17 de Julho de 2036 – 19:46 da Tarde.
Cerca de 3.8km percorridos pelo Sul.
Durante o caminho inteiro, tudo que podia ver em sua volta eram árvores e mais árvores, é uma zona rural, ou pelo menos, era.
19:47 – Registro do espectador:
Ele encontrou um túnel que está diretamente conectado a um distrito. É hora do Show!
19:50 da Tarde.
A cada passo o eco aumentava de forma significativa, a escuridão engolia tudo ao redor do garoto. Ele tira a mochila das costas e a abre, tirando uma lanterna de dentro dela.
Michael: “É isso...”
A voz de Michael ecoa mais alto do que ele esperava, levando um susto com a reverberação natural daquele local.
Depois de pôr a mochila novamente em suas costas, ele finalmente liga a lanterna, podendo ter mais clareza de onde estava e se havia algo por perto.
Michael: “Aparentemente não tem nada... só essas latarias em formato estranho.”
O garoto se aproximava de uma coisa que ele denominou de “escultura de lata”, tinha um formato esticado e algumas cadeiras dentro dele, além de 4 espaços para rodas e 2 portas incomuns.
Michael: “Eu acho que já vi essas esculturas de lata antes...”
Mesmo pensando por longos minutos, ele não consegue se lembrar por nada, soltando o ar com um gosto de frustração.
Michael: “Ah, quer saber? Deixa pra lá.”
Ignorando a escultura de ferro, ele continua seu caminho, um túnel extenso de 200 metros, em si não dava pra entender o que era fora e dentro dele, afinal não havia luz em lugar nenhum.
No meio do caminho, encontrava uma porta semi-aberta, deixando escapar um feixe de luz amarelada e fraca vindo detrás dela.
Michael: “Huh...?”
O garoto, curioso, se aproximou da porta com cautela, estava preparado para qualquer situação, ou pelo menos era assim que queria estar parecendo por fora.
Ao atravessar a porta, foi empurrado por alguém, caindo no chão e não conseguindo ver quem era, apenas ouvindo a porta fechar e se trancar.
Michael: “Não!”
Se ergueu em alta velocidade e olhou em direção a porta, percebendo o maior problema que enfrentaria naquele dia, a porta estava sem fechadura por dentro e aparentemente trancada por fora.
Michael: “Me tira... DAQUI!”
Michael chuta a porta com tudo junto de seu grito, mas de nada adianta, a porta resiste ao chute, sendo sua única reação um barulho alto do ferro. Mesmo assim, ele não desiste, chutando e socando a porta de forma contínua por longos minutos, até finalmente se cansar.
Michael: “Arf... Eu preciso sair daqui, de alguma forma...”
Ele – Michael – olha ao redor, procurando algum tipo de saída, encontrando somente uma saída de ar no teto, que estava alto demais para alcançar.
Michael: “Isso é perda de tempo, sinceramente, talvez eu deva só descansar e pensar depois ao invés de pensar cansado.”
Dando de ombros, Michael se escora na parede, de frente a porta, mal sabia ele que aquilo que ele estava se escorando era um quadro falso, pintado exatamente igual a parede para que ninguém notasse o corredor a partir dali.
Michael: “Ai, droga!”
Após cair de costas no chão, ele se vira para o lado contrário e observa o corredor, percebendo uma possível rota de fuga.
Michael: “Isso foi bem conveniente... Obrigado, sorte!”
O garoto se levanta, quase caindo novamente por causa da superfície lisa daquele piso, mas conseguindo manter o controle e seguindo em frente naquele corredor de mais luzes amareladas.
O corredor se estendia de forma perturbadora, ficando cada vez mais e mais escuro e isso já estava incomodando Michael.
Michael: “Espera... onde é que tá a minha lanterna?”
Ele verifica seus bolsos, mochila, mãos, mochila de novo e nada, até se lembrar de ter deixado ela cair no chão da sala amarelada assim que foi empurrado e simplesmente a deixando para trás.
Michael: “Como eu posso fazer uma coisa tão idiota?! Que saco...!”
Ele se vira de costas para o caminho no qual estava seguindo e corre com toda a velocidade de volta para a sala Amarelada.
