Prólogo — O Inverno que Sempre Retorna
Estava frio. Congelante, eu diria.
Quase como se o ar desaparecesse de meus pulmões diante daquela cena.
Eu o amava. Eu o amava tanto… e tão, tão tarde.
Já não havia mais tempo.
Não para nós.
Agora só restavam lágrimas, tristeza… e um corpo ao chão gelado no Ducado de Blackmoor.
— Por favor… — minha voz falhava. — Você não pode me deixar, não agora.
Lágrimas escorriam silenciosas sobre o corpo gelado de meu amado.
O duque do Norte, o impiedoso que causava medo apenas com um olhar, estava caído diante de mim.
Seu semblante era triste, porém calmo, e ele ainda tentava esboçar um sorriso.
Aos seus olhos, eu não parecia uma vilã, nem uma estrategista, nem gananciosa como diziam os boatos.
Eu era apenas uma garota frágil, perdida, sem saber o que fazer, que só chorava.
— Não chore… — resmungou, pousando com esforço sua mão cansada sobre meu rosto. — Nunca sei o que fazer quando você chora…
— Fique comigo… Não ouse me deixar!
Ele sorriu um pouco mais. Ferido, exausto… e, com toda certeza, ciente de seu fim.
Não haveria confissão de sua parte, mesmo naquele momento final.
Isso nunca aconteceria. Não era do seu feitio.
Apenas aquele olhar.
Quente.
Suave.
Cansado.
Sabendo que era tarde demais.
— Você… precisa viver, Ari… — murmurou.
Queria odiá-lo por isso.
Preocupando-se comigo em seu leito de morte, ainda usando aquele apelido que sempre me irritou.
Desejava que ele dissesse algo sobre mim. Algo que traduzisse amor.
Mas ele sempre foi assim: amando em silêncio, com distância, com frieza.
E assim… morreu.
Em silêncio.
Sua mão fraca caiu sobre a neve, sem vida.
O mundo ficou em completo silêncio.
A neve continuava a cair, como se nada tivesse acontecido.
Como se o meu mundo não tivesse acabado de desmoronar diante de meus olhos.
E então percebi, tarde demais… que eu o amava.
Escuridão.
Silêncio.
Frio.
De repente, acordei.
Uma sensação estranha de déjà vu me invadiu.
Olhei ao redor. Tudo parecia diferente.
As cortinas. O clima da primavera. O quarto.
E então… percebi a mim mesma no espelho.
— O que diabos…?
Eu estava menor.
Muito menor.
Como se tivesse voltado no tempo… ou tido um pesadelo terrível.
Olhando de perto, entendi: tinha, sei lá, oito anos.
Meu coração disparou.
Era como se algo grande estivesse prestes a acontecer.
E então ouvi, quase em um sussurro, como a brisa do vento em meus ouvidos:
“Dessa vez…”
A voz desapareceu tão rápido quanto veio.
Olhei em volta, desesperada.
E então, sem entender o motivo, uma vontade imensa de chorar surgiu do fundo de mim.
Lágrimas escorreram pelo meu rosto.