Arthur adentrou no local com uma das sobrancelhas arqueadas, olhou em volta, podendo ver assentos para todos os lados, como se estivesse dentro de um estádio de futebol. E no centro do local, havia uma mesa com uma cadeira amarela e uma lousa branca flutuante, parecendo ser um holograma.
— Vazio?
Arthur tinha estranhado o fato de não haver ninguém naquela sala de aula.
"Onde está aquele maluco que passou pela barreira. Ele deveria estar aqui, né?", pensou, enquanto caminhava para mais perto do centro.
— Alguém está aqui? Alô?
Nenhum som se formou no local, além das falas de Arthur.
Ele caminhou até perto da lousa, a observou por alguns segundos, depois sentou na cadeira amarela, tentou achar alguma posição confortável, porém, segundos depois se levantou, com a testa franzida e soltando um "TSC".
O jovem observou todas as cadeiras, seu olhar parecia focar seriamente na sala.
Enquanto batia seu olhar em volta, conseguiu notar que em uma das várias cadeiras ali, tinha seu nome anotado. Ele arqueou uma das sobrancelhas, então caminhou até lá.
De início, ele estranhou, mas com muita calma se sentou. Depois, soltou um grande suspiro, como se estivesse aceitando ficar naquela mesa.
O tempo então foi passando, Arthur começou a ficar impaciente. Seus dedos tamborilavam pela mesa onde também apoiava a cabeça sobre o braço, seus olhos estavam pesados, bocejava muito, mas seus pés pareciam estar muito agitados.
Apesar de ter passado só alguns minutos, para ele, parecia ter passado várias horas.
Porém, enquanto remoía seu tédio, como uma vaca remói seus alimentos, Arthur fora surpreendido pelo barulho da porta se abrindo.
Seus olhos se arregalaram e sua boca ficou semi-aberta. Seu coração começou a bater fortemente, enquanto suas mãos suavam.
E da porta saiu uma pessoa. Não era conhecido de Arthur, mas ele reparou bastante nela.
A moça parecia curiosa, olhando de um lado para o outro, até reparar no rapaz. Ela apenas acenou com a cabeça, como se o cumprimentasse de longe, então caminhou até a mesa que estava com seu nome marcado.
Arthur arqueava as duas sobrancelhas, entortava a cabeça de um lado para o outro, mas não falava nada.
E ele continuou em silêncio por um bom tempo, vendo cada vez mais e mais pessoas passarem pela porta e nenhuma delas serem seus amigos.
A sala que há pouco tempo estava vazia, agora parecia verdadeiramente um pequeno estádio. Uma boa parcela das pessoas ali cochichavam, outras se abraçavam com um sorriso no rosto, outras franziam a testa e semi-fechavam os olhos enquanto apertavam as mãos de seus conhecidos.
Arthur permanecia imóvel e sem dizer um "a".
"Onde vocês estão? Caramba! Apareçam logo! Não é possível que todos vocês reprovaram…"
Enquanto o jovem pensava em seus amigos, enfim um deles apareceu.
Fernanda adentrou a sala, seu olhar percorreu por todos os lados, até encontrar o rosto de Arthur. Quase que no mesmo instante, seu nome apareceu na cadeira ao lado de seu amigo, que fez um gesto chamando-a para que ela sentasse ao lado dele.
— Caramba! Pensei que nenhum de vocês ia vir — falou Arthur, soltando um pesado suspiro, enquanto olhava para Fernanda, que já estava sentada ao lado dele.
— Nós só demoramos porque teve um cara que começou a encher o saco do André.
— Como assim? Ele tava querendo brigar com o André? — perguntou Arthur, arqueando uma das sobrancelhas.
— Não exatamente briga, mas aposta! Ele estava querendo apostar dinheiro para ver quem reprovaria primeiro.
— Sério? E o que o André fez? Ele não é de ficar aceitando aposta!
— Mas ele acabou aceitando!
— Ué?
— O cara meio que descobriu o ponto fraco do André e acabou usando isso contra ele.
— A Júlia?
— Sim! Aí você sabe, né. Na frente dela, ele meio que não queria fazer feio, então acabou aceitando.
— Puts…
Os dois acabaram não vendo, mas enquanto conversavam, Júlia passou pela porta. Ela os viu e caminhou até eles.
— O… Oi! — Ela disse, sentando-se na fileira da frente, bem à frente de Fernanda.
— Jú! Que bom que você conseguiu passar! — falou Fernanda.
— E aí tampinha! Tá tudo bem contigo? Não aconteceu nada de estranho enquanto você passava pela barreira?
— Nada de ruim! Eu entrei pela barreira e dei de cara com a porta! Passei por ela e cheguei aqui! Eu só fiquei com um pouquinho de medo, sabe?
— Mas agora tá tudo bem, Jú! Se tranquilize e vamos esperar o André chegar! — finalizou Fernanda.
E no segundo depois de Fernanda terminar sua frase, André apareceu. Suas sobrancelhas estavam franzidas, seus dentes rangiam e seus punhos estavam fechados.
Ele olhava para todos os lados, procurando seus amigos e ao encontrá-los, levantou as duas sobrancelhas, deu um sorriso e um lento suspiro, logo depois caminhou até eles.
Júlia se levantou e deu nele um grande abraço quando o mesmo chegou perto dela.
— Nossa, fiquei com muito medo! — afirmou Júlia.
— O que tem que ser, sempre será, Jú! — respondeu André, indo se sentar na cadeira, bem na frente de Arthur.
Já Arthur sorriu e colocou as mãos nos ombros de André.
— Que história é essa de aposta? Me conta aí como aconteceu isso aí!!
— Ah, cara. Agora não! Depois eu conto essa merda!!
O tempo ia passando e outras pessoas iam aparecendo e a sala cada vez mais ficava cheia.
E então, enquanto aparecia mais gente, um veio a se destacar no meio de muitos. O homem, ao passar pela porta, sorriu de uma forma bastante estranha. Enquanto ele mexia a cabeça de um lado para o outro, seus enormes cabelos ruivos balançavam como uma leve brisa fresca.
— Olha lá ele! — disse Júlia, rangendo os dentes.
— Hum? — Arthur estranhou ao ver a figura do homem, já que o mesmo não apresentava, no olhar dele, uma figura encrenqueira, já que o mesmo estava usando um terno social que despencava até suas coxas.
Seu corpo apresentava ter uma enorme massa muscular.
Enquanto ele observava o local, o mesmo passava uma de suas mãos no próprio cavanhaque.
Porém, o homem estranho, ao ver a cara de André, parou de se alisar e caminhou até ele.
— Ah não… — resmungou André.