cada segundo valia mais que esculturas de ouro, naquele momento, só queria esse sentimento pelo resto da vida.
Acampamentos, missões bem sucedidas, paixões e acima de tudo, algo que já havia vivido, exatamente igual.
. . .
Durante uma noite, John não conseguia dormir, afinal, não fazia sentido, por que o sonho dele estava se profetizando? Talvez devesse evitar a qualquer custo, enganar o destino.
Mais um dia, mais uma missão, mais um dia, mais próximo do fim.
Mais uma hora.
Mais um minuto.
Mais um...
O que é vencer pra você?
. . .
John estava de frente aos corpos já sem vida de inúmeras pessoas de sua base. Um ataque de anjos durante uma missão onde só ele havia sido encaminhado havia resultado nisso, era uma pilha inteira.
John: “...”
Achei que quisesse mudar as coisas, então por que você não tentou? Você é um inútil mesmo.
John: “Não...”
Ele se aproxima mais e mais.
Cada passo seu distorce essa realidade, não é?
John: “É, eu sei, por isso o chão se molda como água e a chuva me atinge como uma agulha...”
Como deve ser estar no seu lugar? Eu fico me perguntando o dia todo...
John: “...”
O Jovem se ajoelha na frente de tantos corpos.
Por que você não quebra de uma vez, hein?
John: “Você só sabe fazer perguntas? isso é um saco.”
Eu quero que me responda, não que faça uma pergunta para o meu questionamento.
John fecha os olhos e coloca as mãos sobre suas pernas.
John: “Por que eu sou um Soldado.”
. . .
O espaço começa a se distorcer cada vez mais, a realidade se torna em um oceano sólido, o céu tingido de vermelho e o tempo...
...Sim, está sob o meu comando.
John começa a afundar no chão, mas não move um músculo sequer.
John: “Não me leve a mal, mas, eu não vou me deixar perder pro passado, podendo ser a âncora que vai defender o futuro.”
Pare de falar como se soubesse como o tempo se porta!
O espaço distorce ainda mais, a alma, o corpo, tudo se separa aos poucos.
“¿Você é o que, afinal” :John
Eu...
Sou...
. . .
John finalmente acordou, de volta ao presente.