No meio do caminho, ele nota algo diferente, uma passagem que não estava ali antes, fazendo-o parar e simplesmente observar ela de forma estranha.
Como estava bem iluminada, seu desejo por sair o mais rápido possível e curiosidade se tornaram um só, tornando isso em uma ação e entrando na sala.
Michael: “Por favor... que me leve à saída...”
Ao se aprofundar mais pela sala, viu outros corredores menores se conectando a outras salas, e conseguia ver mais salas se conectando as salas já conectadas pela a qual o mesmo estava.
Michael: “É... eu to ferrado.”
De repente se sentiu perdido, eram muitos caminhos que provavelmente levariam a mais caminhos, porém... uma coisa era fato, se ele seguisse o caminho do sul, provavelmente sairia do túnel, e considerando que a porta estava a oeste, então entrando no corredor da direita ele deve seguir o sul.
Michael: “Ok... é só seguir em frente e eu to livre...”
Os passos ficaram mais pesados à medida que avançava, com medo do que poderia haver do outro lado, medo de ser o que o prendeu ali.
Michael: “Por favor, é aqui!”
A sala a seguir era apenas... desnecessária para aquele momento
Uma reação quase que automática ao presenciar aquilo, vindo direto do peito até seus olhos e um arrepio horroroso.
Lágrimas dominaram seus olhos, o enjoo invadindo seu estômago e se transformando em um-
Michael: “BLARGH...!”
Cadáveres espalhados pela sala, corpos já sem vida esfolados de forma grotesca, a cena fez Michael atingir um limite emocional extremo.
Caiu de joelhos no chão e tampou a boca, começou a ter uma crise ali mesmo, ofegante e chorando de forma desregulada.
Michael: “Por quê...? Por quê...? Por quê?!”
O ar se tranca em flashes de memórias dos últimos dias, Alvin, Anjos e aquela pessoa no qual ele próprio havia matado, mas isso, isso era ainda pior. Um massacre sendo presenciado a olho nu, uma mente ainda sendo criada tendo que presenciar tudo isso.
Michael: “. . .”
Só podendo se levantar no momento, é o que ele faz, olhando em direção aos outros corredores que se repetiam continuamente.
Michael: “Isso... Isso...”
Os passos alongados e arrastados pelo chão se tornavam um simbolismo do que sua sanidade estava se virando.
Aos olhos dele, a sala começava a se expandir de forma significativa, quase se tornando um bairro, de tão grande.
Michael: “Não...!”
O último passo, foi naquele passo que ele pensou.
Michael: “Eu preciso continuar...!”
Mesmo que sua mente projetasse uma visão incerta do local, ele se apoia com as duas mãos na parede, no que seria o ar, confia em sua força e bate com tudo usando sua cabeça.
Michael: “Funciona...! Droga!”
Ele bate mais e mais, até começar a sangrar.
Michael: “Me deixa funcionar de uma vez!”
A última batida é recitada com mais forma, o sangue voa sobre o ar pesado daquela sala e cai como um tijolo com a pressão.
Ofegante, ele sorri, lembrando de sua promessa feita a Custer.
Michael: “Eu... Vou... Quebrar tudo...!”
O garoto então, se empurra contra a parede, indo para trás, e em seguida olha de volta aos corredores e aponta pro mesmo local.
Michael: “Ali é o sul, é onde eu devo ir!”
Um passo avante, É MAIS UM PASSO AVANTE!
Siga em direção ao seu destino, a sua história, é isso!
CONTINUE SEGUINDO!
Michael corre entre os corredores, deixando de lado tudo que poderia estar à sua volta, ele só quer o final, ele quer a saída.
Michael: “Quase lá...”
Ofegante, porém esperançoso. Uma cobrança interna que o alimentava disso.
Michael: “Só mais um pouco...”
Uma porta.
Era aquela porta na qual ele tanto procurava.
Brilho, esperança, medo, confusão, sonhos, coragem, tristeza, força e perseverança. Sua história até então estava escrita de tal maneira, mas...
Michael: “Essa não... Não pode ser, não, NÃO!!!”
A porta estava trancada, impossível de quebrar, impossível de abrir e pra piorar, já não estava mais sozinho.
