Lia levantou-se nas pontas dos pés e foi até o notebook novamente.
“Hehe. Claramente, a magnífica Lia tem que dar algumas palavras de ânimo para os leitores.”
— Gente, é a Lia novamente. Quero dizer que, se essa pobre alma solitária encontrou o amor...
Ela sorriu.
— ...se teve jeito para mim, é certo que vocês também encontrarão. Nunca desistam!
Uma hora depois...
Michel levantou-se. Primeiro, colocou sua esposa, que havia caído no chão, de volta na cama.
“Ela consegue ficar linda até dormindo no chão. Como ela não acorda depois de cair da cama? É um mistério ao qual ainda não me acostumei, mas... como não amá-la?”
Seu olhar pousou sobre o notebook, que ainda estava ligado.
“Bem que imaginei.”
Em alguns passos, alcançou a bancada onde estava o notebook.
Sorriu enquanto seus dedos corriam rapidamente pelo teclado.
— Eh... sou eu, Michel. Só complementando... às vezes, a pessoa certa está mais perto do que você imagina.
Suspirou.
— Não sejam exigentes demais... quem procura a pessoa perfeita acaba sem ninguém — comentou. — Se não abraçarem essa pessoa agora, ela ficará cada vez mais distante.
Soltou o ar lentamente.
— E... essa pessoa vai se casar, ter filhos e ser feliz. Mas quem estará ao lado dela não será você!
Fechou os olhos por um breve instante.
— Deixem de ser covardes!
◇◇◇
A manhã chegou.
Lia levantou-se às cinco horas, mas não porque precisava acordar cedo; simplesmente não havia dormido.
Seus pais, apesar da idade, ainda tinham muita energia e fizeram o amor durar até as três da manhã.
Sem escolha, Lia apenas colocou os fones de ouvido para abafar os barulhos constrangedores, embora ainda não conseguisse dormir.
Nesse meio-tempo, ligou o computador e jogou por algumas horas. Depois, acabou olhando suas fotos: lembranças da escola, da infância e da adolescência.
Havia também as viagens que fazia com sua família e com a família vizinha, que morava ao lado anos atrás.
Ao observar o menino gordinho de óculos que aparecia em praticamente todas as fotos, Lia sorriu ao se lembrar daquele tempo.
Era o filho da vizinha e também seu amigo de infância, Michel.
Eles sempre jogavam e brincavam juntos. Eram inseparáveis.
— Ahaa... Pergunto-me se ele ainda se lembra de mim... ou se me perdoou pelo que fiz...
Sentada na cama, abraçava os joelhos enquanto as lembranças do passado arrancavam um sorriso de seus lábios. Contudo, ele desapareceu tão rápido quanto surgiu.
Ela sabia que não adiantava se prender a um passado que jamais voltaria. Tudo o que lhe restava eram as lembranças.
Quando seus pais deram as caras, já eram dez da manhã.
Seu pai tinha um sorriso radiante no rosto, enquanto sua mãe estava com o rosto corado de vergonha ao se sentar à mesa.
Lia arqueou os lábios em um sorriso perverso ao se aproximar da garrafa de café e do prato com ovos fritos.
— Os dois coelhos deveriam tomar mais cuidado. Nessa idade avançada, pode ser perigoso!
— Oh, filha... Não diga isso! — Julieta não deixou de gritar enquanto escondia o rosto de vergonha.
Ela sabia que a noite tinha sido intensa e acabou elevando um pouco o tom de voz.
Romeu exibia um ar de orgulho no rosto, mas Lia não o deixaria escapar impune pela noite de sono que perdera.
— Meu coroa...
Ao ouvi-la chamá-lo, Romeu olhou para ela, esperando o que diria. Porém, seu sorriso desapareceu ao escutá-la.
— Sua idade é perigosa para tomar esses azulzinhos um atrás do outro... Cuide-se, pai!
Uma veia saltou em sua testa.
— Sua... sua pirralha!
Vendo-o levantar-se irritado, Lia saiu correndo enquanto ria. Foi tão rápida que eles só perceberam quando a porta já havia se fechado.
— Quem disse que preciso de azulzinho? Ainda funciono muito bem, hmpf! — comentou baixinho, sem entender como ela sabia do seu segredo.
Abraçando-o, Julieta tentou consolá-lo.
— Amor... mas ela está certa. Cuide da sua saúde!
— Até você, meu bem?
— Sei que tenta guardar segredo, mas é normal... — respondeu Julieta, sem perceber o peso de suas palavras. — Com a sua idade, precisar de uma ajudinha para levantar.
Suspirando fundo, Romeu apenas aceitou o golpe mortal que recebera logo pela manhã.
— Não é de admirar que ela seja sua filha. Tão afiada quanto você!
Deu alguns passos e a puxou para seus braços.
— Kyaa! Querido, agora não...
Julieta tentou fugir, mas já era tarde.
— Hehe! Você merece uma punição pelas suas palavras duras.
— Ah, não! Espera... ainda estou dolorida de ontem.
Pegando-a no colo, Romeu a levou para o banheiro sem demonstrar a mínima misericórdia.
◇◇◇
Notas de Michel: Minha esposa disse que foi isso o que aconteceu depois que ela saiu... sinceramente, tenho minhas dúvidas. Como ela saberia?
Notas de Lia: Pessoal, observei que meu marido intrometido está duvidando de sua maravilhosa esposa. Ignorem o Michel. Sou a narradora desta história e posso confirmar que aconteceu exatamente assim.
Confia na mãe. ^-^