Em meio a uma cidade completamente destruída, é possível ver a figura de um homem em cima de um carro em pedaços, a sua volta, dezenas de criaturas mutantes, algumas humanoides e outras semelhantes a animais, todas elas possuem algo em comum, o corpo em decomposição, olhos roxos e todas tomadas pela irá. O homem em cima do carro está lutando pela sua vida com uma espécie de espada.
“Droga, se eu tivesse conseguido chegar ao nível três da anomalia eu até conseguiria sobreviver”
Pensa o homem, de cabelos pretos, jaqueta jeans, uma calça de couro e uma botina militar, cheio de machucados, cortes e hematomas espalhados pelo corpo.
Uma das criaturas, o que parece ser um cachorro mutante, pula em sua direção pronta para abocanhar o mesmo mas com sua espada, em um golpe de cima para baixo, ele parte o cachorro ao meio, porém já exausto e machucado de tanto lutar contra os mutantes, ele não percebe que outro cachorro, dessa vez maior, o ataca pelas costas. O homem então é mordido no pescoço, suas vistas começam a se escurecer e coração começa a parar de bater. E em seus últimos pensamentos ele lembra.
“Droga, não consegui chegar ate a Alice... assim ela vai morrer”
Então ele acorda novamente, em uma sala de aula, espantado, como se estivesse acordando de um pesadelo. Ele levanta rapidamente assustado, seus colegas da faculdade olham para ele sem entender o que estava acontecendo, o homem, que agora está mais jovem, fica completamente em choque com a situação, ele tinha acabado de morrer e de repente estava ali, em meio a uma aula de física.
“O que está acontecendo? Eu acabei de morrer para um lunático! Que porra eu estou fazendo aqui”
Então ele nota, rostos conhecidos, seu melhor amigo estava ao seu lado, sem entender o porquê do jovem levantar tão assustado e pergunta.
- Yujin? Você está bem?
Yujin então percebe que tinha retornado na época em que fazia faculdade, e que agora tinha vinte anos novamente.
“Como isso é possível? Por que estou aqui? Aquilo não pode ter sido apenas um sonho, eu vivi os últimos nove anos após a queda da humanidade.”
- Você precisa de ajuda?
Pergunta seu amigo a Yujin.
- Marcos, que dia é hoje?
Questiona Yujin ao seu amigo, enquanto se senta rapidamente e disfarça o que acabou de fazer no meio da sala de aula. Marcos seu amigo, ainda confuso com o que Yujin teria feito, responde.
- É... hoje é onze de agosto de dois mil e vinte e tres, mas por que a pergunta?
Yujin então, notando que a grande explosão ainda não aconteceu, fica confuso, pois tinha acabado de morrer. Então ele pega sua mochila e sai rapidamente da sala, em direção a saída da faculdade. Chegando na porta, vendo a claridade do sol, após tanto tempo sem ver aquilo, ele já não lembrava o quão claro era o mundo quando as luzes do sol ainda chegavam na superfície da terra.
“Então é assim que é o sol, eu tinha esquecido, o quão lindo ele era”
Yujin então sai da faculdade e corre pelas ruas movimentadas de Kinyan, uma grande metrópole, capital do país de Sulan, talvez a maior cidade do mundo. Sua faculdade que era localizada bem ao norte da cidade, a parte com maior desenvolvimento econômico, era bastante movimentada, carros, motos e pedestres passavam por ali aos milhares, Yujin então verificou seu bolso e achou seu celular, então decidiu ligar para Alice, sua irmã mais nova.
“Vamos, atende Alice...”
-Alô, Yujin, por que está me ligando essa hora? Você não está na sua aula de física?
Disse sua irmã após atender o celular.
-Alice... como é bom ouvir sua voz.
Uma lágrima ai do olho de Yujin, sua voz fica trêmula. Então sem entender nada sua irmã responde.
-Do que está falando, a gente tomou café juntos hoje de manhã? Yujin você está bêbado? De novo?
Grita ela no celular, brava com seu irmão.
-Não, onde você está? Eu preciso falar com você imediatamente.
Diz Yujin, apressado.
-Estou em casa, eu nunca saio daqui, você não deixa eu sair sozinha, esqueceu?
Responde Alice, então Yujin lembra, que quando a grande explosão aconteceu, ela estava em casa sozinha, e ele na faculdade, porém quando retornou a sua casa ela não estava mais lá. Yujin então corre até o metrô, pula por cima da catraca de verificação de passagem e entra no trem que passava ate a ção perto de sua casa. Já dentro do trem ele se senta ao lado de um senhor, um idoso que aparentemente estava dormindo, com um boné tampando seu rosto, o senhor estava com os braços cruzados e roncando, quando Yujin olha para ele, ele sem tirar o chapéu fala para Yujin.
-Você por um acaso tem um dinheiro para doar para este velhote aqui?
Diz o velho, com uma voz de bêbado. Yujin então verifica seus bolsos, acha uma nota de duzentos kuan, e entrega na mão do velho.
-Muito obrigado garoto, pegue isso, considere um presente pela sua bondade, mas não abra aqui.
Entregando uma caixa de sapato embalada com muitas fitas. Yujin então após pegar a caixa, e perceber que o trem finalmente chegou na estação dois , corre para fora e apressadamente começa a andar em direção a sua casa, admirando o mundo, pois antes aquela paisagem estava totalmente destruída em suas memórias. Chegando na porta de sua casa, ele se lembra, de como aquele lugar era bonito, o portão branco, as flores que eram bem cuidadas pelo seu mordomo, os brancos no jardim, os ladrilhos de tijolo que iam do portão até a porta principal, ele estava admirado em encontrar tudo aquilo inteiro. Na porta de sua casa, Yujin é recebido pelo seu mordomo, Ycarus, um velho já nos seus cinquenta e sete anos, vestido de um terno preto com uma gravata borboleta, careca e com um bigode cafona. O garoto então abraça ele e diz.
-Como é bom te ver velhote, como é bom...
Ycarus sem entender a reação do garoto, apenas o abraça novamente e não pergunta nada sobre isso, apenas se o jovem está bem.
-O jovem senhor está bem?
-Sim, eu estou, por favor vá até a biblioteca e leve a Alice com você, precisamos conversar.
Diz Yujin, correndo ate uma porta embaixo das escadas, onde se encontrava a biblioteca da casa.