Estava escuro, mas Michael conseguia identificar mais ou menos como se parecia, era um garoto, da altura de Michael, ou seja, tinha ali entre seus 170cm, mas, o mais interessante, era sua forma de ajustar o cabelo.
Michael: “Isso é bem diferente...”
Com um sorriso nervoso, ele tenta observar melhor, o cabelo médiano, chegava nos ombros. Meio a meio, um lado preto e o outro vermelho, tendo o lado preto duas chiquinhas, uma no topo da cabeça e outra na altura da orelha.
Jovem: “Qual foi? Vai ficar me encarando com essa cara de idiota?”
Ainda observando em silêncio, também percebeu o tom de voz grave, e duvidou de sua idade, já aproveitando a situação para abrir seu questionário e se manter melhor informado contra um possível inimigo.
Michael: “Eu quero saber... Nome e idade.”
Sua hesitação foi clara, sua postura rígida e sua voz mais baixa entregava a posição defensiva de Michael.
Jovem: “Hum, tsk! Por que quer saber? Sinceramente, eu vou te matar, então que diferença faz!”
O jovem do cabelo bizarro que andava só com um bermudão, parecia bem irritado.
Michael dá um passo pra trás, agora sabendo que aquele era de fato um inimigo, pensando em uma resposta rápida, porém, que fosse útil.
Michael: “Grandes guerreiros revelam seus nomes em forma de honra...”
Fora a desculpa mais esfarrapada de Michael em toda sua vida, mas, ao encarar o outro jovem, percebe que talvez não tenha sido uma má desculpa.
Jovem: “Meu nome é Peter... Peter Santa.”
Peter, o jovem assassino no qual encurralou Michael, possuía um nome contraditório ao seu possível estilo de vida e visual.
Michael: “Santa, huh? Tipo algo bíblico?”
Peter: “Fui eu quem me nomeei, em jus ao espirito que me protegeu há anos atrás.”
Michael perde a postura defensiva, curioso sobre o “espírito” no qual Peter havia acabado de mencionar, afinal, ele já havia entrado em contato com algo parecido, a Morte.
Peter: “Tsk! Eu estou falando demais e é culpa sua! Idiota!”
Peter começa a se irritar e saca um punhal de seu cinto que prendia o bermudão.
Peter: “Faz tempo que eu não como carne nova...”
Ele diz lambendo a lâmina do punhal e cortando de leve a própria língua.
3!
2!
1!
Michael: “Michael! Corre...!”
. . .
As pernas dele se prendem ali mesmo, a situação era tremenda, do lado de fora havia visto alguém antes da porta se trancar, e do lado de dentro, um assassino sedento de fome.
Peter: “Tsk! O que foi, idiota? Ta borradinho? Não estraga a minha comida, pirralho.”
Peter se aproxima, girando o punhal com leves jogadas no ar, um movimento perigoso, mas prazeroso para ele.
Michael: “Era isso que eu queria!”
O garoto destrava, empurrando Peter, que quase atinge o pescoço de Michael em um contra-ataque, mas, felizmente, o corte apenas pega de raspão, fazendo-o sentir uma pequena ardência.
Michael: “Vê se me erra!”
Ele grita enquanto sai correndo em direção ao caminho no qual havia chegado ali.
Enquanto suas pernas se esforçavam o máximo que podiam, suas ideias não se davam ao luxo, mas sim, trabalhavam o dobro naquele momento.
Michael: “3 Salas em corredores retos indo em direção norte. Dois corredores a Nordeste e mais um a leste? ai droga... esquece...”
O colapso de Michael começa a surgir de pouco em pouco ao sentir a presença do pequeno Santa vindo atrás do mesmo, ele precisava agir, e rápido!
Michael: “3... Não! Já foi uma! 2 salas em corredores a norte... Esquerda!”
Ele se enfia na segunda sala entre os corredores e se esconde entre as carnes que já estavam apodrecendo, aproveitando a falta de luz na segunda sala e entre os corredores da primeira e terceira sala.
– Até agora há pouco eu tava falando sobre sorte, mas no fim... Eu sou azarado pra caramba! –
O sangue da carne escorrega no rosto do garoto no qual havia tido seu surto por conta da brutalidade vista naquelas salas.
Michael: “Ugh...”
