O fogo da vida, meu molde, sou luz invisível que pela luz perpassa. Sem nó nem atrito, transpareço o nítido e o amplo mundo que percorre pelos olhos, que atravessa minhas intangíveis e translúcidas reflexões angulares.
Mesmo entre o opaco noturno, no espelho dos rostos que preenchem o destino, desvaneço em aparência, uma inversão do real no real, sua realidade estática no fluxo das partículas que materializam a energia que permuta das estrelas em todos os seus filhos benditos.
Meus poros protegem e permitem a contemplação do infinito sobre a consideração do efêmero, e mesmo que porventura os ventos lacerem as lascas cristalinas que me compõem, as lâminas ainda hão de dançar em toda a sua geometria herdada do pó.