Oito anos depois…
Grey, agora crescido, brincava no quintal gramado, correndo atrás de alguns corvos que voavam logo à frente dele.
– Ei! Voltem aqui!
Disse o garoto com uma risada divertida. Ele perseguiu os corvos até o limite do terreno. Os pássaros pousaram na cerca, e o garoto pulou para tentar alcançá-los, enquanto os corvos o observavam em silêncio.
Até que um dos corvos grasna.
– (Voe, Mestre, você consegue!)
A voz ecoou na mente de Grey. O garoto parou de pular e olhou em volta, tendo certeza que ninguém estava olhando. Então, ele olhou para o céu, e seus olhos verde-esmeralda brilharam intensamente. Uma aura verde-fluorescente emanava de seu corpo o fazendo levitar no ar.
Em poucos instantes, Grey levitava acima da casa. Seus longos cabelos negros e bagunçados balançavam sob o vento, junto com sua roupa simples: uma blusa de lã branca e calça de linho bege, presa por um cinto de couro marrom.
Os corvos voavam em volta dele, grasnando enquanto faziam acrobacias no ar.
– (Parabéns, Mestre!)
– (Isso mesmo, Mestre!)
– (Eu não esperava menos de você, Mestre!)
Diziam diferentes vozes que o elogiavam e mimavam. Grey gargalhava com os elogios e com a sensação do vôo. O sol do meio-dia queimava levemente sua pele cinzenta, enquanto o brilho destacava seus chifres negros, que agora estavam um pouco maiores.
Ele levitava ainda mais alto, enxergando a densa floresta verde que cercava o quintal onde morava. Olhou para outro lado e observou, ao longe, o vilarejo. Seu olhar curioso e interessado.
De repente, ele ouve sua mãe o chamando.
– Grey! Cadê você filho!?
O garoto olhou para baixo e viu sua mãe o procurando no quintal. Do alto, ela parecia apenas uma formiga abaixo dele. Então, se deslocou pelo ar, perdeu altitude e pousou no quintal. A aura verde-fluorescente se dissipou junto com o brilho dos olhos.
Cecília correu até ele, seus longos cabelos negros balançando com o movimento.
A mãe o abraçou com força, seu rosto branco demonstrava preocupação.
— Meu filho, você tá bem?
Perguntou, seus olhos castanhos percorrendo o filho de cima a baixo.
– Sim, mãe. Só estava brincando com os corvos.
Confessou com um sorriso divertido no rosto.
– Oh filho… o que eu te falei sobre usar magia?
– Que você não queria me ver usando.
– Então por quê estava usando?
– Porque você não estava vendo.
Respondeu com inocência, como se fosse algo óbvio.
Cecília soltou um suspiro preocupado e balançou a cabeça em negação.
– Não foi isso que eu quis dizer, filho…
– Então?
– Eu só não quero que você se machuque, entendeu?
Ela estendeu a mão e acariciou o rosto do filho com ternura.
– Mas eu não vou me machucar. Somente a Espada do Herói é capaz de ferir o mais puro e verdadeiro mal, é o que a profecia diz.
Cecília arregalou os olhos, preocupada.
– Como você soube disso?
– Estava escrito em um dos livros que o papai trouxe.
A mulher suspirou mais uma vez.
– Grey, meu filho, você não é mal, tá bom? Você nunca fez nada de errado. Sempre foi meu bom menino, não é?
Ela o encarou com afeto. Sua mão voltando a acariciar o rosto do filho, e o garoto sorriu levemente com o carinho.
– Sim mamãe. Vou ser um bom menino. Me desculpe.
Cecília deu uma leve risada amorosa.
– Não precisa se desculpar, tá bom? Agora venha. Fiz ensopado de frango com batata.
– Eba! Ensopado!
Comemorou o garoto, sua mão sendo puxada pela mãe, que o guiou até o interior da casa.
Depois do almoço, Grey, como de costume, foi até o próprio quarto. O cômodo era simples, com uma janela e cortinas entreabertas. A luz do sol entrava e iluminava o ambiente.