O ácido estomacal de Michael sobe com rapidez, mas ele é ainda mais rápido e o engole pra evitar o barulho exagerado, fazendo um enjôo forte tomar conta.
Michael: “Isso é ruim”
O que mais deixava Michael incomodado, era o silêncio que havia se formado ao seu redor, sem moscas, sem gotas de sangue caindo aleatoriamente, apenas uma risada vinda da terceira sala.
Peter: “Hehehe... Haha! HAHAHAHA!!!”
Uma reverberação não tão notável quanto a do túnel, mas que dava um frio na barriga.
Cada...
Vez...
Mais...
. . .
Chegou.
Peter anda lentamente, não parecia se preocupar de verdade com a distância em que seu alvo poderia estar, mas mesmo assim, ele para, no meio da sala.
Peter: “Eu sei que está aqui e isso tudo torna as coisas mais divertidas!”
Ele acerta com o punhal uma cabeça humana que estava pendurada no outro lado da sala, e vai perfurando partes dos corpos, pendurados como roupas, tudo isso, enquanto conversava com sua presa.
Peter: “Eu posso não ser bom com cheiros, muito menos enxergando no escuro, mas com total certeza, eu sou o mais letal, e talvez seja por isso que eu acabe sendo tão ruim em perseguições.”
Atinge um torso, há poucos membros de Michael.
Michael: “Porém tem outros dois. Ambos sem nome, assim como eu, ambos abençoados por um espírito... Assim como eu!”
O último pedaço de corpo que ele atinge é com mais força, era o corpo do lado esquerdo mais próximo de Michael, agora era a vez do mesmo.
Peter: “Do que adianta... do que adianta adorar aos Deuses sendo que eu não sou o único adorado por eles?! Tsk...! ME DIZ!!!”
Ele larga o punhal e aproxima o seu rosto do rosto de Michael, podendo sentir sua respiração desesperada.
Peter: “Você não quer viver pra conhecer eles, ou melhor, o pior deles, um homem que se auto denominou de Camael, interessante... NÃO É?!”
Michael solta o ar que estava preso em seu corpo, fazendo com que Peter sentisse seu hálito quente e o abrindo um sorriso de vitória.
Michael: “O que diabos é Camael...?”
Peter já esperava uma pergunta tão simples como essa e apenas decide responder.
Peter: “Camael é aquele que adora a Deus, ou algo assim... Em si, um dos meus companheiros se acha importante o suficiente pra se dizer adorador do mesmo ser que só eu deveria adorar.... E isso é... Tsk...! INACEITÁVEL!”
Peter retira o punhal do último pedaço de corpo e golpeia Michael com uma estocada, que felizmente é defendida com a mão do mesmo, cortando de forma profunda boa parte de sua palma.
Michael: “Merda...! Isso queima!”
Peter: “Tsk! NÃO DESVIE DOS MEUS GOLPES!!!”
Michael sem saída, dá uma cabeçada no Jovem, que se afasta cambaleando sem parar.
Michael: “ME DEIXA SAIR DAQUI DE UMA VEZ!”
A voz dele expressava ódio, e anseio, impaciência. Não aguentava mais ficar naquela escuridão e muito menos ter que fugir de 1 psicopata canibal – Ou melhor, 3 canibais – e ainda por cima sair ferido.
Michael: “Eu to com sua faquinha agora, então ou você me mostra o caminho pra fora, ou o seu chefinho ou seja lá o que for vai te encontrar sem vida!”
Peter apenas sorri, aceitando o desafio com vontade e sede.
Peter: “Então... Eu vou te devorar sem nem usar talheres.”
Michael treme de leve ao ouvir a declaração de Peter, mas não se deixa abalar. Seu suor escorre pelo seu rosto até o queixo, do queixo pinga até o chão, e, aquela única gota, no qual ecoou pela sala, definiu o ataque.
Peter: “VENHA DE UMA VEZ!!!”
Michael é quem toma iniciativa, partindo sem hesitar e tentando começar a partir de uma estocada feroz, mesmo assim Peter desvia sem muita dificuldade, por reconhecer o próprio ataque, e pelo simples fato de Michael nem sequer ter lutado de verdade antes.
Peter: “Você é algum tipo de amador ou só não curte matar as pessoas por ai?”
