As sombras das tendas que cobriam o sol, refrescavam os rostos dos comerciantes esperançosos. O som dos passos da multidão preenchiam o centro comercial.
Uma figura de cabelos longos e escuros caminhava pelo centro do corredor das barracas. Seu olhar logo lançava-se aos mercadores. Prosseguiu até um dos vendedores. Posicionou-se diante da bancada de madeira clara, foi recebida com um sorriso largo demais.
— Estella! Se você voltou, então já posso imaginar o que deseja.
Estella observou a figura em silêncio por poucos segundos. Cruzou os braços antes de se pronunciar:
— Eu não consideraria esta uma venda bem sucedida ainda.
Ele inclinou sua cabeça para frente ao ouví-la, colocando suas duas palmas sobre a madeira que não ousou ranger.
— Não? Veja bem, é uma mercadoria muito requisitada pelo centro, e como minha cliente você sabe que meus preços são agradáveis!
A jovem deu de ombros. Sua voz curta o respondeu sem esperar:
— Já sei de tudo isso. Mas, tenho ainda algumas dúvidas a serem tiradas, antes que a venda seja de fato feita.
Ele retirou seus dedos da bancada e juntou suas pontas com um sorriso mais largo no rosto.
— Eu sabia que não me deixaria na mão! Muito bem, quais seriam suas dúvidas?
Ela descruzou os braços. Seus olhos não se desviaram do mercador, enquanto perguntava a ele:
— Terei todas aquelas informações que você me mencionou ou há algo a mais?
O homem se virou e pegou uma caixa avermelhada com detalhes em linhas douradas. Colocou diante da mesma dizendo:
— Sim, tudo o que até hoje conseguiram descobrir sobre o Mar das Tempestades está presente neste manuscrito. Tenho certeza que você não vai se arrepender em fechar negócio!
Ela levou sua mão até sua cintura e colocou uma algibeira ao lado da caixa. O som das moedas arqueou as sobrancelhas do homem de imediato.
— Muito bem, aqui está o valor combinado pela sua mercadoria.
Ele pegou o pagamento antes da fala de Estella terminar e o guardou rápido até demais.
— Foi um prazer fazer esta venda para você. Caso tenha algo mais que lhe interesse, a hora é agora!
A jovem pegou a caixa e a colocou embaixo de seu braço. Comentou com o vendedor sem esboçar surpresa:
— Vim apenas pelo que combinamos. Mas quem sabe eu não tenha que voltar aqui mais uma vez, ainda assim, prefiro confiar em sua palavra.
Deu meia volta e prosseguiu para a saída. Seus passos aceleraram moderadamente, enquanto pensou em voz baixa.
— Assim espero, que eu não tenha escolhido a oportunidade errada ou o mercador mais charlatão que esse mercado tem...
Os brilhos diurnos se esvaíram em poucos momentos. O som do giro da chave antecedeu o leve ranger da porta. Estella adentrou o ambiente acolhedor, seguiu até a mesa do cômodo central e deixou a caixa sobre ela.
Caminhou até a cozinha, colocou sua comida na panela esquentada por fogo. Olhou em direção a caixa sem demora. Voltou até ela e a abriu. Pergaminhos levemente gastos com caligrafia peculiar se revelaram em seu interior.
Deixou as anotações ao lado e voltou sua atenção para sua janta. O cheiro se exalava nl mesmo fluxo do vapor da água fervendo. Desligou o fogo, colocou a comida em um prato e retornou até diante dos manuscritos.
— Vamos ver se finalmente há alguma explicação.
Três batidas sincronizadas na porta a interromperam. A jovem andou até a mesma lentamente. Aproximou sua mão da maçaneta giratória e, quando a abriu, uma figura mostrou-se trazendo sentimentos ainda não enterrados em sua vida.
Estella ficou estática no primeiro segundo que a viu. Seu rosto ficou mais pálido. Seus olhos brilharam refletindo o que estaria por vir.