E Eu Casei.
Me chamo Lia Silvan. Naquela época, eu tinha vinte e cinco anos.
Não tenho muito orgulho disso, porém era uma solteirona que morava com os pais.
Bem... apesar de me chamarem de desempregada ou desocupada, nunca deixei de fazer minha parte para contribuir.
Eles não entendiam que eu não trabalhava porque não precisava trabalhar!
Sendo investidora, na época eu recebia de dois a três salários mínimos apenas em dividendos.
— Aff!
Minha mãe e meu pai me olhavam como se eu os estivesse incomodando.
São dois pombinhos apaixonados que até parecem recém-casados, apesar da idade.
— Bom, vamos iniciar essa minha história louca. Vai deixar muita gente de boca aberta ou de queixo caído, mas... talvez não!
— Se me xingarem, vou estar cagando para vocês. Não ganho para isso, sou uma investidora bem rica.
Breve silêncio.
— Ei, você escreveu essa última parte, Michel?
— Sim, Lia. Todas as palavras em negrito.
“Porra...”
— Pois apague, Michel. Eu acabei pensando em voz alta. Quem vai comprar um livro sendo xingado no primeiro capítulo?
Michel a abraçou.
— Eu compro. Você é tão linda xingando.
— Tch! Você sempre tem as respostas certas na ponta da língua, Michel.
Por algum tempo, os dois travaram uma intensa luta de marido e mulher na cama.
Lia se levantou com as pernas fracas.
Seguiu até o notebook e passou duas horas modificando o texto.
“Hehe... uma obra-prima dessas precisava dos toques finais desta grande Lia.”
— Cof! Agora é sério, gente... vai começar essa minha louca história.
◇◇◇
De certa forma, naquela manhã tudo aconteceu como Lia estava acostumada.
Descendo a escada, presenciou aquela cena que constrange qualquer filho ou filha.
— Mãe e pai! Poxa vida... Vocês não têm vergonha? — gritou, frustrada. — Não queria que minha primeira visão ao acordar fosse vocês dois nessa pegação toda!
Seu pai, que estava sentado no colo da mãe enquanto a beijava, interrompeu sua investida e encarou Lia com um sorriso sarcástico.
— Acredito que uma filha que ainda vive debaixo das asas dos pais aos vinte e cinco anos deveria ter mais vergonha na cara!
Ele bufou.
— Pare de interromper o meu momento com sua mãe.
Um gemido ecoou.
— Kyaa! Querido, a Lia está aqui. Olhe essa mão boba!
— Hehe. Se ela vive debaixo do meu teto, não deve reclamar!
“Esses dois são meus pais: Romeu Silvan e Julieta Silvan. Sim, esses são mesmo os nomes deles. Não estou brincando. Acho que era destino os dois se encontrarem.”
Lia olhava para os dois, quase vendo corações flutuando entre eles.
Ela ficou meio enjoada. Gostaria que seus pais se amassem em particular. Eles deveriam ter um pouco mais de respeito por ela.
— Filha... — a voz de Julieta surgiu com um estranho pesar. — A mamãe te defendeu por muito tempo, porém, quando você vai casar?
Lia abriu a boca para se defender, mas a fechou logo em seguida, sem encontrar nenhum argumento.
Mas Julieta não cessou as facadas no coração da pobre filha.
— Sua irmã é cinco anos mais nova que você e já tem um filho de dois anos, mas você continua com essas teias de aranha.
— Tch! Tch!
Seu pai apenas concordava em desdém, sem se importar com os sentimentos dela.
Lia suspirou. Já estava acostumada.
Ignorando os dois, colocou o avental e foi preparar seu miojo com salsicha.
Apenas murmurava baixinho:
— Ela é ela, eu sou eu... Na verdade, se não fosse por mim, nem casada ela estaria.
Suspirou.
— Deixa para lá!
Era sábado, e o dia passou rapidamente.
Lia estava um pouco animada, pois tinha alguns investimentos em criptomoedas, e o Bitcoin havia alcançado cem mil dólares.
“Meus pouco mais de dois mil reais investidos se transformaram em duzentos e trinta mil.”
Ela realmente não tinha problemas com dinheiro.
“Talvez eu devesse comprar uma casa? Bem, talvez veja isso depois.”
Subindo as escadas após lavar a louça, foi dormir. Ganhar dinheiro era bom, e ela estava satisfeita.
— Lia, não esqueça de acordar cedo. Sua irmã e seu cunhado virão passar o dia aqui.
Ouvindo o grito vindo de baixo, ela se lembrou de que o dia seguinte era domingo.
“A pirralha casada está vindo.”
Ela não reclamou muito, pois, apesar da irmã, seu sobrinho era uma fofura!
— Certo, mãe! — gritou em resposta, mas logo ouviu seu pai falando.
Naquele momento, pensou em procurar um buraco para se enterrar.
— Minha pequena Lia... o papai e a mamãe vão brincar bastante hoje à noite, então coloque os tampões de ouvido!
— Credo, pai... Tenha decência!
O rosto de Lia ficou vermelho como um tomate ao enterrar a cabeça no travesseiro.
— Querido... assim você me mata de vergonha! Como vou encarar a Lia amanhã?
Julieta estava envergonhada, mas não rejeitava os carinhos apaixonados de seu Romeu.
— Ela já é bem grandinha e entende que essas coisas acontecem entre duas pessoas que se amam.
Romeu puxou Julieta para a cama como um valente cavaleiro que travaria uma grande batalha.
Deu-lhe um beijo apaixonado, deixando-a sem fôlego.
— Não se preocupe, minha Julieta. Essa é apenas uma das inúmeras noites em que ela escutou a melodia do nosso amor.
Ela ficou vermelha ao ouvir isso.
— Eu sei, mas... kyaa! Ahh! Querido, devagar! Não sou mais tão jovem.
Empurrando-o para a cama, Julieta ficou por cima.
Parecia tomada por um desejo intenso.
Sua voz surgiu suave.
— Você está certo, querido... Quando ela estiver com um homem que ama, vai entender.
Os barulhos das molas da cama e os sons impróprios continuavam, e Lia, mesmo usando os tampões de ouvido, ainda conseguia escutá-los.
Naquela noite, ela não dormiu. Todavia, tomou uma decisão definitiva.
Finalmente havia decidido comprar uma casa para sair daquele sofrimento.
◇◇◇
Nota da Lia: Achou meus pais estranhos? Calma... o pior ainda nem apareceu.
Nota do Michel: Não acreditem em tudo o que ela escreve. Eu também tenho direito de resposta.