Ele derruba Michael e desce com tudo pra cima dele usando seu joelho pra causar mais impacto na queda e ferindo o mesmo de forma bruta.
Michael: “Uufff! Cof! Cof...!”
Não gritou pela dor, se é que sequer poderia gritar agora.
Peter: “Tsk! Você é tão imprudente... Vou te levar até Camael, já que parece ansioso para conhecê-lo, agindo desta maneira ao invés de aceitar a morte, afinal, deveria considerar minhas tentativas em um ato de piedade.”
Michael começa a perder a consciência aos poucos, seus olhos... Pesados... Mais.
Peter: “. . .”
. . .
Não muito tempo depois, lá estava ele, amarrado em uma cadeira e de volta à sala de luz amarelada.
. . .
– Um sonho, eu tive um sonho sobre um garoto que iria chegar aqui um dia. –
– Esse garoto era teimoso, imprudente e fraco. –
– Mas... –
– ...Carregava um fardo além até mesmo do anormal. –
– Marcado por ∆, ele vagou pelo mundo de forma esplêndida. –
– Porém, seu desfecho sempre foi incerto, ou pelo menos, era o que eu havia visto em meu sonho. –
– Um sonho... –
– ...Não...! –
– Uma profecia. –
– MEU BELO PRESENTE DIVINO! –
. . .
Sentia um toque leve em seu rosto, algo como palmadas, quase nulas de tão gentis.
???: “A... orde...”
???: “...Oto...”
???: “Acorde de uma vez...!”
Um tapa é dado com toda força, acordando Michael quase que na mesma hora.
– Essa sala...? Eu já estive aqui antes, a sala inicial! – Era o que realmente passava pela sua cabeça, vagando com olhares pelo cômodo já antes visto.
Peter: “Tsk! Pare de encarar as paredes de forma tão estúpida!”
O homem no qual estava junto de Peter lança um olhar perturbador em direção ao Jovem, fazendo ele recuar, com um medo genuíno.
O homem então, se vira de volta para Michael e se aproxima, ficando a centímetros de distância dele.
???: “Eu vejo, Camael me diz que você é adorado por Deus, assim como nós.”
Peter fica incrédulo ao ouvir isso, quase protestando antes de hesitar pelo medo.
???: “Querido, me diga seu nome...”
Michael não responde, ainda recobrando totalmente a consciência.
???: “Peter, solte-o, ele não deveria estar amarrado nesta cadeira.”
A voz deste homem mudava sempre que falava com Peter ou Michael, sendo gentil com Michael e Amedrontador com Peter.
Peter: “O-ok...”
O jovem apenas obedece às ordens e vai direto até a cadeira onde Michael estava amarrado e desfaz as amarras cortando elas com uma precisão megalomaníaca.
Peter: “Pronto...”
Peter diz com a cabeça baixa, esperando qualquer resposta.
???: “Saia da minha frente agora, de preferência, deixe-me sozinho com nosso hóspede!”
Peter apenas assente, se levanta e se retira da sala.
O homem aproxima seus lábios de uma das orelhas de Michael e para.
???: “Pode me chamar de Camael, ou Chamuel...”
. . .
???: “...É um prazer.”
A coisa que mais detestava ao estar se apresentando com tanto carinho, não era o silêncio, e sim a falsidade vinda diretamente daquele no qual se dedicava tanto para confortar.
Chamuel: “Se você vai ficar fingindo algum tipo de demência, é melhor fazer melhor... Afinal, isso dói, saber que fui tão bondoso com você, e mesmo assim, estar sendo enganado e ridicularizado.”
Seu semblante muda de um segundo para o outro, é como se sua energia fosse mutua com outra entidade, mesmo que só compartilhasse de uma alma, sendo um completo louco.
Chamuel se vira então de costas para Michael que estava fingindo até então, e começa a coçar o próprio pescoço.
Chamuel: “Você sabia que todo humano tem uma mania diferente...? O garoto, o Santa, tem o costume de fazer sons como “Tsk!”, sabe? Estalando a língua.”
A coceira aumenta um pouco, mas nada que fosse exagerado, parecia mesmo só um costume do que uma reação alérgica ou algo prejudicial.