Encostada numa parede, estava sua cama, com o colchão de palha limpo e arrumado. Na outra parede, havia uma estante de livros que Igor trouxe. A maioria eram livros descartados ou velhos, os quais ninguém mais queria.
Do lado da estante, havia uma escrivaninha com uma cadeira, onde Grey lia e desenhava grande parte do tempo.
Pegou um livro de artesanato na estante. Suas unhas pretas e pontudas arranharam o couro da capa.
Se sentou na cadeira frente à escrivaninha e abriu o livro. Folheou as páginas, vendo desenhos de artesanato e instruções de como fazê-los. Então, parou numa página contendo instruções de como fazer um boneco de palha. Leu e memorizou cada passo e instrução.
Se levantou da cadeira com o livro em mãos, abriu as cortinas da janela e olhou para o lado de fora. Viu um dos corvos que havia brincado com ele mais cedo, parado em cima da cerca.
– (Ei Onyx! Venha aqui!)
Chamou mentalmente.
O corvo atendeu imediatamente. Voou até a janela do quarto de Grey e pousou nela, encarando o garoto.
– (O que deseja, Mestre?)
– (Poderia arranjar palha? Quero fazer isso para o papai e para a mamãe.)
Mostrou o livro aberto para o corvo.
O pássaro olhou por alguns instantes e acenou a cabeça.
– (Como deseja, Mestre. Posso pedir ajuda para outros dois corvos para essa missão?)
– (Claro! Quanto mais, melhor. Só não tragam muito, não quero fazer muita sujeira.)
O garoto deu uma leve risada.
– (Entendido. Licença Mestre)
O corvo saiu da janela e voou para o alto, saiu de vista em poucos instantes.
Grey se sentou novamente na cadeira, deixou o livro aberto em cima da escrivaninha e esperou pacientemente.
Depois de um tempo, cinco corvos pousam na janela do quarto. Cada um com um pouco de palha no bico. O garoto se levantou da cadeira e andou até a janela, estendendo as pequenas mãos acinzentadas. Pegou a palha que os corvos trouxeram e colocou em cima da escrivaninha.
– (Obrigado!)
– (Foi uma honra, Mestre.)
Os corvos abaixaram a cabeça em reverência e foram embora em seguida.
O garoto se sentou na cadeira e trançou e amarrou a palha, seguindo as instruções do livro. Suas unhas dificultavam a tarefa.
Após horas de esforço, dedicação, paciência e capricho, os bonecos estavam prontos. Um tinha aparência feminina e o outro, masculina, representando a mãe e o pai.
O sol já havia descido no horizonte. Tons alaranjados pintavam o céu limpo, algumas pequenas estrelas surgiam. A lua cheia que subia lentamente enquanto o sol desaparecia.
A ansiedade tomou conta de Grey. É nesse horário que normalmente o pai chegava. Mesmo que Igor, durante esses oito anos, nunca tivesse demonstrado afeto e sempre o desprezasse, o garoto quis dar aquele presente, numa tentativa de mudar a visão do pai sobre ele.
Cecília estava na cozinha, esquentava o ensopado de mais cedo no fogão a lenha. A estrutura era feita de tijolos de barro, sobre uma base de blocos achatados de rocha bruta e cinzenta. O carvão queimava e alimentava o fogo que esquentava a panela de barro com o ensopado. A fumaça subia e saía pela chaminé.
Igor o havia montado durante a reforma da casa. O que antes era um pequeno fogão a lenha improvisado, agora era maior e mais completo.
Cecília mexia no ensopado com uma concha de madeira. Até que Igor chegou, abrindo a porta de entrada e a fechando em seguida.
Ele andou até a esposa e lhe deu um beijo na bochecha.
– Cheguei, amor.
– O ensopado já vai sair, espere.
Igor suspirou cansado, andou até a mesa de jantar e se sentou numa cadeira. A vela acesa sobre o suporte iluminava seu rosto bronzeado e refletia em seus olhos cinzentos, que carregavam um olhar triste.
O casamento de Igor e Cecília havia se deteriorado desde do nascimento de Grey. Igor sempre acusava o garoto pelos incidentes que ocorriam no vilarejo, usando a profecia como prova. Cecília sempre protegia o filho, que nunca havia saído de casa desde bebê.
