Mas por que tu não tomas uma posição, Honorável Mestre Sunyata?
Em resposta a tal inquérito, o insubstancial nobre de muitas luas proferiu:
— Aparentemente, hoje é um daqueles dias em que defender posições vai contra a minha neutralidade… e defender a minha neutralidade vai contra a minha neutralidade… Por tal, sou culpado tanto por nada defender quanto por não defender a mim mesmo do nada…
O silêncio dos ávidos inquisidores foi longo.
Sunyata, por fim, consolou os sábios ao seu redor com as seguintes palavras:
— Bons discípulos aqui presentes, é sabido que anseiam por respostas; então, esclareço minha fala anterior para que possam dormir sem preocupações. A neutralidade é inexistente. A compreensão sobre os lados leva à compreensão de que não há lados a serem compreendidos. Entendam isso em favor da impermanência e da mútua dependência de todas as coisas, pois a graça de Ser livre é não o Ser para ser livre no fim…
Os narradores de tal história afirmam que ninguém dormiu naquela noite.