— É melhor irmos logo! — disse Fernanda, caminhando para frente.
A multidão enorme avançava, muitos iam em silêncio, outros comentavam, alguns emanavam olhares obstinados, outros mostravam curiosidade em seus rostos, mas todos ali caminhavam para dentro do local.
— Sim-sim! Mas eu disse para o Eiru que eu ia esperar por ele. Não tem como ficar no aguardo só por um tempinho? — barganhou Arthur, caminhando ao lado de seus amigos, enquanto olhava para trás.
André virou seu rosto para ele, sua testa estava franzida, segurou no ombro de Arthur, então disse:
— Claro que não, cara! Ele se vira lá, depois você pede desculpa quando o encontrar.
— Só tem comprometimento quando é com estranhos, né? — reclamou Fernanda, balançando a cabeça em desaprovação, enquanto olhava para frente.
— Tsc! Continua olhando para frente aí, chatonilda — falou Arthur, franzindo o nariz e mostrando o dedo do meio para sua colega.
— Olha só! — comentou Júlia, apontando o dedo para o lado.
O grupo, tal qual a maioria da multidão, já tinha passado pelo portão. Eles andavam por uma estrada não muito larga, feita com pedras em paralelepípedo. Ao redor, podiam-se ver por toda a parte, chão coberto de grama, esverdeada, viva, brilhante. Também era possível ver algumas fontes, bancos feitos de pedras, mas o que surpreendia Júlia eram as topiarias feitas nos arbustos espalhados por todos os locais.
Cada arbusto era enorme, ultrapassando quatro metros facilmente. Eles tinham formatos de homens e mulheres, mas não apenas de homens e mulheres que se formaram na "Legado", mas sim de pessoas que se tornaram figuras históricas no cenário mundial.
O dedo de Júlia apontava para um em específico. Provavelmente o maior herói deste e do século passado. Seu nome era, não, seu nome é: Jón.
Arthur arqueou suas sobrancelhas, balançou a cabeça para cima e para baixo. Tentou ao máximo fingir que se importava com a figura do homem.
— Bem legal, Júlia, bem legal — disse Arthur, voltando a olhar para frente.
Ninguém dos quatro disse nada. Júlia cruzou os braços e franziu as sobrancelhas.
"Como ele consegue não se importar com nada além do próprio umbigo? E por que os André e Fernanda não falaram nada? Bando de gente chata!!"
Depois de caminharem por um tempo, as pessoas que ali estavam, muitas animadas e outras muitas ansiosas, por fim pararam próximo à porta do castelo. Não havia silêncio ali, a maioria das pessoas especulava.
— O que será que vai acontecer agora?
— Será que eu me arrumei direito para vir para este lugar?
— Acho que não deveria estar aqui.
— Quero minha mamãe!!
Arthur e seus amigos permaneciam sem dizer uma única palavra, apenas observavam os arredores.
— Agora a gente tem que esperar eles chegarem, é? — indagou Arthur, colocando as duas mãos na cintura, enquanto arqueava uma das sobrancelhas.
André balançou a cabeça em confirmação, enquanto fixava seu olhar na grande porta do castelo. Porta essa que, era enorme, pintada toda de preto, com runas douradas — todas com aparência de lua cheia.
Enquanto eles esperavam pela vinda de alguém, um som se fez dominar por todo o local, parecia estar vindo da porta. O som aumentava a cada segundo que perpetuava no local, parecia com um grande rangido de porta, o maior rangido de porta que aquelas pessoas escutaram em todas as suas vidas. E, enquanto o barulho perpetuava pelo local, uma linha fina, mas perceptível para todos, começou a se formar no meio da porta.
Quando a linha por fim cortou a porta por inteiro, ela se abriu. E ao se abrir, uma enorme onda saiu de dentro do castelo. Era como se um tsunami estivesse preso por eras, dentro do local.
Ela saiu furiosa, como se fosse uma onça-pintada atacando um pequeno grupo de cervos. Inundou todo o local.
— MAS QUE PORRA É ESSA?
Arthur se assustou de imediato, junto com toda a multidão. Ele se jogara ao chão de joelhos, enquanto usava os braços para tentar proteger o rosto. Olhou, com os olhos semicerrados, para seus amigos, e os viu quase na mesma posição em que estava.
Dois a três segundos se passaram para que Arthur começasse a perceber algumas coisas estranhas. A onda não o tirou do lugar, muito pelo contrário, ele tentou se mover para frente, mas seus pés pareciam estar grudados. Seus olhos viam que boa parte da multidão também parecia estar presa.
Também percebeu que sua respiração não tinha sido impedida de acontecer no meio de tanta água. Água essa que não parecia ser… água, mas apenas energia se comportando como tal. Foi então que Arthur percebeu que todos ali já estavam fazendo o primeiro teste, mesmo antes de serem apresentados aos seus mestres.
— ANDRÉ!!!!!! — gritou Arthur, olhando para seu amigo — Parece que estamos fazendo algum tipo de teste.
— Faz sentido!! — respondeu seu amigo, já com a testa franzida.
— OLHEM PARA AQUILO!!! — gritou Fernanda.
Todos ao redor observaram algo estranho acontecendo à frente. Pessoas, não todas, mas algumas, começaram a ser levadas de forma bastante abrupta pela onda. Eles giravam no ar em uma velocidade muito alta, todos indo em direção à rua. Junto com eles, a onda, por fim, também parecia se acabar, saindo por completo de dentro do castelo e indo aos poucos sumindo da multidão, como se estivesse se movendo para fora do local, levando consigo algumas pessoas.
Por fim, a onda saiu de cima de Arthur e seus amigos, que se levantaram e olharam para trás, como todo mundo. Seus olhos se arregalaram e suas bocas ficaram abertas. O silêncio então dominou o local. Ninguém conseguia dizer nada depois do ocorrido.
Porém, em meio ao silêncio, sons de passos puderam ser ouvidos por todos. O som parecia vir de dentro do castelo e se aproximava cada vez mais. Todos se viraram lentamente para a porta aberta, ainda com seus olhares arregalados.
— Bom… Bom…
Duas palavras foram ditas pelo ser misterioso. Cada uma delas ecoou para o ouvido de todos, que se encaravam com olhares cheios de dúvidas.
— Parece que podemos avançar para o segundo teste.
Ao terminar sua frase, o ser misterioso por fim saiu para fora do local, podendo então ser visto por todos.
Tinha altura considerável, usava roupas sociais, desde o calçado até o paletó. Todos da cor escura. Não possuía cabelo algum na cabeça, mas tinha de sobra na barba esbranquiçada. Usava um óculos de hastes vermelhas, e mesmo sobre a roupa social, todos podiam ver que o corpo de tal homem era bastante treinado.
— Porém, acho melhor me apresentar para todos vocês.