Chamuel: “O Segundo, ele não tem um nome próprio, só chamamos ele de “Segundo”, mas seu comportamento visceral, principalmente com mulheres, me arrepia...! Em momentos assim eu gosto de chamá-lo de “Lucy”, mas não como Lucifer, e sim, uma forma de demonstrar sua Luxúria e seu fetiche nojento e avassalador.”
Ele para de se coçar, deixando os braços longos caírem, como que exaustos.
Camael: “Você é muito... Muito mal educado.”
Ele volta a ficar frente a frente para Michael, que agora estava finalmente “Consciente”, apavorado, um olhar tão excitante.
Michael: “. . .”
Os olhos de Michael tremiam, junto de seu corpo, rangendo os dentes. Notou que não era só mais um como Peter, que o jovem assassino de antes não passava de um simples capanga perto do monstro que o encarava. Um monstro alto, bizarro e insano.
Chamuel num suspiro, se acalma, observando os olhos de Michael, observando quem é Michael.
Michael: “Ahh...”
Ele viu, viu o monstro à sua frente, vestindo uma roupa tão chamativa e bonita, um total contraste de sua feiura interna, mas em perfeita harmonia com sua obsessão.
Tão simples, uma camisa social branca, e uma calça de cor totalmente contrária, sapatos de couro pretos, manchados com um tom avermelhado.
Chamuel: “É...! É isso! Exame como eu imaginei, você também tem sua própria mania!”
Chamuel sorri, mostrando os dentes amarelados e, novamente, ficando a centímetros de Michael.
O cabelo dele era curto atrás e na frente, com o único diferencial de ter partes do cabelo mais longas que cobriam as orelhas, dando um ar esquisito e desconfortável ao seu visual. Um sorriso curvado, nariz empinado e olhos arregalados, esse era o monstro no qual Michael se deparava.
Michael: “Eu...”
Chamuel: “Isso... Diga, por favor...!”
Michael: “Eu não te devo... Nada, seu maluco.”
O sorriso no rosto de Camael se desfaz na mesma hora.
Camael: “Levante-se, agora.”
Michael: “Eu não!-”
Antes mesmo que pudesse terminar a frase, Michael é recebido com um forte chute que o derruba da cadeira, e logo em seguida, Camael o pega pelo pescoço, levantando o garoto até que ficasse suspenso no ar.
Camael: “Repugnante... Desrespeitoso demais...!”
Uma segunda mão é pressionada contra o pescoço de Michael, com o aperto ficando cada vez mais forte.
Mais forte... Mais forte... Mais forte...! Mais forte!
Michael começa a se debater, tentando se soltar a qualquer custo, mesmo assim, não adiantava de nada, a única coisa que conseguiu fazer foi perder a pouca energia que ainda restava em seu corpo.
Michael: “Euch...!”
Camael percebendo a energia vital de Michael se esvaindo, o solta, deixando o garoto cair no chão, sem remorso.
Camael: “Eu vou... Sair por um momento, me dê licença.”
Desviava o olhar enquanto dizia sobre sua saída, e como dito, saiu logo em seguida da sala, deixando Michael ali, atirado no chão, sem saber o que fazer.
. . .
Até que...
Um outro homem, desconhecido, entra na sala pela mesma porta no qual Camael havia o deixado.
Não conseguia distinguir como era aquele homem, mas ouvia sua voz, ouvia seu nome, o homem cujo se apresentou como “Ron”, apenas “Ron”.
Ron: “Já pensou que... Às vezes, nós, humanos, temos que fazer coisas absurdas pra sobreviver...?”
Michael não responde, nem consegue, mas, entende.
Ron, se aproxima da porta de metal, a mesma porta que o havia trancado ali por tanto tempo.
Ron: “Eu odeio admitir, mas eu sei que eu não posso mudar o que eu fiz, ou o que fui.”
O homem presente na sala consegue arrumar a porta e a fechadura.
Ron: “No fundo, eu sinto nojo de mim mesmo... No fundo, eu queria ter vivido uma vida como alguém importante para os outros, não como um assassino.”
O homem então, pega uma chave em seu bolso e destranca a porta sem hesitar.
