Boros agora estava sem máscara. Não possuía cabelo, e sua pele parda carregava uma longa cicatriz na bochecha, formando a palavra Ghor.
Vestia uma túnica longa, feita de pano branco e ossos.
— Então… você vai vir com tudo o que tem? — perguntou Boros.
Hector, coberto por sua armadura dourada, fez surgir uma escrita brilhante como o sol em seu braço direito.
Logo, um enorme escudo dourado apareceu, com o rosto de um leão entalhado.
Boros avançou.
Sua escrita negra cobriu o braço, fortalecendo-o com ossos.
O impacto contra o escudo foi brutal — deixando um leve amassado.
Hector não hesitou.
Outro escudo surgiu, golpeando a cabeça de Boros com força.
O chão rachou.
Mas Boros bloqueou com o braço.
No mesmo instante, uma longa estaca de ossos surgiu e atingiu as costas de Hector.
A armadura começou a amassar… mas ele não recuou.
Hector segurou o pescoço de Boros…
E começou a golpeá-lo repetidamente.
Sangue manchava o dourado.
— O grande Leão Dourado… não passa de um assassino — disse Boros, calmo.
Boros fez ossos envolverem o braço de Hector, puxando-o para trás e o prendendo na parede.
— Leão Dourado… — murmurou, se aproximando lentamente.
— Se veio aqui para se vingar… termine logo com isso — disse Hector.
Boros fez uma lança de ossos surgir e a lançou contra o elmo de Hector.
O impacto foi violento.
Hector foi arremessado… sangue escorria por sua cabeça.
Boros caminhou até ele.
— Eu queria ver seu rosto… quando respondesse a essa pergunta que me atormenta há anos…
Hector sorriu levemente.
— Que pergunta… seu maldito?
Uma lágrima escorreu da máscara de Boros.
— Você… se lembra dele?
As palavras cortaram como lâminas.
Boros puxou um colar, um pequeno lobo esculpido em madeira.
No mesmo instante…
Memórias atingiram Hector.
Uma cidade em chamas.
Soldados observando.
Silêncio.
Morte.
Sua respiração falhou.
— Eu… claro que me lembro — disse Hector, firme.
Seu olhar… não vacilava.
Isso irritou Boros.
Ele ergueu a lança.
Hector fechou os olhos… aceitando.
Mas—
SANGUE.
A mão de Boros foi cortada.
Ele tentou conter o sangramento…
Mas a outra mão também foi decepada.
Quando se virou—
Maerlis.
Ela caminhava lentamente.
— Você está mesmo muito fraco… mestre — disse, calma.
Boros congelou.
Um medo absurdo surgiu dentro dele.
Que… medo é esse…?
— Deve estar se perguntando, não é? — disse Maerlis, sorrindo. — Esse é o medo que sua espécie sente… quando me vê.
Seus cabelos começaram a escurecer…
Seus olhos tornaram-se vermelhos, profundos.
— Você… quantos…? — murmurou Boros, com raiva.
— Quantos de nós você matou?! — gritou.
Sombras surgiam atrás dela.
Centenas.
Como fantasmas.
Maerlis apenas sorriu… e se aproximou.
Boros tentou se levantar… decidido a lutar.
Mas o medo… o consumia.
Pátio da Academia Vart
Tauros segurou o ataque de Kael com dois dedos.
— Parece que Boros encontrou um oponente formidável… — disse, jogando Kael contra a parede.
Kael se levantou… e avançou novamente.
Tauros fez correntes surgirem, prendendo-o.
Mas a escrita azul percorreu a espada… mudando sua trajetória.
Tauros desviou facilmente.
Kael já não respirava direito.
Sua visão escurecia.
— Você falhou em me acertar… — disse Tauros. — Acho que vou ter que matar vocês quatro.
Kael cuspiu sangue.
— Você… não vai matar eles…
Ele sorriu.
— Não… até eles me pagarem 50 Divys.
Tauros riu levemente.
— Você nem consegue se salvar…
Ele parou.
Olhou para o topo da academia.
Um aluno observava.
Máscara branca.
Imóvel.
Ele está ali desde o começo… e não se moveu…
Tauros voltou o olhar para Kael.
— Todos nós devemos conhecer nossos limites… Ghor—
Ele parou.
Confuso.
Então voltou ao normal.
— Garoto… farei isso o mais indolor possível.
Kael tentou usar sua Dádiva.
Nada.
Seu corpo estava no limite.
Então—
Algo mudou.
Seu braço começou a sangrar mais…
E uma escrita vermelha surgiu.
Tauros recuou.
— Essa cor… o que é isso…?
Kael olhou para o próprio braço… e sorriu.
— Eu não sei… mas…
Ele ergueu a mão.
A escrita vermelha se espalhou pelas correntes.
Tauros tentou cortar.
Não conseguiu.
Quando a energia o atingiu—
Dor.
Ele foi lançado para trás.
Kael caiu.
Inconsciente.
Tauros se levantou… coberto de sangue.
Caminhou até ele… e parou.
De volta a Boros
Boros estava no chão.
Uma perna decepada.
Hector estava de pé.
Maerlis observava.
Hector caminhou até Boros.
O olhar dele estava cheio de ódio… e dor.
Hector parou.
E então—
Caiu de joelhos.
— Eu não sinto raiva de você… — disse. — Talvez… se não vivêssemos em mundos diferentes… seríamos aliados.
— O que… você está dizendo…? — murmurou Boros.
— Foram essas as últimas palavras do seu irmão… Ghor, não é?
As lágrimas de Hector caíam no chão.
Boros tremia.
Memórias voltaram.
— Você perguntou se eu me lembrava… — disse Hector. — Eu me lembro todos os dias.
Sua voz falhou.
— E todos os dias eu me pergunto… o que aconteceu com este mundo…
Boros começou a chorar.
— Aquele idiota… Ghor… você era bom demais… para um mundo como esse…
Ele fechou os olhos.
Aceitando.
A lâmina passou por seu pescoço.
E o silêncio… permaneceu.