Dessa forma, ambos se tornaram distantes um do outro, mas, continuavam a se amar.
Grey saiu de seu quarto e andou até a cozinha. Viu seu pai sentado, encarando a vela.
O garoto se aproximou devagar com o boneco de palha na mão.
– Papai…
Chamou, mantendo a cabeça baixa. Grey sabia que o pai temia seu olhar, então sempre olhava para baixo quando ele estava por perto.
– Eu fiz isso para você.
Estendeu a mão até a mesa e deixou o boneco de palha na frente de Igor, recolhendo o braço rapidamente.
– É você. Eu aprendi com um dos livros que trouxe.
Tanto Grey quanto Igor ficaram em silêncio. Cecília serviu o ensopado em tigelas de barro, observando a situação.
Igor olhou para o boneco sobre a mesa com indiferença. Com um movimento da mão, tirou o boneco da mesa o fazendo cair no chão.
Grey olhou para o boneco caído e o pegou.
– Papai, acho que você deixou cair.
Ele estendeu a mão até o pai, para que o mesmo pegasse o boneco.
Igor deu um tapa na mão do garoto, o fazendo derrubar o boneco novamente no chão.
– Eu não quero nada de você, escória.
Disse com desprezo.
O garoto ficou em silêncio. Olhou para o boneco jogado e se afastou da mesa.
Cecília soltou um suspiro triste e cansado. Ela já não aguentava mais conversar sobre o tratamento que Igor dava ao filho.
Grey se aproximou da mãe e ofereceu o boneco que havia feito para ela, olhando diretamente para Cecília.
– Para você.
Cecília olhou para o boneco de palha e sorriu levemente.
– Essa sou eu?
– Sim, você gostou?
– Eu adorei. Vou guardar para sempre.
A mãe entendeu a mão e pegou o boneco, guardando no bolso da roupa.
– Hora de jantar.
– Estou sem fome agora. Só vou pegar água.
Grey se afastou da mãe, pegou um copo de madeira e andou até um barril cheio d’água, equipado com uma torneira.
Ele encheu o copo, fechou a torneira, saiu da cozinha, foi até o próprio quarto e fechou a porta em silêncio.
Enquanto isso na cozinha, Cecília serviu a si mesma e se sentou à mesa, longe de Igor.
– Sirva-se à vontade.
A mulher começou a comer em silêncio, sem encarar o marido. Igor apenas se levantou, foi até a cozinha e se serviu. Voltou para a mesa, onde ele e Cecília comeram juntos em silêncio.
No quarto de Grey.
O garoto deixou o copo d'água em cima da escrivaninha, arrastou a cadeira até a porta e colocou debaixo da maçaneta, impedindo a entrada de qualquer um que tentasse abrir.
Se aproximou novamente da escrivaninha. A luz prateada da lua cheia entrava pela janela e iluminava o cômodo. A brisa gélida da noite soprava suavemente as cortinas.
Grey olhou diretamente para o copo d'água, enxergando o próprio reflexo.
Estendeu ambas as mãos até o copo. Seus olhos começaram a brilhar, e suas mãos emanaram uma aura verde-fluorescente. A água do copo começou a brilhar na mesma cor da aura, porém com menos intensidade. O brilho sobrenatural iluminava o rosto do garoto, que continuava vendo o próprio reflexo.
– Mostre-me o futuro.
O reflexo de Grey se distorceu na água, formando uma espiral. Uma nova imagem surgiu: primeiro, o céu noturno e estrelado, a lua cheia brilhando em seu auge. Segundo, a densa floresta durante a noite, três figuras misteriosas, vestidas com mantos negros com capuzes que cobriam os rostos, seguravam embrulhos de tamanhos e formatos diferentes. Por fim, na mesma floresta, mas era de tarde, Igor aparecia com um rosto pelo ódio e desprezo, seu braço levantado e um punhal em sua mão.
A imagem se distorceu numa espiral novamente, voltando a refletir o rosto de Grey. O brilho da água se apagou lentamente.
– Entendo.
O garoto foi até a janela e olhou para o céu. Viu o céu noturno estrelado e a lua cheia.