Ron: “Eu poderia ter ajudado as pessoas durante toda essa merda e mesmo assim, eu preferi o caminho fácil... Heh... Fácil...? Quem eu to querendo enganar, não é mesmo?”
Ele abre a porta e ajuda Michael a se levantar, o garoto consegue se manter de pé e caminhar, finalmente se livrando de tudo o que havia passado, finalmente podendo prosseguir, ter esperança e, o mais importante, rever seus amigos...
...Era o que ele pensava.
Aquele som infernal que ecoou na sala fez com que os tímpanos de Michael doessem, dando uma luz de consciência a mais, mas a que custo? Até quando isso iria durar?
Um som agudo e ensurdecedor era o que o atingia em seguida, junto do corpo de Ron caindo no chão, já sem vida. Um tiro, era isso que o havia atingido, um tiro na nuca.
Risadas barulhentas surgiram junto da morte de Ron, risadas vindas do Diabo e seu escravo, Camael e Peter.
A alegria de Camael era tanta que tudo que conseguia fazer era chorar de rir enquanto segurava sua arma.
Camael: “Kh... Khahaha! Peter...! Pegue ele.”
Peter pega seu fabuloso punhal, agora na luz Michael conseguia ver os brilhantes olhos verde esmeralda de Peter, e a sua metade “clara” do cabelo igualmente verde.
Peter: “A brincadeira acabou, foi divertido!”
Recitava tais palavras enquanto lambia lábios. Sedento, mais sedento... Mais sedento do que nunca.
O jovem para e começa a suar enquanto encarava Michael que estava apoiado na parede, o olhar de Michael ardia como as chamas do inferno, ardia com um ódio imensurável.
Segundo registro:
Nos últimos anos, eu ouvi sobre relatos de que quando atingimos sentimentos extremos, podemos nos tornar muito poderosos e proativos... É interessante demais ver isso tão de perto.
Camael não entende a razão de Peter estar parado, mas isso o incomodava, todos deveriam seguir suas ordens, independente do perigo, e se houvesse pena, mataria a pessoa cujo escolhesse poupar a vida de outra.
Camael: “Saia da frente!”
O monstro que se dizia amado, empurra Peter com força, fazendo o Jovem cair no chão ao perder o equilíbrio e se arranhar com os punhais.
Peter: “CAMAEL! NÃOO!!!”
. . .
Fogo, aquele túnel aos poucos sendo consumido por fogo.
Naquele local, havia 4 pessoas... Havia.
Uma dessas pessoas fugiu assim que pode, um jovem de cabelo meio a meio. Já a segunda pessoa, um garoto, estava no chão, perdendo a vida após ser atingido no fígado por uma bala de revólver.
Fogo...
...Era tudo que restava junto deste garoto, um garoto de nome já conhecido.
Os outros 2 morreram. Ron e Camael. Ron foi baleado após trair Camael, já Camael, foi partido em dois a partir da cintura, em um corte de uma lâmina flamejante, que resultou no incêndio.
Provavelmente o garoto morreria ali mesmo.
Provavelmente era seu fim... Isso se, não estivesse sendo observado pelo mesmo que o condenou a está vida.
Uma Dama de cabelos escuros e olhos brancos como a neve, não conseguia distinguir mais detalhes, a não ser sua beleza radiante.
Vida.
Era dessa forma que se apresentava.
-- Vida...
Era dessa forma, que ela o presenteava.
. . .
Michael: “Haha... Hahahaha! HAHAHAHAHAHA!!!”
Se arrastava em direção ao sul enquanto tudo ao seu redor deixava de existir. Sem perceber, seu fígado, e o braço que antes estava queimado, foram ambos completamente curados, um milagre? Era como se fosse isso, mas mesmo estando fisicamente bem... Seu estado mental já havia se fundido com outras coisas além do que poderia ser suportado.
Se arrastou no asfalto velho, já machucando a ponta dos dedos ao queimá-los com a fricção causada durante esses 250 metros.
“Bem-Vindo”, era o que estava escrito na placa da cidade, Michael havia passado por algo horrível, algo... Que...
...E mesmo assim falhou, mesmo assim teria que cruzar a fronteira que não deveria, entrar nos destroços que “Ele” ordenou não se aproximar, mas afinal, quem é... “Ele”? E também...
...Que horas são?