Questionado por que respirava, o indivíduo em estado lastimável ergueu os olhos em direção ao carrasco. Porque estou só. Não entendo. Respira por um motivo incompreensível. Por que me responde tal tolice? Porque estou só. Não compreendo o que fala; por que diz isso? Porque estou só. Repetes a mesma coisa sempre. Se o mandasse escrever seus motivos, por que os escreveria? Por que escreve? Porque estou só. Não consigo entender, vais morrer e dizes apenas estar só, tudo o que questiono em suas últimas palavras possui apenas uma única resposta? Sim, e a minha resposta é a mesma que a sua. Respira por estar só, questiona-me por estar só, busca respostas por estar só, comanda seus desejos por estar só, escreve a sua história por estar só e elimina aqueles que, como você, compartilham da sua solidão. Devido a isso, os despreza, os destrói, pois anseia por destruir a si mesmo e a tudo aquilo que lhe lembra o quão só e desamparado é. Compartilhe o machado que abraça o pescoço de todos, compartilhe a solidão da jornada em busca de uma identidade que não encontrará. Mesmo que corte infinitas cabeças, nenhuma será sua. Sempre estará só, vazio e pleno de vida.