– É hoje.
Olhou para um morcego que voava acima da casa.
– (Venha.)
O morcego realizou uma manobra no ar, descendo e voou até a janela do garoto, pousando nela.
– (Mestre. No que posso ser útil?)
– (Diga aos morcegos para vigiarem a floresta. Se algum de vocês verem três figuras encapuzadas, me avisem.)
– (Como desejar, Mestre.)
O morcego saiu da janela e voou em direção a densa floresta.
Grey posicionou a cadeira de frente a janela, se sentou e esperou.
A noite avançou lentamente, e Grey esperava pacientemente, observando em silêncio o céu noturno.
De repente, um morcego pousou na janela.
– (Mestre, há três pessoas encapuzadas na floresta. Estão se aproximando pelo noroeste.)
– (Bom trabalho. Agora me leve até eles.)
Grey se levantou da cadeira. Seus olhos brilharam, a aura verde-fluorescente envolveu seu corpo e saiu do quarto pela janela, se movimentando pelo ar frio da noite, seguindo o morcego que voava logo à frente.
Em instantes, deixou sua casa para trás e avançou em direção à floresta, voando acima das árvores.
O cenário era como um mar de árvores sem fim, com raras clareiras e pequenos lagos que refletiam a luz lunar.
O morcego que o guiava desceu em direção a uma clareira. Nela, três figuras encapuzadas andavam juntas. A do meio caminhava mais à frente, como se guiasse as outras duas.
Grey desceu até a clareira, pousando a certa distância, na frente das três figuras misteriosas. O brilho dos olhos e da aura desapareceu em seguida. A chegada repentina do garoto, assustou os três. Então, silêncio.
A clareira era iluminada pelo luar e cercada pelas árvores. As folhas e a grama balançavam com a brisa gélida da noite.
– M-Mestre?
Gaguejou a figura do meio. A voz era de um homem. Ele se aproximou de Grey com passos lentos e hesitantes, assim como as outras duas figuras.
O garoto apenas observava os três em silêncio.
– Vocês vieram. Eu já esperava a chegada de vocês.
As figuras pararam a poucos metros do garoto. Então, se ajoelharam e abaixaram a cabeça.
– Obrigado por vir nos ver pessoalmente, Mestre. É uma grande honra.
Disse o homem do meio.
– Por favor, permita-me apresentar-me e aos meus alunos.
– Tudo bem.
– Muito obrigado, Senhor. Meu nome é Enguerrand. Este à minha direita é Don.
Enguerrand apontou para o homem mais jovem.
– Será um prazer servi-lo, Mestre.
Disse num tom sério, fazendo uma pequena reverência com a cabeça.
– E esta é a minha mais nova aluna, Agnes.
– Estava ansiosa em conhecê-lo, Mestre.
Disse num tom mais empolgado.
Enguerrand levantou a cabeça, encarando diretamente Grey.
Ele podia sentir o olhar do garoto atravessando sua alma, como se o examinasse. Mas aquilo não o assustava. Na verdade, ele parecia gostar da sensação.
– Vocês não têm medo de mim?
Grey inclinou levemente a cabeça, com o olhar curioso.
– Certamente o tememos, meu Senhor, mas desse temor vêm nosso respeito, lealdade e obediência.
Enguerrand abaixou a cabeça novamente.
– Eu tenho observado o Senhor desde seu nascimento, aguardando até que você despertasse e controlasse sua magia devidamente.
Ele colocou a mão dentro da capa que cobria todo seu corpo. Don e Agnes fizeram o mesmo.
– Trouxemos presentes ao senhor. São humildes, mas esperamos que goste.
– Eu sou a primeira, Mestre.
Agnes se levantou e andou até Grey, o entregando um pequeno embrulho com formato cilíndrico.
– É um jarro do mais puro e verdadeiro mel, para você, meu Mestre.
Ela se ajoelhou em seguida.
– Mel?
Grey desenrolou o embrulho, revelando um jarro de vidro contendo mel em seu interior. Ele removeu a rolha do frasco, sentiu o aroma doce da substância e então colocou um dedo do recipiente, levando uma pequena quantidade até a boca.
– É gostoso! Muito obrigado,Agnes!
Ele sorriu alegremente, fechando o frasco novamente e o embrulhando.
– Sou indigna de seu agradecimento… Valeu muito a pena me arriscar por isso.
– Minha vez, Mestre.
Don se aproximou, tirando um grande livro de debaixo da capa. O livro tinha a capa de couro marrom, nela o título: “Eras: A História do Mundo”.
Ele entregou o livro ao garoto. Grey sentiu o peso quase imediatamente.
– Esse livro contém todo o conhecimento do continente e das antigas eras. O conteúdo dele ainda é recente, ele também contém o conhecimento da era atual.
Don se ajoelhou em seguida.
– Obrigado Don. Eu queria muito um novo livro. Vou começar a ler amanhã.
O garoto continua sorrindo. Ele encarou Enguerrand, esperando sua vez.
– Perdão pela demora, Mestre.
O homem rapidamente colocou a mão dentro da capa e retirou uma pequena caixa do tamanho da palma da mão.
– Mestre, essa caixa contém um espírito das trevas. Eu pessoalmente o invoquei e o selei. Ele será o seu mais eterno servo. Irá te proteger e te servir como o Senhor quiser.
Enguerrand lentamente abriu a caixa. Uma espessa e quase líquida névoa negra vazou para fora.
A “névoa” assumiu uma forma serpentiforme e voou em volta de Grey, até que ela aumentou de tamanho e assumir uma forma humanoide.
O corpo da criatura era escuro, sólido e nebuloso, ficando do tamanho de um homem adulto. Dois pontos brancos e brilhantes surgiam em seu rosto, como se fossem olhos.
A figura encarou Grey, e o garoto o encarou de volta.
– Mestre…
A voz da criatura parecia um sussurro que ecoou de forma sinistra pelo ar.
– Um nome… Por favor…
Grey olhou a criatura de forma pensativa por um longo tempo.
– Bolverk!
– Bolverk…
A criatura estendeu as mãos, pegando o pote de mel e o livro com cuidado, os carregando para Grey.
O garoto acenou a cabeça alegremente. Bateu palmas com um sorriso alegre e satisfeito no rosto.
– Parabéns! Vocês fizeram bem!
Enguerrand ergueu a cabeça, surpreso.
– Muito obrigado, Mestre! Obrigado por reconhecer nosso esforço!
– Eu digo o mesmo! Eu não esperava que você fosse gostar do mel…
– Estou feliz em servi-lo, Mestre. Espero que o livro que lhe dei seja útil.
Grey acenou a cabeça em confirmação.
– Muito obrigado! Vou voltar a dormir!
Grey se virou de costas, já se preparando para voar novamente.
– Espere! Mestre!
Enguerrand se levantou desesperado.
Grey se virou e olhou para ele, curioso.
– Perdoe minha ousadia e precipitação, mas o Senhor não vem conosco?
O garoto continuou o encarando em silêncio.
Enguerrand continuou:
– Nós até preparamos um covil com um trono digno ao senhor…Esperávamos que…
– Amanhã à noite.
Interrompeu Grey.
Enguerrand ficou em silêncio por um momento, esperando Grey terminar de falar.
– Tenho coisas para fazer amanhã, mas termino até a noite, podem me esperar aqui até lá?
Ele encarou Enguerrand, sua expressão facial neutra.
O homem se ajoelhou novamente.
– Claro, Mestre. Como quiser.
– Enguerrand.
– Sim, meu Mestre?
– O que significa chamar alguém de “escória"?
– Bem… Em resumo: é uma forma de chamar alguém de lixo sem val
or, totalmente desprezível, um fardo para todos. Por quê?
Grey sorriu levemente.
– Perfeito.
Os olhos de Grey brilharam novamente. Sua aura envolveu o corpo, e ele rapidamente levantou voo, ficando acima da clareira.
Bolverk o seguiu voando, deixando um rastro de escuridão nebulosa no caminho.
Em poucos instantes, Grey e Bolverk atravessaram o céu, saindo totalmente da vista de Enguerrand, Don e Agnes.
Continua...